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Audiência sobre tarifas dos EUA expõe crise e desgaste na pré-campanha de Flávio

08 de julho de 202612min
0:00 / 12:35
Maria Cristina Fernandes destaca como as audiências públicas sobre as tarifas dos Estados Unidos se tornaram um novo foco de tensão política para o bolsonarismo. Ouça o comentário.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
M

Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos3
  • Campanha de Flávio BolsonaroDesgaste político · Paulo Figueiredo · Ricardo Salles · Rogério Marinho
  • Propostas Econômicas de Flávio BolsonaroAudiências públicas · Flávio Bolsonaro · USTR · Censura digital · Corrupção
  • Operação policial no Complexo da Maré (Rio de Janeiro)PL do Rio · Cláudio Castro · Marcelo Canella · Crime organizado · Eleições Rio de Janeiro
Transcrição13 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MCMaria Cristina Fernandes

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.

TTati

Oi, Maria Cristina, boa tarde.

MCMaria Cristina Fernandes

Boa tarde, tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes.

TTati

Que saudade! A gente tá nem tá acostumado mais com esse estúdio CBN desse jeito completinho. Tadinho, com você aqui. Que bom que você veio, precisamos de você para entender e juntar os pontos de tudo que tá em jogo nessas audiências sobre as tarifas, sobre as tentativas políticas do candidato, pré-candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro. Ontem eu falava aqui que quem, atribuição dessa negociação É do governo federal, né? É dos integrantes do Ministério do Desenvolvimento, não?

MCMaria Cristina Fernandes

Pois é, Tati, também tava com saudade de vocês, viu? Deixa eu contar aqui para vocês o que que andou acontecendo esses últimos dias.

TTati

Bora, bora!

MCMaria Cristina Fernandes

Sim, essa negociação, essa negociação é uma negociação bilateral e ela continua acontecendo. Há reuniões agora que tá se aproximando do prazo, né? As tarifas, se elas de fato forem aplicadas, o prazo final para que o governo americano decida isso é 15 de julho, quarta-feira da próxima semana. Temos uma semana aí ainda na expectativa. Então, desde que o escritório da representação comercial dos Estados Unidos, né, que a sigla inglesa é USTR, anunciou essa perspectiva de uma tarifa de 25%, e as reuniões têm sido semanais, reuniões online, né, virtuais aí, entre o James O'Clear, que é o secretário da USTR, e o Márcio Rosa, que é o ministro que entrou no lugar do vice-presidente Geraldo Alckmin no Ministério da Indústria e Comércio.

Mas paralelamente a essa renegociação bilateral, a dinâmica dessa agência americana de comércio prevê que haja audiências públicas em que o setor privado se manifeste, tanto americano quanto brasileiro, né? Você pode sugerir uma manifestação lá e submeter também o memorando. As manifestações são curtas, são 5 minutos, e os memorandos aí não tem limite. O que nós tivemos conhecimento, que é o do senador Flávio Bolsonaro e do influenciador Paulo Figueiredo, o senador Flávio Bolsonaro tem 97 páginas.

E essas audiências públicas, elas depois disponibilizam a íntegra. Hoje de manhã, o bolsonarismo colocou na rede os 4 minutos e 44 segundos da fala do Flávio. Não sei como é que eles conseguiram gravar, porque isso aí não tá nas regras do escritório, porque eles depois—

TTati

Mas regra pra quê, né, Maria Cristina?

MCMaria Cristina Fernandes

É, não existe, né? Mas o fato é que tá lá a íntegra e é muito interessante porque ele leu o texto em inglês E ele tratou esse escritório como uma muleta eleitoral, porque ele disse o seguinte, eu vou resumir, não dá para reproduzir as 97 páginas. Ele tratou, ele disse, ó, essa coisa aí de essas tarifas, a China ocupou espaço Estados Unidos, e aquilo que os Estados Unidos pretendiam, ora, ele também pretendia, né? Ele incitou e aplaudiu as demandas, as tarifas americanas, mas ele disse que era os Estados Unidos pretendia, os efeitos que os Estados Unidos pretendiam, na verdade saíram pela culatra.

E aí ele disse, não dá para reproduzir tudo que eu mandei no memorando, mas em resumo é o seguinte: o Brasil está promovendo censura digital às redes sociais, às plataformas americanas, por meio de decreto do presidente, de decisões do Supremo. Este governo é corrupto. E mencionando 4 escândalos, entre os quais o Master, né, sem mencionar, óbvio, sua própria participação. E o terceiro, esse Pix, que ele não voltou a repetir o que ele tinha falado no memorando, que era baixar as taxas, né, zerar as taxas das bandeiras de cartão de crédito para poder competirem com o Pix.

Porque, aliás, ninguém sabe como é que, quem é que ia pagar, né, essa taxa que é que remunera as bandeiras de cartão de crédito. E Mas o fato é que ele disse que não podia acabar com o Pix. E aí disse, olha, em função dessas 3 razões que eu expus, vocês têm que tirar essas tarifas, porque em 90 dias tudo pode mudar, né, com a minha eleição. Então, se vocês impuserem tarifa, vocês vão acabar recompensando quem está agindo dessa maneira, censurando, sendo corrupto, e E isso não pode acontecer.

