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Esporte, liderança e saúde mental: o que está por trás da Seleção Brasileira na Copa

05 de julho de 202643min
0:00 / 43:56
No clima de expectativa para o jogo da Seleção Brasileira, Cau Saad e Petria Chaves recebem o técnico da Portuguesa, Ademir Fezzan, especialista em psicologia do esporte e neurociência, para discutir como o futebol vai muito além das quatro linhas.

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Participantes neste episódio3
C

Carol

HostApresentadora
P

Petria Chaves

Host
A

Ademir Fezzan

ConvidadoTécnico da Portuguesa, especialista em psicologia do esporte e neurociência
Assuntos6
  • Copa do Mundo e Seleção BrasileiraExpectativa para o jogo · Análise tática e mental · Papel do técnico · Psicologia do esporte · Neymar · Hendrik
  • Esporte e Qualidade de VidaLiderança democrática no esporte · Importância do lado humano no esporte · Saúde mental dos atletas · Profissionalização do esporte
  • Futebol femininoCrescimento e evolução · Valorização e respeito · Machismo no futebol · Copa do Mundo Feminina
  • Futebol Moderno e InovaçãoProfissionalização e dedicação do atleta · Tecnologia no esporte (VAR) · Velocidade e estudo do jogo · Cristiano Ronaldo
  • Análise da Seleção de Cabo VerdeSurpresa e emoção · Futebol ofensivo e bonito · Cabo Verde como surpresa · Argentina · Cabo Verde
  • Empresariado e representação de atletasEducação e disciplina pelo esporte · Desenvolvimento de caráter · Importância do coletivo e do passe · Menos tela, mais esporte
Transcrição105 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

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CCarol

Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, a seleção chegou!

PCPetria Chaves

Ela sim está linda aqui ao meu lado, é o comentário dos nossos ouvintes no YouTube da CBN. Ela veio a caráter. Eu também, eu tô, mas a minha camisa ela não é tão assim nova quanto a sua, minha é mais vintage.

CCarol

Nossa, mas o teu colar tá lindo, né? Eu vou falar uma coisa para você, depois eu quero saber de onde é. Tá bonito, né?

PCPetria Chaves

Maravilhoso, bem brasileiro mesmo, minha amiga.

AFAdemir Fezzan

Amei.

PCPetria Chaves

A Karina Silva tá falando aqui, Gangue da Cal, 2 a 1 para o Brasil.

CCarol

A Gangue da Cal tá apostando 2 a 1 para o Brasil, igualzinho a mim. 2 a 1 também. E você sabe que eu acertei o placar passado, tava dando entrevista aqui para vocês, e aí eu falei, na semana do jogo, né?

PCPetria Chaves

Ou no Ela me traiu, ela fica, ela vai todos os programas CBN agora de esportes. E aí você fez o palpite e ganhou.

CCarol

Ganhei.

PCPetria Chaves

Foi contra quem?

CCarol

Foi contra o Japão.

PCPetria Chaves

O Japão. Ai, que nervosismo esse jogo! Calma, treino de domingo, a seleção chegou, eu tô nervosa. 2 a 1 é o teu palpite. E a gente, para analisar esse jogo de hoje, a gente trouxe um convidado muito especial, porque eu acho que é muito da vocação do nosso quadro, né, o Treino de Domingo. Falar sobre esporte, falar sobre condicionamento físico ao longo da vida. E eu conversava agora pouquinho com Sílvio Meira, nosso grande especialista em tecnologia, falando sobre como esse evento da Copa do Mundo é ainda um dos poucos eventos que une a comunidade humana.

Não é brincadeira, é forte demais, não só pelo esporte, mas pelo posicionamento dos ídolos, pelo que esses meninos, esses jovens atletas, e também o futebol feminino que agora vem crescendo cada vez mais, o que que eles representam. Eu queria, antes da gente apresentar o nosso convidado especial aqui no Revista CBN de hoje, te perguntar o que que é essa mobilização que o futebol ele promove, porque vai muito além do campo, Carol.

CCarol

Vai muito além do campo e é muito importante, gente, a gente saber que esses garotos e garotas que estão ali com a camisa do Brasil ou portam com camisa de outro time e que são ídolos, eles têm uma responsabilidade de mostrar para a gente serem seres humanos politicamente corretos. Calma, mas isso é impossível. Não é impossível. Dê bons exemplos.

PCPetria Chaves

Por quê?

CCarol

Porque essa garotada vem com tudo e querendo ser eles, se espelhando neles. E lembrar sempre, se você se perdeu no meio do caminho, seja o jogador, seja quem for, olhe para trás e lembre-se de onde você veio. Quanto que você lutou para estar nesse lugar? Vista a camisa e faça de verdade, coloca a alma, não vá com calma.

PCPetria Chaves

Aqui ao nosso lado, alguns dos nossos ouvintes que estão no YouTube já descobriram porque já estão vendo aqui a nossa transmissão. Hoje nós trouxemos aqui para o nosso estúdio da Arena Globo um convidado especial, é o Ademir Fezan, que tá aqui ao meu lado. Ele que Além, além de ser o atual técnico da Portuguesa, ele também é um grande especialista na questão da ciência do esporte. O Ademir, que é membro do GEPEN, que é o Grupo de Estudos de Psicologia do Esporte e Neurociência da Unicamp.

Ademir, obrigada por você ter aceitado o nosso convite, tá aqui ao nosso lado na Arena Globo nesse domingo especial, né, Ademir? Boa tarde.

AFAdemir Fezzan

Boa tarde, muito especial. Obrigado pelo convite. Pétria, um prazer. Eu revendo minha amiga aí de longa data, grande Cal. Foi minha jogadora, sabia?

PCPetria Chaves

Me conta essa história, Davi.

