Trump amplia tensão com Irã e dificulta negociação comercial com o Brasil
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Carol
Eduardo Graça
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How do you say, where's the restroom, in Spanish? ¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes.
Hey Meta, what should I do with my life?
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A voz de voz de volta, são 6:34. Quem já tá conosco na linha é o Eduardo Graça, repórter especial, colunista do Globo, nosso comentarista aqui da CBN. Boa tarde, boa noite, Edu.
Boa noite, Vera. Oi, Carol. Oi, Débora. Boa noite a todos.
Oi, Edu.
Edu, a gente viu aí, né, que o Donald Trump anunciou a volta do bloqueio, do bloqueio ao Estreito de Ormuz, e agora com esse plus aí de anunciar que vai cobrar tarifa na passagem dos navios liberados por Washington. Como é que os Estados Unidos pensam em organizar esse pedágio que o Lula até chamou de pirataria? Isso é mesmo viável?
Pois é, esse pedágio definitivamente ele não é legal segundo o direito internacional. Muito provavelmente, Vera, ele não é viável também não, mas ele escancara algo que a gente tem conversado aqui, que essa dificuldade do Trump de encontrar uma narrativa de vitória no Irã. Na semana passada ele anunciou o fim da trégua com Teerã, que tinha sido firmada há apenas 25 dias, e os conflitos voltaram a ser diários, inclusive nesse momento agora mesmo, com bombardeios e uso de drones marítimos pelos Estados Unidos.
Hoje ele anunciou a retomada dos bloqueios dos portos iranianos e essa taxa de 20% que o presidente Lula classificou de pirataria, e que me lembra assim uma prática, eu que sou do Rio de Janeiro, de miliciano. Ó, garanto a segurança, mas para passar sem problema pelo estreito me dá aí 20%. E a gente tá falando de águas por onde até o dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra, passavam um quinto do petróleo e do gás natural do planeta, boa parte para China.
Quer dizer, uma medida que se aplicada, como eu falei, violaria o direito internacional e é também inclusive historicamente denunciada pelos próprios Estados Unidos como prática ilegal. O Irã reagiu, né, Vera, como a gente podia imaginar, afirmando que não vai permitir que os Estados Unidos impõem esse pedágio. Avisou aos vizinhos que qualquer ajuda nesse caso vai ser traduzida como ato de guerra, escalando ainda mais o conflito.
E para ser justo, essa ideia nem é original, né? Quem apresentou primeiro foi o próprio Irã, que queria um pedágio acordado ali por todos para, segundo o regime islâmico, arcar com a reconstrução do país após os ataques desse ano. O Trump, incapaz de qualquer sofisticação diplomática, né, de oferecer um plano lógico assim de paz futura, entendeu bem essa linguagem aí dos 20%, se autointitulando, como ele fez hoje, o novo anjo da guarda do estreito, apostando em agradar o público interno, né.
A gente tá nas vésperas de eleições cruciais nos Estados Unidos em novembro, com os republicanos em crise, com o governo que só agrada, na média das pesquisas, 34% dos americanos.
Edu, a gente continua na editoria Trump, agora na subeditoria Brasil, porque depois de amanhã tem aí a decisão. Eles, Estados Unidos, devem anunciar a decisão sobre aplicação do tarifaço, né? O presidente Lula falou há pouco também que não vai ter tarifaço, mas a nossa reportagem trouxe um outro cenário. Há uma dificuldade aí nessa negociação. E aí, como é que o governo tá se preparando?
Olha, como não houve qualquer sinalização dos Estados Unidos pelo menos pública. De repente o presidente Lula tem obviamente algum canal que a gente não tá sabendo, mas como não houve qualquer sinalização dos Estados Unidos sobre uma nova extensão do prazo, e mesmo levando-se em conta aqui, tá, que o Trump nessa editoria Trump a gente precisa sempre levar em conta que ele age muito por impulso, mas na prática não me parece ter mais o que se fazer a não ser continuar negociando mesmo depois do anúncio.
