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A morte de Lindsey Graham, senador do governo Trump

13 de julho de 202612min
0:00 / 12:06
Filipe Figueiredo comenta a morte do senador do governo Trump Lindsey Graham, nos Estados Unidos.

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Participantes neste episódio3
B

Beatriz Pacheco

HostJornalista
C

Carlos Eduardo Éboli

HostJornalista
F

Filipe Figueiredo

ComentaristaEspecialista
Assuntos5
  • Morte de Lindsey GrahamLindsey Graham · Senador Republicano · Carolina do Sul
  • Sucessão de Lindsey GrahamDonald Trump · Partido Republicano · Carolina do Sul
  • Morte de Alicamenei e contexto políticoPolítica externa · Apoio à Ucrânia · Comitê de Orçamento · Questões conservadoras
  • Reações internacionais à morte de GrahamVolodymyr Zelensky · Irã
  • Visão de mundo de Graham sobre Oriente MédioOriente Médio · Forças Armadas dos EUA · Palestinos
Transcrição9 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
FFFilipe Figueiredo

CBN Pelo Mundo com Felipe Figueiredo.

?Voz B

Um pouquinho mais cedo hoje com a gente, Felipe Figueiredo. Boa tarde, bem-vindo. Tudo bem?

FFFilipe Figueiredo

Olá, Tati! Olá, Fernando! Olá a todos os nossos ouvintes! Sempre um prazer estar aqui com vocês na segunda-feira.

?Voz B

Felipe hoje vai trazer um pouco da história, dos feitos, da carreira política de um personagem que morreu nos Estados Unidos, o advogado, ex-senador Lindsey Graham. Vamos começar por quem foi ele, Felipe.

FFFilipe Figueiredo

Olha, Tati, o Lindsey Graham, a morte dele, ela acaba sendo um evento político importante desse esse final de semana, né? Ele morreu subitamente, ele tinha 71 anos de idade, morreu de alguma questão cardíaca aparentemente. E ele era senador desde 2003, tá, pela Carolina do Sul. Ele estava ocupando a presidência do Comitê de Orçamento do Senado dos Estados Unidos. Ele chegou a ser pré-candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano.

Ele era, né, um dos senadores nos últimos aí anos, últimos mais 5, 10 anos, um dos senadores mais influentes e um dos principais articuladores políticos do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos. Como isso impacta o governo de Donald Trump, Felipe? Então, Fernando, a gente vai ter dois impactos muito grandes, muito razoáveis. Eu diria três, na verdade, tá? O primeiro deles é na política externa. O Lindsey Graham, ele era um falcão de política externa, né?

Esse é um termo utilizado na ciência política dos Estados Unidos para se referir a políticos ideólogos que defendem uma postura intervencionista dos Estados Unidos, uma parte, uma política de linha dura quando se trata de política externa e de segurança. Então ele era a favor dos ataques ao Irã. Ele é um dos principais, era um dos principais articuladores da defesa militar dos Estados Unidos à Ucrânia, uma pauta que o Donald Trump nunca foi muito simpático.

E era o Lindsey Graham uma das pessoas que mantinha esse apoio aos ucranianos. Ele era um ferrenho apoiador de Israel e da aliança militar entre Estados Unidos e Israel, inclusive com declarações bastante reprováveis nesse contexto, né? Ele dizendo, por exemplo, quando uma daquelas flotilhas de solidariedade aos palestinos partiu com a Greta Thunberg, ativista climática sueca, ele dizendo que ela deveria, precisaria aprender a nadar, né?

Ou seja, insinuando que o navio dela seria bombardeado, seria atacado, enfim, algo do tipo. E, Fernando, em terceiro, então assim, primeiro, ele era esse falcão de política externa. Segundo, ele chefiava o Comitê de Orçamento, como eu mencionei, num período muito delicado em que o governo Trump está tentando aprovar um plano, né, de financiamento de moradia, né, o Road to Housing Act, que ele busca ali no contexto das eleições de meio de mandato, né, conseguir essa vitória popular.

E terceiro, finalmente, ele era um ferrenho defensor de questões conservadoras no Senado, né, como o combate ao aborto legal de gestação, o combate ao casamento igualitário entre pessoas que se amam independente do sexo. Então ele foi um pilar do governo Trump para conseguir uma maioria ultraconservadora, que é retrógrada nessas pautas que eu citei, na Suprema Corte dos Estados Unidos. Então Então, pelo menos no curto prazo, essas três pautas nos Estados Unidos sofrerão ali esse baque dessa morte, especialmente, provavelmente, as questões Estados Unidos e Ucrânia e o apoio militar à Ucrânia, e além disso, à OTAN como um todo.

?Voz B

É curioso que eu tava vendo agorinha mesmo o presidente da Ucrânia declarando, fazendo uma declaração a respeito da morte dele, disse, Volodymyr Zelensky disse que tá profundamente entristecido com a morte de Graham. E o desenvolveu, descreveu como um verdadeiro defensor da liberdade. Veja você, alguém que era contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro, foi o que disse o presidente da Ucrânia.

