Coisas desandaram na família Bolsonaro
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- Crise na família BolsonaroReunião entre Valdemar Costa Neto e Michelle Bolsonaro · Michelle Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Valdemar Costa Neto · Vídeo de Michelle Bolsonaro · Ataques de Paulo Figueiredo · Desistência de candidatura de Michelle · Críticas de Fábio Weingarten
- Pautas-bomba no SenadoPEC de aposentadoria especial para agentes de saúde · Impacto de R$ 30 bilhões · Davi Alcolumbre · Tereza Leitão · Renegociação de dívidas rurais
- Poder JudiciárioDecisão do STF sobre verbas indenizatórias · Férias não usufruídas · Licença-prêmio · Plantões judiciais · Carmen Lúcia · Flávio Dino · Alexandre de Moraes · Gilmar Mendes
- Autonomia estratégica e geopolíticaCrítica a alinhamentos automáticos · Defesa da autonomia da América do Sul · Cúpula do Mercosul no Paraguai · Onda azul na América do Sul · Integração financeira regional inspirada no PIX · Candidatura de Lula à reeleição · Donald Trump · Javier Milei
- Ronaldo CaiadoGilberto Kassab como vice · Chapa pura do PSD · Ronaldo Caiado · Gilberto Kassab · Tarcísio de Freitas · Márcio França
- Impacto do STF e Banco Master nas eleiçõesCaso Banco Master · Daniel Vorcaro · Gilmar Mendes · André Mendonça · Divergências na segunda turma
- Declarações de Renan Santos sobre políticos do NordesteCrítica ao pacto federativo · Políticos nordestinos como parasitas · Renan Santos
Viva Voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, estamos de volta nesse Viva Voz. Copa do Mundo é muito legal, mas a gente sente falta do que nos move, que é notícia, né? Boa noite.
Exato, e eu tava morrendo de saudade aqui do estúdio, morrendo de saudade de vocês, dos ouvintes. Então aproveitem que hoje tem viva voz full ali, tempo integral dele. Mandem perguntas, mandem comentários pra gente interagir bastante aqui. Boa noite, Carol Moran.
Oi, Vera, boa noite. E logo nesses dias que não teve viva voz aconteceu tanta coisa na política, gente. A gente ficava em casa quicando, né, só no grupo de WhatsApp. Gente, olha o que tá acontecendo.
Exatamente. Então hoje a gente vai passar a política em revista aqui neste programa. Muito bom.
Bom, vamos começar então por Samanta Clay em Brasília, que tem aqui os desdobramentos políticos nas candidaturas após a briga pública entre Michele e Flávio Bolsonaro. E Samanta, boa tarde, boa noite, ou melhor, oi, muito boa noite, Débora, Vera, Carol.
De fato, aí inclusive por conta de todo esse atrito, uma reunião de 2 horas mais ou menos entre o presidente do do PL, Valdemar Costa Neto, e Michele Bolsonaro, ex-primeira-dama, depois de toda essa repercussão do vídeo que ela publicou. Foi justamente no, sem ser o jogo de ontem do Brasil, jogo anterior, foi justamente naquela noite, na quinta-feira passada, o vídeo em que ela disse que foi desrespeitada, que Flávio disse que ela não entende nada de política.
E desde então outros ataques que vieram, e essa reunião numa tentativa de Valdemar Rui Costa Neto tentar, então tentativa, eu repito a palavra, é atar esses nós e se unir nesta pré-candidatura e candidatura de Flávio Bolsonaro. Ela chegou a cogitar com aliados que diante de todo esse desgaste dos ataques que sofreu, inclusive, inclusive de Paulo Figueiredo, que é aquele blogueiro que é super aliado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, com ataques diretos, não foram indiretas, Ela disse que sim, poderia desistir dessa candidatura, que é considerada, é, vem, já ganha aqui no Distrito Federal na corrida para o Senado.