AFAdemir Fezzan

A Cal era isso aí, do jeito dela jogando. Então você imagina, né, a correria que era de um lado para o outro, essa energia toda. Era difícil segurar.

PCPetria Chaves

Coisa boa que também o futebol feminino tá crescendo, né? Demorou, né?

AFAdemir Fezzan

Demorou muito bom. Demorou, demorou muito, muito recente tudo que tá acontecendo. Mas tem uma transformação muito grande. Hoje mesmo lá na Portuguesa, né, nós temos a categoria sub-20 feminina. Pô, é maravilhoso você ver, tem lá 40 meninas treinando, algo que era difícil até 10 anos atrás, né. Então, para você ver como é muito recente, mas bem feliz com essa revolução do futebol feminino. Ano que vem, vale lembrar, Copa do Mundo aqui no nosso país. Então é um momento importante para o nosso futebol feminino.

PCPetria Chaves

E eu fiquei sabendo que teve já jogo da Cal, que aí o técnico demorou para colocar, e aí a torcida começou, Cal, igual o Hendrik, né?

CCarol

Põe o Hendrik! Olha, Petra, ele me deixou no banco. Aí o outro time tava ganhando e a gente precisava fazer um gol para ganhar. Aí a torcida começou, coloca a Cal para decidir, coloca a Cal, senão nós vamos invadir, coloca a Cal! Para decidir. Coloca a calça, senão nós vamos invadir. Que que aconteceu? Ele olhou para mim: aquece. Eu já fui lá toda pimpona aquecer. Aí eu cheguei para ele e falei assim: faltam só 3 minutos. Aí ele falou: não perguntei, aquece.

Nessa frieza, nessa tranquilidade. Aí eu fiz mais um pouquinho ali de aquecimento. Entra. Aí fizemos a modificação, foi um segundo, a Lelê passou, eu dominei, pau, gol! Olha, eles falaram, coloca a Cal pra decidir, senão a gente vai invadir. Eles invadiram, eles invadiram. O que que o meu técnico fez? Virou uma cambalhota que ele tinha prometido. Então, ou seja, além dele ser um super profissional, muito bem conceituado, ele durante os anos de faculdade que nós fizemos juntos, ele mais velho do que eu, mas ele dominava, tinha presença de liderança, não tinha como dar errado a vida do Ademir num esporte coletivo, principalmente na parte de educação e humanização.

Pétria, ele já era esse, esse profissional humanizado desde aquela época onde era o chefe-chefe, era o homem que mandava. Não, ele, ele nos escutava. Qual a sugestão de vocês? Eu quero ressaltar porque me traz lembranças muito boas quando eu lembro de você e da forma que você nos tratava.

PCPetria Chaves

Legal, hein, Ademir?

AFAdemir Fezzan

Muito legal ouvir isso, bacana demais. Vem uma nostalgia, né, porque bons momentos, né, cara. A gente se divertia trabalhando, né, eu já trabalhando e vocês jogando. Mas ela tocou num ponto que realmente eu acho que tem que ser o pilar de um treinador, que é o lado humano. Antes de mais nada, tem um ser humano ali Então você escutar ele, acho que é o primeiro passo. Essa liderança, né, democrática, acho que é fundamental, né?

PCPetria Chaves

Eu já vou pegar o gancho nisso que vocês dois estão trazendo e jogar a bola, né, para o que tá acontecendo nesse domingo, a seleção brasileira. Ademir, qual que é o papel de um técnico como Ancelotti no momento como esse, né? Num jogo importante como hoje, é a tática, ela já tá montada, é É passar força para os jogadores? Qual é o papel do técnico num momento como esse, num jogo importante como esse?

AFAdemir Fezzan

Num formato igual Copa do Mundo, você tem vários campeonatos dentro de um. Por exemplo, quando você tem a primeira fase, você classifica, e aí você enfrenta o Japão. Aí você é um novo campeonato. O campeonato se chama Japão, e agora o campeonato se chama Noruega. E sim, o treinador ele vai analisar a Noruega e vai ter um trabalho tático específico para Noruega. É lógico que tem um padrão de jogo, mas o mais importante foi esse ponto que a Carol tocou.

Ele trabalha com os melhores do mundo, né? Então os jogadores top que você tem que cuidar muito do aspecto mental. O aspecto mental nesse momento é um jogo de 90, no máximo 120 minutos, talvez se for para os pênaltis um pouco mais, mas o controle mental nesse momento vale mais do que qualquer outro aspecto.

CCarol

E Ademir, se eu não me engano, essa é a primeira Copa do Mundo que o Brasil leva uma profissional de psicologia. Confere.

AFAdemir Fezzan

Já levou em outros momentos, mas nesse momento um trabalho mais, eu diria, mais refinado.

CCarol

Por que você acha que demorou tanto, sendo que é tão importante a gente ter esse profissional como um pilar dentro de uma Copa do Mundo, dentro principalmente do nosso país, que o que rege o nosso país no esporte é 90% futebol. Eu não digo 100% porque não é 100%, mas é grande parte.

AFAdemir Fezzan

É só a gente olhar ali fora, a gente já vê, né, o quanto que futebol mobiliza. Você vê muita gente ali passando com camisa da seleção, as crianças brincando aqui atrás. Então o futebol realmente ele mexe. Eu já tive a oportunidade de trabalhar em outros estados, outras regiões. O futebol tá na raiz do brasileiro, não tem como. E É uma grande ferramenta de educação que a gente explora muito pouco. E a questão da psicologia, ela é fundamental.

Se você acordar cedo e falar, pô, hoje o dia vai ser ruim, seu dia vai ser ruim, né? Você fala, seu dia vai ser bom, meu dia vai ser ótimo, seu dia vai ser ótimo. Então o lado mental faz toda a diferença. É importante ter esses profissionais, né, no seu entorno ali para poder cuidar dessa questão.

