Gentílicos e curiosidades da Copa do Mundo - 11º edição
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Professor Pasquale
Speaker B
Speaker C
- Vale do São FranciscoGália · Gaulês · País de Gales
- Samba e traduçãoSamba · Língua francesa · Língua inglesa
- Possível convocação de Neymar para a CopaAnglo-saxão · Inglaterra · França · Argentina
- Natureza da LinguagemInglaterra · Anglo-saxão
A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Oi, professor, boa tarde!
Tatiana, boa tarde! Fernando, boa tarde! Ouvintes, boa tarde! Eu vou abrir aqui para ver vocês.
A gente tá muito bonito hoje, hein, professor? Eu recomendo.
Eu ia perguntar isso se vocês estavam muito bonitos.
E agora é aquela hora que a luz bate no estúdio e tal, que a gente fica meio barroco. Tá bonito demais.
Muito bem.
Abriu. Olha aí, você de preto é um paletó isso?
Fernando tá de paletó de veludo, meu bem.
Olha só, muito bem. Os dois realmente lindos. Muito bem. Agora, para o último capítulo da série Gentílicos da Copa.
Tem certeza, professor?
É, tem certeza, porque assim, imaginei que a rádio fosse transmitir o jogo de amanhã e o de quarta. Janaína acaba de me informar que só vai transmitir o de quarta. Então amanhã tem, amanhã tem. É capaz de eu esticar, tá bom, tá bom, fazer a 12ª. Temos seleções para isso. É, temos, temos, temos. Então vamos lá, hoje para onde vamos? Para onde vamos? Então vamos, sobraram 4 lá, né? Desculpa, não resisti. Quais são? Sobraram, vamos lá, França, Espanha, Argentina e Inglaterra.
Argentina a gente já falou. França de leve, ela vai entrar de novo hoje, a França. Mas vamos lá, vamos para o auxílio luxuoso, o primeiro auxílio, uma canção que Adriana Calcanhoto gravou no disco Adriana Partimpim. Vocês se lembram desse disco bonito para chuchu de 2004? A música se chama Saiba, composta por Arnaldo Antunes, letra e música de Arnaldo Antunes. Eu peguei um pedaço grande de propósito para a gente refletir sobre a letra até chegar ao ponto que nos interessa. Vamos lá.
Saiba, todo mundo foi neném, Einstein, Freud e Platão também, Hitler, Bush Satanás, quem tem grana e quem não tem. Saiba, todo mundo teve infância, Maomé já foi criança, Arquimedes, Buda, Galileu, e também você e eu. Saiba, todo mundo teve medo, mesmo que seja segredo. Nietzsche e Simone de Beauvoir, Fernandinho beira-mar. Saiba, todo mundo vai morrer. Presidente, general ou rei, anglo-saxão ou muçulmano, todo e qualquer ser humano.
E aí, professor? E aí, vocês conheciam essa canção? Sim, sim, sim, é muito interessante, né, o que faz o Arnaldo, que ele põe nomes de gente, de pessoas importantíssimas, né, e ele separa um pouco. Tem um verso que é Einstein, Freud e Platão, que são 3 figuras históricas e do bem, né. Depois ele põe Hitler, Bush e Saddam Hussein para rimar com também. Né, que seria bom o ouvinte pesquisar para ver quem foi toda essa gente. Arquimedes, Galileu, Nietzsche, o filósofo, Simone de Beauvoir, uma figura importantíssima.
E vem Fernandinho Beramar. Mas lá pelas tantas ele diz: saiba, todo mundo vai morrer, presidente, general ou rei, anglo-saxão ou muçulmano, todo e qualquer ser humano. O que que é anglo-saxão? É bom lembrar que anglo é uma forma reduzida do adjetivo pátrio, do gentílico relativo à Inglaterra. A gente diz inglês, mas quando a gente combina com outro adjetivo pátrio, inglês vira anglo, se for o primeiro elemento, né? Então teremos, é amanhã, Argentina e Inglaterra.
Já me confundi aqui, não é, é quarta, né? É quarta. Então teremos um confronto Anglo-argentino, né, um tratado anglo-brasileiro, né. A gente tem a redução do adjetivo pátrio, não são todos, muitos têm a forma reduzida quando entram em pátrios gentílicos compostos. Anglo-saxão, que se escreve com hífen, é que diz aqui o dicionário, é um indivíduo dos anglo-saxões, povo germânico resultante da fusão dos dos anglos, dos saxões e dos jutos que se fixaram na Inglaterra no século, no 5º século.
E aí, por extensão, saxão vira britânico também, né? E aí temos anglo-saxão como forma específica dos anglo-saxões, relativa a esse povo, mas muitas vezes se usa como equivalente a inglês, a britânico, né? Então é isso, anglo. O segundo auxílio que a gente tem hoje vai mexer com uma coisa. Eu já toquei essa música por outra razão e a gente vai tocar agora por uma razão diferente. Chama-se Não Tem Tradução, um clássico composto por Noel Rosa, sem parceria, letra e música dele.
A gente vai ouvir uma gravação muito boa do João Nogueira, está no disco Vem Quem Tem, de 1975. Vamos lá.