Mas nessa reunião, então, a gente não tem todos os detalhes. Mas Fábio Weingarten, que é também aliado de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele fez algumas críticas quando saiu. Ele disse que falta comando, falta liderança, e disse que o presidente Valdemar de tomar as rédeas para justamente tentar sanar esses ruídos que estão ocorrendo, segundo ele, é nessa pré-candidatura. Segundo Weingarten, a eleição de Flávia e Michele estariam resolvidas se não houvesse então tamanho ruído nessa pré-candidatura.
Além disso, ele disse, ele disse o seguinte, que se diz que cuida do marido, que cuide do marido e que não gere ruídos para pré-campanha de Flávia. Então foi uma crítica direta a Michele Bolsonaro, e ainda afirmou que é hora de se alinhar e cadenciar. Portanto, temos esse movimento. Michele ainda não deu um, não bateu o martelo sobre desistir ou não. Foram aliados que afirmaram que ela se queixou, mas fato é que falta também Valdemar Costa Neto conversar com Flávio Bolsonaro.
E ainda não tá definido se Michele participa ou não, provavelmente não deve participar de uma reunião com setores femininos que o próprio Flávio convocou para amanhã. Com vocês.
Obrigada, Samanta, pelas informações. Vera, caso Michele realmente desista do Senado, o que pode ter de mais impacto além do que já tivemos desde a divulgação do vídeo? Já trago uma mensagem de ouvinte, uma pergunta que o Pedro Almeida Se você acha que Michele realmente pode voltar atrás e apoiar Flávio.
Eu acho que desde o início, Pedro, Débora, é o que tá em jogo aí, o que ela demonstra querer é algum gesto público de atenção, de afago, de pedido de desculpas. Mas ela não obteve isso depois do vídeo, pelo contrário, vieram ataques diretos ou indiretos Aquela declaração, uma das que a Carol mencionou, que a gente comentou no nosso grupo e que não noticiou aqui porque não teve viva voz, do Paulo Figueiredo, de que mulher vota mal, não sabe votar, e que isso tá muito evidente nos últimos anos, etc., vem como uma espécie de uma reação à interferência da Michele no processo eleitoral, no debate eleitoral.
Então é uma forma indireta dele responder a ela, ele que é um aliado de primeira hora e de primeira linha do Eduardo Bolsonaro. Nesses dias também, que a gente não conversou, teve aquele típico movimento de redes sociais em que ela deixou de seguir os dois outros filhos do Bolsonaro, o Carlos e o Eduardo. Então as coisas todas meio desandaram na família. Ela esperava que fosse algum gesto público de reconhecimento ao papel dela.
Inclusive ao papel político dela, não veio. E o que veio, na verdade, foi mais crítica e mais desconsideração. O fato dele fazer, Flávio, fazer uma reunião com as lideranças femininas do PL ou da direita e não incluir, não a convidar, também é um reforço desse afastamento dentro da família. Então não adianta, por exemplo, o Fábio Weingarten dizer: "Ah, o Valdemar Costa Neto tem que tomar as rédeas dessa situação e resolver." nunca ele conseguiu colocar algum tipo de freio ou algum tipo de ordem dentro da família Bolsonaro.
Ficou muito claro que ele via na família um chamariz eleitoral, tanto é que o PL multiplicou as suas cadeiras na Câmara, suas prefeituras, etc., mas que ele sabe que não tem gerência sobre as ações da família. Ele gerencia a bancada, ele gerencia as candidaturas, ele gerencia principalmente os fundos, do partido, que é o que de mais vistoso vem com o acréscimo da família ao PL. Mas ele sabe que não tem ingerência sobre essa família.
O único que talvez pudesse colocar ordem aí seria o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que a gente não sabe exatamente o que pensa a respeito, né?
E nem vai saber, porque ele tá impossibilitado de se manifestar politicamente, tá inclusive com a sua domiciliar em xeque. Ela deve ser definida pelo ministro Alexandre de Moraes nas próximas horas. Houve hoje uma reunião com a defesa. A defesa protocolou os motivos pela manutenção da prisão domiciliar em caráter humanitário do Jair Bolsonaro, mas ele não pode de alguma, de nenhuma maneira se manifestar politicamente. E quem desse pessoal evocar a palavra dele ainda pode prejudicar a permanência da domiciliar.
