Eliminação do Brasil na Copa do Mundo abre espaço para debate eleitoral nas redes
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Nadege
Marco Ruediger
- Debate Político InternetCampanha eleitoral · Valdemar da Costa Neto · PL · Bloqueio de R$ 119 milhões · Emendas parlamentares
- Copa do Mundo e Seleção BrasileiraDesempenho da seleção brasileira · CBF · Copa do Mundo
- Cinema e CulturaFilme Ulisses · Elenco multiétnico · Ideologia woke · Revisão da história
- Distribuição de desgaste políticoDiscussão pública substantiva · Gasto público · Inteligência artificial · Mercado de trabalho · Briga familiar
- Acordos comerciais e comércio exteriorTaxação de produtos · Donald Trump · China · Carne brasileira · Negócios do Brasil
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A Semana Política com Marco Rüdiger.
Marco Rüdiger, boa tarde!
Oi, Nadege, tudo bem? Como é que você tá? Nossos ouvintes também, como é que estão todos nesse domingo?
Ah, estamos sem Copa, né, Marco? Ainda tem uma semana de Copa, mas a gente já foi eliminado. Aí vamos ter que falar de política, né? De futebol já não tem mais tanto o que dizer, a gente tá mais observando os outros.
Pô, cara, ontem eu torci para burro, pô. Achei, pô, jogo, jogos assim fantásticos. Eu tô gostando muito. Acho que esse final agora vai ser, essa semana vai ser interessante assim para quem curte. Assim, eu acho legal.
É verdade, a gente falou, ai, agora a gente pode acompanhar sem a pressão, né, de torcer pelo Brasil. Aí corta para a gente torcendo para caramba aí nos jogos da Argentina, principalmente, né, que a gente gosta.
Exato, exato. Enfim, é polêmico isso, né, polêmico. Mas eu, enfim, eu gosto do futebol argentino. Então, né, o Messi realmente é um cara extraordinário. Então, isso é muito legal. Mas você sabe que aí, entrando no nosso assunto, essa, a eliminação aí do precoce do Brasil, né, ela começa a abrir espaço então para discussão, digamos assim, já da campanha eleitoral de forma mais direta, né. Só para dar um dado aí para quem curte futebol e nosso ouvinte, enfim, essa é a primeira vez desde 1990 que a seleção brasileira ela não, ela ela sai de uma Copa do Mundo nas oitavas de final.
Esse é um negócio assim bastante, é um dado interessante para quem acompanha futebol e tal. Assim, você vê que realmente a seleção brasileira deixou muito a desejar, lamentável, né? Isso doeu muito no coração de todos nós, né? Assim, realmente, e é um resultado muito ruim. Eu espero que a seleção leve a CBF, faça uma reflexão em cima disso. Assim, não é uma coisa trivial, a gente não tá falando de um de uma coisa qualquer no Brasil, principalmente tem um simbolismo enorme, uma, tem uma importância simbólica para o país muito grande, nos une apesar das diferenças que nós temos políticas, ideológicas, né?
Esse, então, o futebol, ele, ele tem que ser visto de uma outra forma. Eu lamento muito o que aconteceu e foi, foi muito, muito sério. Ainda tem bastante coisa nas redes sobre isso, tem uma certa caça às bruxas de quem é o culpado, né? Na verdade são vários culpados nessa história, mas enfim. Bola para frente, né? A gente vai olhando os outros aí avançando e o Brasil vai, quem sabe, vai se recuperar. Mas isso, isso levou com que a pauta política começasse a tomar uma dimensão ainda maior.
Muitos candidatos que se diziam muito patriotas, com a camisa do Brasil, rapidamente tiraram a camisa do Brasil, não querem ser confundidos com a derrota, né? Mas o fato é que a política pegou uma atração muito grande agora e principalmente assim o assunto mais forte, mais potente da semana foram as investigações em cima do Valdemar da Costa Neto, o presidente do PL, né, e o bloqueio de R$119 milhões, veja, R$119 milhões do presidente do PL, né, e que ele poderia distribuir aparentemente, é o que tá se dizendo, né, as investigações estão apontando, como quisesse.
