O desafio das marcas na era da IA, das redes sociais e dos influenciadores
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- Equilíbrio entre tradição e modernizaçãoYoki · Kitano · General Mills · Manutenção da tradição
- Comunicação DigitalMídia tradicional · Digital first · Retail media · Eventos
- Inteligência Artificial no MarketingPesquisa de consumidor · Personas sintéticas · General Mills
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Olá, tudo bem com você?
Seja muito bem-vindo.
Olá, seja muito bem-vindo a mais um capítulo do Mundo Corporativo, que hoje se dedica a falar da economia dos criadores e da modernização de marcas tradicionais, os desafios que se têm diante de um projeto como esse. Nossa convidada é Fabíola Menezes, CMO da General Mills. CMO é daquela turma do marketing que você conhece bem e com quem eu vou conversar agora aqui no Mundo Corporativo. Fabíola, muito obrigado. Pela sua gentileza de ter aceitado o nosso convite no Mundo Corporativo. Bom dia.
Bom dia, eu que agradeço, Milton. Felicidade de estar aqui com você.
Fabiola, durante muito tempo as marcas contratavam celebridades para transmitir mensagens, para serem os seus porta-vozes conectados com as comunidades. Hoje vemos criadores de conteúdo ocupando esse espaço. O que mudou nesta lógica da comunicação?
Olha, acho que a gente ampliou, né? Não é que as celebridades não tenham mais espaço. Inclusive, nós temos uma na nossa campanha agora, que é a Simone Mendes, está na campanha de Junina. Mas ela não é a única voz. Então o que aconteceu hoje é uma pluralidade de vozes com muita influência que consegue conectar com os consumidores de uma forma muito genuína, que conseguem construir proximidade com os consumidores, consegue criar credibilidade.
E são muitas vozes que hoje estão em cada canto do país falando com targets diferentes, com públicos diferentes, em regiões diferentes. E a gente precisa precisa falar muito mais, através de muito mais gente, para chegar no nosso consumidor.
O que moveu vocês no sentido de buscar esses criadores de conteúdo?
A gente tá buscando modernizar as nossas marcas. Então, quando você pensa em Ioc e Kitano, que são as marcas que hoje gerencio, elas estão aí no mercado há mais de 40 anos e vão se construindo, né, na vida dos consumidores através das mídias tradicionais, do ponto de venda, do próprio acesso aos produtos. Mas agora a gente tem uma ferramenta nova Que é um novo jeito de estar mais próximo do consumidor. Então essa possibilidade da gente modernizar essas marcas para estar mais próximo do consumidor, falando de um jeito que ele vai se sentir que é para ele, é o jeito que a gente está usando a economia dos criadores.
Aliás, vamos aproveitar, já que você citou aqui Yoki Kitano, porque talvez seja importante até para apresentar a General Mills, que necessariamente não é o nome conhecido do público em geral. O público conhece os seus produtos, Qual é o tamanho deste grupo hoje para que a gente tenha aqui uma dimensão disto?
Hoje uma empresa bastante grande, a gente tem duas marcas gigantes no Brasil que é Ioke e Quitano, temos também Häagen-Dazs. É uma marca que está presente aí, a General Mills adquire as duas marcas regionais, locais, há 14 anos atrás e vem crescendo ao longo desse tempo. Então hoje a gente está falando de produtos que têm mais de 300 SKUs no mercado. Tá presente no Brasil inteiro, são marcas com quase 100% de awareness hoje no país.
E você fala da Ioc, por exemplo, que tem 40 anos, por isso a gente está tratando da modernização dessa marca. Como fazer isso sem abrir mão da tradição, que é sua característica?
Pois é, a gente tem que manter uma consistência dessa marca, né? Eu acho que todas as marcas têm o seu posicionamento, e eu costumo dizer que as marcas hoje até pela possibilidade dessas comunicações estarem muito mais plurais, né, muito mais segmentadas em diferentes vozes, você precisa ter um posicionamento muito claro. E esse posicionamento, ele carrega uma tradição. A gente também tem que levar em conta tudo que essa marca construiu até agora para construir ela daqui para frente.