Então, o momento tenso para eles. Mas vejam como são as coisas, né? Eu escrevi na minha coluna a esse respeito que Quando ela fala ali da maneira como ela foi tratada pelos filhos, ou mesmo como ela foi instrumentalizada pelo Jair Bolsonaro para tentar melhorar a situação do bolsonarismo com eleitorado feminino, eu mostro como a misoginia é uma coisa atávica ao bolsonarismo. E a fala do Paulo Figueiredo vai nesse mesmo sentido.
E faltou uma palavra do pré-candidato à presidência dizendo que não concorda com essa avaliação e que essa avaliação é um equívoco. Não o fez. Então todo o desgaste que a candidatura vai colhendo é por problemas já antigos do bolsonarismo, que essa briga só trata de evidenciar e deixar ali em relevo, né?
Bom, enquanto isso a gente tem movimentação na campanha do Ronaldo Caiado do PSD. O próprio presidente do partido, Gilberto Kassab, deve ser o vice na chapa, né? Estão apostando numa chapa puro-sangue, até porque não conseguiram fechar outras alianças, não conseguiram ampliar essa candidatura do Caiado. Pedro Popolim tem as informações para a gente em São Paulo. E Pedro, boa noite.
Oi Carol, Débora, Vera, boa noite para vocês e a todos que nos acompanham. Exatamente, na véspera do anúncio de Gilberto Kassab como vice, o pré-candidato do PSD à presidência, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça aqui em São Paulo que a formação da chapa neste momento Não impede que outros partidos embarquem na candidatura dele até outubro. Gilberto Kassab, a gente sabe, é presidente do PSD, partido que, como você explicou, negociava com outras siglas para evitar aí uma chapa pura.
As negociações, no entanto, não avançaram. Para Caiado, existem alternativas para atrair outras legendas sem precisar adiar a escolha. Separei um trechinho, vamos ouvir. Então você tem várias maneiras de poder buscar também pessoas aliadas que estarão conosco no segundo turno, e ainda com a possibilidade de ser no primeiro turno. Agora, o partido não pode ficar engessado, imobilizado, por não ter amanhã uma ampliação maior da sua base.
O anúncio que deve confirmar Kassab no posto de vice está marcado para amanhã de manhã na sede do PSD. Em Brasília. Agora, na mesma ocasião de hoje à tarde, Caiado afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com membros experientes do partido. Sobre o cenário eleitoral ainda, o pré-candidato concordou que a empolgação do eleitor com o nome escolhido pode não ser tanta em um primeiro momento, mas brincou que sabe escalar a chapa assim como o técnico Carlo Ancelotti sabe escalar a seleção brasileira.
Para finalizar, além de Caiado, o presidente Lula do PT já escalou o seu vice, que continuará sendo Geraldo Alckmin. Já os pré-candidatos ao Planalto, Romeu Zema do Novo e Flávio Bolsonaro do PL, ainda buscam costurar acordos para fecharem suas chapas. Eu volto com vocês.
Obrigada, Pedro. Uma forma aí também de incentivar, digamos assim, os candidatos nos estados a apoiarem mais publicamente o Caiado, em vez de apoiarem Lula ou Bolsonaro?
Eu acho que isso vai ter pouco impacto nesse sentido, Carol. É uma formalidade, ele tinha que escolher um vice. O fato deles não terem conseguido fechar aliança com nenhuma outra sigla obriga a que esse vice seja do PSD. E a maioria dos outros nomes do partido já tem seus planos para candidaturas a deputado, candidaturas aos governos dos seus estados, candidaturas ao Senado. E não gostariam de abrir mão desses projetos em nome de uma missão que é assumir a vice do Caiado, que de acordo com todas as pesquisas tem pouquíssima chance de ser bem-sucedida.
Então é uma candidatura que na verdade é uma não-candidatura. É o mesmo que você falar que não vai ser candidato a praticamente nada. E o Kassab vem aí de um longo período desde que ele deixou a Prefeitura da cidade de São Paulo, em que ele abriu mão de ser candidato. Ele preferiu estar atrás das cortinas, estar ali no comando do partido, construindo o partido, fazendo com que o partido crescesse, se transformando num dirigente partidário ou num ministro, secretário, ou seja, atuando em cargos e funções executivas, mas que não requeressem mandato, que não requeressem disputar eleições.