PCPetria Chaves

Eu inclusive conversava com o Silvio Meira também, Ademir, que é o nosso colunista aqui de tecnologia, né, uma das maiores cabeças que a gente que olha hoje para questão de tecnologia, inteligência artificial. Ele sempre insiste muito nessa questão da formação, né, da educação, e falou agora pouco como o esporte ele é muito importante na formação, inclusive de caráter. E você fala, temos aí, tínhamos uma, temos uma oportunidade enorme Mas talvez a gente não aproveite tanto um momento como esse de Copa do Mundo.

Tá todo mundo olhando, cresce a busca pelas escolinhas, cresce a busca pelo interesse em talvez investir no futebol enquanto formação das crianças num tempo, cara, de tecnologia. Tá todo mundo ali, calma, hoje no tablet, no celular. Será que é uma oportunidade que a gente tem?

AFAdemir Fezzan

Sem dúvida, é uma grande oportunidade, mas eu diria que muitas vezes ela não é aproveitada como deveria. Vai muito da conquista. Por exemplo, se o Brasil for campeão mundial, for hexa, pode ter certeza que isso potencializa. Então tem muito dessa questão do momento, né? E nós temos que desfrutar desse momento, com certeza. Como eu falei do futebol feminino, ano que vem nós temos que aproveitar esse grande momento para mobilizar mais o esporte, sem dúvida.

CCarol

Se tem duas coisas que eu, Calça Ad, acredito que mude São os estudos e o esporte, porque os dois são ligados à educação, os dois são ligados à disciplina, os dois são ligados a valores. Então são ligados àquele íntimo que não se negocia. E o que é inegociável, você forma caráter, formação de valor mesmo, né?

PCPetria Chaves

Você vai formar, você vai discutir com o amigo e depois perde, ganha, mas depois tá amigo fora do jogo. São muitas questões que hoje as crianças estão enfurnadas que estão nas telas muitas vezes não tem esse desenvolvimento. Você deve ver isso inclusive conversando com pais e mães que vão no instituto e que trazem isso.

CCarol

Exato. E ensino para eles, muitos adolescentes que vêm me procurar, ou crianças mesmo, de criança que tá na formação, saindo da criança para ir para adolescência, o quanto importante é, não é um jogo coletivo, você conseguir passar a bola para o outro, você olhar para o outro, você aprender que sim, sempre vai haver alguém melhor do que você. Então aprenda com ele. E sempre vai haver alguém que ainda não está no seu nível, ajude ele.

Isso eu acho que é uma formação de seres humanos que olha para o coletivo e faz esse coletivo crescer em massa.

PCPetria Chaves

Muito, muito legal mesmo. Eu queria perguntar também para o Ademir, no segundo bloco, daqui a pouquinho, depois do Repórter CBN, vou querer entrar em algumas perguntas específicas dessa seleção brasileira, colocar o Ademir numa saia justa, mas ele responde o que ele quiser.

CCarol

Exato.

PCPetria Chaves

Agora eu queria entender um pouco nesse primeiro bloco da nossa essa conversa, Cal. É, outro dia eu tava conversando com Rafael Pratos, nosso colega aqui da CBN, da nossa brilhante equipe de esportes da CBN, e a gente assistiu, né, aquela série da Netflix da vitória do Brasil na Copa de 70. E é tudo muito bonito, a gente vê em perspectiva aqueles jogadores, né, Ademir. Mas ele mesmo me falava, Pétrea, naquela época era um outro jogo.

Não adianta a gente romantizar, porque era um jogo mais lento, era um outro futebol. Eu queria muito a tua visão, inclusive fazendo parte desses, desse grupo de estudos da psicologia do esporte, neurociência ligada ao futebol. É, o que que mudou no futebol de hoje? É um outro futebol, Ademir? E também a questão da profissionalização, porque talvez antigamente não era, embora fosse importante, mas não era esse acontecimento que são os jogadores de futebol como, como a gente entende hoje, né?

AFAdemir Fezzan

Perfeito. Aquela época o jogador ele poderia, e era natural, isso aconteceu até recentemente, né? O jogador tem vários casos, né? Até romantizou isso no futebol brasileiro, principalmente, que é o jogador que jogava futebol e ele ia, ele ia para noite, muitas vezes ele faltava no treino, e esse era o grande jogador. E hoje não. Hoje ele era jogador de bola. Hoje, se ele não for atleta de futebol, ele vai ter dificuldade. Então ele tem que ser atleta hoje, por exemplo, vou falar no meu, na minha realidade.

O atleta hoje da Portuguesa, por exemplo, treina de manhã, ele vai chegar 2 horas, 2 horas antes do treino, ele vai fazer um trabalho de força na academia, né, ele vai fazer um preventivo, ele vai se alimentar corretamente, tem a suplementação, ele treina, acaba o treino, ele vai almoçar, e à tarde ele vai fazer outro treino específico de trabalho de força e muitas vezes até um trabalho psicológico. Então é um atleta, ele vive disso, então se profissionalizou muito mais.

PCPetria Chaves

E os melhores vão ser os mais dedicados?

AFAdemir Fezzan

Eu acho que o maior exemplo que nós temos é o Cristiano Ronaldo, que é um, que ele foi um, tem um recorte ali, Cristiano Ronaldo prova que se você for atleta você tem condições realmente de ter alta performance e ser elite. Então O jogo de hoje, ele é muito mais rápido, ele é muito mais estudado. A tecnologia também fez o jogo mudar, né? Hoje nós temos o VAR, então tem várias situações que fez até as estratégias mudarem. Então o jogo mudou.

