Frassexualidade: a cultura da novidade chegou aos relacionamentos
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Michel Alcoforado
- Sexo, Fetiche e IntimidadeFrassexualidade · Atração sexual por desconhecidos · Diminuição do desejo com intimidade
- Relacionamentos modernos e aplicativosAmizade · Arranjo familiar · Relações sexuais · Amor romântico
- A influência da tecnologia na comunicação e nas relaçõesAplicativos de encontro · Novas formas de se relacionar · Fragilidade dos vínculos
Pra Onde Vamos com Michel Alcoforado.
Que saudade, Michel Alcoforado!
Boa tarde, boa tarde, Tati, boa tarde, Fernando. Eu também tava Você vê, menino, a Copa atrapalha a nossa relação, né? É verdade. Agora, agora tá acabando, né? A gente não sabe se é bom ou ruim.
A gente tá um pouco abstinente aqui hoje. Por quê?
Poderia ser melhor, né?
Ah, porque o Brasil saiu, aquela coisa, né?
Mas tá tudo bem.
Eu tava ouvindo aqui vocês conversando com o Rossandro, com exceção dos mais jovens que ainda não entenderam bem como é que as coisas viraram. Então ele conecta diretamente conectados com a seleção. No outro dia, no pós-jogo, tava todo mundo em paz, né? Na segunda-feira não senti ninguém triste, tava todo mundo. Eu senti os comentaristas de esporte mais tristes do que o povo brasileiro, assim, como se eles tivessem que lembrar a gente que a gente tinha que ficar triste. A vida seguiu, né?
As crianças ficaram bem chateadas, né? O Fernando tá reparando isso aqui mais cedo.
Mas eu vi trabalhadores também, falou assim, poxa, vou ter que trabalhar naquela terça, naquela quarta, sabe?
Cada um com seu motivo para ser chateado. A gente falou aqui, lembra que eu falei sobre um fanatismo pragmático, né? Se te liberasse do trabalho 2 da tarde num dia de semana para você poder sair com os amigos e beber, é aí, aí a Copa tava ótima.
Já tem ouvinte reclamando que vai ser feriado nos dias do jogo do Brasil da Copa do Mundo ano que vem feminino. Ah, este país não evolui. Evoluir também é liberar os seus cidadãos para se divertirem um pouco enquanto sua seleção tá em campo, né? Enfim, o assunto não tem nada a ver com esse, tá? Vamos lá, eu tô super interessada em te ouvir falar sobre frassexualidade. Isso é um nome para que tipo de comportamento? Eu gosto que de uns anos para cá a gente aprendeu a dar nome para comportamentos, né, Michel?
É bom e ruim, né? É bom porque obviamente na medida que você dá nome você consegue manejar melhor isso, né? E você dá um contorno para aquilo que a gente tá vivendo. Mas ao mesmo tempo que é ruim, porque quem não tinha problema com isso começa a achar que tem problema. E aí a gente cai numa hiperdiagnosticização e tantos outros fatores que a gente tem se acostumado a ver nos últimos anos. Mas aqui, para ficar numa linha só, fosse resumir numa frase muito simples, a tal da frassexualidade fala de um tipo de gente ou um tipo de comportamento onde você tende a ter mais atração sexual com quem você conhece menos ou com quem você tem menos intimidade.
E na medida que você vai aumentando a conexão emocional, automaticamente o teu interesse sexual ou o teu desejo diminui. Eu brinquei quando li essa pauta que eu disse, ué, gente, o nome disso não é casamento? Relacionamentos longos. Ou qualquer relacionamento longo, né? Na medida que você vai ganhando conexão emocional, que você vai ali, né, construindo um vínculo para além só do vínculo sexual. De um jeito ou de outro, o desejo vai te cobrando ali uma capacidade de imaginação e de recriação desse campo.
É quando a gente tá falando ali do campo da sexualidade, para manter essa chama acesa, ou essa ideia do interesse sexual em voga. E eu quis trazer essa pauta aqui menos para pensar o fenômeno, né, de que tipo de movimento é esse, onde cada vez mais menos vínculo emocional dá mais interesse sexual, mas para pensar que modelo de vida é essa onde a gente acha que precisa manter o interesse sexual na mesma altura que o envolvimento emocional e que outras tantas variáveis que compõem um relacionamento de longo prazo, um relacionamento de uma forma geral, né?
