Episódios de Comentaristas

Sanções dos EUA contra suspeitos de ligação com o PCC acendem alerta para bancos brasileiros

02 de julho de 20267min
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Míriam Leitão explica que o principal risco é uma eventual punição a instituições financeiras que, sem conhecimento, mantenham relação com pessoas investigadas e alerta para os impactos da redução da cooperação entre autoridades brasileiras e americanas.

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Participantes neste episódio3
M

Miriam Leitão

HostJornalista
B

Beatriz Pacheco

Co-hostJornalista
C

Carlos Eduardo Éboli

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • CV e PCC como ameaças à segurançaRisco para bancos brasileiros · Vitor Shimada · PCC · Lincoln Gacchia · Cooperação Brasil-EUA
  • Classificacao Faccoes TerroristasRedução da cooperação entre autoridades · CIA
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MLMiriam Leitão

Dia a dia da economia com Mirian Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão.

?Voz C

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes.

?Voz D

Bom dia, Miriam.

MLMiriam Leitão

Desde ontem estamos acompanhando no noticiário as informações a propósito das sanções aplicadas pelos Estados Unidos contra brasileiros suspeitos de ligação com o PCC. E à medida que as informações foram surgindo, apareceu também preocupação em relação a punições ao sistema bancário, sistema financeiro aqui no Brasil. Nos ajuda a entender essas relações todas?

?Voz C

É, pois é, Milton, é a preocupação. O Brasil não tem nenhuma intenção, né, o governo brasileiro, né, as autoridades brasileiras, de proteger nenhum criminoso. E o Vitor Shimada, que é um dos, uma das pessoas, são duas pessoas e empresas deles que foram receber a sanção. Por acusação dos Estados Unidos de ligação com o PCC. Esse Vitor Shimada, por exemplo, está sendo investigado no Brasil por vários assuntos, está respondendo processo por vários assuntos, inclusive violência doméstica.

Mas qual é o risco? Isso é o que explica o Lincoln Gacchia, promotor em São Paulo muito conhecido, um homem que dedica sua vida ao combate ao PCC. Ele explica o seguinte: O risco é que haja uma ligação dessa empresa ou dessa pessoa, que haja ligação com um banco brasileiro e que o banco não saiba disso. Aí você pode perguntar: mas o banco não deveria saber? Sim, o banco deveria saber e o banco faz tudo para saber. Quer dizer, um banco que faz tudo certo, que cumpre a lei, que está dentro da legalidade, ele tem sistema de compliance.

Nesse tema de compliance, tem regras para saber quem é o cliente, de onde ele vem, que tipo de antecedentes tem. Mas tem limites, ele pode não ter capacidade de verificar. Desde que aconteceu esse processo, essa ameaça americana de declaração de terroristas para as organizações brasileiras, principalmente PCC e Comando Vermelho, os bancos estão aumentando o controle do do compliance, mas nem sempre é possível detectar. Então o temor, e o próprio Lincoln Gacchia fala disso, e tem lá no meu blog matéria, entrevistas feitas com ele pela Luciana Casimiro, que trabalha comigo.

A gente tem lá no blog, a gente tem sempre contato com Lincoln Gacchia porque ele é a pessoa que entende disso e passou muito tempo trabalhando na cooperação entre os dois países, na troca de informação. Então o que ele diz? O risco é que de repente uma grande empresa brasileira um grande banco brasileiro receba essa sanção. Qual é a punição? É que o mercado americano é inevitável, ele, você tem que, para fazer negócio, você vende papéis lá, compra papéis de lá.

Então o mercado financeiro é globalizado, o mercado americano é um centro fundamental. Então você cria problemas e dificuldades para organizações financeiras brasileiras. E Lincoln Gacchia repete isso, e no Ministério da Fazenda, no Banco Central, se houve a mesma coisa. Essa é a preocupação, é que inadvertidamente alguma instituição financeira sólida, importante, tenha negócios com, tenha como entre os seus clientes um, uma, alguém ligado ao PCC.

Esse específico, Vitor Shimada, não tem uma, segundo Lincoln Gacchia, não tem comprovação, não sei, eles não têm informação de que ele tá ligado ao PCC. Seria muito mais razoável que as autoridades americanas informassem: olha, a gente tem essa suspeita aqui, olha esse indício aqui. Aí o que que faz a autoridade brasileira? Ah, tá bom, então vou investigar aqui, mando para você informação. E essa informação sempre circulou de forma rápida entre as autoridades policiais, entre o Ministério Público brasileiro e as autoridades do FBI, da polícia de antidrogas americana.

E agora esses canais estão sendo obstruídos para vir de repente uma informação, uma sanção. Essa que é a preocupação, né, da ligação entre um suposto lavador de dinheiro do PCC, né, que deve sim ser investigado, deve sim ser punido, mas o risco é bater no mercado financeiro brasileiro, Cássia.

?Voz D

E essa é uma das principais consequências de as organizações criminosas brasileiras terem sido transformadas em organizações terroristas. A partir desse novo rótulo, essa colaboração que você mencionou deixa de existir, né, Miriam?

?Voz C

Deixa de existir. E o Gaki explica isso, porque sai das autoridades policiais, FBI, DEA, as organizações de combate à imigração ilegal ou drogas e passa para a área de inteligência de estado, ou seja, CIA. E a CIA não coopera com ninguém, ela não transfere informação, ela não troca informação, ela age da perspectiva do governo americano sem nenhum compartilhamento de informação. Essa falta de compartilhamento de informação é um atraso para as investigações contra esses mesmos criminosos.

Então é contraproducente, além de ter, arriscar, e além de ter o risco de criar alguma turbulência no mercado financeiro brasileiro.

MLMiriam Leitão

Muito obrigado, Miriam. Bom dia e até logo mais, meio-dia.

?Voz C

Até mais tarde. Até.