PCPetria Chaves

Eu vou confessar uma coisa, eu depois do 7 a 1, eu fiquei muito traumatizada, Demir. Eu não assistia mais, Carl, jogo. Aí nessa Copa do Mundo, o cara faz gol, dali a pouco tá no lado do gol. Falei, mas que palhaçada é essa? Cadê o futebol arte? Agora tem tecnologia, né, Ademir? E tem toda essa— não é só a tecnologia do VAR ou do que você pode olhar e decidir o que é certo ou errado no campo, mas também isso que a gente falava no começo da entrevista.

Inclusive, essa é uma das razões que a Calça Ape fez para a gente essa ponte para trazer o Ademir Fezan aqui para o Revista CBN de hoje, que é essa especialização na psicologia do esporte. Porque quando você fala de um atleta desse, desse empenho, né, de construir uma rotina de exercícios, mas também o cuidado com a saúde mental e emocional. Isso deve ser cada vez mais decisivo para esses atletas de ponta.

AFAdemir Fezzan

Sem sombra de dúvida. Hoje, hoje a gente vê atletas contratando psicólogos, né, para fazer o trabalho específico. Terapia hoje ela é comum no futebol. Nós tivemos paradigma até na nossa sociedade, né. Tinha coisa de louco, né? Então, e isso mudou, e também mudou no esporte. Então hoje a gente vê esse movimento dos atletas que é muito bacana. Hoje um jogador desse alto nível de Copa do Mundo, se ele não tiver um acompanhamento psicológico, ele vai ficar para trás.

CCarol

E outra coisa, Petri, que mudou bastante também foi a transparência e os modos que entra a educação dentro de campo. Por exemplo, nos últimos jogos que nós tivemos aqui no Brasil um jogador colocou a mão no órgão dele, ele depois que ele fez o— exato, nas partes íntimas, e ele foi expulso. Gente, não tem que ser expulso, sabe por quê? O futebol tá ali, arquibancada tá ali, a televisão tá ali para nossa família. Existem mulheres, existem— ai, gente, mas só foi isso.

Não, não é só foi isso. Outra coisa que mudou para essa Copa, e eu já amei, não pode falar com a mão assim na boca para manter a transparência. O rapaz foi lá, falou, foi expulso. Não tem nenê choro nem vela. Falou, vai ser expulso. Tchau. Não tem segunda vez, é primeira. Já não escutou? A primeira disciplina, quartel-general, é assim.

PCPetria Chaves

A seleção chegou. Eu, hein? Calça Ape hoje comigo aqui, treino de domingo. Ó lá, é Brasil, é Brasil, Brasil! 2 a 1 no mínimo, meu amigo, minha amiga. Eu quero é que que seja logo uns 4 a 0 para a gente ficar tranquila, não ficar com nervosismo, que ralam de nada. Eu não vou nem olhar para esse time aí, eu quero só ver Brasil em campo, Cal.

CCarol

Pelo amor de Deus, vou estar aqui atrás, você vai escutar só meus berros.

PCPetria Chaves

Você vai acompanhar aqui da arena? Ela veio toda a caráter, tá maravilhosa, calça ADE. Hoje o nosso treino de domingo, edição especial Revista CBN na Arena Globo, com convidados. Nós recebemos aqui na nossa arena Ademir Fezan, que é técnico da Portuguesa, é também membro do Grupo de Estudos de Psicologia do Esporte e Neurociência da Unicamp. A gente tem não só os nossos convidados especiais aqui como entrevistados, mas também a nossa audiência que passa aqui pela Marquise do Parque do Ibirapuera e acompanha o programa aqui, o Revista CBN, mas também toda a ação da Globo aqui nessa arena linda para você acompanhar.

Daqui a pouquinho tem jogo também, aí vai ser uma festa danada aqui na nossa arena. Com isso, agora 1 hora 31 minutos no horário de Brasília, a gente faz uma breve pausa para o Repórter CBN.

AFAdemir Fezzan

Revista CBN.

CCarol

Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil, boa, boa, boa, Brasil, boa, Brasil, Brasil, Brasil, Brasil.

PCPetria Chaves

A gente quer ver a Vini Júnior hoje ali, ó. Não quero ver jogando, eu quero ver dançando calçado. Eu quero ver, é bom demais.

CCarol

Eu não quero ver jogando, eu quero ver dando show.

PCPetria Chaves

Quero ver dando show. Seleção chegou! Revista CBN especial transmissão direto da Arena Globo, Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Esse espaço lindo que a Globo preparou para o paulistano, para quem tá passando aqui por São Paulo poder curtir não só os jogos da seleção, os jogos que são transmitidos, mas também um pouco da história do futebol, um pouco das transmissões do futebol também. Um espaço lindo. E para quem tá ainda no treino de domingo, calça, participando aqui, fazendo esporte, ainda pode participar da Arena e acompanhar a nossa transmissão especial.

Aqui ao meu lado, nesse programa lindo que a gente tá transmitindo hoje para você, ao meu lado tá aqui calça presencialmente comigo e também, Carl, que gentilmente convidou o Ademir Fezan, técnico da Portuguesa, também um baita especialista no esporte, na profissionalização no esporte, na psicologia do esporte. Ele faz parte do grupo de estudos de psicologia do esporte e neurociência da Unicamp. Os dois aqui para me ajudar. O Vanderlei aqui tá falando, a gente tem que tomar até um ansiolítico por causa do jogo de hoje.

Ele tem toda razão. Aqui tá participando com a gente no YouTube. Você pode participar no YouTube da Rádio CBN. Pode participar também com a gente mandando sua mensagem para cá no @petriachaves no Instagram, ou então no email petria@cbn.com.br. Calma, aqui nos bastidores a gente tava relembrando bons momentos do esporte antes de entrar aqui com Ademir no que é o jogo de hoje. A gente tava relembrando bons momentos do esporte, gente.