O cinema falado é o grande culpado da transformação dessa gente que sente que um barracão Prende mais que um xadrez lá no morro. Se eu fizer uma falseta, a risoleta desiste logo do francês e do inglês. A gíria que o nosso morro criou, bem cedo a cidade aceitou. E usou. Mais tarde, o malandro deixou de sambar, dando pinote na gafieira, dançando um foxtrote. Essa gente hoje em dia que tem a mania de exibição não entende que o samba não tem tradução no idioma francês.
Tudo aquilo que um malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português.
Professor, o senhor sabe dançar foxtrote? Sei dançar nada, só sei dançar o que a vida apronta comigo, aí eu danço. Fox Trot é uma ótima, nesse sentido figurado que dançar assumiu no português do Brasil. Fulano dançou, né? Fulano entrou pelo cano. Foxtrot, eu tenho uma pálida ideia do que seja o foxtrot. Uma dança, né? Claro, um ritmo. Mas como é que se dança foxtrot? Eu não tenho a menor ideia. Tô até procurando aqui no dicionário.
Para ver o que vem a ser dança de salão originária dos Estados Unidos no início do século 20, em compasso quaternário. Aí chamamos o João Marcelo Boscoli. Executada por pares e que combina de várias formas passos lentos e passos rápidos. É mole, você já sabe, só falta treinar, só falta praticar.
Já sei.
Isso é uma expressão inglesa, né, de origem inglesa. Fox Trote, né? Certo movimento compassado do trote de um cavalo. É mole ou quer mais, né? Esse é o sentido original. Bom, o francês já foi para nós aqui o que hoje é o inglês. Eu já disse isso várias vezes, né? Nessa letra, quando o Noel diz que não dá para, que o samba não tem tradução no idioma francês, tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português.
Ele tá falando aí da mania que continua, né? Só mudou a língua, né? Era francês tudo na época, fim do século, do século passado, do retrasado, no século, no começo do século passado, francês predominava. Temos muitas e muitas e muitas palavras de origem francês que entraram no português. A gente nem sabe disso, camelô, por exemplo, a garagem, né, e tudo mais. Tudo isso vem do francês e depois o inglês substitui. Aqui a risoleta desiste logo do francês e do inglês, ela prefere a gíria que o nosso morro criou, né.
Bom, francês, vocês repararam que na camisa da seleção da França existe um galo?
Sim.
Tá escrito lá FFF, que traduzindo seria Federação Francesa de Futebol, e um galo, né? A França era, fazia parte da Gália, né, uma região grande, né, que incluía o que hoje é a França, predominantemente o que hoje é a França, mas também trechos de outros territórios, né? Então nós temos para esse adjetivo Gália e para esse substantivo Gália temos o adjetivo gaules, que muita gente usa como sinônimo mesmo de francês. Muita gente se refere à França como Gália, né?
E é bom lembrar que esse galo tá lá, começou a origem disso, é uma brincadeira que se fazia por causa da romana de Gália e de galo. Galo, o bicho, galo no latim, palavras iguais. E aí surgiu essa brincadeira e eles acabaram assumindo, do mesmo jeito que o Palmeiras assumiu o porco por gozação dos corinthianos, né? Os palmeirenses, que antes eram só os periquitos, acabaram assumindo o porco para acabar com a brincadeira. Deu certo, né?
Deu certo, ninguém mais encheu o saco, o próprio Palmeiras assumiu o porco e hoje o Palmeiras é o porco e o periquito. E o pessoal da Gália assumiu o galo. Existe uma expressão francesa que é a honra do galo, né, que nós temos a honra, a força, o orgulho do galo, né. E por isso esse galo que tá na camisa da França Gaulês, relativo à galha. Não confundir gaulês com galês, tirando o U. Galês é outra coisa, é relativo ao País de Gales.
País de Gales, que é um dos integrantes do Reino Unido, né? Reino Unido é Grã-Bretanha, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, capital Cardiff, uma bela cidade, por sinal, já estive lá. Bom, então é isso, né? E lembremos que francês vira franco naqueles adjetivos pátrios compostos, né? Teremos um embate franco-argentino, né? Outro dia eu citei aqui o Albert Camus, que é franco-argelino, nasceu na Argélia no tempo em que a Argélia era colônia francesa.
E mas era um batalhador pela causa argelina. É isso. Temos mais países, acho que não citei, que ainda não citei. Ah, tem uma coisa para dizer. Na última entrada minha eu disse uma bobagem. A Tatiana logo depois me mandou uma mensagem dizendo que eu tinha trocado as bolas dos ouvintes.
Foram eles que perceberam.
Eles quem?
Os ouvintes.
Ah, os ouvintes. Obrigado aos ouvintes, obrigado a você por me transmitir o recado. Eu transformei a Evita em presidente deposta, né? Não, ela foi casada com o Perón, com o Juan Domingo Perón. Mas outra das 3 esposas do Perón, a Isabelita, essa sim foi deposta. Ela era presidente da República, presidente ou presidenta, tanto faz. E essa sim foi deposta, se não me engano, em 76. Será que foi isso? Eu vou até checar aqui, mas tá feita a correção. Perdão pelo engano. Sim, ela foi deposta em 76. É isso. Obrigado, professor.
Um beijo, até amanhã.
Beijo para vocês, até amanhã. Até.