E o que a gente tem que ter é muito claro esse posicionamento, para que que essa marca serve, qual é o seu propósito. E aí usar isso como briefing para todos os influenciadores estarem falando a mesma mensagem, para que ela tenha consistência ao longo do tempo. Então o desafio hoje é manter essa consistência, esse posicionamento, tendo tantas vozes falando sobre a sua marca e não mais uma única mensagem.
Quando nós estamos tratando aqui deste tema, nós estamos falando, como eu disse logo na abertura, da economia dos criadores. Dá para explicar melhor esse conceito?
Sim, o que a gente chama de economia dos criadores hoje é porque a gente tem uma série de influenciadores hoje utilizando as redes sociais não só para construir o conteúdo próprio, mas para vender produtos. Então eles usam hoje, eles são basicamente vozes para patrocínio de novos produtos, vendas de produtos. E isso gera hoje, já tem um contexto de quanto isso gera para a economia, que vem através da influência ou da venda direta dos produtos dos próprios criadores.
Então a gente tem criadores hoje que desenvolvem produtos eles mesmos, e a maioria hoje faz comunicação para outras marcas. Isso tudo hoje é medido, né, o impacto na economia. E por isso que a gente chama de economia dos influenciadores ou dos criadores.
Agora eu fico imaginando que a escolha dessas pessoas é um processo bastante sensível, porque vocês estão entregando a reputação de uma marca para uma pessoa individualmente e que, sobre a qual necessariamente vocês não têm um controle.
Exatamente. A gente tem que fazer todo um processo de triagem. Acho que a primeira triagem que você tem que fazer, Milton, é se tem cola com a sua marca. O que eu quero dizer com isso? Tem que escolher um criador que tenha a ver com o seu público, com quem você quer falar, com a forma como você quer trazer essa mensagem. Então, por exemplo, eu vou usar um exemplo que é uma celebridade, mas a nossa principal influenciadora hoje é a Simone Mendes.
Eu falo, a gente escolheu a Simone porque ela é a cara do Brasil, ela é a cara da IOC, ela é a cara da festa junina, ela fala com propriedade, ela come os nossos produtos de verdade. Então a gente tem que fazer a escolha pensando nessa pertinência e nessa verdade, porque o que o consumidor não aguenta mais é quando o influenciador tá lá só mostrando o produto e não tem verdade. Então acho que o primeiro critério é a verdade. O segundo é a questão, obviamente, a gente faz um background check, que a gente chama, que é checar É, se enfim, se tem algum ruído, alguma possibilidade de ruído em relação a essa mensagem.
O terceiro cuidado é fazer um bom briefing, porque a gente hoje tem que escrever um bom briefing pedindo para esse influenciador usar da linguagem dele, do jeito dele de chegar ao consumidor, mas passando as nossas mensagens-chave. E isso tem que ser muito construído a quatro mãos. Hoje todos os influenciadores falam: ah, eu não quero um briefing engessado que me diga o que falar, eu quero um briefing que seja amplo o suficiente para eu entender a ideia e construir a ideia a partir do meu repertório.
Repositório.
Então isso é muito bacana, fazer um bom briefing, fazer o background check, escolher com pertinência.
São trabalhos que vocês têm de realizar. Agora, você falou de uma celebridade que não é necessariamente ligada ao mundo da gastronomia. O fato de vocês trabalharem com alimentos não significa que os influenciadores têm de ser dessa área?
Não significa. A própria Simone, por exemplo, é uma cantora, e a gente tá usando dela como uma influência dentro do mundo da cultura. A gente tá buscando muito essa conexão com a cultura brasileira. Esse é o link que a gente faz com Simone. Mas, por exemplo, a gente fez uma campanha de Kitano recente em que a gente escolheu justamente para apresentar um produto novo de Kitano. A gente tava lançando um produto que é um tempero natural para pessoas que não necessariamente estão acostumadas a usar temperos naturais, que têm medo de errar.