Ele pretendia mudar essa escrita na eleição desse ano. Então ele pretendia ser candidato a vice do governador Tarcísio de Freitas, aí sim com um projeto eleitoral, porque Tarcísio é o favorito e provavelmente deixará o seu segundo mandato, se reeleito, para disputar a presidência da República. Então quem for seu vice tenha uma chance muito real e muito concreta de assumir o governo do Estado de São Paulo, que não é pouca coisa e o que é uma plataforma de lançamento para qualquer candidato.
Márcio França, quando foi candidato ao governo, foi nessa circunstância. Ele era o vice-governador de Geraldo Alckmin. Alckmin saiu para disputar as eleições em 2014 presidenciais e o Márcio França assumiu o governo e se candidatando no cargo. Então esse era o projeto, plano A do Gilberto Kassab, que não se concretizou. E aí agora ele atua como um parceiro de conveniência para o Ronaldo Caiado, na inexistência de um outro nome.
Gilberto Kassab se coloca para qualquer posição, né? Mais um pouco teria se habilitado aí para Copa.
Aí ele já jogou uma pelada. Ah não, ele foi juiz.
Vamos fazer um intervalo. Você fica com o noticiário da sua região. Já já a gente tá de volta para falar sobre penduricalhos. É, já tem mensagem de ouvinte sobre esse tema aqui. Viva Voz volta. Ana Carolina Tomé tem informações ao vivo em Brasília. O recado do presidente Lula ao presidente americano Donald Trump. Oi, Ana, boa noite. Boa noite novamente.
Boa noite para você, Débora. O presidente Lula afirmou hoje na cúpula do Mercosul no Paraguai que ninguém é dono do mundo e nem da América do Sul. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula se posicionou contra alinhamentos automáticos e defendeu autonomia e a capacidade de diálogo da região com todos os países no atual cenário geopolítico. Em um recado ao crescimento da direita, o que chama de onda azul, Lula disse que o projeto de integração Sul-Americano deve estar acima de ideologias.
Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul.
Nenhum país da América do Sul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes.
Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos sem deixar de lado nossos interesses.
Durante o encontro, o presidente também falou de improviso, disse que será candidato à reeleição aos 80 anos para manter a democracia no Brasil impedir que, nas palavras dele, irresponsáveis voltem a governar o país. Lula destacou ainda que a economia brasileira vive o seu melhor momento. Lula cobrou o fortalecimento do Mercosul frente ao que ele chamou de ressurgimento do protecionismo, como resposta falaciosa à complexidade dos desequilíbrios macroeconômicos globais, e defendeu que o bloco atue unido para competir com outros mercados, deixando de ser apenas um exportador de matérias-primas.
O O presidente, Débora, propôs a integração financeira regional inspirada no PIX. O objetivo é reduzir os custos das transações comerciais entre os vizinhos, ampliar o uso das moedas locais e proteger a região contra crises e choques externos. Volto com você.
Obrigada, Ana, pelas informações. Dado o tempo que não nos encontramos, né, Vera, acho que cabe trazer aqui também uma declaração que foi feita pelo presidente Lula na semana passada, na sexta. Ele disse que vai ampliar os gastos, pretende ampliar os gastos em defesa porque, abre aspas, "tá cheio de maluco no mundo", fecha aspas. Diz também que ele não quer guerra nem ser pego de surpresa, também numa outra referência ao governo americano.
É, nos últimos dias, nas últimas semanas, piorou a situação da relação entre Brasil e Estados Unidos e o governo Trump deu uma guinada de novo em apoio ao Flávio Bolsonaro, demonstrações de que vê com bons olhos A eleição do Flávio Bolsonaro dentro desse contexto de onda azul na América do Sul, que também teve novidades nessas semanas em que a gente tá tendo uma intermitência do Viva Voz. A gente falou aqui, chegou a falar com Eduardo Graça da vitória do Abelardo na Colômbia, integrando esse bloco de direita.
