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Violência completa um ano como principal preocupação dos brasileiros, diz Quaest

15 de julho de 20269min
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No RJ, Claudio Castro vive queda definitiva na política após escolha de Carlos Portinho como candidato ao Senado

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Carlos Eduardo Éboli

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Assuntos2
  • Violência FiccáriaViolência · Pesquisa Quaest · Segurança pública · Crimes de estelionato digital · Roubos de celulares · Roubos de veículos
  • Distribuição de desgaste políticoCláudio Castro · Carlos Portinho · Eleições Senado Rio de Janeiro · Polícia Federal · Flávio Bolsonaro
Transcrição6 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Conversa de bastidor. Mudamos o horário hoje um pouquinho, né, porque tem muita notícia, né.

?Voz B

Tivemos entrevista também, muitas informações, e aí a gente deixou para esse bloco para ter mais tempo, né, sem repórter CBN ali para cortar o raciocínio no meio. E Leandro, vamos falar sobre a violência que completa um ano como principal preocupação dos brasileiros, de acordo com a Quest, não é isso?

?Voz 1

Isso, saiu uma pesquisa Quest hoje mostrando as intenções de voto, né, para a presidência da pública. E o instituto mostrou ali dados sobre o Lula, Flávio Bolsonaro. Lula aumentou a distância, sobretudo no segundo turno. Mas quero pegar um aspecto muito específico dessa pesquisa que diz respeito aqui ao nosso Rio de Janeiro também. Há um ano, desde julho de 2025, pelo menos desde julho de 2025, que a violência é a principal preocupação dos brasileiros.

Hoje, 31% da população aponta a violência como principal problema, como a principal questão que mobiliza a atenção do brasileiro. Isso não é à toa, né? Nós temos, nós estamos batendo recorde de crimes de estelionato digital, roubos de celulares nas grandes capitais. Aqui no Rio de Janeiro, roubos de veículos. Todos os dias a gente reporta com uma maneira natural, que a gente tenta sempre desnaturalizar, mas um grande número de fuzis apreendidos.

É claro que isso acaba transbordando de uma questão local para uma questão nacional. E aí grandes questões que foram o assunto em outras eleições perderam espaço. Por exemplo, saúde, corrupção e economia são as principais preocupações, e problemas sociais são as principais preocupações de 15% do eleitorado. 15% diz que se preocupa mais com saúde, 15% com corrupção, 14% com economia, 14% com problemas sociais. Tudo ali tecnicamente empatado.

E lá na frente a violência como a principal preocupação brasileira. Essa curva exibida pela Quest mostra que em um ano a preocupação dos brasileiros com violência atingiu o seu ápice em novembro de 2025, no rescaldo da mega operação que deixou mais de 120 pessoas mortas nos complexos da Penha e do Alemão. E aí eu fui fazer uma pesquisa reversa, fui pegar a pesquisa Quest de 2022, a essa altura do campeonato, julho de 2022. 4 anos atrás.

Perceba, não era um assunto, sequer era perguntado se havia preocupação dos brasileiros com violência. A questão ali era ainda o rescaldo da pandemia de COVID-19, preocupações com o futuro da democracia e a questão do preço dos combustíveis. Eram os temas nacionais. Hoje tudo isso foi suplantado por um grande assunto: segurança pública. E aí as hipóteses sobre o porquê desse problema estar colocado, elas são muito claras, né? Há um grande número de celulares roubados.

O governo tenta reagir a isso, procurou criar ali um programa, por exemplo, como o Celular Seguro, mas há um certo descolamento entre o que o eleitorado vê como grande problema e o que as principais campanhas presidenciais estão apresentando. E aí, nesse sentido, saiu hoje no jornal O Globo um artigo do Maurício Moura, que é do Instituto Meio Ideia, que também faz pesquisas de opinião, e ele diz Essa vai ser a primeira eleição em que, em tese, a segurança pública teria protagonismo para eleger um presidente.

O PT venceu as suas eleições nacionais se apresentando como o partido das políticas econômicas e sociais para os mais pobres. O PSDB, quando venceu, teve ali o seu êxito demonstrando que aquele partido conseguiu estabilizar a moeda, resolver as questões da inflação Por exemplo, o Collor e o Bolsonaro são fora da curva no sentido de se apresentaram para o eleitorado como os bastiões do combate à corrupção, mas ninguém consegue elaborar uma resposta plena para o anseio que a sociedade tem de um combate à violência.

