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Copa do Mundo mobiliza emoções e reforça o sentimento de pertencimento

08 de julho de 20268min
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Rossandro Klinjey explica que a Copa do Mundo desperta emoções porque está ligada a memórias afetivas, rituais familiares e ao sentimento de pertencimento. Segundo ele, por muitos anos o futebol foi uma das principais fontes de autoestima coletiva do brasileiro, mas hoje essa identidade também se fortalece em áreas como cultura, economia e ciência.

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Participantes neste episódio2
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
S

Speaker C

Convidado
Assuntos4
  • Psicologia e Comportamento Humanocritérios pessoais de torcida · trauma do 7 a 1 · glória refletida · torcer contra
  • Copa do Mundomemórias afetivas · rituais familiares · sentimento de pertencimento · autoestima coletiva
  • Legislação Brasileiraautoestima em outras áreas · protagonismo internacional · diversificação da identidade nacional
  • PIX na Argentinaevitar aproximação de títulos · motivação para correr atrás
Transcrição26 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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RKRossandro Klinjey

Saúde Integral com Rossandro Klinger.

?Voz C

Oi, Rossandro. Boa tarde.

RKRossandro Klinjey

Eu tô com o mesmo critério que você utilizou. Eu torço pelos próximos. Então nesse caso agora eu torço pelos latino-americanos, né? Depois pelo grupo do africano. E quando não ficar ninguém, aí eu pego um time europeu.

?Voz C

Mas aí critérios pessoais, né? Tipo, vou torcer para Inglaterra, vou.

RKRossandro Klinjey

Por quê?

?Voz C

Porque é contra Noruega.

RKRossandro Klinjey

Exato. E porque a França já tem muito título, ninguém quer ninguém aproximando do Brasil, já que a Itália não foi. A gente vai criando os nossos critérios, cada um do seu jeito. Isso dá um estudo psicológico muito legal.

?Voz C

Dá mesmo, dá. Ô, Rossandro, da onde? Porque eu tô um pouco desligada do futebol masculino ultimamente, mas chega essa época de Copa do Mundo, acho que até quem não se envolve muito com futebol fica emocionalmente mobilizado, né? Isso tem explicação?

RKRossandro Klinjey

Primeiro que, na verdade, se a gente for olhar na nossa infância, o futebol, a Copa do Mundo, é como quase um ritual, né? A gente na minha casa, é o momento. Até hoje a gente se reúne aqui, lá, é aqui na minha casa que todo mundo vem. Então é um momento que há um contato familiar, é quase como se fosse uma festa de fim de ano, sabe? Cada jogo se reúne, chega a gente atrasado no encontro, estacionamento, tem toda aquela tensão, a brincadeira, um chama palavrão, o outro vem com a mesma blusa, os rituais.

Isso guarda na memória da gente um sentimento muito forte. Então mesmo quando a gente já não tá tão conectado com futebol E eu acho que o 7 a 1 para Alemanha, para mim, foi meio que como se fosse a morte de Ayrton Senna para Fórmula 1, sabe? Eu sinceramente, pessoalmente, assumo que foi um trauma que eu não curei. Eu acho que o Brasil, de um modo geral, não curou. A gente faz meme, a gente fez meme antes de curar o trauma. E esse ano mostra o quanto a gente, o trauma não tá curado, né?

Que a gente é, geralmente as pessoas iam, chegavam sempre dizendo, é, não acho que não vai dar não, mas começa a torcer quando consegue ver que tá o time tá ficando melhor. E a gente vê um jogo como da Argentina ontem e pensa: nós já fomos assim, tá 2 a 0 e não perder a garra nem o pique, virar, autoestima. Mas aí tem um detalhe, né? Nos anos de chumbo da ditadura militar era o nosso único lugar de vitória, tendo uma vitória que representava a sobreposição a uma grande derrota coletiva.

O futebol aqui, ele sempre teve um lugar que guardou autoestima da gente que não cabia em qualquer canto. Era quase o único lugar onde a gente sentia importante, bem respeitado. A psicologia, ela vai mostrar que parte do que a gente pensa vem dos grupos que a gente pertence. Então, quando a seleção ganha, você observa que quando a seleção ganha, o brasileiro diz que a gente ganhou, mas quando perde, a gente diz eles perderam. A linguagem entrega muito a nossa relação com a seleção.

Isso chama-se brilhar pela glória refletida. Normal, uma pessoa que tem uma vida difícil ali, sabe, muito, muito triste, mas aí naquele momento uma uma sensação de que uma vitória aconteceu para pessoa e ela consegue sentir como se fosse uma vitória que é dela. E obviamente, quando a vitória não acontece, é um sentimento muito ruim que você perdeu. Inclusive, não só sua vida ruim, seu emprego é ruim, mas até o seu time não tá dando resultado.

E isso vai gerando um sentimento muito ruim nas pessoas. Então a gente termina vivendo essa experiência vicária, digamos assim. Mas ao mesmo tempo, o Brasil de hoje não é aquele, aquele país que só tinha a vitória do campo. Hoje nós somos, no que pese muitas questões, somos um país relevante internacionalmente, somos um dos grandes players das 10 economias do mundo. América Latina é um protagonista. Nós temos empresas, nós temos outras coisas que chamam a atenção do planeta.

