O que Michelle Bolsonaro espera após briga com Flávio Bolsonaro?
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Maria Cristina Fernandes
Beatriz Pacheco
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Wayfair, every style, every home. Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Tati, Fernando. Boa tarde, ouvinte.
Você acha que você vota bem? Ah, mas você é casada, né? No caso, não era o público-alvo aí da declaração infeliz dada pelo Paulo Figueiredo de que mulheres feministas, principalmente as solteiras, não sabem votar. E eu falava mais cedo que essas duas figuras, esses dois homens, representam um campo político que tem a mulher como inferior, né? Basta ver como se manifestam, como agem e principalmente como votam, sobretudo no Congresso Nacional.
E essa contenda toda veio depois do vídeo sobre o qual a gente já falou aqui na semana passada, de Michele Bolsonaro acusando Flávio de ter sido agressivo com ela. Enfim, a questão das mulheres começou a ficar mais em voga a partir desse vídeo. Me pareceu pouco inteligente essa declaração para quem precisa do voto das mulheres, não?
Completamente, tá? Eu tenho os números aqui, que é o seguinte: ele, o senador, hoje, ele nesse encontro que ele promoveu com mulheres lá em Brasília, ele desautorizou o Paulo Figueiredo como porta-voz, disse que não concorda com nada daquilo, que Paulo Figueiredo tem ajudado muito a família lá nos Estados Unidos, mas que esta afirmação Ele não subscreve. Agora, ele vai ter que correr atrás de um prejuízo que não é pequeno, porque o eleitorado feminino, ele supera o masculino em 7,8 milhões de votos.
E tem mais um dado: as mulheres comparecem mais para votar em praticamente todas as faixas de renda. E aquele, aquela faixa de renda em que as mulheres mais têm um comparecimento maior, proporcionalmente maior do que dos homens, é do diploma superior. O comparecimento, ele cresce com o nível de instrução, né? E na medida em que no eleitorado com diploma superior, entre as mulheres, o comparecimento delas foi de 83,4%. Então, imagina essas mulheres ouvindo ele, Flávio Bolsonaro, dizer que elas não sabem votar, né?
E as mulheres não apenas elas votam mais, como elas também comandam o dia da votação lá na ponta, onde a votação acontece, porque 70% dos mesários no Brasil são mulheres. Esses dados quem me passou foi a coordenadora do TRE de São Paulo chamada Luna Chino. Eu fui saber o tamanho da briga que ele tinha resolvido se meter com essa história. E aí, eis que hoje ele faz este recuo. Só que a briga está instalada, viu, Tati Fernando?
E tá instalada e de uma vez por todas, porque a Michele Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher e O Valdemar Costa Neto extinguiu a presidência do PL Mulher, como quem dissesse: "É um cargo que ninguém pode ocupar senão ela". Eu li esse gesto como homenagem. E o que a gente está vendo é que se o bolsonarismo atuou até aqui como grande amálgama da direita, o que a gente pode assistir se essa escalada de bater em mulher para seguir, né, com a maioria do eleitorado nacional, é de fato que ele não terá como ganhar essa eleição.
Se ele perder, estará fraturado não apenas o campo da direita como o próprio bolsonarismo, né? Porque a Michele tá jogando para se tornar hegemônica no grupo. Aquele vídeo é muito claro, ela se vitimizou e ela tá querendo fazer a sua própria bancada. E com ajuda do Valdemar Costa Neto, que vamos lembrar que já confrontou a família algumas vezes. O Eduardo Bolsonaro, ex-deputado, que tá foragido nos Estados Unidos, ele chegou a disputar, queria a presidência do partido.
Ele criou, o Valdemar criou uma Secretaria de Relações Internacionais para colocar o Eduardo para dar algum protagonismo e tal, e ele ter ali a sua agenda. E esse, enquanto eles arrumavam dinheiro com o Forcaro para financiar esse filme que Todo mundo agora já tá comprovado e esse dinheiro todo não foi para o filme. E se esse dinheiro for destinado à campanha, lá no PL o Valdemar Costa Neto tá reclamando que tá faltando dinheiro.
