Episódios de Comentaristas

‘Série de programas de refinanciamento estimula o não pagamento de dívidas’

30 de junho de 20266min
0:00 / 6:12
Carlos Alberto Sardenberg fala sobre o lançamento do Desenrola Adimplentes. A Associação Brasileira de Bancos informou que o programa terá um alcance muito modesto. Comentarista destaca que, com uma série de programas de alívio de crédito, acaba se criando um ambiente de que é melhor não pagar. Ouça.

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Participantes neste episódio3
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
C

Cássia

ConvidadoJornalista
M

Milton

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Desoneração da Folha de PagamentosRefis · Desenrola 3 · Crédito universitário · Inadimplência
  • Punição de AntonelliDesenrola Adimplentes · Carlos Alberto Sardenberg · Associação Brasileira de Bancos · Crédito pessoal não consignado
Transcrição6 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

Linha Aberta com Carlos Alberto Sardenberg. Bom dia para você, Sardenberg.

CACarlos Alberto Sardenberg

E aí, Milton, bom dia, bom dia, Cássia. Bom dia, Carlos Alberto, estávamos com saudades de você. Ah, eu também. Daqui a pouco estou aí.

?Voz A

Boa, aguardamos você. Me conte o seguinte aqui: ontem o governo lançou mais uma etapa do Desenrola, agora é o Desenrola Adimplentes.

CACarlos Alberto Sardenberg

Pois é, Milton, é mais ou menos quando você olha a formação do programa, ele é misto, né, porque ele ele permite a renegociação de dívidas de crédito pessoal não consignado, mas com as seguintes circunstâncias: com pelo menos 4 parcelas pagas e até pagas em dia ou com até 90 dias de atraso. Portanto, beneficia também uma parcela desses trabalhadores que tenham dívidas pagas, dívidas não pagas, quer dizer, que estejam inadimplentes até é 90 dias.

Achei o programa meio esquisito porque ele diz o seguinte: serve para quem tá com 4 parcelas pagas ou com quem tem 3 parcelas atrasadas, né? E quem tem 5, 6 parcelas atrasadas, né? Quer dizer, aí entra no outro programa, talvez. Quer dizer, não ficou muito claro. Os bancos estão dizendo que o programa, ele atinge um grupo muito pequeno de pessoas, são trabalhadores informais e que não tem portanto, o crédito consignado. A Associação Brasileira de Bancos, por exemplo, disse que representa instituições de médio porte, disse que o programa terá um alcance muito moderado, muito modesto, né, porque enfim, porque não haveria um público, né, capaz, ou enfim, público preparado, interessado em participar desse programa.

E que eu repito, é um programa para adimplentes e para inadimplentes, com apenas nas 3 meses de atraso, que é bastante, né? Agora, o que eu queria dizer é que com essa série de programas de alívio de dívidas e de alívio de crédito tomado pelas pessoas, ela vai criando um sistema do refis, Milton Kastner, você lembra? Refis vale para empresas e ele tem sido praticado de tempos em tempos. Então, quer dizer, a empresa deixa de pagar o imposto e fica esperando que surja um refis que estabelece condições especiais.

Nós já estamos no Desenrola 3, né, considerando o Desenrola 1 que foi aquele lançado inicialmente, depois o Desenrola 2 e agora o Desenrola 3 que é esse misto, né, para adimplentes e inadimplentes. E também aquele perdão de dívidas para o crédito, alunos do crédito universitário. Quer dizer, tudo isso vai criando um ambiente de que é melhor não pagar. Quer dizer que se você não pagar, você fica esperando o aparecimento de algum programa de anistia, de algum programa de renegociação.

Então você deixa de pagar uma determinada dívida para fazer um consumo de alguma outra coisa, por quê? Porque você está esperando aí um programa de refinanciamento. Claro que tem pessoas que estão em situação desesperadora e tal, e que requer um cuidado através dos sistemas aí que já existem, mas a repetição desses programas de renegociação de dívidas, ele faz com que torne mais, estimule mais o não pagamento de dívidas na espera de um programa de refinanciamento.

Isso já acontece com as empresas e agora começa a acontecer também com as empresas, com as pessoas físicas, né? Você vê que o crédito universitário teve um desconto quase total, né? Então as pessoas que pagaram crédito universitário que pagaram, que estão pagando crédito universitário, ficam numa situação dizendo assim: olha, todo mundo, praticamente todo mundo que não pagou foi beneficiado, por que que eu vou continuar pagando?

Então esse é o ponto, né? Você vê que há alguma coisa errada na economia brasileira, porque a economia tá crescendo, os salários estão em alta, o desemprego é baixo, e assim mesmo tem muita inadimplência. Claro que os juros são altos, né? Mas tem ainda a diferença mesmo com juros mais baixos, como por exemplo no caso dos consignados. Então é o problema mais complexo que tem na economia brasileira e essa série de programas de refinanciamento estimula o não pagamento. É isso aí, Milton, Cássia.

?Voz A

E até logo mais ao meio-dia.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até logo mais ao meio-dia. Até. Até mais.