Gentílicos e curiosidades da Copa do Mundo - 9º edição
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Fernando
Professor Pasquale
Tatiana
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A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.
Oi, professor, boa tarde.
Boa tarde, Tatiana, que diz que quase nunca tem. Tem sim, não tem quando tem futebol. Boa tarde, Fernando.
Boa tarde, tudo bem?
Boa tarde.
Vamos lá, professor. Aula sobre gentílicos e outras curiosidades da Copa, 9ª edição do boletim. Hoje vamos para onde?
Pois é, eu pensei até em encerrar a conversa, a série, né, depois da eliminação do Brasil, mas a Copa continua, né? É bom a gente trocar mais algumas informações sobre isso. Então, para onde nós vamos hoje? Vamos ver se a gente descobre pelo primeiro auxílio de hoje, que é uma canção chamada Qualquer Coisa, de Caetano Veloso. Ele mesmo vai cantar para gente. Essa canção está num disco de 1975, disco que tem o mesmo nome. Vamos ouvir e prestar atenção para ver se a gente mata a charada. Vamos lá.
Esse papo já tá qualquer coisa, você já tá para lá de Marrakech. Mexe qualquer coisa dentro doida, já qualquer coisa doida dentro mexe. Não se aveste não, baião de dois, deixe de manha, ache de manha, pois sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha, nem a sanha arranha o carro, nem o sarro arranha Messa tamanha, messa tamanha, esse papo seu já tá de manhã. Berro pelo aterro, pelo desterro, berro por seu berro, pelo seu erro.
Quero que você ganhe, que você me apanhe, sou o seu bezerro gritando mamãe. Esse papo meu tá qualquer coisa e você tá pra lá de Teerã, qualquer coisa você já tá para lá de Marrakech.
E aí, vamos para Marrakech, para o Marrocos?
Exatamente, Marrakech. Mas antes de Marrakech, a letra fala de Espanha, né, e fala de Teerã, que é a capital do Irã. O Irã já foi, foi eliminado. Sabe que em Portugal, Irã É Irão, né? Aquilo que acontece, que no Brasil acontece no Irã, em Portugal acontece no Irão, né? Com tio, com a o, tio, né? Isso é só uma das tantas diferenças que há entre os nomes de países e de cidades no português do Brasil, português de Portugal, né? Bom, nós vamos para Marrakech. Marrakech é uma cidade de que país, Fernando? Tatiana?
Morroco.
É morroco em inglês, morroco em inglês, Marruecos em espanhol, Marocco em italiano, né, e Maroc em francês, ou qualquer coisa parecida. E em português, Marrocos. Bom, acontece o seguinte, Fernando, você tá com dicionário aberto?
E o dicionário não, pera aí.
Tô abrindo aqui, se puder abrir. Senão eu mesmo.
É para digitar Marrocos?
É para digitar marroquino.
Marroquino.
É, não, você tá no Wise, né? Marroquino.
Marroquino.
Tá aqui, relativo ao Reino de Marrocos.
Reino do Marrocos.
Não.
Reino do Marrocos, relativo ao Reino do Marrocos. Isso não é assim que tá?
Exato.
A segunda definição diz-se de ou que é natural o habitante do Reino do Marrocos, do Marrocos, tá? Aliás, eu desafio você a ler na definição número 1 aquilo que está entre parênteses.
Simples.
Al-Mamlaka al-Maghrebiana.
Como é que é? Repete, por favor, por favorzinho. Vai, tava quase entendendo.
Esse é o nome do país na língua original, né? Ave Maria, o nome, o nome completo. Agora, Fernando, eu mandei para você um link da embaixada, né? Você pode, você abriu, né?
Abriu? Tá aqui, achei.
Então lá em cima, em letras garrafais, está escrito o quê?
Embaixada Embaixada de Marrocos em Brasília.
De Marrocos em Brasília, né? Aí vem, se você descer, tem lá papel da Embaixada de Marrocos, de Marrocos no Brasil. Um pouquinho para baixo, serviços prestados pela Embaixada de Marrocos novamente, de Marrocos. E por aí vai, né? Isso sempre foi uma grande confusão porque a Embaixada de Marrocos escreve com todas as letras, de Marrocos, em Marrocos, e por aí vai. Ou seja, trata o nome do país sem artigo. Os dicionários antigos nossos, né, também diziam lá marroquino relativo a Marrocos, proveniente de Marrocos, e por aí vai.
