Episódios de Comentaristas

Dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, que criava grandes narrativas sobre o país, morre aos 95 anos

07 de julho de 202610min
0:00 / 10:29
O Hora de Expediente comenta a morte do dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, que faleceu aos 95 anos nesta terça-feira (7), devido a complicações da insuficiência renal crônica.

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Participantes neste episódio3
D

Dan Stuback

Host
J

José Godoy

HostJornalista
L

Luiz Gustavo Medina

HostJornalista
Assuntos3
  • Morte de Benedito Ruy BarbosaBenedito Ruy Barbosa · Importância na cultura brasileira · Retratista do interior e da alma brasileira · Novelas de sucesso
  • Obras e Legado de Adélia PradoRenascer · Pantanal · O Rei do Gado · O Velho Chico · Narrativas épicas nacionais
  • Experiências pessoais com novelasO Rei do Gado · Participação em novelas · Fazer dois papéis na mesma novela
Transcrição44 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz B

Hora de expediente com Hans Stuback, José Godoy e Luiz Gustavo Medina. Bom dia para você, Dan Stuback.

?Voz C

Bom dia para você, meu querido. Bom dia para você, Cássio Godói. Muito bom dia para todos que nos ouvem em todos os cantos do planeta. Hoje é aniversário do Ringo Starr. Baterista dos Beatles, gente boa.

?Voz D

Eu não sei se essa é a única, mas é uma delas, das músicas.

?Voz B

Esse craque aí, 86 anos completados hoje, né?

?Voz C

Ninguém fala muito dele, mas segundo as lendas do rock and roll, todo mundo o adora.

?Voz B

Bom dia, Zé Godó! Bom dia, Zé Godó!

?Voz D

Oi, Milton! Oi, Milton! Bom dia, bom dia, Cássia! Bom dia, ouvintes!

?Voz B

Bom dia, Teco Medina!

?Voz E

Oi, Milton, bom dia! Bom dia, Cássia! Bom dia para todos! Ele canta a música do Anos Incríveis original, né, dos Beatles, né?

?Voz B

Muito bom, meninos, meninas que estão nos acompanhando. Hoje tivemos a triste notícia da morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, aqui em São Paulo. Eu quero ouvir vocês, claro, começando com você, Dan Stuback, pela importância deste cara na cultura brasileira.

?Voz C

Sem dúvida, importância enorme, uma trajetória incrível de grandes trabalhos com muita identidade, né? Você já reconhecia um trabalho do Benedito assim que você via uma cena, que você começava a ver uma história, você já sabia que era dele. Um retratista do nosso interior, da nossa alma brasileira, e de inúmeros trabalhos de grande sucesso. O mais recente, Pantanal, que foi teve o remake recente, mas são inúmeros os trabalhos.

Ah não, depois do Pantanal teve outra novela, né? Foi o quê? Ah, teve outra novela agora. Mas enfim, todas as novelas dele sempre de muito sucesso, muita repercussão, muito humanas. É uma família toda de artistas. Enfim, é um universo, universo do Benedito, universo facilmente reconhecível e de sempre muita humanidade, muita emoção. Um grande autor que se vai.

?Voz B

Zé Godói.

?Voz D

Ah, meu, então eu acho que ele conseguiu trazer, né, para o audiovisual essa coisa meio de um épico nacional, né, essa coisa meio dos imigrantes, né, que foi uma novela dos anos, começo dos anos 80, né, que ele fez na Bandeirantes, se eu não me engano. A própria questão do Pantanal, né, essas grandes histórias, grandes narrativas sobre o país, sobre parte do país, né, uma capacidade também da TV de de contar histórias que muitas vezes nos centros urbanos a gente não tem muita compreensão, né?

Eu acho que ele tinha essa capacidade. Foi uma coisa que o romance fazia muito bem no século 19, e a TV no Brasil teve essa capacidade enorme, né, de trazer isso para uma narrativa que atingia milhões de pessoas. Eu acho que ele foi um dos craques nessa transição, né, do literário para o audiovisual no Brasil.

?Voz B

Apenas para lembrar aqui, o Del falou Renascer. Você tá lembrando? Porque em 2016 ele fez O Velho Chico, né? E você tá falando do Renascer, é isso?

?Voz C

Eu tava falando do Renascer porque eu tô procurando qual foi a mais recente, o remake mais recente, né? E foi essa. Mas o Zé tem toda razão, além do interior do Brasil, a coisa toda com os peões e E a música que ele deu protagonismo tem essa coisa com os imigrantes, sim. Então sempre retratando de algum modo, dando olhar para aqueles que a gente ainda não percebia, né, na sociedade.

?Voz B

Deco Medina.

?Voz E

Oi, oi, São Paulino, né? São Paulino.

?Voz B

Sim, também.

