'A Anatomia do Post', da Globoplay: a vida dos jovens influenciada pelas redes sociais
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Tatiana Nando
Michel Coforado
- Impacto das Redes SociaisImpacto na adolescência · Visibilidade e aceitação · Rejeição coletiva · Dependência das redes sociais · Legislação sobre redes sociais
- Documentário 'A Anatomia do Post'
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Saúde integral com Rossandro Klinge. Rossandro Klinge, boa tarde.
Boa tarde, Nandédia, boa tarde, Nando, como vocês estão? Boa tarde, tudo bem. Rossandro, não vi ainda a anatomia do post, que é uma, que tá na Globoplay. Quero te ouvir, saber também mais sobre a vida dos jovens, o quanto a influência da tecnologia impacta nessas mentes brilhantes. Vamos lá.
Pois é, você sabe que existe uma coisa comum que a gente observa, que na adolescência todos nós queremos uma coisa. A gente quer visibilidade, a gente quer aceitação. A gente tem essa necessidade, isso é uma coisa muito comum na adolescência. A gente busca isso. O que mudou, e o documentário mostra isso com muito claro, é que o mundo, a gente fazia isso antes com limite geográfico. A gente queria aceitação na escola.
com os amigos, com o pessoal da família, sei lá, na igreja. Só que hoje a gente percebe, com a anatomia de um post, que as pessoas querem uma aceitação global com audiência 24 horas, sem pausa e sem silêncio. O que é enlouquecedor, porque veja, se uma rejeição na escola já gera alguma dor, e acho que todos nós aqui já passamos por isso, né?
E a gente tinha que administrar essa, digamos assim, essa dor, conversar com os pais, às vezes ficar em silêncio, emburrado. A rejeição coletiva que uma criança é submetida...
ou uma adolescente é submetido, é muito avassalador. E se a gente dá um passo atrás, Nando e Nadeja, e pensa nas crianças que nós lembramos que fizeram sucesso quando eram crianças, seja na música, seja no cinema, o quão complicado foi a vida adulta dessas pessoas depois?
Não vou citar nomes aqui, mas acho que a gente está pensando assim. É um bom exercício, dá para entender. Ótimo. Atores, atrizes, que depois que se tornaram adultos ficaram disfuncionais, desequilibrados, porque foram expostos numa época que precisava de privacidade, de controle de limites, né? Foi exposto a muita atenção. E hoje, aquilo que era exclusivo para algumas crianças e celebridades...
Lamentavelmente, tem sido vivido por muitas crianças e o custo também atinge a muitas crianças e adolescentes. Isso ficou muito claro, a gente já tinha percebido isso. Essa ideia, por exemplo, de que... Que foi uma coisa que eu acho perigosa quando eu penso nisso, é que antigamente a gente conversava com uma criança que não gostava muito de estudar e ela fazia, mas veja, eu não posso virar um jogador de futebol? Aí você falava assim, mas sabe de quantos milhões de meninos que querem ser o próximo Neymar? Quantos viram?
Ah, mas eu quero ser a próxima Ivete Sangalo. Sabe de quantas meninas que querem cantar, quantas viram a Ivete Sangalo? A escola é o plano A, não o plano B. Mas agora eles vão dizer assim, sabe quantas pessoas têm um canal no TikTok, no YouTube, no Instagram e vendem produtos e ganham alguma grana? Tem gente que trabalha com os filhos.
Então, isso ainda compromete, sobretudo, a ideia do conhecimento, que exige tempo, aquisição, paciência para dar resultado. Então, tem muitas variáveis que a gente percebe e que o documentário evidencia para a gente. A gente já falou aqui sobre uma geração que está emburrecendo, né?
Como é que a gente vai mudar isso? Eu estou tão preocupado com isso, Rossandro, sinceramente. Eu sempre acho que, primeiro, eu acredito na capacidade humana de correção de rumos. Só que a gente sente uma coisa, historicamente falando, que o rumo só é corrigido quando a dor atinge muita gente.
Quando atinge uma família ou outra, a gente faz, ah, isso não é um problema nosso, é um problema daquele pai, daquela mãe que não soube da limite. Mas quando a gente começa a sentir muitos jovens atentando contra a própria existência, se cortando, se desconectando dos pais vulneráveis, a gente descobre uma coisa, e o documentário mostra muito bem isso, um ponto que é pouco explorado, na verdade. O quarto, ele sempre foi um território de interioridade do adolescente.
e da adolescente diário, sabe aquele pouso na parede, o fone do ouvido para ninguém incomodar porque não quer ouvir o barulho da família. Esse era um espaço de proteção, de formação de identidade, separação de espaço familiar. Hoje, ele é o ponto máximo da exposição. A criança está sozinha e conectada ao mundo inteiro ao mesmo tempo. Isso é uma contradição que a família ainda não aprendeu a lidar com isso.
