Telemedicina amplia assistência e desafoga hospitais em tragédias
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Luis Fernando Correia
Cássia
Milton
- Telemedicina em Cabo VerdeAssistência às vítimas de terremotos na Venezuela · Plataformas de telemedicina de emergência · Médicos voluntários da diáspora venezuelana · Limitações da telemedicina em emergências · Verificação de identidade médica · Conectividade e rede estável · Reconhecimento da telesaúde pela OMS
- Recompra de hospitaisAtendimento a casos não emergenciais · Liberação de leitos para casos graves
Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. A gente vai continuar falando da assistência às vítimas dos terremotos que assolaram a Venezuela. Foram os tremores mais fortes que o país viu desde 1900. Milhares de feridos, hospitais lotados, um sistema de saúde que já vinha cambaleando há anos. Diante disso, uma pergunta prática: como atender quem precisa de médico quando o prédio tá cheio, danificado, longe demais?
Uma parte dessa resposta, gente, tá acontecendo na tela do celular. Plataformas de telemedicina de emergência colocaram médicos voluntários online para atender por videochamada. Uma delas conecta o paciente ao primeiro médico disponível, tudo de graça, sem precisar baixar aplicativo. O paciente escolhe especialidade, toca em ligar agora e a consulta começa. Se for o caso, o médico emite uma receita digital. Bom, vamos deixar claro o que que é isso e o que que não é.
Bom, telemedicina não vai tirar ninguém de escombro, não vai operar fratura exposta, não vai tratar sangramento, Não substitui ambulância, não trabalha com emergências de risco de vida, dor no peito, falta de ar. O caminho para isso continua sendo resgate e o hospital físico. Mas existe um enorme volume de necessidade que não existe presença. É mãe com filho com febre, pressão alta no paciente que for sem remédio, idoso diabético que tá longe de casa ou que perdeu a casa, e que gente que precisa de orientação, de acompanhamento, de uma receita continuar o tratamento.
Atender essas pessoas à distância faz uma coisa valiosa: descongestiona o atendimento presencial e libera o hospital. E tem um detalhe interessante e bonito nessa história: a maior parte desses médicos voluntários não está na Venezuela, é da diáspora, gente que migrou para os Estados Unidos, para Espanha, para o Chile, para Argentina, para Colômbia, onde refizeram suas vidas depois de sair da Venezuela. E eles atendem seus compatriotas pela tela.
Entre os perfis há uma médica de emergência que trabalhou 16 anos em Maracaibo e hoje atende a partir dos Estados Unidos. Conhecimento médico nesse caso não tem fronteira, atravessa o continente. Agora, um alerta importante: as plataformas de emergência continuam a ser montadas às pressas, com cadastro aberto e voluntário. Tem um lado generoso, mas depende de uma coisa essencial: verificação de fato de quem é médico. O paciente tem o direito de confirmar quem tá falando.
Vale também cuidado com dados pessoais que se compartilhem, ainda mais num país com restrição de internet, como a Venezuela. Bom, nada disso funciona sem rede estável. A gente sabe que a conectividade é um dos problemas nas áreas atingidas por tragédias como essas. A Organização Mundial da Saúde já reconhece há tempos a telesaúde como uma ferramenta legítima em situações de emergência e acesso difícil. O terremoto da Venezuela mostra isso na prática.
Com promessas e seus limites. Tecnologia não salva sozinha, mas se bem usada, ela aumenta o alcance de quem sabe e quem quer ajudar. Bom, fica a lição para qualquer desastre. Na emergência, a melhor resposta combina resgate físico com cuidado remoto. Um deles não vai anular o outro, mas os dois juntos ajudam a salvar mais vidas. Gente,