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Por que famosos acabam seguindo 'gurus de bem-estar' ou 'doutores' sem registros?

14 de julho de 20268min
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Dr. Luis Fernando Correia responde uma pergunta que parece simples, mas não é: por que grandes famosos — atores premiados, atletas de elite, empresários brilhantes — acabam seguindo um !guru de bem-estar" ou um “doutor” sem registro, além de comprar tratamento que a ciência não sustenta? Ouça.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
T

Tatiana

Co-host
Assuntos2
  • Espiritualidade new age e falsos gurusFalta de registro e evidência científica · Influência de celebridades · Receptividade à besteira · Capital social e imitação · Soroterapia
  • CelebridadesUso de influência para divulgar saúde · Campanhas de vacinação · Vacina HPV
Transcrição16 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz D

Oi, doutor, boa tarde.

LFLuis Fernando Correia

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.

?Voz D

Espanha vai vencendo a França 1 a 0, gol de pênalti, 26 minutos do primeiro tempo, atualizando o placar aqui para o nosso ouvinte. Obviamente o assunto com o Dr. Luiz Fernando não tem nada a ver com futebol, mas talvez possa ter, hein? Talvez, talvez, porque o que tem de craque do futebol fazendo propaganda por aí de produtos às vezes, enfim, bastante questionáveis, entre eles, e o que a gente vai tratar aqui é sobre tratamento de saúde, obviamente, né?

É uma pergunta que parece simples, mas não é. Por que tanta gente de muito sucesso, influenciadores com milhões de seguidores, acabam seguindo e fazendo propaganda? É sempre um guru. Isso me chama atenção. É sempre uma figura iluminada que tem um conhecimento que ninguém tem. Sabe por quê? Porque não foi aprovado pelas agências reguladoras, porque não tem evidência científica suficiente, porque não foi estudado o suficiente para ser aplicado no corpo das pessoas. Eu tenho pavor disso, doutor.

LFLuis Fernando Correia

É, isso é um grande problema, né, Tati? Porque a pergunta parece simples, né, mas não é tão simples assim. Porque, cara, se alguém é capaz de ser tão inteligente e tão brilhante como um grande cantor, um grande ator, um grande jogador de futebol, O sujeito não é um sujeito limitado. Agora, por que que ele não faz uma avaliação dessa proposta maluca ou idiota ou sem base nenhuma? Então a gente tem que— e aí acontece o seguinte também: por que que as pessoas seguem essas, veem essas apresentações ou essas falas e aderem a esses sistemas?

Então a gente tem aí uma coisa de mão dupla. Primeiro que o famoso, vamos dizer assim, vamos botar famoso para ficar mais fácil. O famoso, ele primeiro tem uma coisa, ele não tem nenhum freio de custo. A maioria deles tem dinheiro suficiente para gastar, então vira alvo desses gurus e dessas pessoas inescrupulosas, porque afinal de contas estão lá para arrumar e pegar o dinheiro do cara. Então eles não têm problema de, pô, eu posso gastar dinheiro com um tratamento que não funciona, porque não é esse o limite.

Segundo, normalmente eles têm em volta deles uma entourage, né, os parça. Aí a gente lembra futebol, né? A gente tem em volta dessas pessoas um grupo de outras pessoas que dependem financeiramente delas. Então, se você tá na sua família, você chega em casa e fala assim, gente, eu vi um tratamento fantástico, maravilhoso, que custa R$3 milhões, mas resolve tudo. Você vai ter uma meia dúzia de pessoas na sua família dizendo, pô, larga a mão de ser idiota, pô, né?

Vai gastar dinheiro com outra coisa, né? Não vai deixar você fazer isso. Só que esses famosos não têm isso, porque os parças dependem deles. Seja parça de qualquer coisa, de futebol, de música, não sei. Tem uma galera em volta que não vai também servir como filtro de uma coisa idiota, porque vive de concordar com o sujeito. Então isso é um problema, isso faz com que eles sejam alvo desses gurus, dessas coisas. E gente, aí vem uma coisa que vale não só para o famoso, mas vale para a pessoa comum.

