Transição presidencial na Colômbia é momento 'sacrossanto'; Mbappé sofre racismo de senadora do Paraguai
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Ariel Palacios
- Equiparação de Misoginia a RacismoKylian Mbappé · Celeste Amarilla · Paraguai · França · Violência de gênero
- Reunião da CELAC na ColômbiaColômbia · Gustavo Petro · Rodolfo Hernández · Lei de 2005 · Golpe de Estado
- Efeméride: Kim Jong-ilCoreia do Norte · Kim Jong-il · Kim Jong-un · Teoria Juche
CBN Pelo Mundo com Ariel Palacios.
Oi, Ariel, boa tarde, bem-vindo ao Estúdio CBN.
Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde, ouvintes, tudo bem?
Tudo joia, tudo joia. Queremos saber sobre a Colômbia e como é que tá indo a transição de governo. Quer dizer, tá indo bom.
Essa é a melhor pergunta de todos. Desculpem pelo nó da gravata, que tá meio torto. Ariel, você tá meio torto. Exatamente, exatamente. Bom, onde a coisa tá torta, tá complicada mesmo, assim, aquelas respostas rápidas aproveitando o momento, né, é a Colômbia. Porque as transições na Colômbia são algo sacrossanto. Desde o fim da ditadura do General Gustavo Rojas Pinilla em 1957, quer dizer, quase 70 anos, todas as transições presidenciais colombianas foram feitas de forma normal, organizadas.
Enfim, naqueles momentos em que o presidente saliente, com a expressão no mundo hispano-americano para aquele presidente que sai, né, que sai, né, e o presidente entrante, então o presidente que entra, o novo, o que chega, né. E a transição presidencial na Colômbia tem até um nome específico: el empalme, né, quando engancham duas coisas, quando a união de duas coisas. É um momento tão sacrossanto na política que a transição presidencial está regulada por uma lei de 2005 que determina que ambos lados devem se reunir para entrega do recebimento dos relatórios do andamento do Estado colombiano.
Quer dizer, um lado o governo entrega e aquele que vai assumir recebe. É obrigatório as duas coisas. O problema é que tanto o presidente saliente, Pedro, como o entrante, Dela Espriella, são duas pessoas e adoram declarações bombásticas, protagonizam mudanças bruscas de comportamento, adoram o que no mundo hispano chamam de pataleo, que seria esperneio ou xilique. Os dois se desentenderam e a transição foi para o belé-léu. Tudo começou com o presidente Petro dizendo que não reconhecia a vitória de Delys Priela no segundo turno sobre seu candidato, Ivan Cepeda.
Petro sugeriu que poderia ter ocorrido fraude, mas como Petro também costuma fazer, não apresentou provas. No entanto, as missões internacionais de observação eleitoral elogiaram a organização da eleição colombiana, transparência da votação, descartaram fraude. Mesmo assim, Petro convocou eleições contra Delys Priela para o dia 20 de julho, que é quando o Petro vai fazer seu discurso de despedida. E Ivan Cepeda, o candidato derrotado, bom, ele que perdeu por uma minúscula margem, né, ele reconheceu oficialmente o resultado nas urnas, reconheceu a vitória de Dilestre, só que anunciou que vai adotar uma posição de desobediência civil perante o futuro governo.
E apesar das declarações governistas até dias atrás, as equipes de transição continuavam trabalhando em ambos lados, né? Mas aí De La Espriella optou por interromper a transição. Ele disse que tava tudo cancelado. E tudo se complicou mais ainda quando De La Espriella pediu às Forças Armadas que rejeitem qualquer ordem de Petro nos próximos dias que possam ir na contramão da Constituição Nacional. E aí acusou Petro e Cepeda de tentarem um golpe de Estado, né?
E enquanto isso, Petro, sem poder entregar os relatórios do Estado colombiano a De La Espriella, anunciou que vai distribuir os relatórios pelas redes sociais.
Ariel, agora a gente vai falar sobre um caso absurdo de racismo. Não é dentro da Copa, mas sai de Assunção, no Paraguai, protagonizado por uma senadora. Quem é ela? O que que ela não fez, né?
Exatamente. Bom, a polêmica começou depois da vitória da seleção da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, a seleção do Paraguai. O autor desse gol, Kylian Mbappé, se tornou alvo de um tsunami de afirmações mega racistas mega giga racistas publicados nas redes sociais pela senadora paraguaia Celeste Amarija, que é da oposição. Celeste Amarija é do PLRA, que é o Partido Liberal Radical Autêntico, um partido histórico no Paraguai, mas cujo último presidente aconteceu nos anos 30, faz 90 anos.
Houve um presidente muito breve, de um ano e meio de duração, que substituiu o presidente Lugo quando ele recebeu impeachment uns 15 anos atrás, o Federico Franco. Mas exceto isso, o PLRA tá fora do poder há uma montanha de tempo. A Maríngia se referiu a Mbappé como, abre aspas, um camaronês colonizado fingindo ser francês, fecha aspas. Mas acontece que Mbappé nasceu em Paris. Talvez a senadora não saiba que Paris é a capital da França, ou seja, Mbappé é francês.
O parlamentar também, como parlamentar, também comparou o jogador francês a animais da selva africana, umas comparações que não vou repetir aqui, que são absurdas. E ainda por cima afirmou que ele era analfabeto, que não sabia escrever. Na realidade, Mbappé foi excelente aluno de gramática francesa. A senadora também disse que também defendeu uma agressão física a Mbappé, alegando que os jogadores paraguaios teriam que ter dado bofetadas nele depois do fim do jogo.