E a campanha toda era sobre acertar é natural. E a gente pegou influenciadores de todos os tipos, menos ligados à gastronomia. Por quê? Porque a gente queria justamente construir a ideia de que qualquer um pode cozinhar e acertar usando um tempero natural. Então nós vamos buscar perfis inusitados, obviamente com impacto dentro do nosso target, mas que para mostrar essa ideia, construir essa ideia de que acertar pode ser para qualquer um.
E você tá falando em um conteúdo conectado à cultura, que é o que move aí a construção das marcas. Como identificar quais conversas merecem atenção da empresa e quais são apenas modismos de passagem?
E a gente tem muito, tem muito, Milton, e a gente tem que entender o que que vem desse impulso das redes sociais. Então acho que a primeira coisa é ouvir muito, é o tempo inteiro estar ouvindo o que tá acontecendo e acompanhando as tendências. Óbvio que eventualmente você pode pular numa conversa que seja pertinente e dar uma resposta rápida. É muito divertido, é muito bacana quando isso acontece. Mas na maioria das vezes, o ouvir a rede social é um trabalho muito mais de entender uma grande tendência para onde essa marca de fato tem pertinência de entrar.
Então, por exemplo, a gente tava buscando O influenciador que pudesse construir essa credibilidade de que ele pode acertar de uma forma natural. Com o Yoki, por exemplo, a gente quer entrar na cultura brasileira. A gente quer trazer essa coisa da comida que é a comida da pipoca, a farofa, as farinhas de milho, o bolo de fubá, a batata palha que a gente coloca, que o brasileiro coloca em tudo, põe na salada, põe no estrogonofe.
Então a gente tá buscando influenciadores que basicamente funcionam quando a gente tá falando de cultura brasileira. Na sua raiz. Esse é o link, tá certo?
Existe algum caso recente de ações que tenham surpreendido vocês até diante do impacto provocado?
Olha, a gente fez uma ação recente de pipoca com a Tia Milena do BBB. A gente entrou numa conversa com ela. Quem assistiu BBB sabe, tem a turma que já são as celebridades e a pipoca, e ela foi a vice-líder hoje desse ano no BBB, e ela era uma pipoca. Então a gente deu para ela o troféu pipoca na saída do BBB. Foi uma conversa que gerou muito engajamento, as pessoas assim, mais de 20 mil comentários, muitos compartilhamentos. E foi uma ação rápida que a gente entrou na cultura, porque a gente viu a história da Pipoca surgindo, a gente deu um troféu Pipoca para ela.
E tinha que ser iOc, né, porque Pipoca é iOc, para Tia Milena. Então uma conversa como essa é uma conversa de oportunidade. Então essa é uma conversa de oportunidade que você entra, né, numa oportunidade para capturar. Uma outra é quando a gente constrói mais de longo prazo, como é o caso da própria Simone. Hoje a Simone não é só um rosto que eu coloco na minha propaganda, né, que vai ao ar, que tem lá o que a gente controla, mas ela também vai, ela está entregando ao longo deste ano inteiro conteúdos no camarim, no dia do show, no dia que ela tá assistindo o jogo de futebol.
E aí tá mostrando ela na cozinha dela comendo de verdade os nossos produtos. Então ela tá se preparando para o camarim, tá lá pipoca, tá lá canjica, E isso mostra com muito mais verdade que ela não é só uma influenciadora que está na campanha, mas ela de fato consome os nossos produtos.
E aí você citou aqui só nesse exemplo uma série de meios para que aquela mensagem chegue até o público. Você está tratando de uma comunicação integrada, portanto não é um canal específico.
Exatamente. Hoje a comunicação, eu falo que era feliz o meu tempo que eu fazia um filme de 30 segundos, punha na TV aberta e minha vida estava resolvida, né? Hoje é o contrário, a campanha começa quando a gente dá um primeiro play. A campanha hoje ela é pensada numa pluralidade de canais enorme. Então a gente pensa, obviamente, o digital first. A mídia tradicional ainda é muito importante e a gente começa a construir a mídia pelo digital, mas a gente tem ainda a mídia como um papel importante na construção da mensagem.