Acho que esse movimento de dor que a gente sente que está tomando conta, está gerando documentários, está gerando legislação em alguns países, infelizmente sempre no fláforo político de direita e esquerda, pouca sensibilidade sobre a dor que está se abatendo sobre muitas famílias.
vai fazer com que as pessoas comecem a mudar. A proibição do celular na escola é um avanço. Daqui a pouco, proibição de crianças e adolescentes de menos de 16 anos de ter rede social é um avanço. Ainda falta, e a gente vê essa punição que aconteceu nos Estados Unidos, vai gerar uma jurisprudência global a partir de lá.
Aquela criança que pediu, processou as big techs porque a viciou. E a gente sabe que elas são feitas, esses aplicativos são feitos para gerar severa dependência psíquica. Tem estudos sobre isso. E nesse processo, só um parênteses, eles usaram como argumentos, advogados dessa adolescente hoje, usaram argumentos de que as redes sociais, o design das redes sociais...
Hoje, a mesma coisa que o cigarro, do que a nicotina nos anos 1990. Fizeram essa comparação e convenceram os juízes, tanto é que ganharam a causa. Exatamente, e estão certos. E quando você vai lá e olha, as pessoas são especialistas, tem cadeiras em Stanford para isso, que é uma universidade que fica no Vale do Silício.
Esses aplicativos, o design dos aplicativos, até de compras, eles são feitos para gerar dependência, como as bets também são feitas assim. Então a gente não pode imaginar que numa crise de saúde global, isso é uma solução individual. Que se a gente também não tiver como sociedade falando do tema, responsabilizando essas empresas que só visam lucro, elas não estão nem aí se você está se destruindo em ódio, democracias sendo arrastadas, o tanto que eles lucrem.
Claro, eles acumularam um nível de poder muito absurdo. Eles têm mais poder do que reis na Idade Média. Mesmo assim, a sociedade organizada é mais poderosa. Então, assim, legislações... Por exemplo, uma lei na China que aprovou, que agora você só pode fazer comentário nas redes sociais, se você for um especialista no tema, vai tirar um monte de psicólogos de plantão sem curso nenhum, de pessoas que falam de emagrecimento sem nenhum conhecimento de nutrição, de economia sem nunca ter feito um curso de economia. Então, a gente está realmente, num primeiro momento, impactado sobre...
Vamos pegar a metáfora da bomba nuclear. Ela explode, mata muita gente, depois vem a radiação, que mata mais gente, depois vem a correção. Vamos parar de explodir os países, vamos gerar energia nuclear para alimentar os países e para bombardear câncer e tumores na radioterapia. Ou seja, a gente corrige percurso. É porque a gente agora, Fernando, está no meio da explosão. Entendo. E analisando os efeitos dessa explosão, ainda tem muita gente negando isso.
Porque aí não, isso é controle de mídia, isso é... E é aquilo que a gente já sabe e cansou de discutir. Enquanto isso, vidas, crianças destruídas, sabe, com fragilidade, se expondo, sofrendo um bullying que era somente na escola e agora ele continua 24 horas na internet. E por que fica gravado? Se você mudar de cidade e for com a criança para outra escola, aquilo vai reverberar para o resto da vida dela.
Muitas não conseguem lidar com essa coisa. Então tem muita dor no meio dessa história. Não só tem brincadeira e piada, dancinha, tem muita dor. E essa dor chama a atenção do mundo e nós precisamos, enquanto sociedade, olhar para esse lugar e entender.
Nós inventamos uma coisa fantástica que nós podemos chegar a muitos corações, mas podemos no processo destruir. E precisamos, enquanto sociedade, corrigir rumos. Não é apagar, destruir, é correção de rumos. É para isso que serve a ética. Recalculando a rota. Recalculando a rota, exatamente. O ouvinte Maria Paula pediu só para a gente repetir aqui o nome. É Anatomia do Post. É um documentário que está no Globoplay, não é isso?
Exatamente. Recomendo demais assistir. É importante ver. E também tem o dilema das redes, que tá na Netflix, que também é outro documentário que mostra as pessoas que trabalharam nessas redes sociais denunciando tudo isso. Roçandro, muitíssimo obrigado mais uma vez pela conversa. Uma boa tarde e até semana que vem. Beijo nos dois, meus ouvintes. Obrigado.
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