CCarol

Você vê que não é sobre o time que a gente tava falando, são sobre os jogadores, as duplas, os trios de ataque, os goleiros. Gente, eu berrava quando o Ronaldo dava aquela ponte. Junto e pulava na cama. Já até quebrei um estrado da cama da minha mãe. Nossa Senhora, nem lembro. Mamãe tá assistindo, vai falar, mas eu lembro.

PCPetria Chaves

Mas é verdade. Ademir, deixa eu te perguntar um pouquinho a respeito do nosso jogo de hoje, Seleção Brasileira contra a Noruega. É engraçado, né? A gente sempre vê os nossos adversários nessa fase, né? Estamos aí na oitava de final, a gente sempre vê os nossos adversários como gigantes, né? Dá um medo danado. Qual que é o tamanho real desse desafio que a gente enfrenta nesse domingo, desse jogo da seleção, que queria saber assim, em perspectiva, diante mesmo da qualidade de jogadores, qualidade técnica de outras seleções, a gente já passou por desafios piores ou não?

Esse é o desafio crucial aí. Como é que você tá vendo essa nossa participação nesse domingo?

AFAdemir Fezzan

Tô bem confiante. Eu acredito que o Ancelotti achou a formação ideal, né? Paquetá não joga pela lesão. Eu particularmente apostaria no Neymar, mesmo ele não estando 100%. Eu sou fã do Neymar, eu acho que um jogador desse nível na Copa do Mundo e aproveitar, né, o momento que a Copa do Mundo tá sendo dos grandes jogadores, né. Mas eu acredito que ele vai de Martinelli, enfim, e também que é outro bom jogador. Mas acredito que o maior desafio hoje, a Noruega é uma seleção de muita força física que tem um ataque muito bom.

Quarteto do ataque da Noruega é muito forte, então a gente tomar cuidado com esse quarteto, mas O nosso ataque também é muito bom, né? Então eu tô bem confiante. Acho que o maior desafio é esse, você suportar muito a questão mental, né? É natural a ansiedade. A gente costuma dizer que o treinador, o jogador, quando ele perder aquele frio da barriga, não tem mais sentido, tá ali, tem que ter, faz parte, é natural. É um jogo que a ansiedade você se coloca no futuro, né?

Você fica ansioso quando você se coloca no futuro, e não tem como treinador não pensar no futuro, porque ele vai, ele vai montar os treinos dele, ele vai montar a estratégia pensando num jogo que vai acontecer no futuro. Então a ansiedade, ela vem natural, é aquela ansiedade boa, ansiedade boa, que aí cabe a nós, né, ter as ferramentas para poder administrar e controlar. Mas essa ansiedade também, como você mesmo falou, você transformar ela em algo positivo.

E o algo positivo é você criar situações de confiança, de coragem e motivação para que você possa suportar um jogo como esse. Então acho que o maior desafio é aqueles primeiros 10, 15 minutos, que passa essa ansiedade. Quando passa, você encaixa o time, aí as coisas acontecem naturalmente.

CCarol

Ademir, quero te perguntar, te colocar na fogueira, é lógico. Tem algum jogador que tá no banco que você também colocaria para jogar?

AFAdemir Fezzan

O próprio Neymar, como eu falei, né? Eu sou muito fã do Neymar. Eu tive a oportunidade de trabalhar nas categorias de base do Santos na época que o Neymar jogava no profissional. Então é um cara que eu via que era diferente. Ele já fazia isso em 2012, que a gente tava falando aqui, chegava antes, treinava. Tem essa disciplina, total, total. Lógico que no meio do caminho acabou se perdendo um pouco, mas ele, eu, ele construiu isso né?

Ele não chegou no alto nível à toa. E o outro é o Hendrik, que eu sou fãzasso do Hendrik.

CCarol

É o que eu queria escutar.

AFAdemir Fezzan

O Hendrik hoje é a cara do Brasil e a cara do jogador moderno, né? É aquilo que nós estávamos falando do jogador atleta. É um jogador que se cuida 100%, tem horário para dormir, horário para acordar, super família, super família. Ele tem toda uma equipe multidisciplinar por trás. Então É um jogador que hoje ele é uma referência para nós também como atleta, mas também muito jovem, né? Muito jovem, tem muito chão ainda.

PCPetria Chaves

Tem isso. Eu fico me perguntando às vezes, no caso como o Hendrik, em outras seleções, em outras Copas do Mundo, os treinadores eles já optaram por deixar, por mais craque, por mais estrela que fosse o jogador, esses jogadores mais jovens deixar ele um pouco no banco. É uma estratégia? O que que é isso, hein, Ademir?

AFAdemir Fezzan

Eu acredito muito que é um processo de formação. Por exemplo, você tem razão, Então tem casos e casos, né? Nós tivemos oportunidade do Pelé lá atrás com 16 para 17 anos, mas também, como você falou, e perfeita sua colocação, do Ronaldo, né? O Ronaldo em 94, ele fica no banco e depois ele estoura em 98. E o Kaká, né? O Kaká vai em 2002 no banco, ele ainda jovem, depois ele estoura em 2006 para 2010. Então eu acho que vai muito do momento de formação do atleta.

Tem jogador que com 20 anos que ele já, ele já, ele é tão maduro que parece que ele tem 30. E já tem jogador de 20 anos que ele ainda, ele não atingiu ainda aquela formação para ser um titular numa Copa do Mundo, né? É um processo de formação. Hoje, por exemplo, nós temos grandes craques aí com 18, 19 anos jogando a Copa, né? Acho que o Yamal, por exemplo, da Espanha, é o maior exemplo. Então nós temos Vários exemplos de momento. Acho que tudo é o momento do jogador, é individualidade, né, de cada um.

CCarol

Mas eu torço sempre ele entrar para começar a criar acervo para as próximas Copas.