Então o que a Michele também abre aí, a possibilidade de desdobramento disso, o Valdemar Costa Neto está investindo numa bancada de mulheres negras evangélicas. E então o que a Michelle tá fazendo é um movimento para criar neste campo a sua própria bancada, né? O tempo que ela fez esse movimento, que foi praticamente aí um mês antes das convenções, também é esse, é um movimento para tentar fazer o registro das suas candidaturas, das candidaturas do seu grupo.
E vamos lembrar que não foi a primeira vez, Tati, E Fernando, que isso aconteceu lá em 22. A Michele queria eleger a senadora Damares Alves pelo Distrito Federal. O Bolsonaro queria Flávia Arruda, que era da sua aliança política e foi ministra dele. E ela fincou o pé, não fez campanha pelo Bolsonaro no primeiro turno, elegeu a Damares. Era só uma vaga. E só voltou a fazer campanha para o marido no segundo turno. Então É osso duro ali para família, sempre foi.
Essa cisão de gênero que ela resolveu abrir não é desprezível. A Michelle nunca foi feminista, a Michelle até aqui se subordinou a uma família, um grupo político que encara a mulher numa posição de subalternidade, mas ela agora resolveu encampar essa questão de gênero. O Paulo Figueiredo nunca foi uma liderança da chamada, que o jargão desse setor chama de red pill, né, essa machosfera, essa masculinidade tóxica. Ele nunca foi um representante mór dessa, mas ele tá usando o tema para ofuscar justamente a disputa de palanques, porque eles temem que a Michele faça uma bancada e aí acabe roubando partido dos filhos.
Você vê essa chance, Maria Cristina? Que possibilidades aí?
Olha, a gente vai ver, a gente só vai ter a chance, porque é o que ela tá investindo, esse discurso para, digamos assim, fazer o enredo da campanha das suas candidatas na Câmara. No Senado vai ser mais difícil porque ali depende das convenções, né? Mas legenda essas mulheres que ela criou nessas 27 unidades do Pele Mulher que ela diz ter criado, acho que ela tem chance de fazer, até porque o Valdemar tá ajudando, né? Mas assim, o que eu queria chamar atenção é que ela bateu nessa questão de gênero e o bolsonarismo talvez esteja desprezando o fato de que no Congresso Nacional Essa questão é uma questão transversal ideologicamente.
Eu vou pegar o exemplo do ECA Digital. A Damares, que é a principal aliada da Michelle, ela foi a voz mais ativa na direita a favor do ECA Digital, que é o transplante do Estatuto da Criança e do Adolescente para o meio digital, para coibir aliciamento, pedófilos virtuais e tal. Ela atrapalhou por esse eca digital, e o bolsonarismo, somente os pastores que queriam votar contra, eles foram às suas bases e colheram das mulheres evangélicas que queriam sim o eca digital, porque seus filhos estavam expostos.
Então o bolsonarismo votou meio que a contragosto, negociou ali alguns artigos e votou. Agora querem revogar o ECA Digital. Quem está liderando o movimento para revogar o ECA Digital é o Mário Frias, deputado federal, que é o produtor do filme do Dark Horse sobre o Jair Bolsonaro. Eles querem revogar porque acham que isso atrapalha negócios no meio digital.
E as crianças que se ferrem, né? O ECA Digital é elogiado por 10 a cada 10 profissionais que estudam jovens, adolescentes, e a relação deles com as redes sociais?
Pois é, mas o que não apenas é uma afronta civilizatória, mas é também um movimento cuja inteligência política a gente passa a duvidar, porque esse, essa base de mulheres conservadoras evangélicas e não evangélicas, mas que querem um ECA Digital para proteger as crianças. Então você está desprezando isso. O que eu estou dizendo é que tem um componente aí de pauta real, não é só disputa pelo poder, que eles estão afrontando. Estão colocando em lados separados as mulheres conservadoras que fecham com as mulheres mais progressistas e com a humanidade mais esclarecida sobre a necessidade de pautas como esse Eco Digital.
Em nome de favorecer uma ala que quer essa liberdade para jogos, para pedófilos de toda ordem que não querem perder essa liberdade. Então é uma cisão importante, não é desprezível, e não vai acabar com a seleção.
Aguardemos. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente no nosso Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina, um beijo para você e até amanhã.
Um beijo, Tati, Fernando, até amanhã. Boa tarde, os ouvintes.