Agora, o fato, Tati, Fernando, é que esta audiência, porque se a campanha do Jair Bolsonaro já estava em desalinho, em completo alvoroço desde que a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro veio com aquele vídeo, o dissenso não acabou ali neste campo, né? Continuou agora com as tarifas, né? Paulo Figueiredo, aquele que disse que mulher não sabia votar, ele foi retirado. Ele tava inscrito para falar no segundo dia das audiências públicas, ele foi simplesmente retirado, ele não falou, né?

Porque o Flávio disse que ele não era da campanha, ele não tinha, ele ajudava, mas ele não era da campanha, ele não tinha nenhum papel central. Então como é que ele ia falar num escritório comercial americano além, a única pessoa além do Flávio a falar. Então isso demonstrava a centralidade do papel dele. Então ele foi tirado lá e ele esculhambou a maneira como a campanha do Flávio expôs a saída do Flávio aos Estados Unidos e ao USTR nas redes sociais.

O Ricardo Salles, que foi ministro do Bolsonaro, hoje de manhã ele publicou nas redes uma Ele disse, olha, a campanha do Flávio não existe, não tem agenda, não tem comunicação, não tem organização, não tem planejamento. Então ontem saiu o anúncio de que hoje seria divulgada uma pesquisa pela Gazeta do Povo, que é um jornal da direita sediado em Curitiba, em que incluía o nome do coordenador da campanha, que é o Rogério Marinho, que é um senador pelo PL do Rio Grande do Norte.

A inclusão deste do nome dele na pesquisa causou um tremendo alvoroço. Falei ontem com o senador, ele disse, olha, isso é fogo amigo. Eu já liguei para o Fábio, isso é fogo amigo. Isso, esse, a colocação do meu nome aí, pelo amor de Deus, não tem nada a ver. O fato é que ninguém sabe exatamente para onde vai essa campanha. Ainda teve essa coisa do Rio, né? Ouvinte deve ter acompanhado, o PL do Rio já tem um pré-candidato ao governo, que era o Rodrigo Bacelá, ex-presidente da Assembleia Legislativa, foi preso.

O Cláudio Castro, governador também encrencado. E agora o ex-prefeito Belford Roxo, que era um pré-candidato ao Senado do PL. Marcelo Canella foi preso também, indicado por Flávio, né, para ser candidato ao Senado. Indicado por Flávio. E agora ele, ele fala-se que ele não tem sacramentado o nome de nenhum nenhum pré-candidato ao Senado, porque ele estaria deixando a porta aberta para ele próprio reassumir a candidatura ao Senado.

Me parece improvável. Com quem eu fico convencida, a despeito dessa hipótese ser bastante plausível, né, que ele venha a recuar da candidatura, porque isso seria uma confissão de culpa do bolsonarismo. E o bolsonarismo joga para preservar o legado. Então esta é uma confissão de culpa que de fato prejudicaria muito a imagem do grupo político do ex-presidente.

TTati

Então a gente tem visto isso acontecer, Maria Cristina, porque enfim, a gente, como você disse, tem visto o entorno do Flávio na mira da polícia. Hoje teve uma nova fase da operação Teve uma nova fase de operação da Polícia Federal na casa de Bolsonaro, ainda a respeito das armas que tinham sido apreendidas com ele. Isso vem provocando desgaste porque tá acontecendo, né?

MCMaria Cristina Fernandes

A gente ainda não sabe, Tati. O Rio é o terceiro, é a base do bolsonarismo, né? E é o terceiro maior colégio eleitoral do país. O dano sobre a campanha do Flávio no Rio— o Bolsonaro foi muito bem votado lá em 18 e em 22, mas o dano sobre a campanha dele deve ser um dano importante. Primeiro porque em 22 e em 18 o PT não tinha um palanque forte. Agora tem, que é o palanque do ex-prefeito Eduardo Paes. E agora a campanha do Flávio, sem ter, não tem nem candidato.

O Douglas Ruas, que foi quem entrou no lugar do Rodrigo Bacillá para ser o candidato ao governo, tá na Assembleia, mas tá sofrendo porque o Ricardo Couto, que é este governador que assumiu lá por decisão do Supremo, que é presidente do TJ do Rio, ele tá acabando com a base da Assembleia e do Cláudio Castro, que tinha muito muitos apaniguados na máquina estadual. Então ele tá fazendo uma limpa, tá varrendo esses apaniguados. Então, e essas operações da polícia, isso de fato eu acho que não vai— eu primeiro eu acho que vai ter uma reação do crime, tanto que o TRE do Rio pediu, e o Ricardo Couto, o governador em exercício, era contra mas acabou cedendo, pediu presença federal nas eleições do Rio, porque os interesses do crime estão sendo de fato afrontados.

Então tem essa indefinição, como é que vai ficar o Estado com essa quantidade de operações desmontando, porque o que tá sendo desmontado lá são os canais políticos do crime organizado. Então a gente tem essa incerteza e tem certeza sobre o que o eleitor vai achar disso tudo. Então estamos a 90 dias das eleições e o que dá para testar é que a campanha do Flávio Bolsonaro tá passando por uma crise.

TTati

Perfeito, perfeito. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente, nossa comentarista de Tudo É Política, que você ouve sempre depois do Repórter CBN das 14:30. Obrigada, Maria Cristina, um beijão. E até amanhã.

MCMaria Cristina Fernandes

Um beijo, Tati, Fernando. Até amanhã, boa tarde, ouvintes.