E agora houve a confirmação de que no Peru quem venceu foi a Keiko Fujimori, que também se alinha mais ao bloco da direita. Nesses dias o Flávio Bolsonaro esteve na Argentina, se encontrou com Javier Milei, mais um aceno de que ele vê uma integração do continente, alinhamento com Washington como um fator a favor da sua candidatura. Então Lula está respondendo não só ao Trump, mas a todo esse contexto de uma onda azul, de uma onda conservadora, uma onda de direita na América do Sul.
O Brasil ficou praticamente isolado dentro desse cenário, e com a intervenção americana na Venezuela, mais ainda. Então, isso tudo configura uma situação em que o Brasil, mesmo sendo ali um player importante, porque é o país com economia mais forte entre todo o continente, tá sozinho, sem parceiros, sem olhar para o lado e ver outros governos alinhados ideologicamente com o Brasil para isso. É uma resposta a tudo isso e uma afirmação de força e de resistência em relação ao que ele vê como uma interferência indevida da Casa Branca nos processos eleitorais da América do Sul.
E só para trazer uma informação de hoje, gente, o PT protocolou hoje ações judiciais contra o Flávio Bolsonaro. Também o PL encaminhou os documentos à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal, sustentando que o Flávio e o PL teriam beneficiado o governo dos Estados Unidos e desrespeitado a soberania nacional brasileira naquela carta enviada ao Marco Rubio. Depois, Marco Rubio respondeu, né, a carta do Flávio Bolsonaro, deixando bem evidente ali um alinhamento que o Flávio manifestava naquela correspondência.
Muito bem, a gente faz mais um intervalo. Você fica com o Noticiário Local, mas fica aí que a gente vai falar de penduricalhos já já.
Estamos de volta com o Viva a Voz. Nosso assunto agora são os penduricalhos nos salários do Judiciário, porque o Supremo Supremo Tribunal Federal decidiu liberar em parte esses pagamentos de gratificações e verbas indenizatórias. Ana Carolina Tomé tem as informações para nós em Brasília. Oi, Ana.
Oi, Carol. Teve esse recuo por parte do STF que agora deve flexibilizar parte das restrições impostas aos chamados penduricalhos pagos a magistrados, integrantes do Ministério Público. O Supremo havia adotado uma tese mais rígida restringindo pagamentos de verbas indenizatórias, mas agora por unanimidade a corte decidiu autorizar o pagamento de verbas como férias não usufruídas, plantões judiciais, licença-prêmio e valores retroativos reconhecidos antes da tese fixada pelo próprio Supremo.
A ministra Carmen Lúcia consolidou essa unanimidade acompanhando então os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, além do presidente do STF, Luiz Edson Fachin. O grupo defendeu que poderão ser pagos benefícios adquiridos até março deste ano, como férias, licença- 100 mil plantões judiciais, desde que respeitado o limite de 35% e com validação do Conselho Nacional de Justiça. No voto, Carol, Carmen Lúcia afirmou que cabe ao Congresso aprovar uma lei para definir as regras sobre salários, indenizações e demais verbas pagas aos servidores públicos.
Segundo a ministra, isso daria mais transparência aos gastos públicos. Os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Dias Toffoli e Cássio Nunes Marques também votaram pela liberação dos pagamentos, mas mas sem marco temporal ou limite de 35% do teto. Cássio Nunes Marques afirmou que o modelo para o pagamento deve ser discutido, mas ressaltou que as verbas são legítimas. Volto com você.
Obrigada, Ana Carolina. E aí, Vera, como é que fica até a imagem do Supremo diante desse recuo, né? Porque a decisão anterior autorizava pagamentos apenas que estivessem previstos em lei. Agora abre várias exceções aí para decisões administrativas do CNJ e também do Conselho do Ministério Público.
Ministério Público.
