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Tecnologia ajuda a medir desempenho, mas não substitui o olhar humano no esporte e na saúde

02 de julho de 20264min
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Luiz Fernando Correia explica como os sensores utilizados pelos atletas da Copa do Mundo também inspiram dispositivos de monitoramento da saúde e ressalta que os dados precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pessoa.

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Participantes neste episódio1
L

Luiz Fernando Correia

HostComentarista
Assuntos2
  • Atenção Primária à SaúdeRelógios e pulseiras inteligentes · Dados brutos vs. contexto · Ansiedade e falsa tranquilidade · Olhar humano e julgamento
  • A relação humana com a tecnologia e a IATecnologia como ferramenta · Julgamento humano
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LFLuiz Fernando Correia

Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Já repararam aquele colete preto que o jogador da seleção usa debaixo da camisa? Não é uma peça do vestuário, é um sensor, e ele ajuda a decidir quem joga e quem descansa numa Copa do Mundo, por exemplo. Cada colete registra 3 coisas: onde o atleta teve em campo,— pelo GPS, a frequência cardíaca, que mede o esforço do coração, e um índice chamado de player load, que estima o desgaste do corpo.

Os clubes do mundo inteiro usam os mesmos coletes o tempo todo. E eles enviam esses dados à comissão da seleção todos os dias durante o ano, mesmo com jogadores espalhados pelo mundo. Assim, quem acompanha a ciência do esporte daquele time acompanha a velocidade, fadiga e recuperação de cada um, mesmo estando de longe. A FIFA autorizou o uso desses coletes em jogos oficiais desde 2015, e hoje eles ocupam e equipam a maioria das 48 seleções do torneio.

É a mesma tecnologia por trás de muitos aparelhos que você compra na loja às vezes. Até aqui parece que o que tá mandando é o número, né? Mas tem um caso interessante que ensina o contrário. Um jogador foi apontado como de baixo rendimento porque ele tinha corrido cerca de 6 km na partida, quase a metade do que os outros colegas. No papel, era um candidato ao banco. Só que quando a comissão foi ver o vídeo e o que tinha acontecido durante o jogo, mudou tudo.

O atleta estava sempre no lugar certo, na posição tática ideal. Ele correu pouco porque não precisava correr mais. Estava sempre onde a jogada ia acontecer. O dado bruto, só da velocidade e de quanto correu, dizia uma coisa. Agora, o olho do treinador e os vídeos mostravam outra. Então é o seguinte: essa história não vale só para o futebol, vale para sua saúde. Hoje quase todo mundo usa um relógio, uma pulseira, um anel que conta passos, batimentos, mede qualidade do sono.

É a mesma lógica desses coletes da Copa do Mundo e o mesmo risco. O número é uma pista, não é um veredito. O aparelho pode dizer que a sua noite de sono foi ruim, que seu coração acelerou. Isso é uma informação, não é um diagnóstico. A diferença entre duas coisas é enorme e confundir uma com a outra pode gerar ansiedade sem motivo ou até uma falsa tranquilidade. O GPS tem margem de erro de alguns metros, então cada fabricante vai calcular o desgaste do jogador de um jeito diferente.

Por isso, comprar aparelhos distintos leva a conclusões erradas. Isso mostra que o sinal, ou seja, um dado isolado, engana. Você precisa entender esse dado dentro do contexto. E na prática a orientação é simples: se o seu relógio apontou algo estranho, não entre em pânico, mas também não ignore. Leve o dado para o médico, vai olhar o conjunto, ou seja, você no contexto e essa informação do relógio. Foi exatamente esse cruzamento entre o número e o olhar atento que impediu uma seleção de tirar de um time o jogador mais inteligente daquele time que estava em campo.

A tecnologia não substitui o julgamento. Ele informa para facilitar o julgamento. Quem confundir as duas coisas vai errar na Copa do Mundo e errar na clínica também. O dado é um bom servo, mas um péssimo patrão.

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