Movimentações políticas após atrito entre Flávio Bolsonaro e Michelle
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Pétrea
Bruno Silva
- Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUAMichelle Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · PL Mulher · Candidatura ao Senado
- Saída de Fernando Haddad do governoFernando Haddad · Ribeirão Preto · Tarcísio de Freitas · Interior de São Paulo · Eleições estaduais
- Divisão do PSD entre polos políticosPSD · Ronaldo Caiado · Gilberto Kassab · Eleições presidenciais · Apoio a candidatos
- Prazo para regularização eleitoralConvenções partidárias · Desincompatibilização · Propaganda eleitoral
- Voto FemininoEleitorado feminino · Candidaturas femininas · Michelle Bolsonaro
A Semana Política.
Falamos de política aqui no Revista CBN, mesmo programa sendo mais curto. Bruno Silva, eu recebi mensagem de uma ouvinte dizendo que Saber que o nosso programa de hoje teria apenas 1 hora e meia foi uma punhalada no coração dela. Fiquei super sentida. Eu peço muita desculpa para nossa ouvinte. Eu, se não me engano, é a Mirtes. Eu vou tentar achar. São muitas, são milhares de mensagens aqui da nossa audiência. Mas sim, hoje o nosso programa é um pouquinho mais curto por conta da Copa do Mundo.
Só acontece de 4 em 4 anos, né, gente? Então assim, mas peço perdão. Mas mesmo assim, a gente tem aqui análise da política nacional. E Bruno Silva tá aqui comigo, analista de política, comentarista da Rede CBN, também falando sobre política aqui para gente. E por onde a gente pode começar, Bruno, a falar a respeito da política nacional? Já no início aqui do Revista, na capa do Revista CBN, a gente trouxe um pouco mais aí dessa querela, da questão de Flávio Bolsonaro, Michele. Como é que a gente pode olhar para essa história que continua, né, Bruno?
Que continua. Muito boa tarde para você, Pétrea. Boa tarde a todos os nossos queridos ouvintes, né? No último sábado, inclusive, demos um spoiler aqui, né? Claro, é até um tanto quanto lógico, né? Mas a gente deu um spoiler dizendo justamente que essa semana giraria em torno disso, assim como girou e inclusive repercutiu em outras campanhas, viu, Pétrea? Vamos lá, ó, primeiro ponto concreto: Michele Bolsonaro, que tudo indica, fez um movimento de sair do jogo, mas sem sair do jogo.
Em que sentido? Ela deixou o PL Mulher, né, deixou ali a coordenação das atividades. Ao mesmo tempo, vem sendo fortemente pressionada internamente para manter a sua candidatura por setores do partido para o Senado, por parte do Distrito Federal. E ela mesmo colocou isso em suspensão, não disse nem que sim nem que não. Nós vamos ter que aguardar efetivamente as condições ali que se darão às vésperas das conduções dos partidos ali, das convenções partidárias, né, para poderem decidir efetivamente quem são os candidatos, para a gente entender se ela estará ou não estará no pleito, na disputa como um todo, viu, Pétria?
Mas a gente sabe que do lado ali de Flávio Bolsonaro muitos vieram contribuindo para que esse desgaste acontecesse também, para que a campanha de Flávio não sofresse um baque ainda maior do que sofreu com o vídeo dela. Então, frigidos os ovos, né, resultado da história toda, Michele Bolsonaro segue rompida por Flávio, por mais que eles digam que não publicamente, que as coisas estão tentando se acertar e tudo mais. Mas até o Costa Neto já havia chamado atenção de que isso traria rusgas e dificuldades.
E quando eu disse que isso foi reverberando também para outras campanhas, é porque ao longo dessa semana que passou também outros pré-candidatos vieram fazendo sinalizações, e sinalizações inclusive para poder reiterar certos posicionamentos e reforçar a própria candidatura, que foi o caso, por exemplo, do PSD, né, Petri? O PSD do Kassab acabou anunciando agora oficialmente que a chapa será Ronaldo Caiado junto com o Gilberto Kassab.
Então agora sim definido, né, quem vai ser o candidato por parte do partido e o vice, né, ali dentro da chapa da presidência. Embora o PSD tem uma dificuldade que é de outra magnitude. A dificuldade deles é que como o partido ele é muito, vamos dizer assim, muito fragmentado por dentro, tem muitas lideranças com palanques políticos nos respectivos estados diferentes, o partido ele vai sair dividido no sentido de que tem lugar que vão apoiar a chapa Kassab-Caiado.
