Episódios de Comentaristas

Você sabe o que é 'weekendismo'?

11 de julho de 20266min
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Rossandro Klinjey fala sobre quando o tempo de descanso se torna também um tipo de trabalho.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
Assuntos2
  • Fim de semana e hábitosDoce fai niente · Sociedade do cansaço · Euforia vazia
  • Equilíbrio e Slow DownEstímulo de tela · TDAH · Vingança do tempo
Transcrição14 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RKRossandro Klinjey

O divã de todos nós, com Rosandro Klinge.

RKRossandro Klinjey

Rosandro Klinge, boa tarde.

RKRossandro Klinjey

Boa tarde, na Bélgica.

RKRossandro Klinjey

Boa tarde. Rádio 20, novo horário no sábado agora.

RKRossandro Klinjey

Seja muito bem-vindo ao sábado aqui no Revista CBN, Rossandro. E conheci hoje o termo weekendismo, que tem relação com o fim de semana, né, que é aquela coisa da gente ficar esperando tanto a sexta-feira, o sábado, domingo. Tem tanta coisa para fazer no tempo livre que parece que esse tempo de descanso também vira um tempo de trabalho, né. A gente tem uma lista de tarefas a cumprir nesse tempo pouco livre que a gente tem, né?

RKRossandro Klinjey

Existe um ditado, uma frase italiana famosa que é doce fai niente, a doce arte de não fazer nada. É super importante para você fazer em algum momento do dia, especialmente no final de semana. A gente abriu mão disso para performar até o final de semana por causa das redes sociais, um monte de conteúdo de saúde, e a gente vai para uma sociedade do cansaço, como no final de semana, né? Então as pessoas ficam tentando fazer isso.

Isso é um lado que a gente tem que analisar. Mas tem outra coisa que eu acho curiosa para falar aqui, né, Décia, é que existe na psicologia um estudo sobre sensação de euforia vazia, que numa sexta-feira às 16 horas a gente é tomado de um sentimento de uau, o final de semana tá chegando! E o Lula sabe que até o amor precisa te dizer assim: doidinho, espera alguma coisa, eu já tô cansado, eu já nem vou. A sensação de que alguma coisa vai acontecer Aí, como não necessariamente acontece, a gente cria coisas para acontecer e termina que vira um cansaço a mais.

Tem gente que termina o domingo mais cansado do que uma segunda-feira. Ah não, porque eu tenho que correr de manhã, eu tenho que pegar uma bicicleta, porque eu tenho que postar isso, eu tenho que falar com os amigos, a gente tem que ir para um restaurante incrível, ou sei lá, eu tenho que maratonar a série que eu tô atrasado, ou eu tenho que botar o livro em dia, ou então tem que botar a roupa para lavar em dia. Então cada um vai pegar o final de semana Até o compromisso de espiritualidade, que deveria ser também uma coisa mais tranquila, virou uma maratona.

Tem que ir para tal canto, para tal canto, para tal religião, fazer tal coisa, tal ritual. E não tem um momento do ócio, que é quando a mente pega e traz tudo aquilo que você ao longo da semana, ao longo do dia, que isso não é só para ser final de semana, e vai ali consolidar, deixar cair, criar novas conexões, gerar novos insights. A gente não tá conseguindo parar, né? E isso tem sido, isso tem gerado um prejuízo em vários níveis, e acho que a gente ainda não tá calculando muito bem.

RKRossandro Klinjey

E tem até a ver com aquele outro fenômeno que eu vi muitos comentários recentemente, ô Sandro, das pessoas que acabam não conseguindo ir dormir na hora que tem que dormir, porque é o momento da vingança, parece, né? Você passou o dia inteiro com seus compromissos obrigatórios e aquela hora você quer que seja a sua, e aí acaba se atrapalhando, passando muito tempo fazendo o que for, né, vendo série, vendo filme, ficando na rede social, aí vai dormir de madrugada, dorme mal, enfim, o sentimento de querer pegar o tempo de volta, né.

RKRossandro Klinjey

Exato, você quer justamente descansar no momento que era para estar descansando. A política dos dados, que é uma sociedade hiperestimulada que a gente tem hoje, a gente vive numa sociedade hiperestimulada. Por exemplo, você vê um outro ponto que a gente pode analisar sobre isso, que é essa questão no site, tem muitas escolas hoje que têm recebido um monte de crianças com vários laudos, entre eles o de TDAH. E muitas crianças não são pessoas que têm, por exemplo, déficit de atenção ou hiperatividade, muitas crianças são hiperestimuladas.

Então, se você diminui os estímulos, ela se acalma. Mas que a gente como adulto também tem que ter essa capacidade de fazer um recorte e diminuir os estímulos, estímulo de tela, estímulo de coisas, para ficar coisas mais essenciais. Nós não fomos criados, a nossa, digamos assim, história antogenética civilizatória, nosso desenvolvimento neurológico não dá conta desse conjunto de prejuízos que não cessa. Isso desgasta e faz com que a gente se obrigue a dar conta disso e desgasta muito profundo.

Aí a gente vai saber, vai sabotar a hora do sono. É preciso assim fazer uma curadoria, uma seleção. Tá, isso não acrescenta, eu não vou mais ver isso, não vou mais Não vou mais visualizar, não vou mais estar tentando bater meta que as pessoas estabelecem para mim. Pensa numa rede social, é 10 livros que você não pode ler antes de morrer, 5 filmes que você precisa ver esse ano. É tudo é meta. Até você, eu lembro que estava um tempo, Magali, eu tava tão assim preso nesse universo que eu tava lá assistindo uma série bem tranquilo, sentado no sofá, quando eu vi um comentário, ficava um pouco, ficava um arquivo, ficava um comentário.

Aí eu percebi que até eu, na hora de relaxar, tava querendo performar. Aí eu comecei a fazer, não, agora eu só tô vendo uma série, não quero fazer título, é um conteúdo com outro, com livro, com uma comentária na CBN, com aquilo. Não, eu quero só assistir, sabe, controlar a mente no sentido disso. Então faça isso agora, né, e curta esse momento. Carpe diem, em grego, no sentido de colha o dia. A gente não tá colhendo, vai colher de noite.

Até que o pessoal colhe de noite, sério, fica Pessoal que se diz isso é cobrir, não, é sabotar um outro momento do dia que é o momento de descansar. Então precisamos muito menos de weekendismo e muito mais de dor de pavimento.

RKRossandro Klinjey

Boa, muito obrigada, Rossandro. Bom fim de semana para você.

RKRossandro Klinjey

Você também, até já. Até mais. Até.

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