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Novas regras para bets chegam em meio ao aumento das apostas na Copa do Mundo

14 de julho de 202611min
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Ana Leoni e Nathalia Larghi explicam as mudanças na publicidade, alertam para os riscos da ludopatia e reforçam que apostas não devem ser tratadas como investimento.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Leoni

HostJornalista
N

Nathália Larghi

Host
Assuntos4
  • Regulamentação de ApostasMensagens de alerta obrigatórias · Limites para influenciadores · Proibição de divulgação de premiações
  • Comportamento de apostadoresLudopatia · Apostas não são investimento · Sinais de alerta
  • Opinião sobre apostas esportivasCopa do Mundo como impulsionador · Brasil como 5º maior mercado · Contratos de jogadores com bets
  • Ferramentas de autoexclusãoPlataforma do Governo Federal · Restrição de acesso a sites · Prazo de revogação
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz C

No fim das contas, Ana Leone, Natália Larghi, boa tarde.

NLNathália Larghi

Olá, pessoal, boa tarde.

?Voz C

Bom, reta final de Copa do Mundo, semifinais. A gente tem falado muito sobre o número de apostas crescente durante essa Copa do Mundo. O número de viciados em jogos não para de aumentar. E tem novas regras para publicidade de casas de apostas esportivas que entram em vigor essa semana. Ana e Natália vão falar um pouco sobre elas. Vamos começar pelas regras. Que regras são essas?

NLNathália Larghi

Então, Tati, como você falou, né, essa época aumenta muito o interesse pelos jogos, né? As pessoas acompanham ali Copa do Mundo, até pessoas que não se interessam muito por futebol estão acompanhando a Copa do Mundo, e cresce também a presença das bets nas campanhas publicitárias, né, não só nos jogos, mas também nas redes sociais. As transmissões esportivas quase sempre têm esse tipo de propaganda. E esse movimento acontece em meio a uma mudança importante na regulamentação da comunicação dessas plataformas, né, porque o governo federal anunciou novas regras para publicidade das apostas esportivas que entram em vigor já em 17 de julho, né, 2 dias antes da final da Copa, que vai ser no dia 19.

E aí, entre as medidas, o que que a gente vê? Tem a obrigatoriedade de determinadas mensagens de alerta, como por exemplo: apostar faz você perder dinheiro, apostas podem causar dependência, apostar não é investimento. Que a gente batia muito na tecla quando as apostas começaram a pipocar aqui no Brasil, ganhar popularidade, né? E além disso, as novas regras estabelecem também alguns limites para forma como as apostas podem ser promovidas por pessoas que têm influência sobre o público.

Porque recentemente surgiu uma discussão ali a respeito de narradores, comentaristas esportivos, influenciadores que estavam fazendo chamadas ou incentivos diretos ali para que as pessoas apostassem, né? Como por exemplo sugerir palpite, estimular a participação, associar uma aposta ali a uma vantagem financeira, né? Então vai ter limite em relação a isso. Que que é a ideia? É evitar que essas figuras que têm ali um poder de influência forte transformem a aposta numa coisa parecida com uma uma recomendação pessoal, né, uma oportunidade de ganho.

Olha, gente, a odd aqui tá boa porque o jogo tá assim. Então isso realmente vai ser limitado. E aí ficam proibidas também práticas como a divulgação do histórico de premiações de apostadores como uma estratégia, né, para estimular novos usuários. Porque quando você mostra ali uma pessoa que ganhou muito e tudo mais, pode sugerir, né, criar uma percepção de que os ganhos muito grandes são frequentes ou que são facilmente alcançáveis, coisas que não são.

Esse movimento acontece depois de um crescimento expressivo das bets no Brasil, né? Hoje o país é o 5º maior mercado de apostas do mundo, ele movimenta cerca de R$22 bilhões. Foi isso que movimentou pelo menos no ano passado, e esse ano, ano de Copa, a gente pode ver um número ainda maior. E aí esse fenômeno ficou conhecido, né, mais evidente ainda nessa Copa, porque a gente teve aquela brincadeira da seleção das bets, porque cerca de um terço dos jogadores convocados pela seleção brasileira, ou seja, 9 dos 26 tinham contratos individuais milionários com essas plataformas.

Sem contar assim a quantidade de jogadores que atuam em clubes que são patrocinados por empresas de aposta, né? A forte presença também das bets no ambiente esportivo tem realmente ajudado a aproximar a aposta do cotidiano dos torcedores, né? A gente vê isso em muitos lugares e por meio de muitas pessoas. E é justamente essa proximidade com o universo esportivo que gera essa preocupação, né? A possibilidade da aposta ser percebida não só como entretenimento, mas realmente como uma oportunidade de ganho financeiro.

Porque apesar de envolver dinheiro, aposta não funciona como investimento, né? Ela depende de um resultado incerto e em geral leva a perda do valor integral apostado. Então a gente precisa sempre ter essa mensagem muito clara.

?Voz E

Agora, Ana, como fazer, o que fazer para se proteger quando se percebe que a coisa fugiu do controle, precisa de ajuda?

ALAna Leoni

É, Fernando, o pior é que às vezes é difícil entender onde você ultrapassou o limite. Isso acontece com qualquer tipo de vício, né? É porque é difícil você ter evidências de que aquilo perdeu o controle. Então, acho que o principal alerta que a gente tem que fazer, e que acho que o que a Nath trouxe aqui está caminhando no sentido de trazer um pouco mais de evidências para isso, é entender que essas apostas não são investimentos.

