Crise com Alcolumbre trava duas PECs importantes para campanha de Lula
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Cássia
Lauro
Milton
- Trabalho no SenadoPEC da escala 6x1 · PEC da Segurança Pública · Davi Alcolumbre · Lula
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- Estratégia eleitoral do governo LulaCampanha eleitoral · Discurso de oposição ao Congresso · Lula
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Plantão Lauro Jardim.
Muito bom dia para você, Lauro.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvinte.
Bom dia, Lauro.
Lauro, há pelo menos dois projetos importantes para o governo este ano em debate, em discussão no Congresso Nacional, que não avança. Isso tem a ver com a falta de diálogo entre o presidente do país, no caso Lula, e o presidente do Senado, o Davi Alcolumbre?
Pois é, Milton, tem sim. E são os dois projetos, nada menos os dois mais importantes do governo para esse ano, estão travados no Senado. Eu tô falando de duas propostas de emendas constitucionais: a PEC que acaba com a escala de trabalho 6 por 1 e a PEC da segurança pública. As duas PECs já foram aprovadas pela Câmara, uma em março e outra em maio. Essas PECs são as duas grandes apostas de vitrines eleitorais do Lula para esse ano.
Originalmente, o governo queria que elas fossem aprovadas pelo Congresso neste primeiro semestre. Só que o semestre legislativo acaba dentro de duas semanas, quando começa o recesso do meio de ano. E então, para agora, nada feito. E também não dá para esperar que em agosto, quando o Senado retorna ao trabalho, haja alguma chance dessas votações acontecerem. As PECs até poderiam ser votadas Mesmo porque com a campanha eleitoral começando oficialmente em agosto, que geralmente afasta os parlamentares do Congresso, essas PECs elas poderiam ser votadas porque elas têm forte apelo eleitoral, tem um forte apelo popular.
Só que não vão ser, Milton. O Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ele não tem a menor pressa de dar andamento a nenhum desses dois projetos. Ele simplesmente, com o poder que a presidência do Senado dá a ele, engavetou os dois projetos. E o motivo é a crise de relacionamento entre ele e o Lula, uma crise que já se arrasta desde o fim do ano passado, mas que teve ali um ápice no final de abril quando o Alcolumbre trabalhou incansavelmente para derrotar a indicação feita pelo Lula do ministro Jorge Messias para uma vaga para o Supremo.
E o resultado disso tudo é que o Lula vai entrar na campanha eleitoral, que oficialmente pelo TSE começa no dia 16 de agosto, sem ter esses dois projetos aprovados. Ele vai entrar na campanha sem poder bater no peito, Milton Kassa, e sem poder falar que o governo dele é o responsável por esses dois projetos terem virado realidade. Claro que o Palácio do Planalto tem um plano B, e o plano B é usar na campanha o discurso de que o Congresso tá contra o povo, que o Congresso não quer deixar o Brasil avançar.
Obviamente esse plano B não tem a força do plano A, mas talvez seja o que vai restar para o governo. Então Somente, somente com o reatamento da relação entre o Lula e Alcolumbre, esse nó poderia ser desatado e as PECs votadas. Só que nada indica que a paz entre os dois, Milton Kassia, esteja perto de acontecer. O Davi Alcolumbre já avisou o Palácio do Planalto que topa o encontro com Lula, mas que o presidente deveria tomar a iniciativa de convidá-lo para uma reunião. Só que o Lula até agora não quis essa reaproximação, Milton.
E existe algum sinal de que ela poderia acontecer, ou há um momento certo para isso?
Por enquanto, o Palácio do Planalto, ele, quer dizer, os assessores todos do Lula com quem eu conversei dizem que o Lula continua ainda, ele continua incomodado ainda, ressentido com o Alcolumbre pelo que ele fez vetando, atrapalhando a indicação do Jorge Messias para o Supremo. Isso faz com que o Lula não esteja querendo essa conversa agora. Agora, o Lula é um pragmático, a gente sabe disso, a carreira política dele mostra isso.
Talvez se precisar ele vai respirar fundo e chamar Alcolumbre para uma conversa, essa tal conversa que o Alcolum diz que espera ser chamado. Agora, o Lula também pode, Milton, fazer um cálculo eleitoral de que não, não preciso fazer isso agora, vou usar isso na campanha, e depois da eleição, se vencer a eleição, o Congresso inevitavelmente vai ter que votar essas duas PECs e provavelmente aprová-las.
Muito obrigado, Lauro, e um bom dia para você.
Bom dia para você, Milton. Para você também, Cássia. Para os ouvintes, e até quarta. Até quarta, Lauro.