O Aurélio continua mantendo isso, né, mantém isso. O Wise, que já deu, se não me engano, já deu de Marrocos, agora dá do Marrocos, como você leu aí, né?
E aí a gente fica, a gente podia falar do Reino de Marrocos, como a gente fala do Reino Unido, do Reino, porque lá só vou chamar Marrocos agora como o Reino de Marrocos.
Pois é, mas o problema é que há essa coisa, né, essa essa divergência entre o que diziam e o que dizem os dicionários e o que diz, por exemplo, no Aulete, tá lá, pessoa nascida ou que vive no Marrocos, né? E por aí vai. Mas a embaixada de Marrocos diz que é de Marrocos, diz que é sem artigo. E aí, que que se vai fazer? A gente fica aqui na rua, no meio da rua, e cada um vai por onde quiser, né, atravessa a rua para direita ou para esquerda, para um lado, para o outro.
Há essas divergências, essas controvérsias, e por aí vai. Mas é sempre bom saber que a embaixada trata o país sem artigo. Bom, Marrakech, que aparece na letra do Caetano, segundo as pesquisas que eu fiz, é a própria origem do nome do país. Tá, parece que nessa cidade, Marrakech, os espanhóis tomaram aquilo como algo que seria genérico para o país todo e batizaram de Marruecos. E por aí vai, a coisa ficou como a cidade denominando o país, tá.
E a gente conhece muitas, fala muito de muitas cidades do país, sobretudo Casablanca, que é uma cidade grande, talvez a maior cidade, acho que é a maior cidade do país, é nome até de um filme antológico. Vocês viram Casablanca?
Sempre teremos Paris.
Nossa Senhora, é um filme para a gente ver de joelhos, é uma coisa maravilhosa. Mas a capital do país não é Casablanca não, né, nem é Marrakech. A capital é Rabat. Rabat, né? Essa é a capital de Marrocos, ou do Marrocos, do jeito que, ou do Reino de Marrocos, do jeito que a gente quiser. E para encerrar, e por falar em África, né, porque Marrocos é o único país que sobrou, né? Tá certo que eu tô falando? É, né? É o único. Acho que a gente vai para um país que já foi embora. Vamos lá, Chico César, Mama África, vamos lá.
Ser legal, ser legal no Senegal deve ser legal. Ser legal no Senegal deve ser legal. Ser legal no Senegal deve ser legal. Ser legal no Senegal.
Mama África, a minha mãe é mãe solteira e tem que fazer mamadeira todo dia, além de trabalhar como empacotadora.
Nas Casas Bahia.
Mama África, a minha mãe é mãe solteira e sempre faz mamadeira todo dia, além de trabalhar.
Eu amo ir pra costadeira nas Casas Bahia.
Mama África, a minha mama.
Então, diga. Deve ser legal ser negão no Senegal. Essa frase foi incluída pelo Chico César nessa canção que se chama Mama África, que é dele, né, composta por ele, letra e música dele. Mas a frase não é dele, né. Essa frase ele disse que foi um amigo dele que vivia dizendo isso: deve ser legal ser negão no Senegal. Porque a frase é maravilhosa, né. Deve ser legal ser negão no Senegal. Ela tem um jogo de palavras muito bonito. E ele compôs essa canção Mama África e incluiu a frase desse amigo relativa ao Senegal.
Essa canção tá no disco Cuscuz Clã. Olha o nome do disco, Cuscuz Clã. Genial, né? Genialíssimo. De 1996. Senegal, capital Dakar. Senegal já foi embora, tomou uma virada. O adjetivo relativo a Senegal é senegalês. Obviamente com S no fim, como se faz com os adjetivos pátrios. E essa palavra muitas vezes é associada à palavra calor. A gente sempre ouve por aí, tá um calor senegalês. Não sei se vocês já ouviram isso, né? Um calor senegalês, que é um calor brabo.
Aliás, a Europa tá experimentando o calor senegalês. Tá lá, o Senegal se transferiu para a Europa.
É isso, obrigado, professor, e até amanhã.