Sentar com quem pensa diferente virou ato de resistência
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- A importância da presença e do diálogoSociedade polarizada · Algoritmos e bolhas sociais · Discordar sem se destruir · Ato de resistência
- Cultura de Civilidade e Cuidado com o Espaço PúblicoHannah Arendt · Espaço público · Humanidade compartilhada
Refletir para Viver com Rosandro Klinger.
No último fim de semana estive em São Paulo num Master Summit. Eu, Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal, Clóvis de Barros Filho e Lúcia Helena Galvão. Cada um com seu tema, sua linguagem, seu jeito de entrar na ferida. Mais de 6 mil pessoas presencialmente, fora quem acompanhava online. Falamos do nosso lugar, temas diferentes, visões que nem sempre coincidiam. E ao final do sábado, nós 5 sentamos juntos no palco para conversar, Sem roteiro, resposta combinada, perguntas pré-aprovadas e sem a segurança de saber pra onde a conversa ia.
Foi o momento mais bonito do fim de semana. E me perguntei por quê. A resposta é simples e perturbadora: porque faz falta. Não só nos palcos. Nas cozinhas, nas varandas, nas praças, nas mesas de família que viraram campo minado. A conversa real, aquela em que o outro discorda e você não precisa transformá-lo em inimigo, está se tornando rara. Hannah Arendt dizia que o espaço público é o lugar onde os diferentes aparecem juntos.
Quando esse espaço some, não some a política, some a humanidade compartilhada. E é exatamente isso que o algoritmo faz. Não proíbe a conversa, só garante que você nunca precise ter uma de verdade. Envolve você de gente que já pensa igual, valida o que você já crê, transforma discordância em ameaça. Sociedade polarizada não é sociedade que discorda demais, é sociedade que esqueceu como discordar sem se destruir. Sentar com quem pensa diferente e continuar na mesa até o fim virou ato de resistência.