?Voz E

Ah, foi um monstro, né, Milton? A gente foi muito feliz graças a ele. Vimos muita coisa, conhecemos muito do país, muitas histórias, conhecemos muito outro lado de coisas que parecem distante quem tá numa cidade como São Paulo, mas que ele aproximou. E acho que quem não foi feliz vendo o Pantanal, Rei do Gado, entre outras, não viveu, não viveu direito, né? Foi muito bom. E já faz falta e fará falta para sempre.

?Voz C

Hoje mais minha primeira novela, né?

?Voz B

O Rei do Gado foi a sua primeira novela?

?Voz C

Foi minha primeira novela, fiz uma participação. Tem uma história engraçada, eu ficaria horas contando, não vai dar tempo, mas que eu fiz dois papéis na mesma novela, né?

?Voz B

Ah, dá tempo de contar sim, você tem espaço de histórias, amigo.

?Voz C

Não, primeiro a novela mesmo foi com Alcides Nogueira, que foi um papel, né, que eu era um ufólogo. Que era o Amor Está no Ar. Mas daí essa eu fui chamar, fui contratado pela Globo fazer um papel na segunda fase. Mas daí eu fui provar os figurinos e tudo, e o diretor me botou para fazer uma participação na primeira fase, que era um copiloto de um avião. Aí eu gravei esse copiloto, gravei com o Fagundes, foi minha primeira cena, gravei com ele e tal.

Era um avião que levava sempre o Fagundes, um avião pequeno que levava o fazendeiro para cá e para lá. E a gente ficou conversando, vamos gravar essa cena. O tempo passou, o tempo passou, tiraram o meu personagem da segunda fase. E aí eu vou lá a história, o diretor me chama para conversar, falou: você precisa fazer outro papel porque a gente precisa justificar o salário que você ganha nesse tempo todo. Falei: tá bom. Ele falou: tem um papel aqui que é um jornalista que vai aparecer.

Eu falei: tá bom. E o que que ele vai fazer? Na primeira cena, o jornalista vai retratar um acidente de avião que Fagundes teve. Ah, tá bom. Personagem do Fagundes teve. Tá bom. Quando eu fui ver, era um acidente de avião, entendeu? Ou seja, o meu personagem na segunda fase fala de um acidente que o meu personagem na primeira fase fez. Eu retratei o acidente que eu mesmo sofri, entendeu?

?Voz B

Porque eu precisava utilizar.

?Voz C

Não, acho que até agora, até agora não.

?Voz F

Os espectadores pensando: parece que eu já vi esse jornalista, que personagem, não me é estranho.

?Voz B

Não, mas tudo bem, ficou no mínimo interessante, não foi? No mínimo interessante.

?Voz C

Uma das poucas vezes que eu encontrei ele, a gente ficou rindo dessa história. Assim, era um cara muito, muito bacana, muito humano mesmo, pessoalmente, ser muito generoso.

?Voz B

Você participou de Esperança também?

?Voz C

Participei de Esperança também, foi antes de Mulheres Apaixonadas. Eu fazia um advogado, fazia com Maria Fernanda Cândido, né? A gente era par nessa novela.

?Voz E

Fala até como já ganhava bem o menino desde cedo, né? Para o RH da Globo prestar atenção, né, no salário.

?Voz D

Vocês perceberam?

?Voz B

Tudo isso, né?

?Voz E

Para justificar o salário, vai pegar o que escolhe na planilha dos moços ali.

?Voz B

Isso, isso me lembra até gente muito próxima de nós, né? É, tem gente muito próxima de nós, tem que fazer 2 jornais para justificar o salário.

?Voz F

Ah, eu vou alimentar essa fama absolutamente justificada. São 3 programas, viu? 2 jornais, tem um de fim de semana ainda.

?Voz B

Brincou com isso? Não, é, nós estamos bem acompanhados, né, Godoy?

?Voz D

Olha, sorte que eu só tenho uma atividade séria, né?

?Voz B

Ótimo, gente. Bom, mas fica aqui então a lembrança dessa figura importantíssima aí para cultura brasileira, né? Porque a gente sempre fala, a gente começou aqui com teledramaturgia, né? Mas de verdade é um impacto muito grande que tem nas pessoas, na E na forma depois das pessoas também, outras pessoas escreverem, pensarem como contar as histórias, porque ele traz isso, né, através da novela, até pela força que a novela como instituição tem no Brasil. Então é legal pensar dessa maneira.

?Voz C

Oi, eu lembro que entrei no avião, minha primeira cena, Fagundes chegou, né, e a gente foi voar. Daí ele falou assim, professor, primeira cena. Eu falei, é a primeira cena. Ele tinha me visto numa peça, vou te dar dois conselhos. Nunca chega atrasado e não depende da produção para nada.

?Voz B

Olha, tá guardado por aí, tá guardado aí. É o contrário desse programa. Esse aqui, abraços, valeu, gente, obrigado, valeu, muito obrigado.

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