Miriam Leitão analisa viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA após carta sobre tarifaço
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Miriam Leitão
Cássia
Leandro
- Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUADefesa do adiamento do tarifaço · Flávio Bolsonaro · Carta à Casa Branca · Audiências públicas nos EUA · Dossiê sobre tarifaço
- Tarifas EUA contra BrasilTarifa de 25% sobre importação · Impacto nas empresas brasileiras · Aumento do custo de exportação/importação · Perda de empregos e crescimento econômico · Acusação de desmatamento · Menor taxa de desmatamento desde 1988 · Governo americano não quer ouvir · Tentativas de conciliação e redução da tarifa
- Propostas Econômicas de Flávio BolsonaroLimitar conexão do Pix com sistemas internacionais · Concessão ao governo americano · Erro em defender o Pix
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.
Boa tarde, Miriam.
Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Leandro. Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN.
Boa tarde, Miriam. Miriam, representantes do Brasil e dos Estados Unidos Unidos vão voltar a se reunir na semana que vem para discutir o tarifácio de 25% que tá previsto para entrar em vigor no dia 15 de julho, se não houver acordo. Essa é a discussão oficial. Paralelamente, tem audiências públicas que vão ser realizadas, e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, depois de ter feito um dossier para o governo dos Estados Unidos a respeito do tarifácio, pedindo inclusive para que as medidas fossem adiadas e não canceladas, diz que vai participar de uma dessas audiências, Miriam.
É, exatamente. Tudo agora acontece nessa, nessa, nesse caso das tarifas em duas, dois caminhos. Um caminho é a conversa oficial entre o governo americano e o governo brasileiro. Outras são as audiências públicas. As pessoas ou entidades que quisessem falar na audiência pública, que é para ouvir o setor privado, para ouvir pessoas que não são do governo, elas tinham que se inscrever. E aí o senador Flávio Bolsonaro se inscreveu e ontem ele já mandou o dossiê com o que ele vai defender lá.
E ele vai defender, foi uma surpresa, foi uma surpresa. Primeiro ele entrar nessa conversa agora porque ele tinha comemorado antes quando começaram as tarifas a serem aplicadas ao Brasil e quando começou esse processo de investigação. Quero lembrar que esse processo de investigação Pela Seção 301 da Lei de Comércio Americana, foi iniciada com a acusação do governo Trump no meio de uma postagem do presidente Trump dizendo que era por causa do processo contra Jair Bolsonaro.
O Brasil foi acusado de diversas coisas, nós temos falado sobre isso aqui. O que o senador fez, o então deputado Eduardo Bolsonaro, comemorar essa punição ao Brasil, essas tarifas e essa investigação. Agora ele vai lá para dizer que não aplique agora a punição. Veja, é uma punição que vai afetar as empresas brasileiras. As empresas vão ter dificuldade de exportar, vai ter o aumento do custo da exportação, o aumento do custo da importação de produtos brasileiros.
Isso pode significar perda de empregos. Perda de crescimento da economia brasileira. Isso é um ato hostil à economia brasileira. E o que que o senador Flávio Bolsonaro diz? Não, não aplica agora não, porque agora tá ajudando o meu adversário na eleição. Foi exatamente isso que ele disse no texto. Ele foi claro, ele falou que o timing está errado, ou seja, a hora da aplicação. Então ele pediu o adiamento dessa aplicação dessas medidas, que são medidas Não apenas hostis, mas injustas, porque ele está acusando o Brasil de quê?
De desmatamento. Mas o desmatamento tem caído. Cresceu quando? No governo do pai do senador Flávio Bolsonaro. Naquela época o desmatamento subiu. Agora ele vai cair esse ano. O ano é para efeito de cálculo de desmatamento é metade do ano com metade do outro ano, ou seja, 2026, para efeito do ano de desmatamento, termina agora. E os dados prévios são excelentes. O Brasil terá a menor taxa de desmatamento desde 1988, quando começaram as florestas a serem monitoradas no Brasil pelo INPE.
Então, a gente tem vários argumentos. O Brasil levou vários argumentos. O que que eu tenho conversado com os negociadores Cássia e Leandro, que vão para essa conversa. Eles sabem que— eles dizem que o governo americano não quer ouvir. Eles apresentam dados, eles não querem ouvir, mas eles não vão desistir da diplomacia e eles vão apresentar mais tentativas de conciliação. Eles pelo menos buscam uma redução da tarifa. A tarifa orientada pelo USTR, o escritório comercial da Casa Branca, é de 25%, né, é de 25%.
E além disso tem um outro processo que pode ter mais uma tarifa de 12,5% que vai se acrescer, vai somar a essa, e que vai se somar às tarifas já existentes, que são as tarifas básicas do comércio. Ou seja, é muito prejudicial a economia brasileira, é injusto. E o que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República do Brasil, diz Adia um pouco, mas não aplica agora não, porque agora você tá prejudicando a minha eleição, a minha campanha. É disso que se trata, Cássia e Leandro.
Tem um efeito rebote que é reforçar o discurso de soberania nacional que o presidente Lula vem adotando nos seus discursos. Agora eu te pergunto, o governo brasileiro, a informação é de que não manda representante para essas audiências específicas da semana que vem, né?
Porque já tá na mesa de negociação. É, exatamente, porque são duas trilhas, como eu expliquei no começo, né? Tem a trilha da audiência pública, que é para ouvir as empresas, setores empresariais, pessoas interessadas não governamentais. E tem a conversa da negociação diplomática, que se dá na trilha da conversa entre o E o Seara, o escritório, né, que é presidido pelo Jameson Greer, e as autoridades brasileiras. Eu tô em contato com os nossos negociadores, eles contam uma coisa assim, eu sei que meu tempo tá acabando, que eles chegaram lá um belo dia e falaram assim: vem cá, vocês estão falando de desmatamento, a gente quer realmente eliminar o desmatamento no Brasil.
O que que vocês acham? O que que vocês querem exatamente? Que a gente aumente o dinheiro para o Ibama? 'Que a gente aumente o dinheiro do Fundo Verde, que a gente aumente o dinheiro, que a gente aplique melhor, de outra forma, o dinheiro do Fundo Amazônia. O que que vocês querem exatamente?' E eles não deram resposta a perguntas concretas em cada item desses. O PIX, por exemplo, e aí última palavra sobre PIX também na carta, no dossiê de de Flávio Bolsonaro, que eu conversei mais cedo com a Cássia.
Ele fala que ele propõe uma lei para limitar a conexão do Pix com sistemas internacionais. Então ele tá propondo uma limitação ao Pix como concessão ao governo americano. O que que você pode fazer sobre Pix? Nada. Defender o Pix? Esse é o ponto. Então, o senador Flávio Bolsonaro tá errado redondamente em todo esse caso.
Miriam Leitão, muito obrigada pela análise. Um ótimo fim de semana para você.
Para vocês também.
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