Mas aí você tem todo o composto dos influenciadores, o composto do out-of-home, né, que a gente chama, que é a mídia exterior. Toda a questão do retail mídia hoje, que é a mídia que acontece dentro do ponto de venda, toda ativação dentro do ponto de venda, que também é importante. Então isso é um composto de mídia que vai fazer com que essa mensagem chegue de forma integrada. Por exemplo, para nossa festa junina, a gente fez tudo isso e ainda ativa em eventos.
Então ainda estou ativando dentro dos eventos algumas festas juninas bem grandes. São João do João Gomes, a gente tá presente ativando a marca para ter uma experiência com a marca dentro do dentro do evento. Então a gente pensa mídia tradicional, conversa com consumidor através dos influenciadores, experiência através dos eventos.
Você agora há pouco citou, usou uma expressão que remetia ao tempo, né? Quando você diz lá no meu tempo, lá no início, né, quando eu fazia um vídeo de 30 segundos para televisão, tava tudo resolvido. Você passou por uma série de empresas, né? Grupo Abril, BRF, Mondelez, todas elas você teve atuação antes de chegar na General Mills. Não sei se esqueci alguma mais relevante que você gostaria de citar, pode citar depois, fica tranquila.
Quais foram as transformações assim mais profundas que você observou ao longo desta jornada do ponto de vista da comunicação?
Olha, é uma transformação radical, eu diria, né, do início da minha jornada até aqui é uma mudança radical. Não tanto pelo, pelo, eu digo que o que é o clássico do marketing, né, que é você transmitir uma mensagem, construir posicionamento, construir atributos, isso continua valendo, mas como fazer isso transformou-se de forma radical. Então a gente tinha uma forma muito de uma única direção de mensagem, né? A gente construía essa mensagem através dos meios tradicionais, que era a TV, era o rádio, né, ou a revista.
Eu vim do mundo das revistas. E hoje você tem a quantidade de canais é enorme e são todos canais que possibilitam o retorno imediato do consumidor. Então hoje você tem uma forma de conversar com esse consumidor que é muito mais presente, possível e imediata. Então o que era antes possível através apenas de uma pesquisa de mercado quando a campanha já fosse para o ar, hoje você tem uma resposta imediata do consumidor no segundo seguinte que a campanha está no ar.
Ou você vai ouvir dos seus produtos, ou você vai ouvir uma tendência, ou você vai ouvir um pedido do consumidor por um produto novo imediatamente. Isso muda muito a forma como a gente constrói marca. Porque ela não, o poder não tá mais só do lado de cá.
Tá certo. Você tá quanto tempo na General Mills?
1 ano e 3 meses.
1 ano e 3 meses. Você chega para participar dessa transformação da marca? Quando eu falo aqui em transformação da marca, eu faço questão de ressaltar, até porque isso já fez parte do conteúdo da nossa conversa hoje, é uma modernização, mas sem perder a essência da marca. Nós aprendemos isso aqui na CBN por um quadro que eu também faço parte todos os sábados, que a sua marca vai ser um sucesso. Quer dizer, você faz a transformação da marca, mas sem nunca perder esta essência. E a você foi entregue esse desafio?
Sim, exatamente isso. A gente chega num grupo novo na General Mills há um ano e pouquinho atrás para fazer uma virada nessa companhia e nessas marcas. E é o que a gente começou a fazer, que o meu time, especialmente no marketing, tinha obrigação de fazer, é voltar a ativar essas marcas e trazer relevância e um frescor para essas marcas que já são muito queridas, já estão, né, muito presentes na vida do consumidor, já tem um awareness, um conhecimento de marca bastante grande, mas precisava se modernizar e trazer um frescor para essas duas marcas.
Então, como fazer isso? Primeiro, a gente trocou agência, a gente trouxe uma agência nova, a David, a nossa agência, e tá fazendo uma comunicação muito mais interessante para os mundos, para o momento atual. Depois, a gente reviu o posicionamento das duas marcas, a gente refez o posicionamento de Ioc e de Kitano. Obviamente trazendo a tradição, não esquecendo da origem dessas marcas, mas pensando no que elas podem ser para o futuro, como elas podem evoluir.
