Episódios de Comentaristas

O preço da transformação

08 de julho de 20263min
0:00 / 3:08
Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre transformação. ‘Antes de qualquer novo, o fim do que você era’. Comentarista destaca que é preciso abrir mão de uma identidade que aprisiona. ‘Transformação sem destruição tem outro nome: maquiagem’. Ouça.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
Assuntos2
  • Transformação e MudançaTransformação e destruição · Identidade aprisionadora · Renascimento e fogo · Fênix
  • Reconstrução Pós-IncêndioDestruição antes da renovação · Abrir mão de identidades conhecidas · O custo da mudança
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RKRossandro Klinjey

Refletir para Viver com Rosandro Klinge.

?Voz B

Você quer mudar de vida, mas está disposto a deixar de ser quem você é hoje para isso acontecer? Nietzsche escreveu que para renascer é preciso estar disposto a se queimar em sua própria chama. E olha, aqui não é metáfora decorativa, mas a descrição precisa do que a transformação real exige. Antes da fênix sempre vem a destruição, assim como antes do renascimento, as cinzas. E assim, antes de qualquer novo, o fim do que você era.

E é exatamente aí que a maioria para. A fênix é o símbolo mais admirado da mitologia. Beleza, força, renascimento. Todo mundo quer aquilo. A ave dourada saindo das cinzas, majestosa, renovada, mais viva do que antes. Só que ninguém fala muito sobre a parte do fogo. A gente quer a versão renovada de si mesmo sem passar pelo processo que a produz. Quer sair do outro lado sem atravessar o fogo. E o preço? É sempre o mesmo: abrir mão de uma identidade que, por mais que aprisione, pelo menos é conhecida.

Largar o emprego que sufoca custa a segurança que ele dava, bem como sair do relacionamento que adoece, mas que oferecia companhia, ainda que infeliz. O mesmo vale para abandonar uma crença que já não serve, mas que fornece certezas reconfortantes. Todo renascimento tem esse custo, não tem atalho. Gente que admira a fênix e teme a chama, quer mudar desde que não precise mudar de verdade, buscando transformação sem destruição. Transformação sem destruição tem outro nome: maquiagem.

A fênix não ressurge apesar do fogo, ressurge por causa dele. O fogo não é o inimigo, é a parte que ninguém colocou no cartaz. A pedagogia mais dura que a vida oferece e a única que produz transformação de verdade. Quem espera renascer sem queimar está esperando uma promessa que a mitologia nunca fez.