Terremotos na Venezuela: Quando um prédio desaba ou a terra treme, começa uma corrida contra o relógio
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Luis Fernando Correia
- Terremoto na VenezuelaCorrida contra o tempo em resgates · Importância das primeiras 72 horas · Riscos de liberação de toxinas · Sobrevivência em escombros · Falta de coordenação em tragédias
- Suporte Médico e ReanimaçãoProteção da equipe de resgate · Hidratação e soro em vítimas · Métodos de escoramento de estruturas
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Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor.
Nós agora há pouco trouxemos aí um relato bem difícil de se ouvir, de se acompanhar, mas muito real do que está acontecendo na Venezuela nesse momento diante da tragédia que o país enfrentou com esses terremotos. Chegou a haver um novo tremor de terra agora há pouco. E no relato que nós trouxemos da representante da Médicos Sem Fronteiras, dos Médicos Sem Fronteiras, nos informou que existe ainda sinais de pessoas que sobreviveram a essa tragédia, mas estão em meio aos escombros, no trabalho de busca.
O que que a experiência internacional nos ensina sobre situações como essa, Doutor Luiz Fernando?
Ô Milton, duas coisas. Uma, na fala dela, que é fundamental, é a falta de coordenação, né? Essa falta de coordenação complica muito a situação. A gente sabe que As primeiras 72 horas após um grande, um grande acidente desse tamanho são as mais importantes, porque a chance de sobrevivência vai caindo progressivamente a partir do primeiro dia. Ela é de 90% estatisticamente no primeiro dia e vai caindo até para 20%, 30% nos 3 dias seguintes, onde mais ou menos a gente está agora por conta do tempo do primeiro, dos primeiros terremotos, né?
O problema é que na hora o que se pensa é: eu tenho que tentar tirar essa pessoa o mais rápido possível, tem que identificar as vítimas, de verdade identificar onde elas estão. Agora, tem algumas coisas que muitas vezes os leigos que não estão ligados, que não estão treinados, não estão acostumados com isso, assistem e ficam agoniados, e é razoável ficar, é o seguinte: você não pode simplesmente tirar a pessoa. Primeiro que você tem que proteger a equipe que está fazendo o atendimento.
A equipe de resgate tem que fazer esse atendimento com segurança, porque ela não pode se tornar mais uma vítima nessa história. E infelizmente uma cena que a gente assiste muitas vezes, e até a gente sabe que vai ter gente sendo socorrida e sendo retirada nas próximas semanas até, porque muitas vezes quando esses prédios se quebram, eles criam espaços lá dentro, criam vãos entre aquelas lajes, E as pessoas ficam ali dias, né, e vão sobrevivendo.
E muitas vezes, quando se retiram a vítima dessas, é uma alegria muito grande, mas infelizmente essa vítima logo depois ela falece. Porque uma coisa que as pessoas têm que entender, quando muitas vezes a gente vê isso, imagem de TV, a vítima identificada consegue se chegar perto dela, consegue se começar a liberação Tá se vendo. E aí todo mundo fala: "Mas por que que não tirou ainda?" Não, existe uma situação médica que é a seguinte: você, o esmagamento muscular de uma situação dessas, com uma placa, um pedaço de concreto sobre o pedaço do corpo, esmaga os músculos.
E esse esmagamento libera uma série de substâncias que, se você simplesmente levantar aquilo e tirar a pessoa muito rápida, sem ter alguns cuidados, Você vai fazer liberação dessas toxinas no corpo do paciente, ele pode falecer logo depois. Então, infelizmente, a gente vê esses relatos, a gente vê pessoas saindo, é uma felicidade enorme. Mas infelizmente, se você não conseguiu, muitas vezes você vê, você já viu uma coisa importante, vão reparar, vocês vão ver que o paciente, a vítima, muitas vezes já sai com o soro instalado, já recebendo hidratação antes de ser tirada daquele lugar.
Não é só para para hidratar, mas é principalmente para manter essa circulação e evitar essa situação de liberação de toxinas na hora que você descomprime, né, esse pedaço do corpo que tá esmagado. Agora, a gente vai ter resgate com 13 dias, 14 dias. A estatística também mostra isso. E porque muitas vezes as pessoas estão em bolsões ali dentro, espaços ali dentro protegidos, porque um pedaço caiu em cima do outro, né. E criou um vão ali onde aquela pessoa não consegue sair, mas também tá relativamente protegida.
Então começa a se correr contra o tempo em termos de desidratação, em termos de desnutrição dessas pessoas, principalmente desidratação, ou seja, temos que conseguir levar água para essas pessoas muitas vezes. É uma situação muito angustiosa, mas quem tá assistindo tem que entender que Isso tem que ser feito com método, ou seja, você não vai tirar, você não pode sair tirando as coisas de qualquer maneira, tem que muitas vezes escorar estruturas, porque quando você, se você tirar de qualquer maneira um pedaço, uma estrutura de concreto, você pode desabar em cima de quem tá lá dentro.
Então você não pode fazer, não pode sair fazendo isso de maneira aleatória. Então são times especializados que tem, que tem uma estrutura para isso. Equipamentos específicos para levantar, para escorar essas estruturas que estão sobre as vítimas, para que o resgate se faça de maneira segura, não só para vítima, mas também para equipe que tá fazendo esse resgate.
Milton, muito obrigado, Doutor Luiz Fernando, e um bom dia.
Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Bom dia, Doutor.
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