É ‘abandono’ deixar os filhos em colônias de férias?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Infância e padrões familiaresPercepção de abandono · Alternativa lúdica e organizada · Pressão social e opinião sobre parentalidade · Custo de colônias de férias · Benefícios para os pais
- Criatividade e Gênios CriativosNecessidade de espaço para o ócio · Geração de insights e sinapses · Viver longe da lógica da produtividade · Equilíbrio entre produção e descanso
- Infância e juventudeBrincadeiras pedagógicas e interação social · Atividades para adolescentes (museus, acampamentos) · Segurança e brincadeiras externas · Programação conjunta entre pais e filhos
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Boa tarde, Tati, boa tarde, Nando. Como vocês estão?
Muito bem. Fernando um pouco aí lidando com férias infantis em casa.
O caos começou, o caos começou. É por isso que meu conselho, Fernando, sabe qual é? Coloque os filhos na colônia de férias.
Um já vai, já até paguei.
É porque ou eles vão para colônia ou os pais vão para colônia, entendeu? Só que é a única coisa que acontece é que muita gente olha para esse movimento com culpa, porque tem pais que são tão acusados nessa jornada em que todo mundo dá opinião sobre parentalidade. E não tem uma receita pronta, e cada família constrói de um jeito. Que até aquilo que seria algo bom, por exemplo, até porque nem todo mundo tem acesso a uma colônia de férias, porque tem custo.
Sim, mas podendo, por que não fazê-lo? Porque veja, você tá trabalhando, se você não coloca os filhos numa colônia de férias, ele vai ficar em casa sem ninguém, fazendo exatamente o quê, né?
Com a cara na tela, após.
Exato, vendo TV demais, acessando telas, o que é terrível. Nada é melhor do que ir para um lugar fazer brincadeiras pedagógicas, interagir com com as crianças ou adolescentes e poder se relacionar, que é uma coisa que tem faltado na sociedade. Então eu queria desmistificar, né, que colocar numa colônia de férias é uma forma sofisticada de abandonar. Não, é de cuidar do seu filho, e mais, de cuidar de você, porque você precisa também ter espaço para o casal, para vida adulta, que não dá com as crianças aloprando dentro de um apartamento o tempo todo durante um mês.
É legal porque é bom para os pais. E assim, e a figura gosta muito, tanto é que vai num hoje que o tema é futebol. Figurinha adora futebol, tema é futebol. Então quando você, ó, vamos para lá, e aí vão os amigos, vai ser muito legal, são 5 dias, sabe? Eu achei que ele merece também. Os 3, Fernando, eu botei os 3, sem culpa, agora o adolescente, que que eu faço, que não quer mais ir, nem é mais aceito.
Antes, acampamento, acampamento, novas aventuras, fazer coisas, criar, vai visitar museu. É, mas acontece que de todo modo o adolescente tem uma, pelo menos ele consegue ficar em casa só, né? A criança não, ele consegue, vai ler um livro, é uma coisa, vê um desenho. A gente tem que estar numa vigilância porque também a gente sabe aí Discord, todas as redes assim tóxicas que são perigosas, mas ele pode brincar no condomínio, descer para jogar bola.
Então tem que criar as próprias alternativas, ou seja, É, talvez até sentar junto. E que tal a gente junto aqui programar o que você faria? Talvez te dar umas ideias, te falar do que eu fiz, que pode não funcionar para você, e algumas coisas podem funcionar para você. É só lembrar o que que a gente fazia aí nas nossas férias. Porque eu me lembro o seguinte: nas minhas férias, primeiro que o mundo era mais seguro, né? A gente ia para rua mesmo.
Hoje em dia não vai. A gente ia para rua, brincava, jogava bola, subia em árvore, caía, pegava da bicicleta. E claro que não é tão acessível assim esse mundo externo, mas às vezes fazer isso condomínio, ir para casa de um primo, de uma tia, sabe, um amigo de escola que você pode passar a tarde lá. Acho que são muitas alternativas para ir preenchendo esse ócio, que inclusive é um treino. Porque assim, esse tédio que também precisa ser vivido, ficar em casa, que tem o que fazer.
Até porque esse tédio que gera, por exemplo, ligações sinápticas que o cotidiano não gera, muitos estímulos, é que gera os insights. Em todo mundo científico, o insight veio do momento do tédio. É do não ter o que fazer. Também não tem que estar sendo produtivo, até a brincadeira tem que ser produtiva. Muitas vezes não fazer mesmo nada mesmo, né? Que é importante esse espaço para vida que a gente não tem dado, até a gente adulto, né?
Você sabe que tava numa noia tão grande, porque como alguém que produz conteúdo como eu, que vendo uma série fazia: poxa, isso dá um post legal, poxa, isso dá um vídeo legal. "Caralho, eu não conseguia mais fazer nada." Aí eu falei: "Ah, cara, sabe uma coisa? Eu não quero mais saber. Eu não vou viver nesse universo. Eu vou só assistir." Isso. "Ai, frase linda." Pronto, essa frase linda é pra mim aqui agora. Não tenho que postar nada, nem comentar nela. É só pra mim. Eu tô vendo a série, acabou.
Tem que brigar com a nossa cabeça. Você é igualzinha, Rossandro. "Nossa, isso aqui dá um texto de coluna." "Nossa, isso aqui dá..." Não é isso, né?
Então...
Não, não, não. Viver longe da lógica da produtividade.
Exatamente. A gente tem que desligar, porque a gente sabe que tem um momento pra produzir. Tem um momento pra estar na escola, tem um momento pra brincar e tem um momento pra não fazer nada.
Perfeito.
Que é importante. E a gente tá treinando essa geração pra isso.
Um beijo, obrigada por hoje, até quarta que vem.
Força e boas férias. Beijo.
Pra vocês também, tchau. Queen Carvânia stood haloed by the morning sun. An army hung on her every word.
— Anúncios inseridos dinamicamente —