Se isso é irregular ou não é irregular, se são direito do presidente do partido ou não, isso tornou uma outra discussão bastante grande que vai acontecer agora. Existe evidentemente uma discricionalidade legítima do Legislativo em termos das emendas parlamentares, mas o quanto o presidente do partido pode ele interferir nisso, essa é uma grande questão e é uma discussão que deve no mínimo gerar uma polêmica muito grande. A gente tá falando aqui de 1,5 milhão de visualizações no YouTube sobre STF, Valdemar, impacto na campanha eleitoral essa semana.
Então foi um assunto muito quente, é um assunto que eu acho que ainda vai gerar uma tensão grande. Curiosamente, os próprios seguidores e apoiadores e partícipes do PL e arredores da campanha do Flávio Bolsonaro não falaram nada em defesa do Valdemar. Então eu acho que esse silêncio é notável. Às vezes o silêncio rotundo, ele fala muito. Então eu não sei exatamente como isso vai se dar, mas esse é um ponto de atenção bastante interessante e não foi uma coisa trivial A gente está falando de um dinheiro muito grande para essas emendas parlamentares e algo que vai ter que provavelmente ser discutido pós-eleição, inclusive a própria eleição, porque isso compromete muito orçamento e a estruturação de um, de um planejamento nacional para o uso do recurso público, que eu sempre bato muito aqui.
O uso do recurso público tem que ser tratado de uma outra forma no Brasil e tem que ter uma estrutura melhor de como isso vai ser usado, né? Mesmo que seja usado através de emendas, mas tem um projeto através do qual ela se agrega e gera eficiência na política pública e resultado na ponta. Senão o dinheiro começa a ficar disperso e serve para quê, de fato, né?
E mais um complicador para campanha do Flávio Bolsonaro, né, Marco, que já tinha que tentar levantar uma pauta que não fosse a briga com a madrasta, a amizade com Daniel Vorcaro, e agora a suspeita de corrupção com o presidente do partido.
Pois é, é mais um episódio. A gente vê de episódio em episódio, episódio em episódio. Existe um certo sequestro da discussão pública de fundo mais substantiva Por exemplo, questão do gasto público, questão do uso do orçamento, né, as prioridades do dinheiro, como é que o Brasil se prepara para essa segunda metade do século, que é um século dominado pela tecnologia, pelos novos meios de produção, estruturas de acumulação, a questão do trabalho, que eu acho que vai sendo crescentemente ameaçada pelos robôs que estão entrando aí no mercado.
A gente tá vendo até entrega sendo feitas por drones, vai impactar muito quem vive hoje, né, de delivery, por exemplo, né, de app. Então, e por exemplo, inteligência artificial, que vai limar uma série de empregos. Isso aí eu não tenho dúvida. Achei até curioso, tive uma pesquisa em que as pessoas estão menos ansiosas com inteligência artificial. Acho que elas não entendem exatamente o que se trata. Não é um, não é mais um app, não é mais um software, é uma outra coisa, é um outro nível de substituição de processos de trabalho que vão ter repercussões muito sérias no mercado de trabalho e também na capacidade de arrecadação do próprio Estado brasileiro e na proteção social.
Então essas são coisas que tem ser pensadas. Mas o fato é que a gente tem um sequestro da pauta substantiva, principalmente em torno de uma pauta que é de uma briga familiar. E a gente pergunta, pô, essa briga familiar leva o quê? Leva muita coisa. É isso que eu queria te falar e falar aqui para os nossos ouvintes. Leva muita coisa e tem que ser atento. Por exemplo, você pega uma novela, né? A novela tem vários personagens. Às vezes um personagem briga com outro, toma um partido, depois ele se regenera no meio do caminho, fica amigo desse outro, e depois compõe.