PCPetria Chaves

E eu queria, aproveitando isso, você falou do jogador da Espanha, né, eu queria que você falasse um pouquinho sobre outros jogos das seleções aí nessa Copa do Mundo, o que que vem te chamando atenção. É claro que o Brasil é um dos favoritos. A gente falou aqui da França, podemos falar um pouquinho mais, mas como é que você tá vendo aí os jogos, esses jogos aí nesse, nesse período de, né, nessa etapa de mata-mata? Sem sombra de dúvida, a gente falava inclusive aqui nos bastidores, falamos um pouquinho sobre isso também no Revista CBN de ontem, sobre o jogo de Argentina contra Cabo Verde, um dos grandes momentos dessa Copa do Mundo, né, Ademir?

AFAdemir Fezzan

Para mim foi o melhor jogo, né? Para mim foi o melhor jogo assim, o jogo aquele que o brasileiro gosta de ver, né, um jogo com bastante oportunidades para os dois lados, um jogo que teve 5 gols, né. Então é um jogo emocionante. E você vê uma seleção como Cabo Verde fazendo uma campanha maravilhosa, jogando de igual para igual com a Argentina, levar para—

PCPetria Chaves

não desistiram nem no último minuto. Isso foi uma garra incrível.

AFAdemir Fezzan

E aí é natural, né, muito do brasileiro isso, né, de torcer para aquele aquele time que o mais humilde, vamos dizer, né? E tudo bem que também eu ia falar, o adversário não nos favorecia, né?

PCPetria Chaves

A gente queria mesmo era o Cabo Verde ali, né?

AFAdemir Fezzan

Mas muito bacana. E assim, o futebol do Cabo Verde ali é um futebol com a cara brasileira, bonito, de drible, de jogo coletivo.

PCPetria Chaves

Agora, Demírio, foi uma surpresa ou Cabo Verde? Aí eu tô falando como uma assim, realmente nada especialista em futebol, como uma torcedora que não é especialista nisso. Cabo Verde surpreende quando chega essa Copa do Mundo, ou já vinha numa construção de time com jogadores já importantes? Como é que Cabo Verde chega e nos surpreende, né, nessa, nessa fase do mata-mata contra a Argentina?

AFAdemir Fezzan

Essa foi uma vantagem do aumento de seleções, né, porque aí você abriu mais possibilidades de seleções como Cabo Verde ter uma oportunidade. Porque você pega aquele continente africano, tem grandes seleções, tem grandes jogadores, E Cabo Verde é uma surpresa por não ter um histórico em Copa do Mundo, mas para nós do futebol nós sabemos que não era, porque é colonizado por portugueses. Os treinadores portugueses tiveram por ali, que são hoje é considerado os melhores treinadores do mundo, são os portugueses.

Entre nós treinadores, né, a gente fala muito isso até porque a parte teórica vem de Portugal, né, do futebol, né, muito da Universidade do Porto, por exemplo. Então já vinha sendo construído algo grande ali. Muito bacana, né? Muito legal a gente ver uma seleção como essa despontar.

PCPetria Chaves

E você então entendeu que foi um dos melhores jogos, um dos melhores jogos até agora na Copa, sem sombra de dúvida?

AFAdemir Fezzan

Para quem gosta do futebol para frente, ofensivo, nós brasileiros gostamos, né? Cal tava fã aí dos gols, gritando, enfim, é isso, né? E por coincidência, o assessor de imprensa da Portuguesa, e a gente estava em concentração, a gente teve jogo Santa Catarina ontem, E o jogo foi anteontem, né? E a gente tava concentrado no hotel, o jogo foi à noite. E ele é fanático pela Argentina, fanático, veste a camisa, enfim. E ele tava do quarto do meu lado, cara, que esse cara sofreu, meu Deus.

Mas aí eu também, né, toda vez que o Cabo Verde fazia um gol também tumultuava, né? Calma, me conhece, eu não sou esse bonzinho assim. Eu ia lá, batia na porta dele.

CCarol

Para que silenciar se podemos tumultuar?

PCPetria Chaves

Bom, a gente já não tem aí como enfrentar a Alemanha, que já tá fora. Resta aí para gente grandes times como a própria Argentina, a França. Vamos ver se a gente consegue passar hoje pela Noruega. Quais são aí os grandes times na tua visão, Ademir, que podem oferecer aí uma dificuldade para a gente conquistar essa taça?

AFAdemir Fezzan

É, eu, meu lado emoção, para mim favorito é o Brasil. Meu lado razão, favorito é a França. A França é uma seleção que já vem num num processo há 14 anos com o mesmo treinador. Então isso é ótimo, isso faz a diferença, faz toda a diferença. É um processo, né? Eu fiquei feliz quando a CBF já renovou com Ancelotti para próximo, já tá mostrando que vai ter uma continuidade. Isso é importantíssimo, ainda mais tratando de seleção, porque você tem um processo.

Muitos desses jogadores da França já estavam em 2018 quando a França foi campeã mundial, a maioria já estava em 2022 quando a França é vice-campeã mundial. Então é uma seleção que ela tem, além dessa, desse coletivo, é uma seleção muito forte fisicamente, tecnicamente, taticamente já tá organizado, e também consequentemente uma seleção forte mentalmente. Você pega, você vê o Mbappé pegando, ele pega na bola, ele já sabe que vai fazer o gol vindo lá do meio de campo.

É impressionante, é impressionante. Mas eles têm um osso duro para roer aí na próxima fase. Marrocos Marrocos é uma seleção que tem uma— esse jogo vai ser bem interessante, França e Marrocos, porque Marrocos é tanto que tem jogadores que jogam em Marrocos que nasceram na França e vice-versa. São países ali que tem essa proximidade. E na França tem muitos jogadores africanos, né, de origem africana, enfim. Então é um jogo muito parecido fisicamente, vai ser um jogo legal, vai ser um jogo interessante.

