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Polarização extrema deixa o ego adoecido

29 de junho de 20263min
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Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre os efeitos dos conflitos políticos nos relacionamentos. ‘Viver colecionando inimigos para existir está muito mais no campo da psiquiatria do que das ciências políticas’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos2
  • Gestão do EgoAdição ao conflito · Dopamina do ódio · Impacto nos relacionamentos · Fidelidade ao algoritmo · Jonathan Haidt · Defesa da tribo · Política como identidade · Ataque pessoal vs. divergência de ideia
  • Psiquiatria e medicalizaçãoViver colecionando inimigos
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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RKRossandro Klinjey

Refletir para viver, com Rosandro Klinger.

?Voz C

A temperatura política voltou a subir. E junto com ela, um fenômeno que me preocupa mais do que a divergência em si. O que venho chamando de adição ao conflito. Tem gente que precisa do inimigo para se sentir viva. Acorda, procura uma postagem do lado oposto, indigna-se, compartilha, rebate. Só então toma café. Virou uma rotina química, porque o ódio organizado libera dopamina parecida com a do jogo, uma espécie de "bet" do ódio.

O cérebro aprende que aquilo recompensa e pede mais. Nesse processo, algo nefasto começa a acontecer, parecido com o que ocorre nos viciados em apostas. O casamento, as amizades de anos, a mesa de família e até o rendimento profissional começam a ser afetados. O sujeito gasta energia demais odiando e sobra pouco para alimentar os relacionamentos. Tudo que exige negociação com gente de verdade vai cedendo espaço à fidelidade ao algoritmo, que nunca cansa, nunca exige paciência e sempre tem um novo inimigo disponível para você odiar.

A política deixou de ser sobre o país, virou sobre o eu e o ego adoecido. Jonathan Haidt. Psicólogo social que estudou a fundo o comportamento político, mostrou que nas disputas ideológicas o ser humano não raciocina para chegar à verdade. Raciocina para defender a tribo. A lógica vem depois da lealdade. Quando alguém ataca meu campo político, não processo como divergência de ideia, mas sim como ataque pessoal. O campo político vira identidade.

Identidade, quando ameaçada, ativa o mesmo sistema da ameaça física,. E o corpo responde com adrenalina, não com argumento. Discordar faz bem. Mas vou dizer algo forte, mas necessário: viver colecionando inimigos para existir está muito mais no campo da psiquiatria do que das ciências políticas.

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