Então, pelo menos a minha sensação, pelo grupo do qual faço parte, com várias camadas sociais, eu não vi no outro dia uma deprê tão grande como eu via no passado. Até porque eu acho que em vez de novos, eu vi nos mais novos, nas crianças, nos mais novos, né? É porque geralmente as crianças, elas não tiveram oportunidade de ver vitórias, né, Fernando? Como a gente teve.

?Voz C

E nem isso, mas em campo, né?

RKRossandro Klinjey

É também, também a gente também teve muita discussão nas redes sociais sobre que algumas pessoas fizeram parte da seleção foi muito mais para o patrocínio. Porque, por exemplo, Neymar nem jogava, gente, só botava no finzinho. Aí você fica Então parece que tá certo, que é só o empurrão do patrocinador. Então não é uma seleção escolhida por critério técnico. Aquele jovem que entrou no final, que eu esqueci o nome agora, que dá um gás danado.

Por que não bota o Hendrik? Por que não botou logo no começo? Então aí você fica, aí começa a virar técnico, psicólogo não é um bom técnico, aí começa tal. Mas de um modo geral, assim, não mexeu tanto com a nossa autoestima como mexeu no passado, porque nós temos autoestima que hoje é espalhada em outros lugares: a nossa cultura, a nossa música, a percepção, Oscar que a gente ganhou recentemente. Então o Brasil não é um país que só era visto a cada 4 anos, né?

Para o bem e para o mal, nós somos vistos ao longo do ano todo no mundo. Então, do ponto de vista psicológico, eu diria que é compreensível que alguns estejam adiando e torcendo contra, outros estejam torcendo pela Argentina, uns. E aí cada um vai criar o seu, o seu critério pessoal para continuar assistindo o jogo. Agora, assim, que é prazeroso ver outros jogos e que se você se distanciar emocionalmente como brasileiro, não era prazeroso ver o jogo do Brasil, não era, não era bonito, não era um bate-bola bonito, né? Jogo bom, exatamente. Agora a gente vai poder torcer sem tanta dor.

RKRossandro Klinjey

Agora, Rossandro, e o torcer contra? Ele mora em qual lugar? Nós ouvimos uma entrevistada do Matheus Maciel anteriormente, ela foi enfática, sua primeira coisa é torcer contra Noruega. Isso mora onde? É positivo?

RKRossandro Klinjey

É vingança pura e simples. A única vantagem é que quando ela é assumida, não é inconsciente, você direcionou para o inimigo correto, né? Ela torce contra um time que derrotou o Brasil. Quando a gente não tem isso como conceito, a gente desconta no vizinho, na esposa, no esposo, no filho, no cachorro. Vamos dar o nome da emoção e o lugar certo dela. Vingança, por exemplo.

?Voz C

Alguém disse aqui no chat, tô falando, como assim vai torcer para Argentina? Não pode! Onde já se viu brasileiro torcer para Argentina? Então, mas é porque aí vai ser, vai ser Argentina ganhar, vai ser tetra. Daí vai se aproximar do Penta. Tô nem aí, minha gente.

RKRossandro Klinjey

Pois é, quem sabe, quem sabe isso não acorde, a gente corra atrás, né? Se o vizinho começa— lembra o que aconteceu com a guerra nuclear Brasil e Argentina? A gente correu atrás. Se eles ganharem, quem sabe a gente acorde, né?

?Voz C

Pois é. E esse também pode ser um critério para que você torça para outro time que não aquele, né? Para que ele não chegue perto do número de títulos que o seu país tem. É um critério também, mas deixa as pessoas E alguém falou uma coisa muito boa aqui. Cadê? A Grace: se ama o futebol, impossível não querer assistir a uma partida entre França e Argentina. Que era o que eu tava dizendo aqui. Quem gosta de futebol quer ver jogo bom.

RKRossandro Klinjey

Exatamente, né?

?Voz C

Quer olhar, quer ser bem entretido durante 90 minutos. E como é, o nosso time pode até ir para prorrogação, para os pênaltis, porque a gente não vai sofrer mesmo, né? Nosso time não.

RKRossandro Klinjey

Exatamente, vai ser puramente estético, não é? Um delícia.

?Voz C

Você vai torcer para quem, Rossandro?

RKRossandro Klinjey

França e Argentina?

?Voz C

Não, para quem tá aqui, quem tá ainda, né?

RKRossandro Klinjey

Por enquanto, agora eu vou torcer pelo Marrocos, porque o África tá precisando de um título. Acho que eu sou pelos frascos e comprimidos.

?Voz C

Certo, perfeitamente. A minha mãe falava assim, cara. Rossandro, obrigada por essa lembrança. Rossandro Klinger conosco toda quarta-feira aqui conosco no nosso Saúde Integral. Beijão, Roçandro.

RKRossandro Klinjey

Tchau, tchau, tchau, Fernando.