Tem sempre o mal, tem sempre o bom. E no final, a gente vê muitas novelas, no final no seu clímax, quase que para o país para todo mundo ficar assistindo aquilo. Então, por um ano, todo mundo acaba discutindo esses personagens, viram memes e tal, mas tudo gira em torno da discussão dessa novela. E o que a gente assiste na política é um uso das redes sociais, né, é da construção de uma narrativa de brigas intestinas que parecem serem familiares, mas que na verdade sequestram nossa atenção e a gente não discute pautas substantivas.
Você tem essa carta que o Flávio Bolsonaro leu agora, parece porta-voz do presidente Bolsonaro. Cadê as propostas substantivas do Flávio Bolsonaro, que quer ser presidente da República, afinal de contas? Ou ele vai ser simplesmente o cara que vai fazer o que o pai manda, entendeu? Ele sai dessa situação infantil e se torna de fato um adulto na política, ou continua sendo tutelado? São questões. Mas o fato que essa briga intestina sequestra nossa atenção do que é substantivo e do que é importante.
Então a gente vê que isso gera um desgaste grande e desfoca. E quando foca, e por que desfoca? Entre outras coisas porque, como você tava dizendo, tem essa discussão todas as tarifas do Trump, tem aquele apoio que houve em cima das tarifas. A gente vê uma série de personagens no Brasil que deveriam se colocar frontalmente contra as tarifas, achando que a gente deveria entregar alguma coisa para o Trump ficar bonzinho, coisa que ele nunca vai fazer, nunca ficará.
Ele vê legitimamente os interesses dele, dos Estados Unidos, e não do Brasil. Né, a gente viu, por exemplo, Tarcísio, o governador Tarcísio, falando isso, falando, ah, temos que dar alguma coisa para o Trump. O que que a gente vai dar para o Trump se eles compram de nós menos do que nós compramos deles, né? Na verdade, a conta é a nosso favor. E por que que a gente tá sendo taxado então? É uma taxação política, esse é o ponto.
Então isso daí gera uma série de discussões que tá tentando ser contrabalançado por essa novela familiar, por uma tentativa de agora de mudança de narrativa e discurso de proteção do Pix, coisa que até pouco tempo tava querendo se rifar, trocando Pix pelo Zelle, que é um sistema americano que não é igual. Então coisas desse tipo tá acontecendo. E mais recentemente a questão da relação com a China, que sobre, que tá sobretaxando a carne brasileira, mas é uma sobretaxa bastante diferente do que os americanos estão colocando sobre nós.
E agora para a gente ver que tudo é política mesmo, né, Marco? Na seção dos sussurros das redes aí, o que a gente fica de olho daqui daqui para frente é um tema que é cultural, né, que enfim diz respeito à indústria cultural, é cinema e tal. E até isso virou briga política nas redes sociais.
Ah, isso é sensacional, né? Essa parte que eu mais gosto aqui na nossa conversa aqui semanal, a gente olhar os sussurros. E vai entrar, nosso ouvinte que talvez não esteja prestando tanta atenção, quem gosta de cinema tá sabendo, vai entrar aí o filme Ulisses, né? Assim, a gente vai ter A Odisseia, né? E a Odisseia na verdade trata de um grande personagem, Ulisses, que na Guerra de Troia foi o cara que inventou o cavalo de Troia, né, que foi a forma com que os gregos conseguiram finalmente ganhar dos troianos, que eles não conseguiam ganhar dos troianos.
Então fizeram essa artimanha de botar pessoas dentro de um cavalo, esse cavalo foi levado para dentro da cidade murada, e a partir daí eles conseguiram virar o jogo e ganhar Ao contrário da nossa seleção, eles conseguiram ganhar o jogo lá, o confronto que eles tinham com os troianos. Então esse filme, ele pega esse personagem icônico, que é muito interessante na verdade, porque o grande personagem, se você for ver a trama, né, é Aquiles, né, que é o grande guerreiro e tal.
Mas você vê que o Aquiles não é ele que ganha a guerra, quem ganha a guerra é Ulisses, que tem essa ideia, esse estratagema. Isso aí, o que que Homero queria dizer com isso? Queria dizer que era um momento que a história mudava para inteligência se impor cada vez mais à força bruta. É um negócio interessante, mas ele desenrola o fio, é fantástico. E aí o Ulisses resolve voltar para o seu reino, ele não consegue voltar para o seu reino, e o filme trata disso.