CCarol

Aliás, Mas os jogadores da França não são predominantes franceses.

AFAdemir Fezzan

É, muitos deles, a maioria, a maioria nascido na França assim, mas o pai muitas vezes é marroquino, é argelino. Então é, tem muito essa raiz francesa ali no, no, se você pegar uma seleção da França em 1986, pegar uma foto e pegar de hoje, é totalmente diferente.

PCPetria Chaves

Sim, a nossa audiência pergunta aqui de onde tá sendo essa transmissão do programa da Petra, de onde Petra está transmitindo. Sim, é do Parque do Ibirapuera, da Marquise do Ibirapuera. Estamos aqui na Arena Globo, esse espaço lindo que a Globo montou aqui para os torcedores mesmo, para que você possa não só assistir aos jogos, mas também reviver um pouco da história do futebol. Tem muitas ações aqui aqui nesse espaço onde nós estamos, na Marquise do Ibirapuera.

Ao meu lado aqui presencialmente, numa edição especial do Treino de Domingo, eu tenho Calça Ad. E como nosso convidado aqui, Calça Ad trouxe— ele não é só técnico, mas também é amigo de Calça Ad, que é o Ademir Fezan, técnico da Portuguesa e também um baita especialista. A gente vem falando muito aqui no Revista CBN de hoje e eu tô ficando muito feliz porque Os ouvintes percebem isso e falam, Pétrea, que lindo programa de hoje, que ótimas análises do Ademir.

Além do futebol, a gente está falando aqui sobre os ícones do futebol, né? O que desperta na comunidade mundial essa mobilização pela Copa do Mundo, né? Como é que se forma um grande atleta? Não é só jogar bola, não é jogar bem bola, é ter um preparo emocional e um preparo físico também. Isso é muito importante, a profissionalização do esporte. Que é isso que a gente vem acompanhando ao longo dos tempos. Ademir, se a gente passar por essa, esse grande desafio de hoje, desse domingo contra a Noruega, qual você acha que vão ser os desafios?

Quais você acha que vão ser os desafios da seleção brasileira daqui para o final dessa Copa?

AFAdemir Fezzan

Primeiro, os rivais, né? Você pode cruzar uma Argentina aí no caminho, enfim. Na próxima fase, ou Inglaterra ou México, bem difícil também. Então começa pelos rivais, mas para mim o maior desafio, Petra, é o Brasil vive uma transição, um treinador novo na seleção e jogadores novos na seleção. Então jogadores que ainda não experimentaram esses momentos, né, esses jogadores nunca foram campeões mundiais, por exemplo, Então você pega, nós mesmos citamos aqui, o Ronaldo já estava naquela seleção de 94, ele vai para a final de 98 e depois é campeão em 2002.

Então você tem jogadores já experimentados nisso, que é o caso da França, né, o caso da Argentina. Muitos desses jogadores estavam no título mundial.

PCPetria Chaves

Você vê que são seleções, a gente, mesmo que a gente não entenda, não é profissional do esporte, né, calma, mas você vê que são seleções mais maduras, dá para você perceber, experientes, dá para perceber.

AFAdemir Fezzan

Eu acho que esse é o maior desafio. Acho que além dos rivais, acho que o maior desafio é o perfil da nossa seleção. Mas nisso o Carlos Ancelotti é, ele é o míster, né? Então é um cara muito especialista para trabalhar gestão de pessoas e acho que o lado psicológico dele é muito forte. Isso pode ajudar.

CCarol

E é muito da analogia que nós fazemos durante os nossos programas sobre a progressão Não pular etapas. Então tem a etapa do aprendizado, tem a etapa que você observa, tem a etapa que você sente a pressão, tem a etapa que você vai, agora você vai entrar, que é o frio na barriga e tem que fazer acontecer. Então eu acho que na vida da gente tudo precisa da progressão e a gente precisa curtir e amadurecer no processo.

PCPetria Chaves

Cara, tem tantas mensagens que uma Copa do Mundo traz pra gente, eu não consigo olhar, eu sou cabeção, cabeção, a pessoa vê filosofia tudo. E eu não consigo deixar de ver muitas mensagens passadas a cada jogo, sabe, de postura, de companheirismo, é do cara que vai até o final. Por isso que acho que esse jogo de Cabo Verde contra Argentina foi, teve tantas lições ali passadas. Além, além de uma coisa que eu acho que você falou, que o brasileiro gosta muito em relação ao futebol, que é uma certa dose de mistério.

Que que foi aquele gol de Cabo Verde naquele momento? Ele isso que move o futebol, não é só ser profissional, né? Tem um quê de magia que precisa ser resgatado e andar junto com a técnica, não?

AFAdemir Fezzan

Totalmente concordo. Acho que o futebol é apaixonante muito por isso, o fator surpresa, né? É o fator surpresa. Você, quem imaginava que um jogador daquele, né, de Cabo Verde contra Argentina vai fazer um gol dali? Então é esse esse fator surpresa, quando você não espera, é o mais legal, né, é o mais gostoso do futebol.

PCPetria Chaves

Eu acho que eu queria fazer uma última pergunta para o Ademir, Cal, até para a gente amarrar e olhar um pouquinho para futuro em relação ao que a gente traz sempre aqui no Revista, tanto no quadro Treino de Domingo, mas também o que a gente puxou no começo dessa conversa, Ademir, que é a possibilidade, né, do crescimento do futebol feminino, que vem aí numa atuada incrível. Ano que vem vai ser um ano muito muito importante com a Copa das Mulheres.

Como é que você acha, ou qual é a perspectiva que a gente tem de um futebol feminino ser tão grandioso quanto é o futebol masculino? Quais os caminhos que a gente tem que atravessar e superar para conseguir isso? Afinal de contas, a gente tem muitas craques, né, Carl?

