Agro brasileiro tem riscos elevados com novo bloqueio do Estreito de Ormuz e tensões no Oriente Médio
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Cassiano Ribeiro
Danton Boatini Júnior
- Agricultura BrasilBloqueio do Estreito de Ormuz · Tensões no Oriente Médio · Falta de fertilizantes · Aumento de preços de insumos · Dependência de importações
- Impacto da guerra no abastecimento globalRedução de produção da Mosaic · Falta de enxofre · Aumento de preço da ureia · Guerra Rússia-Ucrânia
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CBM Agro com Cassiano Ribeiro, da Globo Rural.
Oferecimento FAESP, Senar e Sindicatos Rurais, a força que vem do campo.
Cassiano Ribeiro já aqui com a gente. Tudo bem, Cassiano? Tudo bem, Sra. Demétria?
Tudo bem, Cássia? Boa tarde. Boa tarde, Tá acontecendo.
Estamos aqui com Danton Boatini Júnior, que é editor assistente lá do Globo Rural, e o assunto é fertilizantes. Quer dizer, esses indas e vindas da guerra, que continua a guerra. O Trump disse que ia cobrar pedágio, não vai mais cobrar pedágio lá no Estreito de Ormuz. Mas o fato é que nesse ambiente todo o Brasil tá sofrendo com a falta de fertilizantes ou de insumos para produção de fertilizantes, né, Cássia? Nós estávamos vendo agora pouco isso.
A gente estava falando de uma, exatamente, uma empresa de fertilizantes, a Mosaic, anunciando que vai reduzir a produção em fábricas brasileiras por causa da falta de enxofre, que é considerado uma matéria-prima essencial em adubos usados no plantio de várias culturas: soja, milho, trigo, café, arroz.
Exatamente. Não é a primeira, Cássia, nem é a primeira vez também que a Mosaic fala sobre essa redução de operações no Brasil. Essa agora parece ser mais intensa, e ela cita exatamente a falta de enxofre, que é, como você disse aí, uma matéria-prima para os fertilizantes fosfatados, muito usados em soja, por exemplo. Não tem como o Brasil hoje produzir soja sem alguns componentes, entre eles os fosfatados: fósforo, potássio, ureia.
São fertilizantes aí que todos vêm de fora, maior parte, 90% do que o Brasil usa nas lavouras vem de fora. E com essa nova tensão no Oriente Médio, o perigo fica maior, porque lá no do início da guerra havia um tempo ainda, né? Começou lá em final de março, final de fevereiro, início de março. Isso, exatamente. E a gente teve então os analistas falando assim: não, vai dar tempo do produtor brasileiro esperar essa guerra acalmar e comprar esse fertilizante para safra de verão, começa a ser plantada muito em breve agora em setembro.
Problema agora que nós estamos aí às vésperas da nova safra, com produtor já com quem comprou fertilizante para safra de verão tá praticamente com um produto já em campo ou para chegar, já comprou. Agora, com essa nova tensão, quem vai plantar safra de inverno? Porque aí, né, o Brasil produz o tempo todo ao longo do ano, né? Colhe soja, vem com milho ou trigo ou feijão lá em janeiro, fevereiro. Essa cultura já precisa estar sendo garantida aí, o insumo fertilizante, principalmente nessa época do ano, que agora no segundo semestre, quando aumenta a demanda por fertilizantes no Brasil.
Então Esse novo quadro agora, ele agrava um quadro já lá do início da guerra, porque essa incerteza do produto chegar ou não, ela tem preço. E aí a gente viu ureia, por exemplo, né, que é um outro grande fertilizante usado pelos produtores brasileiros, já dobrou de preço. Danton acompanha isso semanalmente com os analistas e eles já falam que tem não só a falta de enxofre, mas possibilidade de aumento de preço. Na verdade, o preço já aumentou, né, Danton, de novo.