Já o Irã descreveu nessa segunda-feira o senador americano como malévolo. Nosso povo não vai lamentar a morte de um homem cuja filosofia de vida era a agressão e a intimidação, disse o porta-voz do Ministério das relações do Irã. Felipe, vai ter impacto, algum impacto dentre esses 3 pontos que você trouxe nas próximas eleições, a morte dele?

FFFilipe Figueiredo

Então, Tati, aí entra uma pauta muito interessante, muito importante, que é o seguinte: o Lindsey Graham, um dos motivos dele ser, dele ter sido esse articulador do governo Trump, é porque ele conseguia fazer um diálogo entre a base MAGA, né, a base ideológica do Trump, e o establishment republicano, os políticos da velha guarda e os conservadores tradicionais do Partido Republicano. Porque o próprio Lindsey Graham, ele não era um apoiador do Donald Trump, ele não era originalmente um amigo do Donald Trump.

Pelo contrário, ele nas primeiras eleições do Trump, ele chegou a postar nas suas redes sociais que o povo americano elegeria alguém que destruiria o país, e de forma merecida, né? Já chamou o Donald Trump de fanático religioso, coisas do tipo. E o que aconteceu? Ele olhou para o seu estado, Carolina do Sul, para o seu eleitorado, e viu que esse eleitorado tradicionalmente conservador do estado da Carolina do Sul abraçou o trumpismo de tal forma que ele mesmo se tornou um trumpista.

Tá, como curiosidade, né, para o nosso ouvinte, o assento, esse assento de Senado da Carolina do Sul que era ocupado pelo Lindsey Graham, foi ocupado desde 1956 por apenas duas pessoas, tá. O Strom Thurmond, que foi governador do estado, que era um ferrenho ativista anti-direitos civis, ele era a favor da segregação racial, E depois o Lindsey Graham. Então é um estado bastante conservador, é um assento bastante conservador. E por que eu tô fazendo essa recapitulação?

Porque agora, pela lei, a Carolina do Sul, o governador do estado pode indicar um senador temporário para ocupar a cadeira imediatamente. E depois nós teremos uma nova eleição dentro do Partido Republicano. Por quê? Porque o Lindsey Graham já havia vencido as primárias do estado. E daqui alguns meses nós teremos então, né, as eleições em novembro, né, pela eleição geral. Ou seja, o Donald Trump nesse momento ele certamente vai ter um poder de influência muito grande nesse processo de definição sucessória, seja de um candidato, né, seja para o candidato temporário, seja para o eventual candidato republicano de fato, porque é o provável vencedor dessa eleição, tá?

O eleitorado da Carolina do Sul, vou repetir, um eleitorado conservador, vai votar em quem o Donald Trump mandar. Então a grande questão é se o Donald Trump vai colocar ali apenas ali alguém que ele quer favorecer do seu círculo íntimo, e esse favorecer tem múltiplas interpretações, ou se você vai ter ali talvez um processo dentro do Partido Republicano de busca por uma nova liderança que possa suprir o papel ocupado pelo senador falecido.

Mas no médio prazo, pensando na figura do Donald Trump, o mais provável é que o eleito, o escolhido, seja alguém da base dele. Eventualmente pensando também no fato de que se os republicanos perderem a maioria nas casas do Congresso, um processo de impeachment contra o Donald Trump se torna muito possível nos próximos anos. Felipe, só uma última questão: de todo o extremismo de Graham, o que mais te chama atenção? Olha, essa é uma pergunta muito boa, muito curiosa, Fernando.

Eu diria muito provavelmente que eram as posições dele em relação à região que a gente convencionou chamar de Oriente Médio, né? As declarações dele em relação a palestinos, as declarações dele em defesa das ações militares no Iraque e no Afeganistão. Lembrando que o Lindsey Graham, inclusive, um dos motivos dele ser um falcão é que ele foi um militar, mas não um militar de linha de frente. Ele não era um soldado que pegou no fuzil, ele foi advogado das Forças Armadas, né, os famosos JAG, né, J-A-G.

Teve até um seriado sobre essa função. Então ele fazia a defesa legal ativa das ações militares dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, por exemplo, né. Então ele tinha uma visão de mundo claramente ali de que essa região do chamado Oriente Médio era basicamente uma na cabeça dele, para deixar muito claro, né, era uma barbárie, era um quintal ali que os Estados Unidos tinham a obrigação de usar a força militar como uma forma de se defender, supostamente, e que essas ações, além de serem justificadas, seriam de alguma maneira benéficas para a humanidade.

Então as declarações dele sobre palestinos, iraquianos, afegãos e iranianos, para ficar no, né, em 4 exemplos visíveis, são bastante chocantes. Primeiro, pelo descolamento da realidade. Segundo, pela prepotência, né, com o perdão de falar do falecido dessa maneira. E terceiro, pela desumanização muitas vezes daquelas pessoas.

?Voz B

Muito bem. Felipe Figueiredo tá conosco toda segunda-feira no nosso CBN Pelo Mundo, o homem por trás do dial. Obrigada, Felipe, um beijo para você, até a semana que vem.

FFFilipe Figueiredo

Eu que agradeço, gente, até semana que vem.

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