Tem lugar que os parlamentares do PSD vão apoiar Flávio Bolsonaro, se confirmando a sua candidatura, e tem outros lugares que vão apoiar Lula. Ou seja, isso mostra a própria dificuldade que o Kassab tem internamente de fazer valer a própria candidatura do partido internamente nessas eleições, dado essa proximidade com o bolsonarismo, com Flávio Bolsonaro, com todos eles em alguns estados. E dada a proximidade que outros parlamentares possuem em relação a Lula em outros palanques políticos, principalmente na região Nordeste, né.
Então acho que essas movimentações foram interessantes. Tivemos ali também algumas sinalizações em relação às questões das mulheres como um todo, né. Reiterando, as mulheres são 52% do eleitorado brasileiro, de acordo com os últimos dados, né, que foram divulgados ali. Se você faz atualização do TSE, só que elas não são A maior parte das candidatas nem sequer chegam perto disso. E detalhe, essa história toda da Michele Bolsonaro acabou chamando atenção uma vez mais e pressionando também os demais candidatos, porque no final das contas vai se desenhando um cenário que, a não ser que o Flávio traga alguma mulher para dentro da sua chapa na condição de vice, até agora pelo menos não temos mulheres nem sequer na condição de vice-candidata, de vice ali, né, dentro das chapas presidenciais, viu, Petra?
Eu queria também abordar com você nessa nossa, nessa nossa conversa também um pouco das eleições olhando para os estados, né? No caso, a gente tem a informação aqui acompanhando as informações do Jornal Globo, também acompanhando informações dos grandes jornais como a Folha de São Paulo. O Fernando Haddad, ele planeja lançar candidatura ao governo em Ribeirão Preto, né? Então, e disso você entende muito bem. E queria um pouco da tua análise sobre também a política dos estados, né, que também vai ser muito importante para esse, para essa corrida eleitoral.
Bruno, por exemplo, né, vamos pegar aqui pelo, pelo estado onde eu tô, né, que é o estado de São Paulo, onde você também tá em São Paulo, né, Petra. Vamos começar por aqui então. Por que que o Haddad vai lançar essa candidatura olhando principalmente para Ribeirão Preto? Porque ele quer fazer uma sinalização forte com o interior do estado, que é justamente onde o Tarcísio de Freitas tem a sua base mais consolidada. Ribeirão, que é a capital do agro, enfim, Ribeirão, que tem um eleitorado cuja preferência política nas últimas eleições aponta mais para esse campo do bolsonarismo do que necessariamente para uma vitória por parte do PT, mas que é um interior muito estratégico, né, Pétrea, para o voto.
Se você olha e observa a composição do eleitorado, principalmente olhando para o estado de São Paulo, é um dos lugares onde você tem um interior maior do que a capital. Isso é bem interessante, né, porque a tendência geralmente, qual é que é? Você tem uma concentração maior em capitais, regiões metropolitanas, do que necessariamente nas regiões mais interioranas. Mas como a lógica de desenvolvimento do interior do estado de São Paulo ela é um pouco distinta de outras quando a gente observa na federação como um todo, então você tem uma distribuição em cidades que são cidades de porte significativo, né.
Se você pega aqui São Paulo-Campinas para cá, nós estamos falando de um eixo econômico muito forte, nós estamos falando de toda uma organização, digamos assim, do território que faz com que você tenha aqui de olhar com muito carinho para esse interior. E aí fica uma situação complicada, porque assim, ó, Petra, cai no que eu tava falando há pouco do Kassab. O Kassab, ele tem hoje a maior parte dos prefeitos do PSD no estado de São Paulo.
Então ele tem uma interlocução muito forte e uma força política muito grande com todos esses prefeitos. São mais de 300 prefeituras das 645 que estão nas mãos diretamente do PSD aqui pelo interior do estado de São Paulo. Esse é o primeiro ponto. Aí você tem uma dificuldade que Kassab é uma figura gelatinosa. Kassab conversa tanto com as lideranças do PT, e aí você pega, por exemplo, o próprio prefeito, né, ex-prefeito na verdade, de Araraquara, que é o Edinho Silva, que é o atual presidente nacional do partido, que faz também toda essa interlocução, tem um baita de um trâmite positivo com Kassab, trouxe inclusive recentemente aqui para a região central o Fernando Haddad, levou para Ribeirão a Tiracola, enfim, fez uma série de movimentos políticos nesse sentido para tentar fortalecer esse interior.
Ao mesmo tempo, o Tarcísio de Freitas, interior do estado de São Paulo, vem fazendo toda uma peregrinação numa lógica do que chama caravana 3D, onde ele vem tentando reforçar positivamente as marcas do seu governo para poder reforçar os laços que possuem com esses prefeitos, que foi costurado pelo Kassab. Então olha que situação curiosa que você tem aqui. Kassab acaba sendo de alguma maneira uma espécie de figurão político estratégico importante na construção desses laços.
