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Taxa de juros elevada dificulta a vida de inadimplentes

02 de julho de 20266min
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A taxa média de inadimplência no Brasil bateu recorde da série histórica em maio e chegou a 4,7%. Carlos Alberto Sardenberg afirma que, com a taxa de juros elevado, é difícil encontrar uma solução. 'O problema é grave e só um crescimento mais acentuado da economia, a redução do déficit público, permitindo o Banco Central reduzir os juros, é que vai ter uma solução, mas isso mais lá na frente'.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
K

Kácia

Co-host
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Inadimplência BrasilTaxa média de inadimplência em maio · Recorde da série histórica do Banco Central · Crédito para famílias · Crédito rural · Cheque especial · Cartão de crédito rotativo · Crédito pessoal não consignado
  • Inadimplencia AgronegocioCrescimento econômico acentuado · Redução do déficit público · Redução da taxa de juros pelo Banco Central · Programa Desenrola 2
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CACarlos Alberto Sardenberg

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Muito bom dia para você, Carlos Alberto Sardenberg.

CACarlos Alberto Sardenberg

E aí, Milton, Kácia, bom dia, bom dia, ouvintes. Bom dia, Carlos Alberto.

CACarlos Alberto Sardenberg

Como promessa é dívida, você vai pagar sua dívida agora, Carlos Alberto. Porque ontem, no finalzinho do CBN Brasil, você trouxe a informação sobre dados do Banco Central que mostram a taxa média de inadimplência nas operações de crédito, que voltou a subir no mês de maio, patamar, chegando agora a 4,7% ao mês, o maior patamar da série histórica do Banco Central. E aí você trouxe a informação, está terminando aqui, mas amanhã eu vou falar sobre esse assunto.

CACarlos Alberto Sardenberg

"Não, agora você vai pagar a sua dívida aqui." Pois é, Milton, do total, o resumo da informação é que do total das operações de crédito concedidas pelos bancos, que chega a R$ 7 trilhões e R$ 300 bilhões, na média, né, a taxa de inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, e considerando atrasos de mais de 90 dias, ela subiu subiu para 4,7%, e é o crédito, e é o recorde da série histórica. Mas essa é a média, e a média, como vocês sabem, como todo mundo sabe, a média esconde certas realidades.

Então, quando você pega, por exemplo, apenas o crédito para as famílias, né, para as pessoas, essa inadimplência já é um ponto percentual superior à média. E quando você pega o crédito rural, essa inadimplência já é de 7,6% 3%, todos esses dados referentes a maio. E note-se, um ano atrás, a inadimplência, quer dizer, os atrasos no crédito rural eram equivalentes a 1,6% do total do volume de crédito. Então saltou de 1,6% do total do crédito para 7,6%.

Então esse é uma Quando a gente ouve esse noticiário, essa reclamação dos agricultores rurais sobre a questão do crédito, eles têm razão. Quer dizer, de fato, a inadimplência no setor rural aumentou muito de um ano para cá. Agora, quando você pega por modalidades de crédito, né, e aí então os valores são bastante diferentes. O setor, quer dizer, o tipo de crédito que registra maior atraso, maior volume de atrasos, o do cheque especial.

Você acredita? Eu pensei que cheque especial ninguém usasse mais, mas muita gente usa o cheque especial e é o que tem o maior índice de inadimplência. Os atrasos chegam a 16% das operações de crédito. Depois vem aqueles tradicionais que nós conhecemos, que é o parcelado do cartão de crédito e o crédito pessoal não consignado, aquele crédito direto ao consumidor. Em maio iniciou o programa do Desenrola 2, né, o programa Desenrola 2, que negociou uma parte, negociou algo como R$15 bilhões, segundo o governo, uma parte dessas dívidas em atraso.

Mas o que esses números revelados pelo Banco Central estão mostrando é que mesmo com o Desenrola, a inadimplência continua. Porque as empresas, quer dizer, as famílias principalmente, estão com a renda muito comprometida. Renda comprometida com prestações e dívidas vai acima de 50%, né? E isso faz com que, quer dizer, você imagina, a pessoa ganhar 5 mil, 10 mil, digamos, e mais da metade desse dinheiro já está comprometido com pagamento de prestações, com pagamento de parcelas de dívida e com outros pagamentos.

Então sobram muito pouco sobra para a pessoa tocar a vida. Então o que acaba sendo é que se faz ali o jogo de atraso, né, atrasa um dia uma coisa, um dia a outra. Mas o fato é que os números do Banco Central mostram que a inadimplência bateu o recorde de 4,7%, considerando a média de todas as operações, e que tá difícil de ver uma solução para isso porque a taxa de juros permanece elevada. Então mesmo quando a dívida negociada, ela permanece com uma taxa de juros ainda relativamente alta, o que dificulta a vida das famílias.

Ou seja, o problema é grave e só um crescimento mais acentuado da economia, a redução do déficit público permitindo o Banco Central reduzir os juros é que vai ter uma solução, mas isso mais lá na frente. Milton e Cássia.

CACarlos Alberto Sardenberg

Perfeito, muito obrigado, Zadenberg. Você até falou aqui, né, nem sabia que o pessoal ainda usava cheque especial. Todo mundo usa cheque, né, mas o cheque especial muita gente ainda está usando, como esses dados aí estão mostrando, que é o crédito mais caro que se tem aí no primeiro momento, né, e que acaba sendo utilizado.

CACarlos Alberto Sardenberg

O mais caro é o do cartão, né, rotativo do cartão. Esse vai mais de 460% ao ano.

CACarlos Alberto Sardenberg

É, e esse aqui é o mais fácil, né? Vai colocando lá, você nem olha sua conta, vai estourando, estourando, estourando, estourando, quando você vê, aquilo lá virou um buraco sem fundo.

CACarlos Alberto Sardenberg

Exatamente.

CACarlos Alberto Sardenberg

Muito obrigado e até mais, Sardenberg.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até mais, gente, até.