E a gente começou a construir campanhas que estão presentes, mais fortemente presentes na vida dos consumidores, seja no digital, seja na creator economy, seja no ponto de venda.
A gente falou muito dos criadores, dos porta-vozes da empresa, mas tem esse outro lado que você acabou de citar, os consumidores. O que que mudou no comportamento dos consumidores? O que que você aprendeu sobre o comportamento dos consumidores, especialmente trabalhando aí na relação com uma marca tão tradicional?
Eu acho que tem duas coisas que se fala muito sobre os consumidores, né, de que os consumidores ficaram mais exigentes. Estão mesmo, consumidor brasileiro está mais exigente, aprendeu a consumir, tem muita oferta, não aceita qualquer coisa mais, quer coisas que sejam pertinentes para a vida dele. Então isso é de um lado é muito verdade, mas eu costumo dizer também que o consumidor está estafado de tanta mensagem. A gente tá sobrecarregado com a quantidade de mensagem que a gente recebe todos os dias.
A quantidade de estímulos que nós temos em todo o meio digital, ela é excessiva. E isso cria uma questão para quem tá do lado de cá construindo marcas, que é: como é que eu entro nessa, nessa vida desse consumidor que já não quer mais ouvir de nada, já tá cansado? Como é que eu entro de um jeito pertinente que ele consiga lembrar da minha marca no momento certo? Então essa busca incessante por não interromper, por estar presente dentro de um contexto cultural, por estar presente através de um influenciador que fala de verdade com ele, que tem credibilidade, ou na hora que ele realmente está buscando uma promoção e uma oferta, é um trabalho muito árduo que a gente tem hoje, porque ninguém aguenta mais a sobrecarga de mensagens.
Essa questão do excesso de estímulos que as pessoas têm é sem dúvida um desafio para não só marcas, mas para todos nós. Quando queremos nos comunicar com públicos diferentes para sermos relevantes diante deles com a mensagem que nós vamos levar. Vocês têm exemplos assim desse tempo de projeto que vem sendo desenvolvido, de mudança que parecia muito necessária ali do ponto de vista estratégico, mas exigiu muito cuidado para não gerar uma rejeição neste público que já está sufocado de informações ou intoxicado de informações?
Olha, Milton, a gente tá assim, tem duas questões, né? Acho que a questão de construção de um posicionamento de marcas que a gente revisitou é um processo longo, é um processo que a gente faz com muito cuidado ouvindo o consumidor, fazendo pesquisas, voltando para que a gente possa construir. Quando a gente fala a gente vai construir a marca nessa direção, tenha muita ressonância com o consumidor. Então, por exemplo, Yoki, a gente tá construindo uma marca que melhora tudo, todos os seus momentos e ocasiões.
Então a gente fala o que que é um Natal sem farofa, o que que é um cinema em casa sem pipoca, O que que é um estrogonofe sem batata palha? Então, Ioc é essa marca que joga tudo para cima. Para construir um posicionamento como esse, né, de jogar para cima, de melhorar qualquer situação, é um processo longo de interação com o consumidor até chegar num posicionamento claro. Com relação às campanhas, hoje a gente tem um cuidado de planejamento das campanhas também muito grande, porque hoje esse é o grande trabalho, de você olhar para cada campanha aonde você vai estar tentando buscar de fato a jornada do consumidor.
Cercar o consumidor no momento que a gente vai passar uma mensagem mais de construção de marca, outro momento que é o momento em que você vai oferecer uma oferta, num outro momento que você vai construir proximidade com o influenciador. Então você tem que pensar esse composto de mensagens antes da campanha ser produzida. E a gente às vezes tem que pensar, a gente fala que o pensamento às vezes é media first. Então a gente pensa primeiro como que nós vamos levar essa mensagem, aonde essa mensagem vai chegar, para depois produzir e transformar a ideia criativa em todos esses meios.
Quais são os canais que vocês usam para ouvir os consumidores?
