Episódios de Comentaristas

Pesquisa mostra vantagem de Tarcísio em SP, mas cenário ainda pode mudar

05 de julho de 202615min
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Pesquisa Datafolha aponta liderança de Tarcísio sobre Haddad na disputa pelo governo de São Paulo. No comentário, Marco Ruediger analisa os desafios da campanha, a aprovação do governador e os impactos do cenário nacional na corrida eleitoral.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
M

Marco Ruediger

Comentarista
Assuntos3
  • São João Crisóstomo· ReligiaoTarcísio de Freitas · Fernando Haddad · Pesquisa Datafolha · Segundo turno · Aprovação de Tarcísio
  • Crise na família BolsonaroMichele Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Misoginia na política · Papel da mulher na política
  • Recuperação da Confiança no Jornalismo ProfissionalBanco Master · Malu Gaspar · Jornalismo investigativo · Liberdade de imprensa
Transcrição19 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MRMarco Ruediger

A Semana Política com Marco Rüdiger.

PPetra

Com Marco Rüdiger, com emoção hoje a nossa transmissão novamente, Marco, aqui da Arena Globo e o pessoal acompanhando, né? Porque quando a gente faz transmissão fora do estúdio é também é uma tensão, porque a gente tá aqui com público, a gente tá com um estúdio novo. A gente, rádio não é TV, rádio a gente vai fazendo, transmitindo, coordenando tudo com o programa acontecendo. Então é sempre uma emoção pelo Brasil, uma emoção pela transmissão, e uma emoção também por conectar o que tá vivo e acontecendo no Brasil. Marco, boa tarde!

MRMarco Ruediger

Boa tarde, Petra! Boa tarde, ouvintes! Bom, mais uma vez aqui do nosso Brasil, aqui Hoje, Brasil, eu acho que a gente vai, né?

PPetra

Vamos atropelar, vamos atropelar.

MRMarco Ruediger

É difícil, mas vamos, bora, bora! Do que a gente tem que acreditar, né? Ou enfim, acho que eu não vou assistir, acho que eu não vou assistir.

PPetra

Todo mundo fica muito nervoso, Marco. Palpite, palpite! Ó, aqui o José Miranda aqui no YouTube tá falando que vai ser 2 a 1. E você?

MRMarco Ruediger

Eu acho que, acho que 2 a 1 é bem razoável também, sabia? Eu só espero que não vá para pênalti, porque aí é demais, é muita emoção.

PPetra

Não quero. A Bia aqui, nossa produtora aqui, falou que vai para pênalti. Deus me livre! Ignorei, Bia. Eu fiz um ghosting aqui com a Bia. Não quero pênalti não.

MRMarco Ruediger

Tem que chegar, tem que entrar em campo calmo, né? Eles ficam muito ansiosos logo no início. E o último jogo foi muito assim. Então eu espero que eles entrem calmo. A expectativa é muito grande. Enfim, vamos ver.

PPetra

Meu Deus do céu, vamos lá. Olha, emoção também na política. Hoje a gente teve, antes da gente entrar nos nossos tópicos, né, na novela política que é o Brasil, quero só uma rápida passada contigo. Agora há pouco a Rani Veloso trouxe pra gente informações sobre pesquisa Datafolha, né, que sai agora em instantes. Acabou de sair pesquisa Datafolha nesse domingo. O destaque nas eleições de São Paulo: Tarcísio liderando disputa pelo governo.

Né, com 46%, anti-Haddad com 30%, né, fazendo aí esse recorte sobre estado, também olhando para a política nacional. O que que a gente pode falar dessa pesquisa, essa fotografia, né, Marco, que são as pesquisas políticas aí, esse Datafolha que sai nesse domingo?

MRMarco Ruediger

Olha só, Petra, assim, é muito claro que a tarefa do Haddad aí, né, nessa, concorrendo com Tarcísio, ela é bem árdua, ela é bem difícil, né. O interior de São Paulo, ele é bem resistente, digamos assim, o PT e e consequentemente ao nome do Haddad. Mas eu acho que a gente tem que ponderar algumas coisas, né? Em primeiro lugar, assim, essa é uma eleição que, enfim, na prática ela tá se iniciando, esse é o fato, né? Em segundo lugar, assim, o Haddad hoje é um sujeito que tem muito mais experiência e muito mais preparo do que há muitos anos atrás.

É uma eleição, certamente terá dois turnos, não vai ser uma eleição de um turno só. Então vai ter muito espaço para debater, muito espaço para comparar. E no final as eleições são comparativas. Eu acho que tem dois dados aí que são bastante relevantes, né? O primeiro dado é a questão da expectativa que se tem em termos da entrega que o Tarcísio fez. Então, a parte substantiva dos eleitores, pela pesquisa Datafolha, afirma que ainda que, enfim, tem uma preferência muito clara nesse momento, eu vou dizer, é um retrato desse momento para o governador Tarcísio, mas o eleitorado em geral diz que ele entregou muito menos do que se esperava.

