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EUA iniciam audiências decisivas sobre tarifas para exportações brasileiras

06 de julho de 20265min
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Maria Cristina Fernandes analisa os bastidores das audiências americanas que definem o futuro das tarifas sobre os produtos brasileiros. A especialista explica o papel de Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Ouça para entender mais!

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Participantes neste episódio1
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Maria Cristina Fernandes

ComentaristaEspecialista
Assuntos3
  • Aumento de tarifas de importação no BrasilAudiências públicas nos EUA · Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA · Flávio Bolsonaro · Paulo Figueiredo · Marco Rubio · Donald Trump · Luiz Inácio Lula da Silva
  • Estratégias de Flávio BolsonaroSuspensão de tarifas · Taxas de cartão de crédito · Pix · Sanções Magnitsky · Gilmar Mendes
  • Questão de soberania brasileiraPrejuízo ao consumidor e economia americana · Superávit brasileiro · Negociação bilateral · Agilização de patentes · Organização Mundial do Comércio
Transcrição3 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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MCMaria Cristina Fernandes

Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes. Comentário da Maria Cristina hoje gravado. Fala, Maria Cristina. Boa tarde, Tati, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Começaram hoje as audiências públicas no Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos, que é um órgão responsável pela aplicação de tarifa de 25% às exportações brasileiras que se destinam àquele país. É um processo que começou há um ano, está baseado numa seção, a 301, da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que pune a prática de comércio desleal.

E tem seu desfecho marcado para acabar no dia 15, quando será definido se as tarifas serão ou não aplicadas. As investigações estão sendo conduzidas por este escritório, mas a decisão será tomada por Trump e será, portanto, política. É nisso que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato para ele à presidência da República, tá apostando. Ele e o influenciador Paulo Figueiredo estão entre os muitos depoentes que vão começar a falar hoje.

Na verdade, o Flávio falou já hoje pela manhã e Paulo Figueiredo vai falar amanhã. Essa participação veio de uma carta enviada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que apelava pela suspensão da tarifa. Rubio respondeu que fossem bater em outra freguesia porque o tema não era dele. Então são dezenas de depoentes do setor privado. O governo não Floripa, a participação brasileira é na negociação bilateral. Cada um dos depoentes das duas sessões de hoje, de amanhã, só fala 5 minutos.

Então, para entender melhor o ponto de cada um, é melhor se basear no memorando que foi enviado tanto por Flávio quanto por Paulo Figueiredo. São complementares e convergem no apelo para que as tarifas sejam suspensas, porque o único beneficiário delas tem sido o presidente Lula, que tem sido capaz de explorar o dano ao interesse nacional em seu favor, ou seja, o apelo da soberania. O argumento é quase uma confissão de culpa do bolsonarismo, que pediu e aplaudiu as tarifas, viu que deu ruim e resolveu correr atrás do prejuízo.

O memorando de Flávio é política pura. Ele faz umas sugestões meio estapafúrdias, como a de as taxas de cartão de crédito possam vir a ser suspensas para que as bandeiras americanas de cartão concorram em pé de igualdade com Pix. Ora, a taxa é a forma com as quais as bandeiras americanas se remuneram. Se elas forem suspensas, quem é que vai remunerá-las? O Tesouro brasileiro? Se for, caro ouvinte, será com seu dinheiro. Agora, o mais estapafúrdio de tudo é que ele propôs um adiamento das tarifas para que não sejam aplicadas no período da campanha.

Ou seja, ele tá dizendo o seguinte: segura esse negócio aí, se Lula for reeleito vocês taxam. O Paulo Figueiredo é igualmente estapafúrdio porque ele sugere que o governo americano troque as tarifas pela retomada da Magnitsky, que é aquela sanção que expõe os ativos e o patrimônio de ministro do Supremo Tribunal Federal. Peça— e o pedido dele é para que essa magnítice seja estendida para além da turma que condenou o golpismo e atinja o ministro Gilmar Mendes pela sua militância ativa anti-Lava Jato.

E o governo brasileiro nisso tudo? Bem, tá focado no argumento de que o principal prejudicado será o consumidor e a economia americana, que o Brasil tem um superávit já abundantemente argumentado. Os Estados Unidos têm um superávit com a economia brasileira que já foi muito exposto e tá apostando na negociação bilateral com alguns acenos, como a possibilidade de agilizar a concessão de patentes. E uma outra decisão esta no âmbito da Organização Mundial do Comércio sobre comércio eletrônico, sobre a qual a gente pode falar mais amanhã. É isso, Tati, Fernando, ouvintes, até amanhã, uma boa tarde a todos.

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