Havia uma pressão brutal por parte dessas entidades, por parte dos tribunais de justiça de todo o país, dos próprios outros tribunais superiores, do Ministério Público Federal e dos ministérios públicos estaduais. Então foi como uma comporta que se rompe, não havia como manter uma restrição absoluta porque houve várias alegações de direitos adquiridos, indícios de que algumas dessas verbas não correspondiam a Pinduricalhos e sim a outro tipo de indenização, outro tipo de decisões judiciais, inclusive que estavam em andamento, que já tinham sido pagas em parte.
Então eles não tiveram como manter aquela restrição total, completa, a qualquer pagamento extra-teto. Chegou-se aí fez essa fórmula em que você libera algumas verbas indenizatórias, alguns adicionais, dentro de uma espécie de teto, de um percentual do teto. Então você pode pagar até 35% do teto do funcionalismo referente a poucos adicionais, algumas poucas verbas que estavam retidas. Isso já deve aliviar um pouco essa pressão, mas não totalmente.
E é uma decisão mais ou menos provisória até que o Congresso vote o que é permitido, afinal, em termos de extrateto, e fique uma coisa mais uniformizada, mais linear para todo o país, para todo o sistema de justiça, para todos os poderes, etc. E essa pressão arrefeça de uma vez. Mas eles não tiveram como manter por mais tempo a restrição absoluta.
Mas isso não muda muito a percepção da população em geral, viu, Vera? Vou trazer aqui duas mensagens de ouvintes. O José Maria, ele vê os penduricalhos como desvios de recursos públicos legalizados, ou seja, legalidades imorais. E o Emerson disse que continua sendo um tapa na cara do povo brasileiro.
É porque existe uma discrepância muito grande entre esses valores e o que a maioria das pessoas recebe, principalmente na iniciativa privada. A alegação do outro lado é que essas funções requerem ali uma abnegação por parte dos que as exercem, que não podem ter empresa, não podem assumir outras funções a não ser o magistério, ou seja, a não ser dar aula em universidades, e que então se isso seria uma compensação por essas outras restrições.
É uma discussão antiga, bizantina, mas o fato é que diante da realidade brasileira são valores que chamam muito atenção. E também pelo fato de que existe um teto para o funcionalismo e que ele é sistematicamente superado por decisões que abarcam esses penduricalhos.
Vamos aqui para o nosso próximo tema. Karen Lemos em São Paulo traz mais detalhes, fala do ministro Gilmar Mendes em relação às divergências no STF no caso Master. Oi, Karen, boa noite.
Isso mesmo, boa noite. Olha, o ministro decano, né, da Suprema Corte, ele falou aí que essas divergências, Débora, entre os colegas da segunda turma, né, da Suprema Corte, não significam que a corte está, não está unida diante aí das decisões judiciais que tem saído com relação ao caso do Banco Master. Ele acrescentou que votos e opiniões divergentes são na verdade oportunidades para que a corte possa realizar para um julgamento mais completo possível, né? Foi o que ele disse. Vamos ouvir o trecho específico.
É importante que se diga que eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimo de desunião da corte em relação à importância do caso e a observância dos direitos fundamentais das pessoas investigadas.
Essa fala do decano, né, a gente lembra o que é o ouvinte, né, Débora, Vera, Carol, Gilmour, que vem após críticas que ele fez ao colega André Mendonça, que é o relator do inquérito que investiga o Banco Master e também o ex-banqueiro Daniel Vorcaro lá no STF. Numa entrevista para o programa Roda Viva da TV Cultura, Gilmar disse que Mendonça teria cometido um erro ao participar de discussões relacionadas àquelas negociações, né, de uma possível delação premiada de Vorcaro.
O decano chegou a chamar a atuação do colega de impropriedade. Hoje, porém, ele minimizou aí essas críticas. Ele falou inclusive que deposita confiança no trabalho de Mendonça e afirmou que o órgão colegiado vai saber responder à altura dos desafios desse caso aí do Banco Master, né, que ele chamou de grande caso penal rumoroso. Ele também acrescentou que as exigências de limites à atuação dos órgãos não podem ser confundidas com estímulos à impunidade ou qualquer coisa do gênero. Palavras aí de Gilmar Debra, obrigada, Karen.
E aí, Vera, é divergência ou é desunião?
