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Canetas emagrecedoras do Paraguai contêm riscos apesar de usarem o mesmo princípio ativo

07 de julho de 20265min
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Luiz Fernando Correia explica que análises identificaram diferenças na concentração do medicamento, alerta para a falta de controle de qualidade e reforça que apenas produtos registrados pela Anvisa oferecem garantias de segurança.

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Participantes neste episódio1
L

Luiz Fernando Correia

HostComentarista
Assuntos2
  • Canetas emagrecedorasRiscos e proibição pela Anvisa · Análise de amostras pela Unicamp · Diferenças de concentração e dose · Questões de patente · Origem e controle de qualidade do insumo · Segurança e rastreabilidade de produtos registrados
  • Fiscalização de MedicamentosConcentração maior que a informada no rótulo · Queda perigosa de açúcar no sangue · Náusea, vômito e desidratação · Falta de garantia de pureza e fabricação · Impossibilidade de responsabilização em caso de problemas
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuiz Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. O senhor deve ter visto nas redes, na conversa de amigos, a tal da caneta emagrecedora mais barata que vem do Paraguai. Custa uma fração do preço do medicamento no Brasil e por isso atrai muita gente, mas é proibida pela Anvisa, né? E tem um motivo para isso. Não só a importação, a venda e a divulgação desses produtos estão proibidos.

Pesquisadores do Ceatox, o Centro de Toxicologia da Unicamp, Examinaram amostras dessas canetas a pedido de um jornal. Compararam com o Mujaro, que é a tizepatida aprovada no país, e com o Ozempic, para checar se havia mistura da outra substância. O resultado, por um lado, tranquiliza. As amostras continham o mesmo princípio ativo equivalente à tizepatida, com uma estrutura molecular compatível. Não havia semaglutida escondida ali dentro.

Só que o estudo mostrou problemas também, bastante graves até. A dose Numa das marcas, a concentração era até 60% maior do que o próprio fabricante informava no rótulo. Pense no que isso significa numa injeção. Uma dose muito acima do previsto pode, por exemplo, provocar queda perigosa de açúcar no sangue, náusea intensa, vômito, desidratação, e o paciente não vai ter como saber. Ele confia no número impresso que não corresponde ao conteúdo.

E aí é que entra uma parte que muita gente fica confusa e se pergunta: mas se é a mesma molécula, por que que é proibido? Bom, essa resposta tem duas camadas. A primeira: patente. A tizepatida é protegida por patente da fabricante no Brasil. O Paraguai não segue os mesmos tratados internacionais de proteção de patente que outros 158 países seguem. Inclusive o Brasil. Então os laboratórios de lá podem produzir versões próprias sem pagar por esse direito.

É legal no Paraguai, não é legal aqui no Brasil. Patente vale no território aonde foi concedida. A segunda camada é a que mais importa para a saúde: é a origem do insumo. A fabricante do medicamento original afirma que não vende o princípio ativo para esses laboratórios paraguaios. Ou seja, o pó que vira remédio vem de outros fornecedores, muitos deles na Ásia, numa cadeia que a Anvisa não consegue inspecionar, nem saber a procedência nem a qualidade do produto.

Sem essa inspeção, ninguém garante a pureza, as condições de fabricação, o transporte na temperatura certa, e os próprios pesquisadores da Unicamp foram honestos ao dizer que a análise deles mediu concentração e estrutura, Mas não mediu pureza ou segurança. O que fica então é uma equação de risco. Você economiza no preço, arrisca, paga na incerteza e no risco. A dose pode estar errada, a origem desconhecida, e se alguma coisa der errado, não vai ter a quem responsabilizar.

O caminho seguro continua sendo o mesmo de sempre, aliás, o caminho da lei: avaliação com o médico, de preferência com registro e qualificação de especialidade, que você pode checar no site do CFM, uma prescrição adequada e o produto registrado comprado numa farmácia legalizada. Essa cadeia inteira pode ser rastreada. A ciência aqui não tá dizendo que a molécula é falsa, tá dizendo que a garantia de qualidade não se improvisa.

Para isso que existem essas regras, é para defender a saúde pública. E essa diferença na hora de aplicar uma injeção em você mesmo. Eu acho que faz bastante diferença, né, gente? Saber o que que você tá injetando no seu corpo.

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