Existe uma experiência científica, né, um autor chamado Pannicott publicou em 2015 uma coisa que se chama receptividade à besteira. Ele usou a expressão em inglês bullshit, um pouquinho mais pesada. É a tendência que o ser humano tem de atribuir profundidade quando você— a frases vagas e vazias. Se essa pessoa não foi treinada para ter um raciocínio crítico, ela vai entrar na— ela vai comprar bobagem, está claro, né? E aí vem o famoso compra, e aí a pessoa comum sofre.

Tenho aí, tem um outro trabalho interessante que eu fui ler, os outros autores, chamado Hoffman e Tan, Eles identificaram 14 mecanismos de influência de celebridades sobre comportamentos de saúde, né? E isso aí é seguir o conselho médico de uma celebridade. Mas isso eu achei o mais, o que representa mais é isso tudo, é uma forma de adquirir capital social. Ou seja, imitar o famoso, aí não só para as questões de saúde, mas no geral, é uma estratégia para pessoa se sentir participando daquilo.

Ele também passa a ser especial, né? Então é uma coisa que se autoalimenta e que é muito perigosa para a saúde, porque se imagina, o famoso é sensível ao guru, o guru vende o tratamento que não tem nenhuma evidência, que inclusive pode fazer mal, e o público vê no guru, vê no famoso algo que ele quer imitar e quer se tornar igual. Então isso vira um negócio horroroso, porque você vê exatamente o que a gente assistiu. Nossa conversa, ela vem em função de críticas que saíram nas redes no fim de semana, porque a primeira coisa que se— uma das primeiras coisas que se viu depois da derrota do Brasil foi a Virgínia e o Vini Júnior tomando soroterapia.

Ou seja, foi um negócio horroroso. Mas e o que é pior, em casa, não era nem numa clínica, né? Ou seja, tá tudo errado do início ao fim, tudo errado. Mas é isso, né? O famoso cai na bala, cai no vendedor de solução mágica, porque não tem ninguém para dizer para ele: pô, meu irmão, não entra nessa, cara, você tá sendo enganado. Porque os caras que estão em volta dele dependem deles, então vão concordar qualquer coisa. Então o famoso cai na historinha e vende a historinha para o público.

O público quer ficar igual ao famoso, sai comprando a mesma bobagem que o famoso fez. E isso a gente tem que romper, essa cadeia tem que ser rompida, gente. A gente tem que— eu tô com a minha proposta agora, Tatiana, até eu vi, gostei que você bateu palminha lá para o meu post lá que eu fiz no Instagram, chamou a Virgínia na chincha.

?Voz D

A minha campanha, vamos fazer campanha de vacinação em vez de ficar celebrizando médico que não tem CRM, que não fez, enfim, que não sabe, não tem estudo científico suficiente para aplicar o que aplica nas pessoas, né, doutor?

LFLuis Fernando Correia

Então essa campanha que eu tô puxando agora, vamos desafiar os influenciadores, né, esses que não todos, mas esses que costumam divulgar bobagem, a divulgar coisa certa. Sim. Então vamos lá, imagina se a Virgínia, como eu falei lá no Instagram, chamasse todos os seguidores dela, jovens e adolescentes, a tomar vacina para o HPV. Imagina, acaba com HPV no Brasil, gente. Sim, é simples assim. Então a gente tem que convocar esses, todos eles, Eu tô convocando uns amigos, já conversei com alguns médicos também que postam algumas coisas.

Nós vamos começar a desafiar esses caras todos, jogador famoso, cantor. Olha, vamos sair disso, vamos fazer alguma coisa diferente.

?Voz D

Usa sua influência para algo que pode melhorar e não piorar a vida das pessoas, não é mesmo, doutor?

LFLuis Fernando Correia

Essa é a ideia.

?Voz D

Obrigada por hoje, um beijo para você, até quinta.

LFLuis Fernando Correia

Até quinta, gente, obrigado. Desculpa para Janaína que vai brigar comigo por causa do horário.

?Voz D

E você presta atenção, quem você anda seguindo, o que que essas pessoas andam dizendo, que tipo de influência elas têm sobre você. É hora de deixar de seguir essa gente.

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