'Carta de Flávio Bolsonaro ao governo americano tem tom altamente vassalo'
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Viva Voz com Vera Magalhães.
Vera, oi Sardenberg, boa tarde para você, boa tarde para Cássia, para todo mundo que nos ouve, nos assiste.
Boa tarde, Vera.
Em áudio e vídeo, Vera. O assunto é, digamos assim, a tentativa dos esforços do senador Flávio Bolsonaro e na contenção de danos, né, da sua campanha. E ele mandou uma carta ao governo americano, um documento ao governo americano, pedindo adiamento do tarifácio. Você acha que vai funcionar alguma coisa?
Me pareceu mais um documento altamente equivocado e que denota uma total falta de conhecimento de relações diplomáticas, de conhecimento de relações comerciais, conhecimento de conceitos básicos como o de soberania de um país e de péssimo assessoramento por parte do senador Flávio Bolsonaro. O Sardenberg mandou um documento ao USTR, que é o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos, num tom altamente vassalo, não tem outra palavra para descrever, quase implorando para que eles não cancelem as tarifas contra o Brasil, mas para que adiem para depois da eleição, para que isso não ajude o presidente Lula.
Parece um documento de um menino pedindo para um adulto fazer alguma coisa para ele, não de um candidato à presidência da República de um país soberano. Diz que as tarifas dariam ao atual governo exatamente a vitória política que ele vem buscando. Ao mesmo tempo que puniriam a economia. Olha a ordem americana, a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação benéfica. Aí diz que tem os Estados Unidos, tem uma tradição de não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada.
Ou seja, é a lógica é altamente eleitoreira, onde a ação corre o risco de ser retratada como uma tentativa de influenciar o resultado. E depois ele sugere que deixe para depois da eleição.
É, eu acho que é a parte mais— que é uma loucura, entrega, né? Quer dizer, você fala, não é que a tarifa seja ruim, não é que o tarifácio seja uma política ruim, simplesmente adia até as eleições, né?
Deixa para depois. Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização, ou seja, tá beleza, Depois da eleição tá tudo bem, tá beleza, pode mandar tarifa de 25% extras, além da tarifação que já existe, em cima de produtos brasileiros. Quer dizer, quem tá assessorando o senador Flávio Bolsonaro talvez esteja torcendo no seu íntimo para a vitória do Lula, porque só tiro no pé. Todas as tentativas do Flávio Bolsonaro de fazer algum contato, alguma mediação com o governo dos Estados Unidos sempre denotam essa certa subserviência em relação ao governo Donald Trump.
E isso já está prejudicando a candidatura dele. As pesquisas já mostram, elas já fazem perguntas específicas a respeito desse tema, sempre com respostas negativas para a campanha. Então eles mexeram no marketing, mexeram ali no entorno, que a assessora também, do ponto de vista do conteúdo, a candidatura do Flávio Bolsonaro, mas eles continuam incorrendo nesses mesmos erros que derivam, a meu ver, de uma visão mesmo. Eles acham que o Brasil tem de ter uma relação positiva com Trump, que o Trump pode ajudar inclusive os interesses da família, e para isso não se furtam a adotar uma postura bastante submissa em relação à Casa Branca.
E rapidamente aqui para a gente comentar também, Vera, em relação a outra frente de crise da campanha de Flávio Bolsonaro, né, todo impasse que ele tem nesse momento com a Michele Bolsonaro. Ontem foi realizado um evento com lideranças femininas do PL, e era um evento em que ele tinha expectativa, o Flávio Bolsonaro, de alguma forma de fazer as pazes com a Michele. Isso não aconteceu. Ele ainda teve que ficar rebatendo aquela declaração infeliz de um aliado do Paulo Figueiredo.
É, e que ele demorou muito a rebater, demorou mais de 48 horas. Quando rebateu, ele dá um apertadinho, um sopro logo em seguida, porque ele disse que o Paulo Figueiredo é muito importante para defender a agenda da família nos Estados Unidos. Então ele quase tá constrangido de dizer que repudia aquela declaração, e ele acabou chamando a Michelle de desinformada ao comentar o vídeo dela. Então ele ainda comprou mais treta com ela.
A Damares Alves e a Teresa Cristina, que são as duas as principais lideranças femininas da direita no Congresso não compareceram porque se sentiram ofendidas tanto em relação à Michele quanto com essas declarações. E você vê a dificuldade dele de falar ao público feminino, né? E isso é outro calcanhar de Aquiles que as pesquisas apontam muito claramente. Quando você vê que num evento recente, ao tentar enaltecer a senadora Tereza Cristina, que é sua colega do Senado, e que tem a idade do pai dele, ele a chamou de vózinha.
E isso nem tava na moda ainda, o goleiro de Cabo Verde, ele chamou, ele disse, eu chamo ela carinhosamente de vózinha porque ela me lembra muito a minha avó. O senador Flávio Bolsonaro parece um menino ali quando ele faz aquela dancinha do bonecão do posto, mas ele é um homem de 45 anos, um senador da República assim como ela. Ela tem 72 anos, portanto ela tem 27 anos a mais que ele. Ela jamais poderia ser a avó dele, ela tem a mesma idade do pai dele, mas ele a enxerga, a ela, uma liderança, uma grande liderança do agro, maior liderança feminina do agro brasileiro, como uma vózinha.
Então esse tom condescendente e bastante ali pejorativo em relação às mulheres, ele sempre transparece quando eles tentam até fazer afagos às mulheres. Então foi um tiro que saiu pela culatra, Cássia.
Obrigado, Vera. E até amanhã. Tem hoje? Tem ponto final hoje?
Hoje tem um rápido ponto final de 10 minutos às 7 da noite. Espero todo mundo. A gente vai comentar os assuntos do dia ali rapidinho.
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