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Gordura no fígado avança de forma silenciosa e já afeta 44% dos adultos latino-americanos

09 de julho de 20265min
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Luiz Fernando Corrêa explica que doença está associada à síndrome metabólica e pode causar danos irreversíveis.

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Luiz Fernando Corrêa

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Assuntos3
  • Desempenho de Lucas di GrassiDoença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) · Síndrome metabólica · Resistência à insulina · Diabetes tipo 2 · Obesidade abdominal · Inflamação e fibrose hepática · Cirrose
  • Obesidade e Saúde44,4% dos adultos latino-americanos · 1 bilhão de pessoas no mundo · Projeção para 1,8 bilhão até 2050 · Causas de transplante de fígado
  • Fígado Gordo e AyurvedaAssintomática · Achado de exames de sangue (enzimas hepáticas) · Ultrassonografia abdominal · Controle de sobrepeso, diabetes e pressão alta · Avaliação da função hepática
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuiz Fernando Corrêa

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor. Hoje nós vamos falar aqui sobre gordura no fígado? Pois é, Milton, é uma coisa que muita gente já ouviu falar, já se conversou, já recebeu, alguns receberam já orientação de colegas médicos. É mais um trabalho publicado na revista Frontiers in Pharmacology mostrou o seguinte: os dados epidemiológicos da América Latina mostraram que 44,4% dos adultos latino-americanos convivem com algum grau de acúmulo de gordura no fígado.

E existe um problema. Ah, mas é gordura no fígado, não dá doença, é uma doença que não dá febre, ninguém sente nada. Não, é verdade. O problema é que existe uma, foi classificada agora como uma doença, a doença hepática esteatótica, ou seja, de acúmulo de gordura no fígado associada à disfunção metabólica. O que que é isso? Tem um acrônimo que é MASLD, que é o termo técnico, né? O que acontece? O fígado é um órgão que trabalha bastante o tempo todo, né?

Ele processa, transforma e distribui substâncias pelo corpo. E quando chega mais energia, em termos de calorias, carboidratos, vamos simplificando para as pessoas, quando chega mais energia do que ele consegue transformar, esse excesso de calorias é associado à resistência à insulina. Diabetes tipo 2 e obesidade abdominal, que são características da síndrome metabólica, por isso lá a síndrome metabólica entrando naquele nome lá em cima, parte dessa energia que sobra ela fica armazenada dentro das células do fígado, sua forma de gordura.

No início isso não causa nenhum problema, o problema é com o tempo. Com o tempo essas células que estão com acúmulo de gordura elas vão gerando inflamação. E a gente sabe que inflamação crônica gera fibrose, ou seja, o organismo substitui aquela área que tá inflamada por uma coisa que é meio que um cimento, uma massa, né, uma coisa para ocupar espaço que não é mais o órgão que funciona. Essa fibrose avançando no fígado se transforma em quê?

Em cirrose, ou seja, parte do fígado já não tá funcionando mais. E esse dano é irreversível em boa parte. Estimativas feitas pela revista The Lancet no Global Burden of Disease, que é o peso das doenças, né, apontam para que tem mais de 1 bilhão de pessoas no mundo afetadas com essa doença, e a projeção é chegar a 1 bilhão e 800 milhões até 2050. No Brasil, a gente tá seguindo de perto essa curva, porque essa curva vem associada aqui, como a gente já viu, Obesidade e diabetes.

Não é coincidência, né? A síndrome metabólica, esse distúrbio metabólico do corpo, é a raiz de tudo isso, afetando vários órgãos, inclusive fígado, né? Então, como não tem sintoma nenhum, isso é achado muitas vezes, é um achado de exame. Exames de sangue mostram enzimas hepáticas geralmente alteradas. Uma ultrassonografia feita por um outro motivo qualquer mostra que existe essa coisa. A gente não pode, Milton, é fingir que não existe e esperar que isso acabe em cirrose, porque já é uma das maiores causas de transplante de fígado no mundo.

Então a gente tá começando a falar sobre isso agora aqui no Saúde em Foco. A gente provavelmente vai falar mais ainda, né? Até porque a gente sabe que existem formas de tratamento efetivos a partir de agora, e a gente vai continuar falando sobre isso nos próximos dias e nas próximas semanas. Mas já fica o alerta: você tem sobrepeso, diabetes, pressão alta, alteração do colesterol e vai ao médico proximamente, já conversa com ele sobre incluir avaliação da função do seu fígado, avaliação com ultrassom do abdômen para avaliar como é que tá a situação do seu órgão.

O fígado é um órgão muito interessante porque ele é bem capaz, ele é capaz de se regenerar bastante. Mas vamos, a gente vai voltar a falar esse assunto proximamente. Milton, muito obrigado, Doutor Luiz Fernando. Bom dia.