Investimentos têm coisas, têm objetivos, têm definição e avaliação de riscos, tem uma estratégia por trás, mas é assustador ainda não saber qual é esse limite, porque 1/5 dos brasileiros que apostam em bets, ou seja, a gente está falando de 20%, acredita que está fazendo um investimento. Então, diferente de outros vícios em que você sente efeitos diretos na sua saúde física, aqui a gente está falando de algo que pode afetar a saúde mental e às vezes quando você tem algum problema de saúde mental é difícil de você criar um diagnóstico, você perceber que você ultrapassou essa linha.

E esses jogadores são na maioria homens, que têm em média aí 35 anos, e a maior parte tem aí uma renda familiar superior a R$5.000. Então quando a gente olha esses números, essas estatísticas, a gente vê que já tem gente perdendo o controle. Então muitas pessoas, né, estão olhando aí a aposta como uma atividade que é baseada em incerteza, como um meio de melhorar a vida financeira delas. Então mesmo quando existe aí conhecimento sobre esporte, as pessoas entendem um pouco daquela modalidade.

O resultado, né, de uma partida depende de diversos fatores, mas a gente tem aquela sensação de que a gente, né, que a nossa fezinha vai dar certo. Ainda assim, a gente tá falando de algo que pode ser muito perigoso, porque isso tá inserido dentro de uma atmosfera de diversão em que a gente não consegue estabelecer esses limites, são muito borrados, né? E o problema aparece, Fernando, quando a pessoa trata aposta como uma alternativa não só de se divertir, mas de aumentar a renda, pagar as contas, de alcançar algum objetivo financeiro.

Então a gente tá no fim aí competindo com algo que é muito divertido, né, em que se demora para a gente entender onde começa o problema. E as pessoas estão usando o seu dinheiro mais importante, seja ele da comida do dia a dia, da reserva de emergência, de outros investimentos que poderiam ser feitos. E aqui, quando a gente tá falando desse evento que mobiliza o mundo inteiro, a gente tá falando de fatores emocionais que podem influenciar ainda aumentar ainda mais as nossas decisões financeiras e o envolvimento das pessoas com esse tipo de atividade, né?

E aí financeiramente acaba sendo um problema. Então quais são os principais sinais de alerta aqui, né? Quando a gente começa a usar o dinheiro que é destinado para coisas essenciais para apostar, quando a gente começa a aumentar os valores apostados para tentar recuperar as perdas anteriores. Isso tem uma coisa, né, que é aquela falácia dos custos irrecuperáveis. Então a gente tenta recuperar pagar um custo que já tá perdido colocando mais recurso.

A gente acaba recorrendo a outras fontes de dinheiro, como crédito, empréstimos, para continuar apostando. E a gente deixa de cumprir obrigações financeiras por causa dos gastos em aposta. Então tem uma coisa importante que eu fiquei sabendo esses dias e eu trago aqui para vocês, até porque eu tô sendo inundada pelo meu algoritmo. Acho que tá viciado aí me trazendo muitas histórias tristes de pessoas que têm encarado o problema assim assustador, porque os números estão assustadores, né, Ana?

?Voz C

É uma amostra da vida real aquilo lá.

ALAna Leoni

Exatamente. Então, para quem não sabe, né, a gente tá falando de um vício, que esse vício se chama ludopatia. É muito sério. E o governo, percebendo isso, né, que a coisa tá fugindo do controle já bastante tempo, o governo disponibilizou uma plataforma de autoexclusão para bloquear o acesso a sites de apostas que são autorizados. A gente tá falando de um um universo, né, de sites que são autorizados, mas já é uma ferramenta de autocontrole ou de mesmo da gente ter esse controle externo que a gente não tá conseguindo sozinho.

Então como é que funciona essa plataforma, Tati, Fernando? Permite que o cidadão restringe o acesso às casas de apostas que são autorizadas, né, a operar no Brasil, para prevenir que haja mais danos financeiros e danos à saúde. Para isso a gente acessa o cadastro do gov.com tem que ter uma conta prata ou ouro, e escolhe o prazo dessa autoexclusão do CPF a essas plataformas, que pode ser determinado ou indeterminado, e aceita lá os termos do sistema.

Então, se você perceber que as apostas estão causando problema, até se recomenda buscar ajuda nas unidades básicas de saúde e alguma ajuda profissional. E esse mecanismo que tá sendo criado, que foi criado, né, de proteção, é interessante, que eu achei, eu fui pesquisar um pouco, e é o seguinte: se você entra lá e coloca lá o prazo determinado para sua autoexclusão, você só pode revogar essa decisão depois do término. Então, se você colocou 3 anos, só depois de 3 anos você pode mudar.

E se você coloca por prazo indeterminado, só após 12 meses. Então é uma ferramenta importante, eu sugiro aí, a gente até mandou aí para produção colocar o link para as pessoas conhecerem um pouco mais sobre sobre isso, é porque pode ser uma ajuda importante. Então, se você sabe alguém que tá com problema com jogos, mande isso para as pessoas, né? Faça isso com aquelas pessoas que você ama, entra lá e faça essa restrição de acesso, que pode ser alguma coisa importante para quem já perdeu o controle. Fernando, perfeito.

?Voz E

Obrigado, Ana.

?Voz C

Ana, Nath, obrigada. Um beijo para cada uma, até quinta-feira.

ALAna Leoni

Até quinta, um beijo.

?Voz C

No fim das contas, terças e quintas-feiras aqui no nosso estúdio, CBN Falando do Nosso Dinheiro.

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