Então esse é um ponto muito importante. Segundo ponto na pesquisa são as duas questões onde ele é mais criticado: questão de segurança pública, questão de saúde. Então, e a segurança pública a gente não pode esquecer que é um domínio especificamente constitucionalmente dos governadores. Evidentemente o governo federal tem uma série de responsabilidades nesse assunto, e a meu ver deveria ter uma política inclusive muito mais consistente na área de segurança pública, Mas o fato é que constitucionalmente é uma questão dos governadores.

Então é só coisa que ele vai ser muito cobrado e vai haver uma discussão muito grande em cima disso. E eu acho que tem um outro elemento muito importante, que é o seguinte: essa é uma campanha que tá muito atrelada ao nome dos majoritários. E Flávio Bolsonaro tem aberto aí uma, uma série de polêmicas e uma série de desgastes que tem feito a sua candidatura, eu não diria derreter, mas ela ela tem tido uma, tem se dissolvido um pouco em termos da magnitude que se esperava inicialmente, né?

E isso, e Lula tem crescido, inclusive a rejeição a Lula tem diminuído. Então eu acho que é um negócio, acho que é uma questão muito importante entender que esse atrelamento, digamos, a um nome no governo federal, disputa federal, impacta também nas subunidades nacionais, nos estados. Isso vai acontecer em São Paulo, certamente vai acontecer, por exemplo, no Rio Grande do Sul, também com a Juliana Brizola. Ela deve crescer em função do nome do Lula crescendo também.

Então esses fatores todos vão se somando. Então eu acho que São Paulo vai ter um segundo turno bastante disputado. Não acho que seja uma coisa que já esteja dada. Acho que, eu acho que Haddad tem condições de crescer e fazer um jogo bastante difícil, bastante duro com o governador Tarcísio aí.

PPetra

Eu quero só puxar um gancho com você antes de entrar também na página de Flávio Bolsonaro e Michele, Eu quero repercutir isso com você também ainda hoje, mas quero falar um pouco sobre o panorama que traz a pesquisa sobre aprovação da gestão do Tarcísio em São Paulo, uma aprovação que segue em 45%. É claro que a gente fala agora de Tarcísio, importante nome da política nacional, conectando também com quem são seus aliados, também a força de quem é Fernando Haddad para essa próxima eleição.

Eu queria só uma análise tua, Marco, a respeito desse índice índice de aprovação do governo de Tarcísio no estado, que segue aí com os 45% de avaliações ótimas e boas para gestão dele.

MRMarco Ruediger

Pois é, eu acho que aí tem alguns ângulos, né, como eu observei. Mas tem assim, tem essa, eu acho que de novo, acho que essa questão das entregas, quando se coloca, você tá satisfeito, digamos assim, em geral com as entregas que houveram? E isso, isso, isso um problema, isso é um problema bastante nítido de acordo com a pesquisa. Eu acho que aí tem uma fissura, isso que eu quero dizer, tem uma fissura que depende como a campanha do Haddad vai aproveitar.

Porque você, então, você tá apoiando Tarcísio basicamente em função de uma rejeição ao petismo e ao presidente Lula. É disso que se trata. Porque se olhar intrinsecamente a política hoje, por exemplo, toda essa questão, e não dá para desvincular que o apoio do bolsonarismo e daqueles que votam pró-Flávio Bolsonaro, muito grande, muito aderente ao Tarcísio. Acabamos de ver isso agora na matéria que antecedeu, né? É uma candidatura que tem se posicionado crescentemente numa atitude no mínimo duvidosa, né, e que beira uma certa conspiração contra a economia brasileira.

É o tarifação, é o pedido de postergar as tarifas, e não, já adiantando até outra pauta, né, e não, e não, e não, na verdade, discutir porque elas não seriam válidas, que não deveria haver na verdade tarifa nenhuma, mas sim vamos discutir depois da eleição. Quer dizer, ou seja, é uma situação que reflete o quê? Reflete na economia brasileira, reflete na produção brasileira, seja industrial, seja de serviço, seja agrícola. Então assim, como é que isso, por exemplo, não entra na racionalidade do eleitor de pensar que talvez No conjunto da obra, os nomes atrelados à candidatura do Flávio Bolsonaro meio que cooperam um pouco com essa perspectiva.

A gente não viu, por exemplo, o governador Tarcísio em momento algum se posicionar frontalmente contra o tarifação. Muito pelo contrário, falou: temos que entregar alguma coisa para o governo americano, temos que entregar alguma coisa para o Trump. Essas coisas vão ser exploradas durante a campanha também. Então eu acho que essa percepção de adesão, se ela é vinculada não estrito senso ao sucesso das políticas, mas é, mas sim uma rejeição, digamos assim, de certa forma ideológica, essa é uma questão que talvez seja difícil de resolver.

Mas pelo ângulo da economia em si, né, que é o que interessa uma boa parte, principalmente o interior de São Paulo, digamos assim, então é, é uma coisa que é um espaço de debate bastante oportuno, digamos, para candidatura do Haddad, na medida em que a posição do Lula é justamente o contrário, é de proteção da economia nacional. Então eu acho que são nuances, a gente tá cedo ainda para ver isso, mas eu acho que eu vejo frestas nessa, no posicionamento do resultado de hoje, como um prognóstico de que será, será isso daqui alguns meses.