Tudo isso porque a senadora interpretou que Mbappé havia, abre aspas, olhado de forma depreciativa aos jogadores paraguaios, fecha aspas. Ou seja, como dizendo, como aquela coisa tão genérica, olhar de forma, olhar com desprezo, né? Enfim, é algo muito subjetivo. E mesmo que tivesse olhado, não tinha nada a ver levar todo esse tipo de considerações por parte da parlamentar. Enfim, o fato é que também disse que o goleiro paraguaio deveria ter mostrado o dedo médio para ele, o famoso dedo médio da mão.
Não é uma ofensa. E ela justificou esse gesto ofensivo dizendo que faz isso no Senado paraguaio em Assunção e que não há problema algum.
Então já dá para ver como deve ser, portanto, né?
É uma parlamentar que recebe o salário por parte dos contribuintes paraguaios. Existe um protocolo de comportamento no Senado paraguaio, mas ela acha que tá tudo bem fazer esse tipo de gestos. Bom, aí a resposta do Mbappé foi imediata pelas redes sociais. Ele disse que essa parlamentar era, abre aspas, uma mulher desprezível, indigna do cargo que ocupa, fecha aspas, e disse que por causa do racismo descarado dela havia conseguido fazer que o mundo esquecesse a excelente campanha feita pela seleção paraguaia na Copa.
E disse, você não representa o Paraguai. E elogiou a dedicação e honra demonstrada pelos atletas paraguaios durante a Copa. Bom, aí ontem a senadora disse que exigiu uma retratação de Mbappé e ameaça processar o jogador por violência de gênero. Ela disse que Mbappé deveria honrar sua cidadania francesa e pedir desculpas. E aí você diz, espera aí, não dá para entender. A senadora não tinha dito que ele não era francês, que era camaronês, e agora ele pede que honre a sua cidadania francesa?
Então aí, Freud, talvez explique. A senadora alegou também que ela representa milhares de paraguaios que votaram nela em 2023. Bom, Aí averigüei, Celeste teve em 2023 nas eleições parlamentares 42 mil votos. Mbappé tem 133 milhões de seguidores no Instagram. Bom, depois da comparação numérica, bom, as declarações foram repudiadas pelo governo do presidente Peña do Paraguai. E ela é famosa por armar polêmicas, gritar no plenário e dançar nas redes sociais por intermédio de IA.
Né, e se autodefinir como, abre aspas, uma Barbie de 60, fecha aspas. Há 3 anos, durante uma vizinha da Rainha Letícia da Espanha ao Paraguai, ela criticou a forma simples da rainha se vestir, ironizou também sobre as origens de classe média baixa da Rainha Letizia e por ter ela trabalhado como jornalista.
Fernando Itatema, gênero, né?
Impressionante. Nem nacionalidade, nem gênero, nem, nem terrível.
Efeméride, Ariel.
Efeméride: um dia como este, mas em 1994, tornava-se ditador da Coreia do Norte Kim Jong-il, que é o pai do atual ditador Kim Jong-un, né? Ele ficou, ele é chamado no seu país até hoje como o grande dirigente, o líder supremo, o querido líder ou amado líder, e uma saraivada de outros títulos. Ele é considerado pela propaganda norte-coreana como um autor de muitos livros, na qual ele desenvolve a teoria Juche, que é uma doutrina coletivista e nacionalista, mas que tem uns tons místicos meio religiosos, que se tornou a política do Estado sul-coreano.
E ele nasceu, isso hoje é a efeméride do dia que ele tomou posse, em 94. Ele, a data de nascimento dele, que é data nacional na Coreia, feriado nacional na Coreia, É o 16 de fevereiro de 42. E na versão oficial, o evento, diz a propaganda norte-coreana, numa coisa totalmente delirantemente mística, não é? Diz que houve uma andorinha que voou sobre o lugar onde ele ia nascer, numa montanha que é considerada sagrada na Coreia do Norte, que apareceu uma nova estrela no céu, ou seja, o universo criou uma nova estrela para o momento do nascimento dele, e um duplo arco-íris sobre a montanha. Não bastava um, era um duplo arco-íris sobre a montanha.
Ali, agora, música tem a ver com Coreia do Norte?
Não, não, não tem a ver com Coreia. Temos que ver como é que o hino da Coreia do Norte um dia. Boa sugestão, Fernando. Não tem a ver com outra efeméride, pois num dia como este, há 40 anos, as Spice Girls lançavam Wannabe, que foi o seu primeiro hit, e talvez o maior hit de todos delas.
40 anos.
Não, perdão, é 30. Desculpa, desculpa. 30, 30, 30. Bom, de todas formas, é 30. É um monte de tempo, é um monte de tempo. Você diz já 30 anos? 3 décadas? Mas sim, mas sim, tocar mais um pouquinho, um trecho da Guerra de 100 Anos.
Sobe o som aí, Daniel, faz favor.
Com um passinho que era assim.
Como era, Daniel?
O passinho era assim, sabe? Não, a coreografia das mãos.
Ariel Palacios está com a gente toda quarta-feira com surpresinhas como essa no CBN Pelo Mundo. Obrigada, Ariel, um beijo para você, até semana que vem.
Até logo, tchau, Ariel, boa semana!
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