É, ele tem negado que tenha havido nas falas dele, principalmente na entrevista ao Roda Viva, algo nesse sentido. Fez aí algumas gestões no fim de semana no sentido de desmentir que essas declarações denotassem desunião e divergência, mas é o que é. Ninguém vai a um programa de televisão em rede nacional e faz restrições abertas e públicas ao trabalho de um colega sem que isso vá ser lido como divergência e desunião. Acho que a decisão unânime na questão dos penduricalhos, o fato do ministro Flávio Dino ter devolvido a julgamento a discussão sobre a eleição do Rio, são tentativas do Supremo de superar, de virar essa página das divergências e das desuniões divergências que existem, existiram, não é a imprensa que tem que proteger os ministros do Supremo deles mesmos.
Se eles publicamente manifestam essas divergências, nosso papel é apontá-las, analisá-las e explicar para o público o que que tá acontecendo.
Muito bem, você fica agora com o Noticiário Local. Já já estaremos de volta para falar sobre o fim do subsídio ao diesel.
Ponto Final CBN.
Viva Voz de volta e a gente vai falar sobre pauta bomba no Senado. Igor Cardim tem os detalhes. Oi, Igor, boa noite.
Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para os nossos ouvintes. Pois é, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adiou a PEC que cria aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde, que compunha aquela pauta bomba que foi aprovada pela CCJ aqui do Senado. E a pauta que terá um impacto ali de 30 bilhões em 10 anos, segundo a equipe econômica. Ele disse que não vai tirar de pauta, que seguirá o rito de 5 sessões de discussão sem quebra de interstício.
Ou seja, governo em prática ali acabou ganhando mais tempo para negociar nos bastidores a retirada ali e também o impacto, né, calcular ali o impacto essa medida. Alcolumbre criticou, entre outras coisas, os ataques que vêm recebendo, principalmente de integrantes do governo, sobre colocar ou não em votação a proposta sobre que rever ali as aposentadorias dessa categoria. Ele disse que não está normal a maneira como algumas autoridades estão tratando temas que ainda aguardam apreciação do Senado.
Ele comparou essas críticas a algumas condenações feitas feitas em governos anteriores. E citou também tanto a base quanto a oposição aqui no Senado Federal. Essa primeira votação de 5 ali de discussões que precisam ser feitas aqui no Senado Federal foi feita hoje sem nenhum senador inscrito. Então a primeira sessão já foi vencida nesta terça-feira. Agora o Senado, o senador precisa marcar outras 4 para a votação discussão do relatório final, que já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça.
Débora, obrigada, Igor, pelas informações. Esse momento sempre chega, né, Vera? O governo ganhou um tempo aí, mas será que ganha a batalha?
É o primeiro teste da nova liderança do governo. Saiu Jax Wagner, entrou a senadora Tereza Leitão como líder, e a gente vai ter de ver a possibilidade que ela tem de costurar explicar o adiamento dessa discussão. Fato de ninguém ter se inscrito para discussão mostra o quanto ninguém quer ficar associado a uma pauta bomba. Portanto, não quer ficar para a sociedade como promovendo esse tipo de aumento de gastos, porém quer se cacifar junto aos setores que vão ser beneficiados com a pauta bomba, como tendo sido aqueles que possibilitaram tenham a sua aprovação.
Então tentam ganhar nas duas pontas. Não é simples, não é fácil. Toda essa pauta tem um custo muito grande. Não é à toa que é chamada de pauta bomba. Aquilo que foi aprovado até a semana passada já tem aí uma conta bilionária ligada a eles, principalmente a renegociação das dívidas rurais, que agora o presidente da Câmara tá dizendo que não vai deixar que que já foi aprovado lá. Essa é a maior impacto de todos, são R$140 bilhões.
Mas essa que está se discutindo agora, essa proposta de emenda à Constituição que garante uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde de combate a endemias, pode resultar no impacto extra de R$30 bilhões em 10 anos para Previdência, que a gente sabe que já tá com a sua capacidade muito ali acima do que a reforma feita em 2019 deixou. Então já tem até a necessidade, que é discutida por vários especialistas, de uma nova reforma da Previdência, não de você abrir puxadinhos, abrir exceções que acabem onerando ainda mais sistema previdenciário.
