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Em véspera de campanha, Lula assume riscos ao abraçar Jaques Wagner em evento

02 de julho de 20266min
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Bernardo Mello Franco avalia que Lula tem assumido riscos políticos em sua estratégia para a reeleição, mesmo liderando as pesquisas de intenção de voto. Ele destaca que decisão do presidente de aparecer abraçado ao senador Jaques Wagner em um evento, dias antes de ser liberado para fazer campanha, é uma escolha vista com preocupação.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

HostJornalista
B

Bernardo Mello Franco

ComentaristaJornalista
Assuntos4
  • Estratégia política de LulaApoio a Jaques Wagner · Jaques Wagner · Operação da Polícia Federal · Caso Master · Flávio Bolsonaro · Daniel Vorcaro · Augusto Lima
  • Campanha eleitoral do PTMudança de local para São Paulo · Fernando Haddad · Geraldo Alckmin · Tarcísio de Freitas · Simone Tebet · Marina Silva
  • Cenário eleitoral em São PauloPesquisa Datafolha · Tarcísio de Freitas · Fernando Haddad · Eleição presidencial
  • Situação do PT em Minas GeraisFalta de candidato próprio · Marília Campos
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?Voz C

E aí, Bernardo, boa tarde, Zaninberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes da CBN.

BMBernardo Mello Franco

Boa tarde, Bernardo.

?Voz D

Bernardo está na redação da CBN no Rio de Janeiro, nos acompanha então aqui em áudio e vídeo. Bernardo, assunto é a campanha do Lula, campanha dos primeiros passos da campanha, primeiros passos não, que ele tá em campanha faz tempo, né? Mas os preparativos para convenção do PT e a sua análise, Bernardo.

?Voz C

Pois é, Sardenberg, a gente acaba falando muito da campanha do Flávio Bolsonaro, né, que tá imersa numa série de crises. Eduardo brigando com Michele, Michele brigando com Flávio, Flávio brigando com Paulo Figueiredo. E falta um olhar para campanha do Lula, que é candidato à reeleição, que aparece à frente nas pesquisas, mas que tá longe de ter a vitória garantida em outubro. O presidente Lula, Sardenberg, talvez não concorde com essa afirmação, porque ele tá assumindo alguns riscos que têm preocupado aliados dele.

Um dos riscos assumido publicamente ontem, quando ele foi a Salvador, na Bahia, participar de algumas solenidades, entregas do governo, reforma do Teatro Castro Alves, e apareceu abraçado com o senador Jacques Wagner, o mesmo Jacques Wagner que há poucos dias foi alvo de uma operação da Polícia Federal e depois foi derrubado, afastado da liderança do governo. O Lula, durante esse encontro, deu um abraço público no Jax Wagner, fez assim um carinho no rosto dele, foto que está estampada nos jornais de hoje, e disse que irmão a gente não escolhe, mas a gente escolhe companheiros.

Ou seja, um gesto público de solidariedade, de apoio a um aliado que saiu da liderança do governo e que é candidato ao Senado, mas que continua enrolado nesse caso do Master. E obviamente isso desperta preocupação entre aliados, Sardenberg, é pelo efeito político que isso pode ter na própria campanha do Lula à reeleição. Ele, por um lado, sai em socorro do Wagner, que tem uma eleição mais complicada agora na Bahia, mas por outro lado também dá munição para os seus adversários para colarem o governo atual no escândalo do Master ou para Na hipótese mais benigna, o Flávio Bolsonaro dizer que, olha só, vocês estão me acusando de ser chapa do Daniel Vorcaro, mas aí o aliado de vocês também teve relações estranhas, relações impróprias com um sócio do ex-banqueiro, né, o empresário Augusto Lima.

O outro ponto que eu queria falar é sobre a convenção do PT, convenção que estava prevista para acontecer em Brasília e que nesta semana Foi mudada para a cidade de São Paulo. Vai ser no dia 2 de agosto, portanto exatamente daqui a um mês, Sardenberg. E a convenção é aquele momento em que a candidatura é oficializada, né? O candidato faz aquele discurso público, apresenta sua plataforma, mostra os aliados no palanque. E por que essa mudança?

O discurso oficial é o seguinte: olha, São Paulo é o berço do PT, é lá que o partido tem as suas raízes, Também é o berço político do Geraldo Alckmin, que vai ser mais uma vez candidato a vice-presidente. Mas por trás disso, o que se tem de fato é uma preocupação com a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo paulista. Candidatura que está enfrentando dificuldades nas pesquisas, né, com a desistência de outros candidatos.

O cenário mais provável hoje na cabeça dos políticos é de uma reeleição do governador Tarcísio de Freitas já no primeiro turno. E portanto, o Lula leva o seu palanque para São Paulo numa tentativa de dar visibilidade, dar um impulso para essa campanha do Haddad, é que vem complicada. O Haddad conseguiu, é fato, fechar uma chapa para o Senado, anunciou na semana passada as ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva como candidatas ao Senado, mas ainda tá brigando com as pesquisas, especialmente com um problema histórico que o PT tem no interior de São Paulo.

Se der tempo, só uma nota final, Sardenberg. A gente está a menos de 100 dias da eleição e o PT ainda não tem candidato, ainda não tem palanque montado no segundo maior colégio eleitoral do país, que é Minas Gerais. Na semana passada foi tomada uma decisão de candidatura própria do PT, mas a pessoa mais cotada para isso, que é a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, ela simplesmente diz que não quer ser candidata que o negócio dela é concorrer ao Senado.

Então Lula ainda tem mais esse abacaxi para descascar até a convenção do dia 2 de agosto.

BMBernardo Mello Franco

E para falar uma última coisa aqui a respeito de eleições em São Paulo que você mencionou, Bernardo, no próximo domingo a gente vai ter uma pesquisa Datafolha com dados inéditos focados no cenário político aqui do Estado de São Paulo. Então a gente vai ter a pergunta sobre a intenção de voto no Estado em relação à presidência da República e também o cenário para o governo de São de São Paulo, né, disputa do Tarcísio de Freitas com Fernando Haddad, também votação do Senado. Tudo isso na pesquisa Datafolha que sai agora próximo domingo.

?Voz C

E como é óbvio, Cássia, a eleição de São Paulo tem muita influência na eleição nacional. É o maior colégio eleitoral do país, é o estado economicamente mais importante, politicamente mais forte. E para o Lula, um cenário de vitória do Tarcísio no primeiro turno seria muito ruim, porque ele ficaria sem um palanque montado É para fazer a sua campanha de segundo turno, imaginando que a campanha presidencial vai para o segundo turno.

E além disso, o Tarcísio, na hipótese de reeleito, ficaria livre para pedir voto para o Flávio Bolsonaro. Aí tem outra questão: se o Tarcísio vai querer pedir voto para o Flávio, essa já é outra novela, enfim, outros capítulos da história.

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