Ele mesmo não é candidato, tem uma candidatura própria agora à presidência da República, onde vai sair a vice, e de alguma maneira não tem como declarar apoio formal nem a um nem a outro. Ou seja, vai ficar nessa questão meio gelatinosa dentro do desenho do Estado. Você olha, por exemplo, o Rio de Janeiro, já é uma outra configuração, porque no Rio de Janeiro o Eduardo Paes é do seu partido, e aí ali ele consegue estruturar um palanque político fazendo, por exemplo, uma oposição ao PT, uma oposição até mesmo a lógica do bolsonarismo, e assim por diante.
Então eu tô dando só exemplo a partir dos dois lugares, mostrando que quando você olha para essa disputa presidencial, para essa disputa dos estados de maneira mais aprofundada dentro desses territórios, a gente vai entendendo que é muito estratégico a montagem desses palanques eleitorais. Olha, por exemplo, para Minas. Minas já tem uma outra configuração complicada e delicada, porque o Zema vai sair candidato O vice do Zema é do PSD, que é o personagem que vai ter o apoio por parte do Kassab, em tese.
Mas o vice vai fazer campanha para o Zema, se o Zema for candidato, e não necessariamente para o Kassab, por conta das vinculações políticas. Então, quando a gente observa toda essa complexidade, a gente começa a entender que o movimento dos atores políticos, como você me perguntou, ah, o Haddad vai começar pelo interior? Sim, vai começar pelo interior, porque no interior é onde ele tem a maior rejeição, e talvez é onde ele tem que caminhar mais para tentar tirar maiores diferenças de voto em relação a Tarcísio, que tem uma, vamos dizer assim, uma aceitação mais ampla por parte do eleitorado interiorano do Estado de São Paulo do que quando comparado ao eleitorado da capital.
Última coisa, Bruno, fato é que essa é uma semana muito importante, né, para as decisões e articulações para essas eleições esse ano. Não dá só para a gente ficar ansioso pelo Jogo do Brasil, né?
Tem muito para vir essa semana, tem bastante. Começa aí a partir, né, na semana que na verdade tá terminando de preparar, porque a partir de 20 de julho começam as convenções partidárias, vai até o começo de agosto. Atravessamos agora nessa semana o prazo de descompatibilização também, viu, Petri? Então aqueles que estavam em cargos ali, que são cargos importantes, né, públicos dentro do estado, tem que fazer a sua retirada se for ser candidato efetivamente.
A gente já viu um movimento aí pelas redes sociais entre ontem e hoje, né, principalmente dia 4 de julho, de muitos órgãos oficiais deixando postagens, por exemplo, fora do ar a partir das suas páginas que possam trazer algum tipo de propaganda ou beneficiamento de candidato. É o próprio, os próprios governos têm que tirar às vezes as marcas que são associadas ali ao governo. Então, por exemplo, você pega o lema lá do governo brasileiro, lema do governo do estado de São Paulo, lema do governo do estado do Rio, eles saem de cena e entram apenas os brasões oficiais.
Por quê? Porque agora nós já começamos a sair desse momento da pré-candidatura, vamos chamar assim, e já começamos a mergulhar um pouco mais nas campanhas eleitorais. Por mais que os candidatos só vão poder pedir votos efetivamente a partir de 16 de agosto, viu, Petra? Então, antes disso Ninguém pode pedir voto diretamente para si, mas aí as alianças já vão ficando um pouco mais definidas. Acho que a nível nacional o grande embrólio que ainda tá, vamos dizer assim, tá no radar e não tem nada 100% batido de martelo é essa questão envolvendo a campanha do Flávio.
Para mim, né, no mais o resto tá dado como certo. Lula candidato, né, Caiado e o Kassab não vão tirar agora o time de campo, que sabe também que é importante ter uma campanha presidente para dar visibilidade para chapa. Zema talvez ainda é uma dúvida, mas ao que tudo indica também virá. Agora o Flávio é o grande X da questão. E que dirá então, se for confirmar sua candidatura, quem virá como vice, né, especificamente, que também é um outro ponto a ser observado.
É a nossa expectativa. Bruno Silva aqui, nosso entrevistado de política, analista especialista em olhar para política nacional. Bruno, muito obrigada por mais essa conversa com Revista CBN. E boa semana para nós. Palpite para amanhã.
Obrigado, querida. Palpite para amanhã: acho que vai ser 2 a 1 Brasil. A galera vai vir na questão lá da remadinha Viking que eles estão fazendo, e eu acho que a gente deveria dançar lá a carreta furacão para galera, dando tchauzinho para eles.
Vamos ver se conseguiremos essa dança.
Beijo, boa semana, beijo grande para você, um abraço grande A burst pipe, a dead water heater, the AC calling it quits.
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