A gente hoje tem o social, basicamente é o maior canal. Obviamente a gente tem o nosso saque, né, a gente tem que ir aberto para cada consumidor que queira elogiar, mas o consumidor hoje busca muito menos o saque, a menos que ele tenha um problema com a marca e precise de uma ajuda. Mas a forma dele realmente se expressar sobre a marca hoje no Brasil são as redes sociais. Então a gente tem que estar muito lendo os comentários, lendo as interações, não só das nossas marcas, a dos concorrentes também e da cultura.
Então a gente mede o que tá acontecendo com as nossas marcas e mede pulsos da cultura também. Então a gente tem algumas ferramentas hoje que conseguem nos trazer o que tá acontecendo no mundo e o que pode ter conexão, obviamente, com as nossas marcas. Então, por exemplo, a gente tem uma tendência brasileira, mistura tudo com tudo. Então a gente tem tendência brasileira, joga farofa no sorvete, faz batata palha com chocolate. Então são coisas malucas que a gente encontra ouvindo as redes sociais e a gente pode eventualmente brincar com isso, entrar na conversa e tal.
Você já experimentou batata palha com chocolate? Eu não consigo imaginar isso.
Olha, a receita é a seguinte: você derrete o chocolate. Eu não fiz ainda, mas vou fazer. Eu aprendi com uma consumidora. Você derrete o chocolate numa tábua, joga batata palha por cima e espera cristalizar. Aí vira uma batata, como se fosse uma plaquinha de batata palha com chocolate derretido. Eu até liguei para minha turma ver, os amigos de Lacta da casa anterior, para a gente fazer uma parceria e tentar ver se funciona.
Perfeito. Bom, vamos lá. Vocês têm usado inteligência artificial nesses processos todos na área do marketing?
Sim, hoje a gente usa, tem até, a gente tá usando para duas formas de ouvir o consumidor e fazer pesquisa que estão muito bacanas. A gente tem uma ferramenta hoje na General Mills Que a gente planeja a pesquisa, coloca as perguntas numa inteligência artificial, seleciona os consumidores, a inteligência artificial entrevista os consumidores no final de semana, na segunda-feira eu tenho o relatório pronto com quotes, né, com as falas dos consumidores e recortes dessa entrevista já prontas na segunda de manhã.
E aí eu peguei alguns vídeos, porque ela entrevista os consumidores e filma, né, através de uma videoconferência. E eu falei, gente, como será que essas pessoas estão interagindo, né, com a inteligência artificial? E incrivelmente parece que elas ficam até mais à vontade E então as pessoas vão lá, é como se fosse um chat, um chatbot, e elas vão falando.
Elas sabem que serão conectadas e sabem que estão conectadas com inteligência artificial.
Sabem. E eu achei que ia ser ao contrário, que as pessoas iam ficar mais endurecidas. E ao contrário, as pessoas se soltam, falam, ficam à vontade em casa e tá filmado. E a gente consegue já ter um relatório segunda-feira pronto sobre isso. Uma outra coisa que a gente tem usado aí, avançando ainda mais, é a gente tá começando a fazer testes com pessoas sintéticas, personas sintéticas. O que que é isso? A gente tem uma pesquisa, né, quantitativa.
A gente treina inteligência artificial para cada tipo de persona. Depois você pode fazer novas perguntas para essas personas e a inteligência artificial responde como se fosse aquele consumidor com 85% de acuracidade.
Caramba! Pegar de novo lá uma coisa que você falou mais atrás aí na nossa conversa, quando você falou assim do meu tempo, né, lá do meu tempo, etc., quando eu comecei. E por que que eu tô pegando esse ponto? Porque você sabe que lá no nosso tempo, então seja lá que tempo for, como se esse não fosse, né, a gente tinha que ouvir muito as pessoas, ter sensibilidade, a intuição contava muito. Hoje nós temos muitos dados à disposição.
Não há um risco de nós ficarmos reféns dos dados e deixarmos essa nossa intuição, essa coisa mais humana, muitas vezes impactar numa decisão que a gente vai tomar?
