Episódios de Comentaristas

Reações contrárias à expansão de data centers para funcionamento de IA

13 de julho de 20266min
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Pedro Doria destaca o primeiro protesto realizado, no sábado (11), na frente dos prédios de OpenAI e Anthropic. O grupo questionava o impacto ambiental dos data centers e a possibilidade de desemprego pela IA. Ouça.

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Participantes neste episódio1
P

Pedro Doria

HostJornalista
Assuntos4
  • Uso de IA chinesa por empresas americanasModelos de pesos abertos · Modelos proprietários · Airbnb · Siemens
  • Protestos e manifestações contra VorcaroData centers · Impacto ambiental · Desemprego pela IA · OpenAI · Anthropic
  • Regulação de IAEleições de meio de mandato · Financiamento de campanhas · Indústria de IA
  • Protestos indígenas e vandalismoData center do TikTok · Impactos regionais
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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PDPedro Doria

Conversa de Primeira, vida digital com Pedro Doria. Bom dia para você, Pedro Doria.

?Voz C

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia.

?Voz D

Bom dia, Pedro.

PDPedro Doria

Já existem reações populares em relação à construção desses gigantescos data centers necessários para o funcionamento da inteligência artificial, Pedro?

?Voz C

Pois é, Milton, esse sábado teve a primeiríssima manifestação tanto na sede da OpenAI quanto na sede da Anthropic, lá no Vale do Silício, pertinho de São Francisco, na Califórnia. Veja bem, eram caras pintadas, tá? Eram 100 pessoas, cara pintada, cartazes, berrando muito, batendo bumbo, mas eram 100 pessoas, não era um protesto gigantesco, uma massa, uma coisa assim. Mas foi a primeiríssima vez que aconteceu, e isso quer dizer, isso indica, né, que já tem algum tipo de mobilização começando a acontecer.

Primeira vez. Agora, não parece que os americanos vão ter qualquer tipo de regulação de inteligência artificial tão cedo, tá? Tem uma deputada democrata, não custa lembrar, o Partido Democrata é o partido de oposição, que fez um levantamento pegando toda a bancada do Partido Democrata no Capitólio, na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. E novembro, na primeira terça-feira de novembro, tem as eleições de meio de mandato, né?

A Câmara dos Deputados se renova inteiramente. Ela fez as contas de todos os emails que todos os seus colegas deputados democratas mandaram para os eleitores. Apenas 0,7% desses emails citam como prioridade regulação de inteligência artificial. Por quê? Porque esse ano o principal financiador de campanhas eleitorais nos Estados Unidos, tanto para um partido quanto para o outro, Evidentemente, a indústria de inteligência artificial.

?Voz D

E tem um dado também interessante que você nos traz sobre a inteligência artificial hoje, Pedro, que é o seguinte: muitas empresas americanas estão trocando inteligência artificial dos Estados Unidos por inteligência artificial da China.

?Voz C

Pois é, Cássia, isso é um assunto sobre o qual a gente já tinha falado, né, umas semanas atrás, quando a Casa Branca começou a querer controlar se estrangeiro podia usar ou não inteligência artificial, se não ia começar a ter uma corrida para os modelos chineses. O Financial Times, que é o principal jornal de economia, de finanças europeu, ele traz uma reportagem hoje muito interessante. Ele traz um número: entre 30 e 46% das empresas americanas hoje consomem inteligência artificial chinesa.

Na Europa, o número possivelmente é maior. Eles inclusive citam duas empresas: a Airbnb nos Estados Unidos. Todo mundo conhece Airbnb, uma das principais empresas do Vale do Silício, trabalha com aluguel de moradia privada, né? E um dos principais grupos de de engenharia europeus, a Siemens, são duas empresas que já estão usando modelos chineses. Entre 30% e 46% das empresas estão usando modelos chineses. Para vocês terem uma ideia, para ter um nível de comparação, um ano atrás era 11% o uso de modelos de inteligência artificial chinês.

E por que que tá havendo essa mudança? Por que que sai dos Estados Unidos para a China? Por um motivo muito simples: o modelo chinês você pode baixar, instalar no seu computador e rodar. Gratuitamente. Eles são o que eles chamam de modelos de pesos abertos, enquanto que os modelos da OpenAI, né, o GPT e o da Anthropic, o Claude, são super caros e cada vez mais caros. E isso faz diferença para as empresas. A vantagem dos modelos americanos é que eles são de ponta, eles são melhores.

Então, o que muitas das empresas estão fazendo é o seguinte: para 90% do uso, você usa os chineses, e aí aqueles 10% que você precisa de mais capacidade você vai para o modelo americano. Para a maior parte das empresas, isso está virando uma supereconomia. A questão é: como é que as empresas americanas de IA vão conseguir sustentar os seus negócios com essa concorrência?

PDPedro Doria

Que é a grande disputa que se tem nesse mercado hoje entre Estados Unidos e China. E eu queria só para acrescentar aqui, já que você começou conversando conosco sobre protestos que ocorreram lá no Vale do Silício, protestos, protestos iniciais que ocorreram lá. Ainda há cerca de um mês aqui no Brasil houve um protesto de indígenas lá na região do Ceará por causa de um data center do TikTok que tá sendo construído lá também. E cada vez mais a gente deve acompanhar esse tipo de manifestação à medida que começar a se identificar os impactos que uma infraestrutura dessa pode gerar em cada região em que for estabelecida, né?

?Voz C

É isso mesmo. Eu tenho certeza que a gente vai ver mais e mais, Milton.

PDPedro Doria

Tá bom, muito obrigado, Pedro. Até mais.

?Voz D

Até.

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