Relatório prevê alta global dos casos de câncer e expõe desigualdade no tratamento
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Luiz Fernando Corrêa
- Financiamento e Acesso a Tratamentos OncológicosDiferença de sobrevida entre países de alta e baixa renda · Acesso limitado a medicamentos prioritários da OMS · Falta de inclusão do tratamento oncológico na cobertura de saúde
- Prevenção e Rastreio OncológicoPrevisão de 20 milhões de casos anuais para 35 milhões até 2050 · Envelhecimento populacional como fator
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, doutor.
Que o relatório da OMS, relatório que trata da situação do câncer, nos traz novidade.
Milton, relatório foi publicado ontem em conjunto com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, e o número vai chamar atenção de todo mundo, né? A previsão é de que nós temos atualmente 20 milhões de casos de câncer por ano, e isso deve dobrar quase dobrar até 2050 para chegar perto de 35 milhões. Mas o mais importante do relatório não é só o fato de que os casos vão aumentando. Os casos vão aumentando porque, afinal de contas, várias razões, mas as populações estão envelhecendo e câncer é uma doença do envelhecimento.
Quanto mais se vive, mais chances de ter um tumor você tem. Agora, o mais importante é a questão da desigualdade que foi ressaltada nesse relatório. Para você ter uma ideia, minha mulher com câncer de mama, se for diagnosticado num país de alta renda, ela tem 87% de chance de estar viva 5 anos depois. Se isso acontecer num país de baixa renda, essa chance cai para 42%, ou seja, a metade. Nós estamos falando da mesma doença, a mesma biologia, o mesmo tumor, e a diferença é onde é que essa mulher nasceu, né?
Isso não é biológico, isso é logístico, é político. Ou seja, menos de um terço dos países do mundo inclui tratamento oncológico na cobertura de saúde. E a disponibilidade dos 20 medicamentos para câncer considerados prioritários pela OMS varia de 9% a 54% nos países mais pobres contra 68% a 94% nos países mais ricos. Isso foi ressaltado até pelo diretor da OMS, Dr. Tedros Adhanom, Essas desigualdades não são inevitáveis, são escolhas, escolhas políticas feitas pelos países.
Então é o seguinte, são 26 mil pessoas morrendo por dia no mundo, é a segunda causa de morte em geral, só perde para doença cardiovascular, e o câncer de pulmão é o que lidera as mortes, né? Entre os homens, pulmão, próstata e câncer de intestino. Entre as mulheres, tumores de mama, pulmão e colo retal. E uma coisa mais importante para a gente terminar: 4 em cada 10, ou seja, 40% dos casos de câncer no mundo estão ligados a fatores evitáveis.
Infecções como HPV, hepatite B e C, a bactéria H. pylori no estômago, o uso do tabaco, o uso do álcool, excesso de peso, sedentarismo. Já 40%, Milton, não precisa ter uma descoberta fantástica para mudar isso. É uma conta que a gente já sabe e são medidas que têm que ser feitas para a gente conseguir tentar diminuir esse número horroroso, né?
Qual é o percentual que o senhor falou?
40%.
40% é evitável.
De todos os tumores do mundo são devidos a fatores evitáveis. Ou seja, se as pessoas mudarem, se nós, né, as pessoas não, parece que a gente tá falando, né? Nós todos mudarmos nossos hábitos de vida Se fosse por mágica, 40% dos casos de câncer não aconteceriam. Quer dizer, ou seja, dá para mudar sem fazer nenhum esforço científico a mais, a não ser políticas urbanas, enfim, políticas de incentivo e educação de saúde para as pessoas.
Milton, muito obrigado, Doutor Luiz Fernando. Um bom dia.
Bom dia para vocês, para os ouvintes, e bom fim de semana para todo mundo. Bom fim de semana, Doutor.
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