Quer dizer, seguir batendo na tecla de que ninguém vai sair ganhando. Especialmente não vai sair ganhando o setor produtivo dos dois países. Mas de novo, é ano eleitoral lá também, e até agora a percepção aqui do lado brasileiro é do que Washington já veio para mesa de negociações com os pontos sabidamente inegociáveis para Brasília, entre eles, para citar um só, as mudanças no Pix. Um respiro viria se junto— tô sendo otimista aqui, tá— mas se junto com o anúncio do novo tarifaço viesse também uma lista gorda de exceções, né, tipo o que a gente viu no tarifaço anterior, ainda que fosse majoritariamente de produtos que prejudicariam internamente Trump, de novo com essa lógica das eleições internas, como aconteceu anteriormente.
A proximidade das eleições que vão decidir quem vai comandar o Congresso americano nos 2 anos finais desse governo Trump prejudicam ainda mais negociações comerciais lógicas. E tem fortalecido essa intenção da Casa Branca de vender internamente a ideia de que não só o Brasil, mas países que antes, entre aspas, isso claro, né, gente, tiravam vantagem dos Estados Unidos, não farão mais os americanos de trouxa com Trump. Daí nem a oferta de menos protecionismo em determinadas áreas, como o governo brasileiro tem feito, sensibiliza os americanos.
E claro, resta saber, já que a gente tá falando em eleições e pensando nas nossas, quem vai ser menos prejudicado por esse novo tarifaço nas urnas aqui se o governo do presidente Lula, que tá na mesa de negociações, ou se o bolsonarismo, com sua proximidade declarada e comprovada com a Casa Branca.
O Edu, agora subpauta Trump esportivo. É Trump em várias frentes, né, porque ele ataca em várias frentes. Tá chegando ao fim já a Copa do Mundo, tamo na reta final. Dá para fazer um balanço dessa Copa aí do Trump? Ele conseguiu usar o evento para benefício próprio de alguma maneira depois daquela, mico, né, de anular cartão vermelho para jogador americano? Acabou que os Estados Unidos foi eliminado do mesmo jeito.
Aí foram vários micos, né? Até antes, pouco antes da Copa, já tinha um mico imenso, né? Mas eu vou dizer que até agora, e porque ainda temos essa semana final, pode, em termos de Trump, pode alguma coisa ainda pode acontecer. Mas até agora ele conseguiu sim jogar para torcida, ainda que seja a torcida que ele já tem. A base trumpista comemorou a cumplicidade ativa da FIFA aí, desde que a entidade máxima do futebol ofereceu a ele, pensando no mico anterior, aquele arremedo de Prêmio Nobel da Paz.
Comemorou também o fato da Copa tá ocorrendo durante a celebração dos 200 anos dos Estados Unidos, e a seleção americana não fez feio. E comemorou, como você lembrou, ainda mais o cartão ali, o perdão ao cartão vermelho muito bem dado pelo juiz brasileiro ao Balogun, o centroavante do time americano, aliás de origem nigeriana. Algo que gerou ali indignação internacional, mas que foi percebido na tramposfera como uma prova de influência, de poder do Trump, que ele conseguiu, né, reverter algo ali que era uma injustiça com a seleção americana.
E ele ainda vai entregar a taça ao novo campeão do mundo no domingo. E certamente, Carol, tenho certeza que ele vai tentar aparecer mais do que o capitão do time, do time do país vencedor. Mas mesmo esse efeito positivo interno e para o trumpismo não vai ultrapassar os limites do trumpismo. Apesar do veto que a gente viu ao juiz da Somália, apesar daquela obrigação da seleção iraniana de dormir no México mesmo quando jogava partidas nos Estados Unidos.
O que essa Copa mostrou, me parece, foi um retrato dos Estados Unidos que até por conta do Trump a gente já tinha esquecido um pouco. Não é o país das batidas na imigração do ICE com violências e mortes, dos militares ocupando as cidades, do uso dos tarifáceos, tá aí, né, do porrete até contra aliados, mas do país que sabe fazer uma festa com alegria e com diversidade. Até agora essa Copa reforçou o que o jornalista americano Farid Zakaria me falou outro dia numa entrevista para o Globo, o de que apesar de tudo os Estados Unidos seguem, o país e a Copa apesar de tudo estão se provando maiores do que Trump.
É isso, Eduardo Graça desvendando as várias editorias de Trump aqui no Viva a Voz semanalmente. Obrigada por hoje, Edu.
Boa noite, obrigado a todos.
Tchau, tchau, valeu, Edu.
A gente vai para mais um rápido