Em véspera de campanha, Lula assume riscos ao abraçar Jaques Wagner em evento
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- Situação do PT em Minas GeraisFalta de candidato próprio · Marília Campos
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E aí, Bernardo, boa tarde, Zaninberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes da CBN.
Boa tarde, Bernardo.
Bernardo está na redação da CBN no Rio de Janeiro, nos acompanha então aqui em áudio e vídeo. Bernardo, assunto é a campanha do Lula, campanha dos primeiros passos da campanha, primeiros passos não, que ele tá em campanha faz tempo, né? Mas os preparativos para convenção do PT e a sua análise, Bernardo.
Pois é, Sardenberg, a gente acaba falando muito da campanha do Flávio Bolsonaro, né, que tá imersa numa série de crises. Eduardo brigando com Michele, Michele brigando com Flávio, Flávio brigando com Paulo Figueiredo. E falta um olhar para campanha do Lula, que é candidato à reeleição, que aparece à frente nas pesquisas, mas que tá longe de ter a vitória garantida em outubro. O presidente Lula, Sardenberg, talvez não concorde com essa afirmação, porque ele tá assumindo alguns riscos que têm preocupado aliados dele.
Um dos riscos assumido publicamente ontem, quando ele foi a Salvador, na Bahia, participar de algumas solenidades, entregas do governo, reforma do Teatro Castro Alves, e apareceu abraçado com o senador Jacques Wagner, o mesmo Jacques Wagner que há poucos dias foi alvo de uma operação da Polícia Federal e depois foi derrubado, afastado da liderança do governo. O Lula, durante esse encontro, deu um abraço público no Jax Wagner, fez assim um carinho no rosto dele, foto que está estampada nos jornais de hoje, e disse que irmão a gente não escolhe, mas a gente escolhe companheiros.
Ou seja, um gesto público de solidariedade, de apoio a um aliado que saiu da liderança do governo e que é candidato ao Senado, mas que continua enrolado nesse caso do Master. E obviamente isso desperta preocupação entre aliados, Sardenberg, é pelo efeito político que isso pode ter na própria campanha do Lula à reeleição. Ele, por um lado, sai em socorro do Wagner, que tem uma eleição mais complicada agora na Bahia, mas por outro lado também dá munição para os seus adversários para colarem o governo atual no escândalo do Master ou para Na hipótese mais benigna, o Flávio Bolsonaro dizer que, olha só, vocês estão me acusando de ser chapa do Daniel Vorcaro, mas aí o aliado de vocês também teve relações estranhas, relações impróprias com um sócio do ex-banqueiro, né, o empresário Augusto Lima.
O outro ponto que eu queria falar é sobre a convenção do PT, convenção que estava prevista para acontecer em Brasília e que nesta semana Foi mudada para a cidade de São Paulo. Vai ser no dia 2 de agosto, portanto exatamente daqui a um mês, Sardenberg. E a convenção é aquele momento em que a candidatura é oficializada, né? O candidato faz aquele discurso público, apresenta sua plataforma, mostra os aliados no palanque. E por que essa mudança?
O discurso oficial é o seguinte: olha, São Paulo é o berço do PT, é lá que o partido tem as suas raízes, Também é o berço político do Geraldo Alckmin, que vai ser mais uma vez candidato a vice-presidente. Mas por trás disso, o que se tem de fato é uma preocupação com a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao governo paulista. Candidatura que está enfrentando dificuldades nas pesquisas, né, com a desistência de outros candidatos.
O cenário mais provável hoje na cabeça dos políticos é de uma reeleição do governador Tarcísio de Freitas já no primeiro turno. E portanto, o Lula leva o seu palanque para São Paulo numa tentativa de dar visibilidade, dar um impulso para essa campanha do Haddad, é que vem complicada. O Haddad conseguiu, é fato, fechar uma chapa para o Senado, anunciou na semana passada as ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva como candidatas ao Senado, mas ainda tá brigando com as pesquisas, especialmente com um problema histórico que o PT tem no interior de São Paulo.
Se der tempo, só uma nota final, Sardenberg. A gente está a menos de 100 dias da eleição e o PT ainda não tem candidato, ainda não tem palanque montado no segundo maior colégio eleitoral do país, que é Minas Gerais. Na semana passada foi tomada uma decisão de candidatura própria do PT, mas a pessoa mais cotada para isso, que é a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, ela simplesmente diz que não quer ser candidata que o negócio dela é concorrer ao Senado.
Então Lula ainda tem mais esse abacaxi para descascar até a convenção do dia 2 de agosto.
E para falar uma última coisa aqui a respeito de eleições em São Paulo que você mencionou, Bernardo, no próximo domingo a gente vai ter uma pesquisa Datafolha com dados inéditos focados no cenário político aqui do Estado de São Paulo. Então a gente vai ter a pergunta sobre a intenção de voto no Estado em relação à presidência da República e também o cenário para o governo de São de São Paulo, né, disputa do Tarcísio de Freitas com Fernando Haddad, também votação do Senado. Tudo isso na pesquisa Datafolha que sai agora próximo domingo.
E como é óbvio, Cássia, a eleição de São Paulo tem muita influência na eleição nacional. É o maior colégio eleitoral do país, é o estado economicamente mais importante, politicamente mais forte. E para o Lula, um cenário de vitória do Tarcísio no primeiro turno seria muito ruim, porque ele ficaria sem um palanque montado É para fazer a sua campanha de segundo turno, imaginando que a campanha presidencial vai para o segundo turno.
E além disso, o Tarcísio, na hipótese de reeleito, ficaria livre para pedir voto para o Flávio Bolsonaro. Aí tem outra questão: se o Tarcísio vai querer pedir voto para o Flávio, essa já é outra novela, enfim, outros capítulos da história.
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