A Carol traz aqui toda semana vários debates em torno daquilo que a gente vai chamar de amor romântico. Que é uma invenção da segunda, ali do século 16, 17, mas sobretudo vai ganhar mais força ali nos últimos 300 anos, que parte de um pressuposto que a gente ama de verdade quem você acredita que merece ter uma exclusividade no campo afetivo, no campo sexual, no campo da comunhão dos interesses financeiros e também na ideia de compartilhamento de um projeto de vida, de um projeto futuro.
Esse ponto é interessante por uma questão específica: a nossa noção de casamento moderno ela tá pautada em cima de um tripé. E esse tripé parte do pressuposto que o teu parceiro e a tua parceira precisa ser muito bem ou desempenhar muito bem 3 papéis. Que papel é esse? Você precisa dormir e acordar com alguém que você acha que é teu amigo ou tua amiga. Você precisa dormir e acordar com alguém que você acha que cumpre um bom papel dentro do arranjo familiar.
Então você olha para pessoa ali e diz, ah, vai ser um ótimo pai, vai ser uma ótima mãe, por aí vai. E aí você acredita. E você precisa dormir e acordar com alguém alguém que você acha que vale a pena continuar tendo um conjunto ali frequente de relações sexuais. Então vou repetir, a gente, para achar que tá bem assim, que o casamento tá valendo a pena, o relacionamento tá valendo a pena, você precisa achar que tá diante de um amigo, tá diante de alguém que vale a pena construir uma família, e tá diante de alguém que vale a pena transar. É muita coisa para uma pessoa só, né, gente?
Mas existe. É por isso que o amor romântico é um fracasso.
E é por isso que a gente cada vez mais tem repensado se as relações devem ser mantidas ou não, né? Porque se você entra em qualquer relacionamento achando que essa pessoa, seu parceiro ou sua parceira, precisa dominar ou desempenhar os 3 papéis lá na ponta, assim, né, como a Noruega remando aí para vencer todos os concorrentes, é difícil para caramba, que não tem isso, né? Impossível, né? E eu brinco sempre que quando a gente tá olhando para esse tripé e as pessoas estão achando que esse tripé vale a pena ser perseguido, você certamente tá abrindo mão de um versículo bíblico, que é aquele que diz que tudo não terás.
Tudo você não terá. Você não vai ter o melhor amigo, melhor parceiro de cama e o melhor marido, pai, sei lá, parido, pai, por aí vai, fácil. Isso não vai ter. Mas a gente gosta de acreditar nisso. Mas há uma outra dimensão interessantíssima que chama atenção para esse nosso valor de aumentar o desejo diante de gente que a gente não conhece muito bem, é que esse tripé, em geral, quando você vai, desempenha um papel desses muito bem, você coloca os outros em xeque, né, ao longo de um relacionamento.
Então é comum a gente ver inúmeras pesquisas de psicólogos e terapeutas sexuais chamando atenção de como é que a chegada do filho bagunça a relação de casal. Porque os dois ali automaticamente são obrigados a assumir uma nova identidade de pai e mãe. E aí você fica tanto vendo, né, o seu parceiro, a sua parceira como pai e mãe, que você até esquece que ele é seu parceiro, sua parceira sexual. Ou do outro lado também, às vezes o relacionamento você vai virando tão amigo, tão amigo, tão amigo, que você até esquece que para além da amizade ou da admiração mútua que você tem entre vocês dois, aquela figura precisa assumir um papel dentro daquela família.
Então, é um dilema que um relacionamento longo, um casamento de muito tempo traz, é como é que você mantém minimamente esses 3 papéis na média, o suficientemente bom pra conseguir continuar fazendo aquela relação continuar funcionando, né? E aí, dentro desse movimento, qualquer encontro espontâneo, obviamente, qualquer pessoa que você não conhece muito, Qualquer relação que não tem uma intimidade emocional, ela automaticamente, ela joga a sua perspectiva de desejo lá em cima.