AFAdemir Fezzan

Acho que primeiro o respeito. Acho que infelizmente o Machismo no futebol existe sim, é fato. Já evoluiu muito, já melhorou muito a sociedade. Eu acredito que já evoluiu muito nesse sentido, mas ainda tá longe do ideal. O futebol feminino já tem uma evolução. Eu adoro, como já falei aqui no começo, eu adoro ver as meninas treinando. E eu, hoje a Portuguesa, ela tem no meu horário aí do meu treino, tem o sub-20 Sub-20 do masculino, né?

Tem o meu que é o profissional, Sub-20 masculino, tem o feminino. Eu vou ver o feminino, eu não vou ver as meninas, vou ver o feminino porque eu gosto. É bacana você ver, e não são valorizados. O futebol feminino ainda não é valorizado. Hoje no masculino um jogador de Sub-20 de base já recebe um salário, do feminino não recebe. Muitas vezes aquela menina ela pega 2 trens, 2 ônibus para ir lá treinar.

PCPetria Chaves

É falta de compromisso de patrocinadores. Alô, vamos acordar para isso, né?

AFAdemir Fezzan

Isso é gestão, é quem tá no pilar, é ter esse olhar. Eu não tô, eu tô falando isso no geral do Brasil, tá? Não tô falando do meu clube, é um geral do Brasil isso. Então muitas vezes, ah, vamos pôr feminino só porque é uma cultura, né? É uma cultura. Então acho que esse é o primeiro primeiro passo. Então a gente aproveitar bem a Copa do Mundo ano que vem para a gente fomentar bem isso. Vocês, né, que tem um microfone importante, falar sobre isso para que a gente continue evolução. O mais importante é que está em evolução, é que está em evolução.

PCPetria Chaves

A seleção chegou e o que não tá parado tá onde?

CCarol

Em movimento. Amei!

PCPetria Chaves

Considerações finais, minha querida amiga Calça Ad, que trouxe aqui para gente o Ademir Fezan. Nessa edição especialíssima do Revista CBN presencial aqui no Parque do Ibirapuera. 2 a 1, 2 a 1, é Brasil, vai ser 3 a 1 para a gente ficar mais tranquilo.

CCarol

3 a 1 você, 2 a 1 eu. Vou falar 3 a 1, dependendo eu corro aqui, você pode estar no meio do programa, vou invadir, tá, para falar.

PCPetria Chaves

Você vai acompanhar daqui então, né, Cal? E é isso, né, minha amiga? É um momento importante, é o momento de esporte, de celebração, que a gente possa cada vez mais celebrar não só o futebol, mas a seleção brasileira, né?

CCarol

Os nossos ídolos, os nossos ídolos. Celebrar também, gente, ter confiança na superação. Não importa da onde você está vindo, importa que o seu sonho pode sim ser realizado. Pense grande, porque dá o mesmo trabalho que pensar pequeno.

PCPetria Chaves

E eu termino essa nossa conversa aqui no Revista A ouvinte Jussara. Bom, foram muitas, dezenas de mensagens dos ouvintes, mas ela que parabeniza a nossa conversa com Ademir. Falou que foi uma conversa, ó, excelente entrevista realizada no Parque do Ibirapuera com Ademir Fezão. Momento muito agradável, conversa informativa, inspiradora. E é isso que a gente precisa, né, Jussara? E de mais ouvintes queridos, carinhosos aqui com Revista CBN, de conversas inspiradoras a partir do futebol.

E para que o nosso futebol seja isso mesmo, uma grande celebração, celebração humana, e cada vez mais importante diante de um mundo cada vez mais fragmentado em suas bolhas, que a gente possa lembrar um pouquinho dos valores humanos a partir desses meninos que entram em campo.

CCarol

Menos tela e mais esporte, vai para o campo!

PCPetria Chaves

Ademir, obrigada, querido, pela conversa aqui com Revista CBN. Volte mais vezes. E te deixo aqui abraços do Luiz Nascimento, nosso diretor das afiliadas da CBN, que é portuguesa roxo. E ele falou, a conversa com Ademir vai ser ótima. Obrigada, tá?

AFAdemir Fezzan

Obrigado, eu que agradeço. Parabéns pelo programa fantástico, adorei estar aqui. E só pegando o gancho, para mim, 2 a 0 Brasil. Como treinador, não dá para ficar tomando gol. Vocês querem ver o treinador sofrendo.

PCPetria Chaves

É isso. Não, eu não quero nada, eu quero é ficar tranquila, eu quero é não ter taquicardia durante o jogo. Eu vou copiar Ademir, então eu mudei, é 2 a 0. É isso aí, tá ótimo. Meu amor, obrigada, Cal. Sempre um prazer ter você aqui com a gente no time do Revista CBN e num programa mais especial do que nunca, que foi hoje aqui direto da Arena Globo. Um beijo enorme para você e bom jogo do Brasil hoje.

CCarol

Muito obrigada. E, Petra, antes da gente terminar, acho que eu quero colocar a última coisinha assim para o Ademir ficar na calça justa. Ademir, você não consegue uma camisa para a gente dar para o nosso diretor, o Luiz Nascimento?

PCPetria Chaves

É isso, Petra. Muito bom, Luiz! A gente traz convidado especial, tá na Arena Globo, e você ainda que é o premiado, meu amigo. Olha, não precisa nem Brasil vencer mais hoje. Ó, promessa é dívida, hein, Ademir?

AFAdemir Fezzan

Tá dado. Posso até dar pessoalmente, eu sempre vejo o Luiz lá, ele que cobre nós aqui.

PCPetria Chaves

Maravilhoso. Agora 2 horas e 1 minuto. Com isso a gente vai para o Repórter CBN com Fernando Andrade, direto do nosso estúdio no Butantã, em São Paulo. E na sequência, muito mais Revista CBN especial para você.