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Conheça ‘Audição’, de Katie Kitamura, autora que estará presente na FLIP em julho

02 de julho de 20267min
0:00 / 7:26
José Godoy apresenta o romance “Audição” de Katie Kitamura, que virá para o Brasil para participar da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) em julho. O especialista anuncia também o livro do mês: “As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita”, da escritora russa de origem azerbaijana, Egana Djabbárova. Ouça!

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Participantes neste episódio3
J

José Godoy

HostJornalista
F

Fernanda

ConvidadoAdvogada familista
T

Tati

ConvidadoApresentadora
Assuntos2
  • Assassinato de Brian Keith Maggiore e Katie Lee· SociedadeKatie Kitamura · FLIP · Prêmio Pulitzer · Booker Prize · Instabilidade da memória · Xavier · Tris · Thomas
  • Escrita feminina e legado familiarEgana Djabbárova · Rússia · Azerbaijão · Identidade · Preconceito · Desejo
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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JGJosé Godoy

Wayfair, every style, every home. Clube do Livro CBN com José Godói.

?Voz C

Pois é, boa tarde.

JGJosé Godoy

Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernanda. Boa tarde, os ouvintes.

?Voz C

Tá lá na minha pilha esse aí, tô louca para te ouvir, para poder tirá-lo de lá rapidamente, começar minha leitura. Audição de Keiichi Kitamura. A autora que vai estar na Flip, né, Zé?

JGJosé Godoy

Vai, vai estar na Flip. É um dos grandes livros do ano passado no mercado em língua inglesa. Ele foi finalista do prêmio Pulitzer, foi finalista do Booker Prize. É um livro muito instigante que eu acho que vai fazer barulho durante esse mês e com a vinda dela acho que vai convidar muitos ouvintes aí e o pessoal que vai acompanhar a feira para leitura. Esse é um livro que é um tipo de ficção que tem cada vez mais se repetindo agora mais recentemente, muitas vezes por meio de escritoras mulheres que deixam essa tradição realista, né, de você escrever um livro para que o leitor tenha a sensação de que as coisas têm acontecido exatamente do jeito que é relatado, né.

E na verdade o que essas escritoras querem fazer é justamente ao contrário, mostrar a instabilidade da memória e a pouca confiabilidade mesmo do relato, né, ou de quem conta um relato. Acho que livros assim, acho que é uma das grandes potências da ficção essa possibilidade de a gente poder imaginar versões de um mesmo fato, interpretações sobre o mesmo fato, caminhos de uma trajetória que às vezes se contradizem. E eu acho que é muito nesse vão que a Kitamura escreve o "Audição".

É um livro que tem uma trama que estrutura a narrativa, a história de uma atriz de meia-idade, bem-sucedida. O livro se passa em Nova York, o romance abre com ela num restaurante da cidade esperando uma pessoa com quem ela vai almoçar. Que é um jovem chamado Xavier, Xavier se você falar espanhol, que é um jovem, um homem bem mais novo que ela, com quem ela vai se encontrar e que ele vai falar para ela que na verdade ele marca esse almoço porque ele foi adotado e ele tem fortes indicações de que ela seria a mãe biológica dele.

Coisa que ela nega, fala que isso é impossível. Mas com o desenrolar da narrativa, o Xavier vai se aproximar dela. Ela está ensaiando uma peça na cidade. O Xavier vai se aproximar, vai virar assistente da diretora e vai manter ali uma convivência, uma proximidade dela. A narrativa nesse ponto vai caminhar muito nesse, em dois polos, né? Tanto a questão dessa montagem, né? Desse dia a dia da montagem, A diretora, a atriz, que é a narradora do livro e a escritora da peça, e o Xavier, que está girando em torno delas, e a vida privada dela com o marido dela, o Thomas, que é uma relação antiga, e ela vai contando um pouco desse rapaz que aparece.

Até que a diretora da peça fala que tá bom, a conversa tá boa, mas vamos começar, vamos começar o ensaio. Nisso tem um corte na narrativa e começa a segunda parte do livro, onde os personagens seguem os mesmos, mas os papéis estão alterados e, por consequência, a dinâmica entre eles. Agora a narradora, a Tris, e o Thomas continuam casados, mas eles vivem numa casa junto com Xavier, que volta pra casa e que na verdade é filho deles.

E aí ela começa a tratar muito dessa relação, Essa relação com esse filho, com esse rapaz que é o filho dele, que também tem uma carreira artística. E aí a gente vai a todo momento se questionando quais são as versões, qual que é a versão real dessa história, qual que é a verdade objetiva dessa história. Então ela vai construir toda essa ficção dela nessas dinâmicas, sempre sobre aquilo que a gente lê, sobre o quanto que isso pode ser considerado fidedigno, o que está sendo narrado, e quando você tem mais uma versão Qual dessas versões a gente compra?

Ou a gente não compra nenhuma? Ou a gente compra todas? É um livro muito instigante, assim, escrito com maestria, assim, ela domina muito a técnica narrativa, assim, então é um livro muito agradável de ler, ele vai te incomodando e vai te convidando a todo momento, um livro curto, assim, desses que eu li numa sentada e que recomendo bastante aí para os nossos ouvintes, nossas ouvintes e leitores.

?Voz C

Legal demais, tô super afim, quero ver ela falar também na Flip. Vou ver se eu consigo. Faz aquele resumo para gente, Zé, para facilitar a vida do nosso ouvinte, por favor.

JGJosé Godoy

Tati, eu falei aqui hoje da Kate Kitamura, né, autora americana que vem agora para o Brasil no final do mês para participar da Flip. Falei de Audição, que é o livro dela mais recente, quinto romance dela, né. A tradução é da Érica Nogueira Vieira e a editora é a Fósforo.

?Voz C

Muito bem.

JGJosé Godoy

Vou anunciar um livro aqui também para julho. Ah, vamos lá! Mais um para ir para pilha aí, minha gente.

?Voz C

Ai, meu Deus!

JGJosé Godoy

Eu falei algumas semanas atrás, né, a gente até conversou bastante da Renée Karabásh, que é aquela autora búlgara que escreveu sobre Albânia, né? E eu vou escrever, e esse livro do mês vai ser mais ou menos nessa praia. Eu vou falar da Igana Javarova, que veio para o Brasil agora para a Feira do Pacaembu. Vou falar do romance dela, As Mãos das Mulheres da Minha Família. Não era um destinadas à escrita. A Djabarova é russa, mas de origem do Azerbaijão, então vai ser muito essa tensão dessa cultura azerbaijana dentro dessa potência enorme daquela região que é a Rússia.

Uma discussão interessantíssima sobre identidade, preconceito, desejo, tá tudo dentro disso nesse livro que eu volto a falar na última sexta de junho.

?Voz C

Legal demais! Zé Godái tá com a gente toda quinta-feira No nosso clube do livro. Valeu, Zé. Beijo para você. Até a semana que vem.

JGJosé Godoy

Tchau, Zé. Tchau, tchau. Valeu.

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