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Desafio do Brasil diante da mudança de poder tecnológico no mundo

30 de junho de 20263min
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Martha Gabriel fala sobre a mudança histórica de poder tecnológico no mundo. Comentarista destaca que, pela primeira vez, os americanos não estão restringindo apenas a exportação de chips avançados e hardware para estrangeiros. Agora, eles também passaram a limitar o acesso a alguns dos modelos de IA. A justificativa é segurança nacional. 'Desafio brasileiro para o futuro é garantir soberania tecnológica suficiente para não ficar refém de outros países'. Saiba mais.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Leoni

HostJornalista
M

Martha Gabriel

Comentaristafuturista e especialista em inovação e tecnologia
Assuntos3
  • Aceleração tecnológica na sociedadeRestrição de exportação de chips avançados · Limitação de acesso a modelos de IA · Segurança nacional como justificativa
  • Impactos da fragmentação da IAFragmentação da IA global · Corrida por autonomia tecnológica · Controles mais rígidos de acesso · Intensificação da disputa geopolítica
  • Problemas técnicos Desenrola BrasilSoberania tecnológica · Redução de dependência de outros países
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MGMartha Gabriel

Futuramente com Marta Gabriel.

?Voz B

Bom dia, Milton, Cássia, ouvintes da CBN. Estamos vivendo uma mudança histórica de poder tecnológico no mundo. Pela primeira vez, os americanos não estão restringindo apenas a exportação de chips avançados e hardware para estrangeiros. Agora, eles também passaram a limitar o acesso a alguns dos modelos de IA mais poderosos desenvolvidos no país. No caso, isso envolve os modelos da empresa Anthropic, considerados entre os mais avançados do mundo.

A justificativa é segurança nacional. Na visão do governo americano, determinadas IAs já são estratégicas demais para ficarem disponíveis controle. É uma lógica muito parecida com que a gente já viu, que já existe para tecnologias nucleares, sistemas militares, criptografia avançada e semicondutores de última geração. E por que que isso é tão importante para todos nós, né? Porque até agora a ideia era que qualquer pessoa com acesso à internet pudesse usar as melhores inteligências artificiais do mundo.

É o que a gente tem feito, né? A gente assina essas IAs e pode usar em qualquer lugar. Só que agora o acesso pode começar a depender de nacionalidade, localização geográfica ou de interesses geopolíticos. E os impactos que isso trazem para gente no futuro, para os próximos anos, são principalmente 4. O primeiro é uma fragmentação da IA global, com blocos tecnológicos cada vez mais separados, como uma IA americana, uma IA chinesa, uma IA europeia.

O segundo é uma corrida por autonomia tecnológica. Então, países e empresas vão investir cada vez mais em modelos próprios para reduzir independência de fornecedores estrangeiros. O terceiro é controles mais rígidos de acesso, que nem eu falei, né, possivelmente exigindo verificações de identidade e nacionalidade para poder usar sistemas mais avançados. E quarto, uma intensificação da disputa geopolítica em torno da inteligência artificial, que passa a ser vista como ativo estratégico tão importante quanto o petróleo foi no século passado.

Agora, quem controlar as IAs mais avançadas poderá ter uma influência sem precedentes sobre a economia, a informação e o poder global. E o Brasil, como que fica nessa história, né? A gente tá numa posição intermediária, a gente não tá na liderança global, mas também não tá fora do jogo. O problema é que hoje somos muito mais usuários de IA do que produtores de IA. Então o desafio brasileiro para o futuro não é competir para criar a próxima IA mais poderosa do mundo, mas garantir soberania tecnológica suficiente para não ficar enfim, de outros países. Um ótimo dia a todos!