Crises internas e embates familiares desafiam campanha de Flávio Bolsonaro
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Cássia
Milton
Lauro Jardim
- Crise na campanha de Flávio BolsonaroDisputas internas entre aliados · Dificuldades na estratégia de comunicação · Atritos com Michelle Bolsonaro · Declarações de Paulo Figueiredo · Dificuldade em montar palanques estaduais · Viagem aos Estados Unidos · Eduardo Bolsonaro · Equipe de comunicação substituída
- Cenário eleitoral com Michele BolsonaroVídeo publicado por Michelle Bolsonaro · Sentimento de raiva em relação aos enteados · Desgaste da campanha por Michelle
- Comunicação e Conflitos nas EmpresasAcusações de sabotagem interna · Críticas à atual equipe de marketing · Demora em responder a ataques · Fiasco do evento em Brasília
- Pesquisa eleitoralCaso do filme do Bolsonaro financiado por Daniel Vorcaro · Estabilidade dos números de Flávio Bolsonaro nas pesquisas · Candidatura comparada a uma represa rachando
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Plantão Lauro Jardim.
Muito bom dia para você, Lauro Jardim.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.
Bom dia, Lauro.
Até sei que você gostaria de entrar nesse papo aqui de seleção brasileira, futebol, etc. Etc. Sei disso, mas a sua missão é mais dura, é falar de política mesmo, daquelas informações que você vem apurando, e dessa crise no PL, na campanha do Flávio Bolsonaro.
Pois é, Milton, a campanha do Flávio Bolsonaro tá começando em crise esses 90 dias que faltam até o dia da eleição, e são várias crises interligadas. Umas são mais visíveis, que são mais óbvias, como a crise causada a partir do vídeo da Michele Bolsonaro publicado 10 dias atrás. Mas tem outras crises também que estão vivas no dia a dia da campanha, só que elas passam meio longe da vista das pessoas, como por exemplo as disputas internas que dividem os vários grupos que orbitam em torno do Flávio Bolsonaro.
Tem também outras peças que estão desajustadas dentro dentro dessa engrenagem. E nesse caso eu tô falando desde os desgastes que causam declarações estapafúrdias, absolutamente estapafúrdias, como a do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, que disse semana passada que mulher não sabe votar, até dificuldades em montar palanques fortes que apoiam Flávio nos estados. É um, então, um somatório de problemas, Milton Kassia, que o Flávio Lula tem diante dele nesse momento para resolver.
Aliás, ele vai tentar descascar pessoalmente um desses abacaxis já na semana que vem, na viagem que ele vai fazer aos Estados Unidos. Ele viaja na segunda-feira. O motivo oficial da viagem é participação dele numa audiência pública promovida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos sobre a proposta sobre taxa de 25% sobre os produtos brasileiros. Essa audiência tem importância para ele, claro, mas ele vai usar também a viagem para se reunir com o Eduardo Bolsonaro, irmão dele, que tem incendiado as redes sociais falando da relação da Michelle, dos problemas da Michelle Bolsonaro.
Se o Flávio vai conseguir segurar o Eduardo Não dá para garantir, vamos ter que ver isso um pouco mais à frente. Provavelmente não vai conseguir, Milton. Quem conhece o clã costuma repetir que ali cada um faz o que quer sem pensar nas consequências. Isso tudo leva a uma conclusão meio óbvia: se artilharia contra a Michelle vai continuar de um lado, nada indica que ela vai sossegar do outro. O sentimento de raiva em relação aos enteados que ela tem transmitido nos últimos dias aos interlocutores dela com toda essa situação é muito grande.
Não dá para imaginar que a Michele Bolsonaro vai, a partir de agora, ir para casa, ficar quietinha, cuidar do marido e ficar olhando a campanha do Flávio de longe. Tudo indica que ela vai arranjar algum jeito de desgastar mais a campanha dele. E como se tudo isso, Milton Kassia, não fosse o bastante, no interior da campanha dele tem uma divisão interna bastante grande também. Tem mais ou menos um mês que toda a equipe de comunicação da campanha do Flávio Bolsonaro foi substituída exatamente por causa disso.
A equipe anterior acusava grupos da campanha de atuar para prejudicá-la. Bom, aí se trocou essa equipe de comunicação, só que as divisões internas permaneceram. A atual equipe de marketing, ela é criticada por aliados do Flávio, gente que tá na campanha, e a crítica é que essa equipe não tá sabendo responder aos ataques da Michele, tá demorando em se posicionar em alguns casos, e dão como exemplo que o Flávio Bolsonaro demorou 5 dias para se posicionar em relação ao comentário machista do Paulo Figueiredo.
Também tem o fiasco que foi o evento que ocorreu anteontem em Brasília, que era o encontro do Flávio Bolsonaro com um grupo de mulheres, que era para ser um momento de resposta do Flávio aos ataques da Michelle, mas acabou sendo um evento acanhado, um evento que não resultou em nada de positivo para o Flávio. Em resumo, Milton, é uma campanha que desde meados de maio, quando estourou o caso do filme do Bolsonaro financiado pelo Daniel Vorcaro, é uma campanha movida basicamente a notícias negativas.
Claro que se pode argumentar que mesmo com essa enxurrada de notícias negativas, os números do Flávio Bolsonaro nas pesquisas, eles não mexeram tanto assim. As mexidas foram mínimas e os outros candidatos da direita ficaram também no mesmo patamar, patamar baixinho de sempre. E que isso mostra a força do Flávio Bolsonaro como candidato. Agora, por outro lado, Milton, me vem à cabeça o que me disse um velho observador da política recentemente.
Ele comparou a candidatura do Flávio Bolsonaro a uma represa rachando e me disse o seguinte: Lauro, a candidatura dele tá acumulando rachaduras que vão se somando. Se a represa vai estourar até o dia da eleição, ainda não é possível saber. É isso, Milton e Cássia, ainda não é possível saber. Então só nos resta acompanhar de perto toda essa movimentação.
Muito obrigado pelas suas informações e a sua análise, Lauro. Um bom dia para você.
Bom dia, Milton. Bom fim de semana para você, para você também, Kácia, para os ouvintes. E eu volto na segunda.
Até mais, Lauro. Bom fim de semana.
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