Episódios de Comentaristas

‘Uma máfia estava controlando o estado do RJ há muitos anos’

10 de julho de 20266min
0:00 / 6:33
Merval Pereira faz uma análise da gestão interina de Ricardo Couto, no governo do RJ. Comentarista destaca que o estado do ‘RJ há muito tempo está refém de um grupo político que vem se revezando no poder através do uso da máquina pública. (...) Esta sendo demostrado agora que essa máquina era baseada na corrupção’. Ouça.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
M

Merval Pereira

ComentaristaComentarista
Assuntos4
  • Corrupção Governo LulaMáfia · Uso da máquina pública · Obras superfaturadas · Compra de votos
  • Futuro político e possível vingançaMilícias · Facções criminosas · Crime organizado
  • Mandato tampão e interinatoRicardo Couto · Corte de gastos · Reajuste fiscal
  • Eleições Rio de JaneiroRicardo Couto · Edson Fachin · Eleição indireta
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MPMerval Pereira

Momento da Política com Merval Pereira.

MPMerval Pereira

Alô, Merval, tudo bem?

CACarlos Alberto Sardenberg

Tudo bom, Sander Berg? Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Cássia.

?Voz D

Boa tarde, Merval.

MPMerval Pereira

Olha, o desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, tá lá, está no cargo há coisa de 100 dias. Ele acredita que tem mais 60 dias de governo e tá fazendo uma gestão como se fosse para sempre, né, Merval? Com corte de gastos, programa de reajuste fiscal, de controle fiscal. Enfim, demissão de funcionários fantasmas, tá indo uma coisa bem positiva, certo?

CACarlos Alberto Sardenberg

O Sandenberg, o Rio de Janeiro há muito tempo tá refém de um grupo político que vem se revezando no poder através do uso da máquina pública. E essa máquina pública agora com o interventor, né, presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, tá sendo demonstrado agora que essa máquina era baseada na corrupção, no orçamento público jogado no lixo, nas obras superfaturadas, na compra de votos, na compra de apoios. Era uma máfia que tava controlando o estado do Rio de Janeiro há muitos anos.

Não é à toa que todos os governadores, com exceção da Benedita, foram presos. Então realmente era um estado governado por grupos mafiosos que pensavam só em se enriquecer e se manter no poder, em vez de desenvolvimento do Estado, né? Então o governador caiu, no colo dele um governo interino. Ele era presidente do Tribunal de Justiça do Rio, e como todos os da linha sucessória foram presos e saíram caçados ou coisa que o vale, acabou ele no governo.

E ele teve uma atitude no início muito cautelosa, ele não sabia quanto tempo ia ficar lá. A partir do momento que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Edson Fachin, garantiu a ele que ele ficaria até a eleição, É uma decisão que já foi dada pelo Supremo, tá sendo discutido agora se a sucessão seria através da eleição direta ou indireta. Não vai haver sucessão porque não tem sentido ter duas eleições em menos de 2 meses.

Então, quando garantiram a eleição, que ele ficaria no cargo, ele viu que tinha um tempo, um prazo definido para atuar. E aí começou a atuar, começou a limpar o governo, e ele vai entregar o governo ao futuro governador eleito em outubro agora em muito boas condições, a condição de estabilidade, e de já esvaziou, tá esvaziando a máquina pública Vai reduzir o número de secretarias, todos os excessos. Além da corrupção na prática, havia também um excesso de benesses para apoiadores políticos, cabos eleitorais.

Era uma farra isso aqui, né? Então ele tá resolvendo esses problemas imediatos de estrutura. De organização. Caberá ao próximo governador, seja ele quem for, conduzir esse processo para diante, tirar efeitos positivos desse processo que já começou. Aí nós vamos ver se o estado vai dar uma, fazer uma reviravolta no no seu, na sua estrutura e no seu crescimento, ou se vai voltar novamente para mão de grupos políticos ligados a milícias, ligados a facções criminosas, ligados ao crime organizado, que é uma grande praga também para o Rio de Janeiro, né?

Eu acho que foi uma sorte para o Rio ter tido esse intervalo de boa organização, essa possibilidade de dar início a um trabalho que pode ser prosseguido por um governo próximo, proximamente eleito em outubro.

MPMerval Pereira

Merval Pereira, obrigado, Merval. Até semana.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até semana, senhor.

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