PPetra

Agora eu quero abordar com você também a crise familiar, né, Marco, entre Michele e Flávio Bolsonaro, que parece longe de um fim.

MRMarco Ruediger

É, em primeiro lugar, assim, acho que muito desagradável a gente ficar vendo esses, esses capítulos dessa novela. Mas eu acho que é muito importante porque assim, a gente, nossa política em termos de essência, tem tanta coisa importante para discutir no Brasil, né? A questão do emprego em especial, a questão do gasto público que tá elevadíssimo, tem uma série de questões aí que tem que ser discutidas substancialmente. E a gente fica vendo uma briga intestina dentro da família Bolsonaro.

Mas essa briga, eu quero, eu quero só pensar o elemento que, a despeito de qualquer qualquer veleidade pessoal que possa ter nessa briga e tudo mais, você tem 3 irmãos contra a madrasta. Então tem uma, é uma coisa estranha, uma coisa quase psicanalítica, na verdade. Então é quando a gente olha isso daí, ela tem um ponto importante. Eu como mulher, eu quero lugar na mesa. Por que que você excluiu? Se eu sou um agente político importante, se eu represento para o nosso eleitorado em termos simbólicos uma força que é, que interessa, digamos assim, que organizou o partido, e por que que eu sou excluído então nessa mesa?

E por que que eu sou só um acessório nesse processo político? E aí ela traz a questão da mulher, e aí a gente vê que as redes sociais, né, como foi até ex-ministro Damares, por exemplo, ela, ela mesmo denunciou como ela tá sendo vítima de uma campanha bastante atroz em relação ao posicionamento que ela tem, apoia Michele Bolsonaro. Então quando a gente olha esse conjunto, eu acho que é um desgaste muito grande, porque como é que você vai construir uma, uma estratégia vencedora quando você dentro do seu próprio grupo político você tem um problema de misoginia e dificuldade de uma série de pautas que hoje são tão caras ao Brasil.

PPetra

E como ranking de temas da semana, esse conflito liderando, né, Marco? O que que a gente pode elencar como os temas mais importantes aí nas redes?

MRMarco Ruediger

Esse de longe foi o tema mais importante. A gente tá falando aí de milhares de posts sobre essa questão, com 8 milhões de interações. Então, engajamento muito grande dessa discussão. Essa é uma discussão que transcende a questão do PL, transcende a questão só Flávio versus Michele. Ela vai muito além, ela vai ao papel da mulher nesse, na política, que eu acho que é uma questão importantíssima. Então, ainda que seja dentro de uma discussão ultraconservadora, porque não tá se questionando aí um papel, digamos assim, mais amplo e de alcance maior da mulher, mas sim dela ter pelo menos uma voz, um espaço, sentar na mesa.

É muito vinculado oposicionado, na verdade, ao posicionamento da própria Michelle. Mas ainda assim é uma questão importante que afeta uma parte substantiva do nosso eleitorado, e ela conversa diretamente com, com o fracasso, digamos assim, propositivo da própria campanha do Flávio Bolsonaro até o presente momento, que basicamente é uma campanha muito corrosiva, muito destrutiva para o Brasil, para o interesse do Brasil, para a questão das mulheres.

As mulheres ali são vistas como quase acessórios. Quando ele é encurralado, ele puxa a mulher ou puxa Marcelo Barbosa, puxa alguém assim para dizer, olha só, eu não sou tão ruim com as mulheres assim e tal. Então, na verdade, é uma campanha defensiva, não é uma campanha propositiva. O Brasil tá precisando de proposta nesse momento, tá? E eu não tô isentando o outro campo não, que eu acho que o outro campo tem que melhorar muito as propostas que faz em relação ao Brasil. Mas o fato é que é uma proposta, é uma campanha muito negativa até o momento.

PPetra

Sussurro das redes, Marco, o que que a gente tem que ficar atento aí para a próxima semana?

MRMarco Ruediger

Eu acho que esse cerco, né, do Banco Master a alguns jornalistas, eu acho que no caso esses diálogos que alceavam a Malu Gaspar e uma tentativa de cooptar ou de denegri-la, né, isso eu acho que é um ponto muito importante que acho que ainda pode crescer, porque isso não afeta a Malu Gaspar, isso não afeta o Lauro Jardim, Isso na verdade tá dialogando com todo o jornalismo investigativo e toda a capacidade das pessoas de poderem questionar e levantar evidências que alertam a sociedade sobre riscos e danos gigantescos a, digamos assim, a construção nacional, a estabilidade da economia, a boa gestão das políticas públicas.

O alcance disso é tremendo, é gigantesco. Então quando a gente olha, eu acho que esse é um ponto importante que a gente tem que ficar de olho, porque existe uma necessidade, isso chama uma necessidade de reação da comunicação, dos profissionais de comunicação, do jornalismo, a não serem perseguidos e denegridos ou subornados em relação à sua missão central, que é buscar o dado, informar a sociedade sobre o que tá acontecendo. Então isso eu acho que foi de uma gravidade extrema e a gente tem que ficar atento Marco Rüdiger, nosso analista da semana política.

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