Acho essa pergunta fantástica, Milton, porque de fato eu acredito ainda na sola do sapato. O que que significa isso, né? Para você visitar o ponto de venda, você falar com o consumidor, você ver na verdade como tá acontecendo, você interagir com as pessoas, ouvir das pessoas, para inclusive tirar os seus próprios vieses. Porque quando você vê dados através de planilhas de dados consolidados e números, para você ter essa intuição, muitas vezes você vai buscar numa referência que é só sua, e muitas vezes a gente tem nossos vieses.
Então o que eu busco fazer é ouvir o consumidor, tá presente ainda para ouvir no ponto de venda pessoas diferentes, porque a gente tem um olhar muito viciado do lugar que a gente tá, né, do escritório, da formação, temos nossos vieses. Então é muito importante não perder esse olhar, não perder essa conexão, porque sim, a gente pode se distanciar do consumidor sem perceber.
Agora deixa eu pegar um pouco da parte do seu trabalho. De gestão à frente, líder de uma equipe, né? Que ações você considera fundamentais para os líderes, considerando que esse comportamento consumidor que você acabou de falar é o comportamento das pessoas que estão à sua volta, à nossa volta, cheios de estímulos, cheios de novidades, cheios de esquecer o que os outros estão pensando porque acham que o mundo é aquilo que tá no seu entorno? Como é que se comanda uma equipe assim?
É, e uma equipe multigeracional também, né? A gente tem esse, além de tudo, esse desafio das múltiplas gerações convivendo dentro do mesmo ambiente. Acho que o líder hoje, muito se fala disso, eu acredito que é verdade, que é um líder mais empático, né? Hoje a gente tem que entender um pouco as pessoas, tem que se aproximar, conversar com as pessoas dentro do seu time para poder engajá-las num lugar mais humano, sabe, Milton? Eu acho que a gente tem as ferramentas de engajar da empresa, né, as métricas, as metas, as recompensas Mas as pessoas ficam mais conectadas com o humano, com o líder que tem um olhar mais humano para o desenvolvimento das pessoas.
Eu acredito muito nessa proximidade e no desenvolvimento das pessoas, entender individualmente para onde elas estão indo, o que que elas querem da vida delas e como que a gente também pode facilitar esse aprendizado, esse desenvolvimento. A gente vai ter que viver num mundo que aprende e desaprende e reaprende cada vez mais rápido. Então, e ter múltiplas gerações É muito legal porque a gente aprende muito com eles, eles aprendem com a gente, óbvio, mas a gente aprende muito com eles também.
E ter essa troca e entender que a gente vai ter que se atualizar o tempo inteiro. Então eu falo, quem vem para o marketing já começa sabendo que largou a faculdade, tem que voltar a estudar, tem que ouvir, tem que ir em evento, palestra, podcast, ouvir com os mais velhos, aprender com os mais jovens, porque o mundo tá mudando, a forma como a gente faz a construção das marcas tá mudando e tá mudando cada vez mais rápido. Então acho que esse é o Esse é o barato da liderança hoje, de aprender com eles, de ajudá-los a se desenvolver e entender que a gente tem que aprender o tempo inteiro.
Fabíola Menezes, quero agradecer a sua gentileza de compartilhar a sua experiência e conhecimento com os nossos ouvintes aqui no Mundo Corporativo. Muito obrigado!
Eu que agradeço, Milton, prazer.
Fabíola Menezes, CMO da General Mills Brasil, foi a nossa convidada no Mundo Corporativo. Essa entrevista completa você tem à disposição no canal da CBN no YouTube, no Spotify, no podcast mais próximo do seu celular e lá no meu blog, miltojung.com.br. Jung você escreve com J-U-N-G e eu digo isso porque eu também tenho que cuidar da minha marca. E claro, lá no blog você pode deixar a sua opinião, dar sugestões, tem o vídeo, tem os destaques, podemos ter uma boa conversa por lá também, combinado?
Colaboraram com esse mundo corporativo: Carlos Greco, Letícia Valente, Rafael Furujin, Priscila Gobiotti e a Débora Gonçalves. Até o próximo capítulo do Mundo Corporativo.
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