O governo tá tentando combater a pauta bomba de um lado enquanto gasta com a outra mão do outro, né? Então o Lula promoveu uma série de pautas eleitoreiras medidas que tiveram também impacto nas contas públicas, muitas delas voltadas para tentar segurar o preço dos combustíveis, algumas das quais começam a expirar agora, como a do diesel. Mas a gente teve notícia, por exemplo, essa semana, que o que ele fez em termos de propaganda nesse primeiro semestre supera em 2 vezes o que o Jair Bolsonaro fez no mesmo período em 2022.
Sábado acaba o que a lei eleitoral permite que haja propaganda de governos. E o governo Lula empenhou, ou seja, liberou para gasto R$520 milhões nesse ano em publicidade. É muito mais do que o governo Bolsonaro no mesmo período, ou seja, nos 6 meses que antecediam a eleição.
Pois é, a gente teve hoje aí o anúncio de retirada parcial daquele subsídio ao diesel, né? A partir de amanhã não é a retirada integral, vai ser só uma das subvenções, aquela de 35 centavos por litro que foi criada no final de maio para substituir a desoneração dos impostos federais. Tem a sinalização de que o governo pode rever outros subsídios do próprio diesel, também da gasolina. Isso dá um certo alívio, mas como você disse, né, Vera, tem muita coisa pressionando, pauta bomba, e o governo lançando aí uma série de medidas que vão gerar gastos, né?
Só nessa última semana a gente já teve desenrola dos adimplentes, tem FIES empreendedor, enfim, o governo tá nessa corrida para lançar tudo que é possível dentro do calendário eleitoral, né?
Exato, é sábado, né? Sábado é o prazo final para propaganda e também começa uma série de restrições do que você pode fazer em termos de lançamento de obras, etc.
Muito bem, você fica com o noticiário da sua região.
E a gente vai para o nosso último assunto aqui rapidinho, porque o Renan Santos, que é pré-candidato do Missão à Presidência, comparou políticos do Nordeste parasitas. A Karen Lemos tem as informações. Oi, Karen.
Isso mesmo, Carol. Ele disse que os políticos da região Nordeste são os maiores inimigos do Brasil. Falou isso numa entrevista à rádio, uma rádio do Rio Grande do Sul. Ele falou que políticos nordestinos transformam a região em um inferno e vivem de se apropriar dinheiro tirado de outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro. Para ele, esses estados precisam reduzir o poder desses políticos. Ao que ele propôs aí, dar o fim ao pacto federativo, né, que é o modelo de distribuição de recursos entre União, estados e municípios.
Ele também falou das principais propostas dele, como medidas rigorosas contra facções criminosas, como prender e matar lideranças do crime organizado, algo que a gente lembra que só seria possível com uma mudança na lei brasileira.
Carol, obrigada, Karen. Medidas aí que são criadas no âmbito do Pacto Federativo justamente para corrigir diferenças e desigualdades regionais, né?
É, pacto federativo não é uma coisa com a qual você diz que você não concorda e que você vai acabar. É um dos princípios de governança de uma federação, né, como é a brasileira. Você pode propor mudanças no pacto federativo, em uma ou outra regra, e não o fim do pacto federativo. Esse é o tipo de declaração que reproduz estereótipos, né, "ah, os políticos nordestinos", como se políticos de outras regiões do país não cometessem as mesmas faltas que muitos políticos nordestinos e também não explorassem as populações, o eleitorado dos seus estados.
Então, lamentável que em 2026 a gente reproduza esse tipo de estereótipo preconceituoso em declarações de um pré-candidato a presidente da República.
Vera Magalhães, muito obrigada por hoje. Amanhã não teremos Viva Voz, aliás, não teremos Ponto Final por causa da transmissão dos Jogos da Copa do Mundo, mas Mas na quinta-feira a gente tá de volta aqui, nem que seja com uma versão um pouquinho mais enxuta, né? Mas contaremos com você.
É isso, só pra gente atualizar o que vai acontecendo na nossa política. Até lá, meninas!