Porque você vai lidar ali com uma figura que você tá imaginando, né, que não é a figura real. Então, a tal da frassexualidade é bom, mas ela dura pouco. Eu acho que o desafio aqui no nosso papo de hoje é tentar entender como você vai no outro dia ter que lidar de algum modo com esse tripé que uma relação de longo prazo vai te apresentar.
Fala, fala, Fê.
Fiquei na dúvida seguinte: se é algo já que a gente conhece há muito tempo, por que que ganha holofote agora?
Então, ganha holofote agora por conta de inúmeras razões, né? Eu acho que um dos aspectos interessantes que estão diretamente conectados com esse movimento é o crescimento dos aplicativos de encontro como forma, né, de propiciação de fomentação desse tipo de vínculo, né? A gente sabe a dificuldade que é hoje você conseguir construir uma relação de longo prazo, e está diretamente conectado à maneira como a gente encontra uns aos outros, ou a maneira como a gente projeta essa imagem de quem vale a gente encontrar ou não.
Então os aplicativos de encontro, eles têm um papel importante nessa ideia, né, de um conjunto de relações que vão se apresentando que são relações frágeis, no sentido de elas são espontâneas, elas duram um tempo daquele encontro e depois boa parte delas se esfacelam e nem se repetem, né? Então esse tipo de sexualidade que aparece agora é um tipo de sexualidade que é fruto também do aparecimento dessas novas tecnologias que estão ali pautando novas formas de se relacionar, seja afetivamente, seja sexualmente.
Muito legal, era exatamente essa pergunta que eu ia fazer. Por que que a gente tá lidando com isso agora? Michel Coforado tá aqui conosco as segundas, quartas e sextas em Pra Onde Vamos, com em geral muitas perguntas, nenhuma conclusão. Eu gosto assim, que aí você tira a sua aí do outro lado do microfone, é ou não é, Michel?
É isso aí, é isso aí. Conclusão é mais caro, né?
Escuta, acho que eu já posso começar a dizer aqui que nós vamos ter um estúdio na Flip esse ano. Ai, que coisa linda!
Eu acho que você tá chiquérrima, hein?
Chique demais, né?
Os humilhados são exaltados, né, Moura? Acho que é desse jeito.
De vez em quando acontece.
Adorei!
E a gente vai ter Estúdio CBN de lá na quinta e na sexta-feiras. A festa começa na quarta à noite, então quinta e sexta estaremos por lá. E já convidei alguns dos comentaristas que eu sei que vão estar em Paraty para fazer esse quadro comigo de lá. Um deles é o Michel, que na sexta-feira deve estar com a gente, certo?
Eu vou, eu vou estar na sexta-feira com você lá. Qual sexta?
A sexta, dia 24, que é o dia da Flip.
Tá bom, é só para saber, eu vou estar de férias.
A Flip vai de 22 a 26.
Caramba, a gente vai! Empregador bom esse seu, hein?
A máfia russa vai dominar o Estúdio CBN, você sabe, né, Michel? Quando o Fernando sai, acontece isso, né? Na dédia vem, as russas dominam. O coco deu certo também, mas enfim. Então tá, então a gente se fala semana que vem, talvez sexta. Sexta tem? Tem sexta-feira. A gente não, sexta não tem, né, Jô? Semana que vem, segunda, é nós. Um beijo.
Isso, tô muito animado para a gente se encontrar e fazer esse Estúdio CBN de lá. E olha, vai ter tanta gente boa, né? Zé Godói vai, você viu, chiquérrimo, né?
Vai estar com a gente lá também na quinta, no fim de semana.
Programação oficial é chique para caramba. Mas o livro dele é muito legal, você leu?
Eu li, é muito legal. Ele teve aqui na Feira do Livro, a gente tinha estúdio lá também, fizemos estúdio de lá, ele foi meu convidado para falar do livro dele. A pesquisa é muito legal, o livro é muito legal, o assunto é muito legal, e ele é muito legal também, o Zé, né?
Que bom, que bom.
Michel não vai estar na programação principal, vai estar em todas as outras. Se você pegar a programação paralela, o Michel vai estar em todas.
Chama compulsão o nome disso. Um beijo. Sabe usar pouco, só usa muito. Então tá, tchau, tchau. Obrigado, beijo.
Com moderação. Beijo, até segunda.