A história de Seu Palmeiras, que encontrou no rádio uma janela para o mundo
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Aline de Aguiar
- Palmeiras na LibertadoresJosé Palmeiras · Rádio como janela para o mundo · Cegueira e resiliência · Relação de avô de consideração · Ensinamentos de vida
- Agradecimento à audiência da CBN· SociedadeSeu Palmeiras · Companhia diária da CBN · Autonomia e curiosidade
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Conte sua história de São Paulo. No Conte sua história de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Aline Jaguiar Gonzaga dos Santos. Escrevo para compartilhar a história de um ouvinte assíduo que infelizmente nos deixou neste mês de julho. Quando completaria 100 anos de vida. José Palmeiras, nascido em Pernambuco, começou a trabalhar muito cedo. Aos 8 anos já ajudava em casas de família. Aos 13 embarcou sozinho rumo a São Paulo em busca de uma vida melhor.
Aqui iniciou sua trajetória como ajudante de obras, mas sua curiosidade, inteligência e dedicação fizeram dele um respeitado mestre de obras. Era um homem de muitos talentos. Sonhou em ser cantor, locutor e estudioso. Infelizmente, as oportunidades lhe faltaram, mas jamais lhe faltaram inteligência, curiosidade e vontade de aprender. Se tivesse acesso aos estudos, tenho certeza de que teria ido ainda mais longe. Ainda assim, impressionava qualquer pessoa com sua lucidez.
Seu Palmeiras sabia de memória nomes de ruas, distâncias entre cidades, acontecimentos históricos, mudanças climáticas, fatos políticos, letras de músicas, entre outros. Contava as suas histórias com uma riqueza de detalhes que fazia quem o ouvia viajar junto com ele. Há cerca de 25 anos ficou completamente cego em decorrência do glaucoma e da catarata. Por conta disso, não conseguiu terminar de construir a própria casa. Foi então que um companheiro inseparável ganhou ainda mais importância: o rádio.
E a companhia diária era a CBN. Mesmo sem enxergar, ele permanecia informado sobre tudo o que acontecia no Brasil e no mundo. Desde que chegou a São Paulo, nunca mais desgrudou do rádio. Era por meio da voz dos jornalistas e comunicadores da CBN que seguia acompanhando o mundo. O rádio lhe devolvia autonomia, alimentava sua curiosidade e fazia companhia nos dias silenciosos. Lembro-me com carinho quando, aos 8 anos de idade, ele me presenteou com um rádio de pilha.
Hoje compreendo que aquele presente carregava muito mais do que um objeto. Era um pedaço do mundo que tanto significava para ele. E eu tive o privilégio de ser uma espectadora desse ser humano extraordinário. Seu Palmeiras era meu vizinho, realizou uma obra em nossa casa e desde então nasceu uma amizade que atravessou os anos. Nunca se casou, nunca teve filhos, então se tornou meu avô de consideração. Quando nos visitava, ainda quando enxergava, sempre me agradava com uma sacola cheia de Sonho de Valsa.
Sentar para ouvir suas histórias era como abrir um livro de aventuras. Cada lembrança era narrada com emoção, riqueza de detalhes e uma sabedoria construída pela própria vida. Apesar de não enxergar com os olhos do corpo, ele via com os olhos da alma. Foi a pessoa mais resiliente que conheci. Nunca o vi reclamar de suas limitações. Era sempre grato, bem-humorado e cheio de fé. Em cada visita, em cada telefonema, eu saía melhor do que havia chegado.
Quando enfrentava alguma dificuldade, lembrava-me dele, de sua força, da capacidade de agradecer pelo simples, da serenidade com que encarava a vida e da convicção de que esta não era a nossa morada definitiva. Ele me ensinou sem jamais dar uma aula que a verdadeira visão não depende dos olhos. Hoje a CBN perde um ouvinte assíduo, mas acredito que cada vez que um rádio for ligado, quando a música da CBN tocar, a lembrança do Seu Palmeiras continuará viva em quem teve o privilégio de conhecê-lo.
Obrigada, Seu Palmeiras, por ter sido meu avô de consideração, por me ensinar tanto sobre fé, humildade, coragem e esperança. Sou profundamente grata por ter convivido com o senhor. Aline de Aguiar Gonzaga dos Santos e o seu José Palmeiras são personagens de Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Claudinho, Eu e toda a equipe da CBN agradecemos pela companhia silenciosa do seu Palmeiras, que neste mês de julho nos deixou.
Que seus amigos, assim como Aline, mantenham viva a história dele para sempre. Você, você também pode contar mais um capítulo da história da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuhistoria@cbn.com.br. Muito bem-vindos!
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