Episódios de Comentaristas

Onda de calor provoca mortes em excesso na Europa; entenda

06 de julho de 20265min
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Luis Fernando Correia fala sobre ondas de calor e a preocupação dos órgãos de saúde. Comentarista cita o número de mortes em excesso durante o fenômeno. Saiba mais.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Milton

HostJornalista
L

Luis Fernando Correia

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Onda de calor na EuropaMortes em excesso · França · Países Baixos · Bélgica · Mudanças climáticas
  • Onda de calor no BrasilEl Niño · Seca · Queimadas · Hidratação · Redes de apoio
  • Nutrição e desafios ambientais (estresse térmico)Doenças cardíacas · Doenças renais · Problemas respiratórios · Vulnerabilidade de idosos
  • Mudança climática e denominações de origem na EuropaAquecimento global · Ação humana · Organização Mundial da Saúde (OMS)
  • Onda de Calor em ParisPlanejamento urbano · Infraestrutura das cidades · Ações emergenciais
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

MMilton

Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.

MMilton

A Europa passou por uma intensa onda de calor, novas vão surgir, pelo menos é o que a previsão nos traz. Isso evidentemente, né, Doutor Fernando Corrêa, preocupa os órgãos de saúde.

LFLuis Fernando Correia

Milton, só na França, nos Países Baixos e na Bélgica, as autoridades de saúde já contabilizaram pelo menos 3.700 mortes em excesso durante essa primeira onda de calor, que foi de a 28 de junho. Isso são números preliminares, possivelmente pode até crescer ainda. Bom, primeiro vamos explicar o que que é morte em excesso. Morte em excesso não é que a pessoa morreu com o termômetro na mão, né, dizendo, olha, eu tava com calor. Não, é a diferença entre o número de mortes que acontece no período e o que era esperado para aquela época se fosse uma situação normal.

Aconteceu alguma coisa diferente que mudou o perfil da situação daquele momento, a diferença entre o que se espera de mortes naquela época do ano contra o que tá acontecendo. E essa é uma forma de medir o impacto real desse evento, porque o calor mata indiretamente também, né, ou indiretamente mesmo, ou seja, agrava doença do coração, doença renal, problema respiratório. Ou seja, quem é mais frágil já sofre e pode morrer por causa disso.

Então, olha só, na França Foram 2.025 mortes, com aumento nítido de pessoas acima de 45 anos, e a maioria morreu dentro de casa, 91% em relação à semana anterior. Ou seja, não acontece no sol, não acontece no calor direto, acontece dentro de casas que não estão adaptadas para resistir a esse tipo de temperatura. Na Bélgica, 1.200 mortes, e o Ministério da Saúde classificou como um evento sem precedentes. Nos Países Baixos, 480, principalmente aí nesse local, pessoas acima de 80 anos.

Bom, os especialistas em meteorologia estão concluindo que, desculpe, uma onda de calor dessa intensidade tão precoce é a prova da mudança climática causada pela ação humana. Não tem como alguém negar isso, né? O mesmo tipo de circulação atmosférica que existia no passado tá integrando temperaturas muito altas, porque a linha de base já começa alta. E a OMS reforça que a Europa é o continente que mais rápido vem se aquecendo, é o dobro da média global.

Bom, e o Brasil nessa história? A gente tem que pensar, o El Niño não atua na Europa, Mas estamos vivendo talvez o que possa vir a ser o maior El Niño da história. O Brasil tem uma previsão de calor extremo, seco, chuvas em excesso no sul, é verdade, mas uma área muito grande com seca, queimadas. Então doenças crônicas, doentes crônicas, crianças pequenas, quem tá exposto ao sol são mais vulneráveis. Então hidratação constante, ambientes frescos, e principalmente, gente, Vamos nos preparar e criar redes de apoio, ou seja, para que sejam olhadas aquelas pessoas que moram sozinhas, principalmente os idosos.

E a gente tem que se preparar para isso. As cidades têm que definir agora o que vai funcionar, o que não vai funcionar, o que vai parar, qual é a escola, se obra vai ter, se não vai ter, o que que vai acontecer quando acontecerem as ondas de calor, que provavelmente já a previsão já tá muito clara nós vamos ter que enfrentar o início do ano que vem. A hora de discutir isso é agora, no inverno. Não é esperar acontecer, né, gente?

MMilton

Que fique o alerta, Doutor Luiz Fernando Corrêa, mais uma vez para todas essas questões que nós estamos vendo acontecer nesse momento, porque não é algo, uma previsão do que será no futuro, é algo que está acontecendo agora. As pessoas infelizmente estão morrendo nesse momento por causa disso. Muito obrigado, um bom dia.

LFLuis Fernando Correia

Bom dia para você, Milton Cássia, e todos os ouvintes. Bom dia, doutor.