É, o Cássia e Sardenberg, o que as consultorias têm dito é que o mercado de fertilizantes esse ano no Brasil ele vai encolher aí de 10 a 20%, né, varia conforme a fonte. E embora o Brasil seja uma potência agrícola, né, hoje mesmo a CONAB confirmou praticamente aí um recorde na safra 25/26, o país ainda é extremamente dependente das importações, 85, 90%, como o Cassiano falou. E isso num momento de tensão geopolítica, o país fica extremamente vulnerável, né, em relação a esses acontecimentos.
E acho que essa questão da incerteza, né, que o Cassiano citou, é um dos principais pontos, se não o principal, porque a gente tem uma série de anúncios que são feitos pelo presidente dos Estados Unidos em relação a esse conflito. Depois ele recua destes anúncios e a gente fica nessa incerteza sem saber o que vai acontecer. O que eu imagino que para os produtores e seja algo que pode ser fatal, né?
É um problemão, porque você tá num ano, Cássia, de extremamente de riscos elevados. Tem um El Niño aí forte, né? A pessoa tá considerando um El Niño forte com características bastante marcantes agora para chegar, e cada vez mais confirmando esse quadro de El Niño forte. Você tem um problema de custos já elevados por causa da guerra no Oriente Médio e também por causa da guerra entre Rússia e Ucrânia, que também fez os preços de fertilizantes dispararem já lá desde o início da guerra no leste europeu, há 4 anos.
Enxofre, por exemplo, é muito produzido nessa região, tanto no leste europeu como no Oriente Médio. Seja produção ou transporte ali, ele acontece nessas regiões. Então o produtor já vê o preço subindo, tem um custo cada vez maior, né? Imagina dobrar o custo com fertilizante, rouba imediatamente o caixa, né, a rentabilidade do produtor. Com preço de soja, o preço dos grãos aí que não acompanha esse aumento de custo, até pelo contrário, né, tem uma oferta grande chegando agora no mercado, especialmente por causa dos Estados Unidos, a tendência de pressão de baixa sobre o preço de commodities com custos elevados.
Então é tudo, como o próprio Danton trouxe aqui, tudo colabora para um ano em que o produtor vai usar menos fertilizante. Se usa menos fertilizante, produtividade tende a cair. Nessa safra tinha uma perspectiva de que muitos iam usar estoques de nutrientes da safra passada, mas fica, né, agora uma preocupação se continua essa tensão no Estreito de Ormuz, não passando o produto por lá, não chegando fertilizante no Brasil, produtor não tem nem opção de comprar, não tem uma alternativa, né?
Os biológicos inclusive, né, Danton, não são suficientes para resolver esse problema, né, de químicos.
E tem outro fator aí que é a questão do endividamento no campo, né? Tem uma discussão aí sobre o PL da renegociação no Congresso e seguro que não existe, né?
Seguro rural não tem.
Tudo isso acaba também influenciando, impactando negativamente no mercado.
É, e talvez um último ponto, né, é a incerteza, né? Quer dizer, digamos, o preço hoje tá caro e já esteve mais barato do que está hoje e tal, e o produtor fica sempre na dúvida, né? Eu compro hoje, amanhã a coisa se resolve, o preço cai, ou eu não compro hoje e o preço amanhã vai estar mais alto?
No início da guerra, inclusive, havia quem falasse que o melhor era esperar. Esperar porque a guerra ia ser curta. Pagou muito mais caro porque o preço só subiu. Agora, nas últimas semanas, quando o preço tava caindo, seguindo semanas ali de queda, vem anúncio agora de novas tensões, novos bombardeios, e o preço já vai voltar a subir.
Disponibilidade do produto também não chega, né? Entrega, né? Logística de entrega.
Tá certo, problemão. Cassiana, muito obrigado. Danton, muito obrigado aqui pela canja. E até uma próxima.
Até a próxima.
Até mais, Cassiana. Até mais, Danton.
Intervalo.
E já voltamos.
FAESP
Senac
Sindicatos Rurais