O problema todo é que nos dias atuais se fez um elenco multiétnico. Então você tem brancos, pretos, enfim, pessoas de várias origens, várias etnias, trabalhando, representando os personagens e muito bem, trabalhando muito bem, um elenco de altíssimo nível, todos eles. Só que um grupamento mais radical, dentro da visão de guerra cultural, que chama isso de ideologia woke, quer dizer que estão impondo uma revisão da história porque tem personagens que não são todos, por exemplo, brancos, né?
Porque é uma história do Ocidente, de gregos, então não poderiam ter negros, por exemplo, poderiam ter, sei lá, orientais também trabalhando. E isso tá se tornando crescentemente um ponto de discórdia que tá sendo utilizado nas redes para galvanizar e mobilizar uma, uma parcela ultra radical que não aceita o desigual, não aceita a diferença, não aceita a ampliação e o lugar de outras etnias que é importante no mundo, na cultura, enfim.
Então como é que você vai excluir os negros porque é um filme sobre a Não faz sentido nenhum isso. Então, na verdade, isso se tornou um grande ponto, uma grande amarra, né? Então esse é um, esse é um dos problemas, como essa questão que eu tava falando há pouco também da taxação. Por exemplo, no caso da China, só você ter uma noção, deixar só dar esse número, a gente tá falando aí que a China consome 10 milhões de toneladas de carne bovina, tá?
Você tem mais ou menos 8 milhões são produzidos lá, então sobra aí uns 2 milhões, 2 milhões e pouco que eles importam. Desses 2 milhões 1,6%, 1,5% do Brasil. É uma quantidade bastante substantiva. Então o Brasil acaba sendo afetado porque eles acabam protegendo um pouco seus pecuaristas, mas mesmo assim é o país que mais importa do Brasil hoje, entendeu? Eu acho que o que a gente tem que olhar no final é o seguinte: quem é o nosso maior cliente?
Você é dono de uma vendinha, quem é o nosso maior cliente? Quem consome mais? Você vai ter que negociar com esse cara. Agora, aquele cara que sempre compra desafiado, ou seja, você vende para ele, ele não tá te pagando tanto quanto você tá vendendo, por exemplo, é uma outra questão. Aí o sujeito vai falar para você que vai, que é um desconto ainda no que ele não tá pagando. Então, mais ou menos essas questões de política externa e de balança comercial, elas são muito importantes e elas têm sido ideologizadas no Brasil, utilizadas como alceamento para trazer para dentro do Brasil forças externas para discutir a nossa política Entendeu?
E eu acho que a gente tem que ficar muito atento, que o Brasil tem que pensar nos seus negócios. Uma coisa que eu sempre admirei dos Estados Unidos é isso: Estados Unidos, os negócios dos Estados Unidos são os negócios. Os negócios do Brasil tem que ser os negócios também. Se você compra o meu produto, ok. Se você não compra o meu produto, não, ok. Assim que a gente tem que fazer. A gente tem que pensar no Brasil. A mesma coisa em relação à China, em qualquer país.
O Brasil tem que se impor e tem que se cuidar. É como no futebol que a gente tava falando no início. A gente tem tem que melhorar nosso time, tem que pensar em ganhar. Isso é importante para o Brasil. Então qualquer coisa de trazer país de fora para se meter, dizer que a guerra cultural, que é que a gente tá entrando num grande conflito geopolítico, o que que nos interessa de verdade nisso, entendeu? O que nos interessa é o povo brasileiro, bem-estar do povo brasileiro, educação e alimentação, é saúde.
Isso que nos interessa. Qualquer político que fala uma coisa diferente disso, desconfie.
Perfeita reflexão, Marco Rüdinger. Todo domingo aqui com você no Revista CBN. Muito obrigada por mais essa, Marco.
Tá bom, beijo para você, beijo para todos, um bom domingo e bons jogos essa semana, vai ser interessante.
Beijão, até mais. $15 bills, but it turns out that's very illegal.
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