O governo tem o Celular Seguro, tem o Programa Brasil contra o Crime Organizado, que também foi apresentado, só que a percepção de que o combate à violência está melhorando, para além de ser uma questão estadual, ela tem um componente nacional também. Isso não aparenta nas pesquisas de opinião, não aparece nas pesquisas de opinião. A violência segue sendo a grande preocupação dos brasileiros. E aí você tem uma direita que não, também não consegue catapultar a sua narrativa em torno de uma pauta sobre, sobre segurança pública e transformar isso numa vantagem eleitoral verificável.

Hoje você tem uma direita que não tem praticamente ideia nenhuma, que não seja as brigas intestinas que tem dentro da família Bolsonaro. Não tem um projeto de segurança que não seja aquela narrativa do bandido bom é bandido morto, imitar o que aconteceu em El Salvador, quando na verdade as pessoas têm outros anseios que não estão sendo respondidos, nem a esquerda nem a direita. Uma pesquisa quase interessante que aponta o que nós aqui no Rio sabemos muito bem.

Violência é a nossa grande preocupação. A gente falou, claro, a nível nacional aqui, mas é uma questão estadual muito sensível. Basta ver o CBN Rio de ontem, de ontem, ontem também, né? São mais de 400 fuzis apreendidos no estado do Rio de Janeiro. Isso é naturalizado, mas é muito grave.

?Voz B

E falando agora em eleições, Leandro, aqui no Rio a escolha de Carlos Portinho para disputar o Senado também marca um novo capítulo aí nessa queda de influência do ex-governador Cláudio Castro, né?

?Voz 1

Agora é aquela radical, né? O ex-governador criou todo um cenário para colocar o Bacelar como presidente da Alerj, depois governador do Rio de Janeiro numa eleição indireta, e ele tranquilamente seguiria um voo, seria um voo cruzeiro mesmo, para se eleger senador. Lá atrás, quando esse plano foi apresentado, quem sim surgiu? Carlos Portinho, senador, dizendo: senador sou eu. Eu já tô aqui, eu quero ser candidato. O PL não levou a sério, Cláudio Castro tratorou, veio a Polícia Federal, o Bacelar foi preso, o Cláudio Castro foi alvo duas vezes da PF.

E no fim das contas, o candidato ao Senado é o cara que tava lá atrás sozinho dizendo que ele que seria o candidato ao Senado, porque ele já tava no cargo depois da morte do Harold de Oliveira. Carlos Portinho assumiu o mandato, virou líder do governo Bolsonaro, e agora foi escolhido pelo Flávio Bolsonaro para representar a direita em uma das vagas das eleições. O outro candidato, Márcio Canella, que foi preso na semana passada, ele deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O marco definitivo da queda do Cláudio Castro, portanto: sonhou ser candidato ao Senado, foi, teve que desistir do cargo por conta da Polícia Federal, viu o seu adversário do mesmo partido, seu escolhido para a vaga que Ele, Cláudio Castro, queria. E tá tão esquecido que o Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio, foi no podcast lá do Rodrigo Pimentel. Rodrigo Pimentel foi do BOPE, foi comentarista de segurança pública durante muito tempo, é uma figura muito influente, tem um podcast lá que bomba.

E aí o Pimentel perguntou: Douglas Ruas, você é o candidato do Cláudio Castro? Aí ele: não, não, não, não, não, não, não. Não sou candidato do Cláudio Castro, não, sou candidato do Flávio Bolsonaro. Então quer dizer, ninguém mais quer ficar perto do Cláudio Castro. Quem se aproxima dele é a Polícia Federal, o Ministério Público, a Polícia Civil, dele e de um monte de gente que tava na foto com ele. Inclusive, quem tava na foto com ele era o Douglas Ruas, foi secretário de cidade do Cláudio Castro numa pasta que foi criada para ele, por influência lá do Altineu Costa.

Mas esse movimento de escolha de candidato para o Senado é um marco aí dessa queda abrupta. De março para julho, Cláudio Castro foi de um senador certo para uma figura totalmente fora do baralho da política do Rio de Janeiro.

?Voz B

É a política do Rio dando voltas aí, né? É isso aí, Leandro. Bom para reflexão nossa, né, nesse período pré-eleições.

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