Episódios de Comentaristas

8ª edição do ‘Boletim Gentílicos’: Argélia e Cabo Verde

01 de julho de 20268min
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Professor Pasquale segue com a série sobre gentílicos e outras curiosidades da Copa do Mundo. Ouça!

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Participantes neste episódio3
P

Professor Pasquale

HostProfessor
C

Carol

ConvidadoApresentadora
S

Speaker E

Convidado
Assuntos3
  • O papel da literatura e da música na reflexãoChico Buarque · As Caravanas · Albert Camus · O Estrangeiro
  • Cabo VerdeCesária Évora · Cabo Verde · Copa do Mundo · Crioulo caboverdiano
  • Argélia· InternacionalAlbert Camus · Argélia · Copa do Mundo · Metátese
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?Voz A

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PPProfessor Pasquale

A nossa língua de todo dia com o Professor Pasquale.

?Voz E

Oi, professor, que saudade! Boa tarde!

PPProfessor Pasquale

Nossa, vocês se lembram de mim?

?Voz E

Eu cheguei aqui, perguntei para esse cara que está sentado do meu lado: quem é você?

PPProfessor Pasquale

Não lembrava mais. Pois é, viva a Copa do Mundo!

?Voz E

Tá demais, né?

PPProfessor Pasquale

Tá bonito. Fernando, um beijo para você. Tati, um beijo para você. Ouvintes, um beijo. Vamos lá, Gentílicos, edição número 8 do nosso boletim.

?Voz C

Vamos para onde hoje?

PPProfessor Pasquale

Para onde vamos? Vamos tocar direto o Primeiro Auxílio. Vocês vão depois viajar comigo e a gente vai tentar adivinhar para onde a gente vai. Nós vamos ouvir As Caravanas de Chico Buarque. Com Ele, disco quase homônimo, Caravanas 2017, um arranjo primoroso do maestro Luiz Cláudio Ramos. Vamos lá, vamos descobrir o que tá por trás disso.

?Voz C

Com negros torsos nos deixam empolvorosa, a gente hortelã virtuosa que apela para polícia despachar de volta o popolacho para favela ou para Benguela ou para Guiné. Só a culpa deve ser do sol que bate na moleira, o sol que estoura as veias, o suor que embaça os olhos e a razão. E essa zoeira dentro da prisão, crioulos empilhados no porão de caravelas no alto mar. Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria. Filha do medo, a raiva é mãe da covardia.

Ou doido sou eu que escuto vozes? Não há gente tão insana, nem caravana do Arara.

PPProfessor Pasquale

Chico Buarque, gênio brasileiro, gênio brasileiro. Ele fala aí da invasão, entre aspas, né, do povo do morro que vai para Copacabana e acontece tudo que ele relata aí com muito brilhantismo. Quando ele diz sol, a culpa deve ser do sol que bate na moleira, ele faz referência a uma passagem de um livro antológico chamado O Estrangeiro, um dos livros mais impressionantes da literatura mundial, escrito por Albert Camus, que é um franco-argelino, nasceu na Argélia no tempo em que Argélia era colônia francesa.

Ele ganhou o Nobel de Literatura, ele era doido por futebol, ele foi goleiro de um time de Argel, onde ele nasceu, né? E dizem que quando ele ficou sabendo que ganhou o Nobel, ele disse, ele tava no estádio vendo um jogo, deram a notícia, ele disse: dane-se, eu agora vou ver o jogo, depois eu penso no assunto, né? Então, Argel, vocês já repararam que quando joga a Argélia, Argel é a capital da Argélia, aparece no placar ALG? Não aparece ARG.

Alguém dirá: ah, não, mas é para não confundir com Argentina. Não, não é nada disso. É porque Argélia em português e em espanhol é assim, Argélia, mas em francês, em inglês, em italiano é de outro jeito. Em italiano é Algeria, em francês Algerie, né? Que é a origem da palavra, né? Nós temos por trás disso a ideia de origem. No caso de Argélia, é uma palavra árabe, né, que significa as ilhas, e cuja leitura não vou me atrever a fazer aqui, mas é parecido com algo como Algerie, Algerie, qualquer coisa assim.

Ocorreu em português um fenômeno chamado metátese em espanhol e em português. O que que é a metátese? É a inversão das letras, né? Isso acontece, por exemplo, na língua popular, quando as pessoas dizem procotolo em vez de protocolo, né? E por aí vai. Isso se chama metátese, não é? E aconteceu essa metátese No português e no espanhol, o R e o L trocaram de lugar e a Algerie virou Argélia. Argélia, que é terra do Albert Camus, um grande gênio da humanidade, um escritor.

E pronto, então existe o adjetivo gentílico argelino em português. E para não haver confusão entre a cidade de Argel e o país Argélia, No português acabou se usando argelino e argeliano, né, para distinguir uma coisa da outra. Essa distinção não há nas outras línguas. Bom, agora tô olhando para o relógio. Deixa eu ver o que me disse a querida Janaína. E nós estamos com o tempo no limite.

?Voz C

Então vamos, porque a Bélgica tá chegando.

PPProfessor Pasquale

É, a Bélgica tá chegando. Vamos pular então o segundo auxílio e vamos para o terceiro.

?Voz B

Né?

PPProfessor Pasquale

Cabo Verde, terra estimada. Cabo Verde que vai jogar com Argentina. Canção de Jorge Fernandes Monteiro com a grande cantora de Cabo Verde, Cesária Évora. Vamos ouvir. Vocês entenderam o que ela disse?

?Voz E

Em Cabo Verde, terra querida.

PPProfessor Pasquale

Pois é, né? Mas Está tudo aí, des grãozinho de terra, né? Des é dez, dez grãozinhos de terra que Deus espalha no meio do mar, que é o arquipélago de Cabo Verde. Em que língua ela tá cantando, a Cesária Évora? No crioulo caboverdiano. O crioulo caboverdiano é uma língua que nasce do português, né, que é a língua do colonizador, com base lexical portuguesa com elementos de línguas locais. E é bom lembrar que o gentílico de Cabo Verde é Cabo Verdeano, com i, tá bom?

?Voz E

É isso. Obrigada por hoje, professor. Um beijo grande e até amanhã. Não, amanhã não tem. E até a semana que vem, professor, até quando a Copa permitir.

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