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Michelle Bolsonaro expõe disputa no PL e acirra pressão sobre Flávio Bolsonaro

28 de junho de 202617min
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Marcos Ruediger afirma que vídeo publicado pela ex-primeira-dama escancara disputa por protagonismo no partido. O comentarista ainda cobra que o debate eleitoral avance para propostas para o país.

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Participantes neste episódio2
P

Petra

HostJornalista
M

Marcos Ruediger

Comentarista
Assuntos4
  • Candidatura de André do Prado em SPMichelle Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Protagonismo no partido · Organização do partido · Base eleitoral feminina
  • Debates EleitoraisPropostas para o país · Tecnologia e educação · Copa do Mundo
  • Saída de BotoLiderança do governo no Senado · Jaques Wagner
  • Operação contra Banco DigimaisOperação da Polícia Federal · Edir Macedo · Banco Digimais
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?Voz A

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MRMarcos Ruediger

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MRMarcos Ruediger

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?Voz A

Com Marco Rüdiger. Boa tarde, Marco.

MRMarcos Ruediger

Oi, oi, Petra. Boa tarde, boa tarde aos ouvintes. Eu já tô, acho, todos nós já estamos com um pouquinho com a cabeça no jogo de amanhã, né? Eu tô aqui, ó. Uhul, Brasil!

?Voz A

Agora eu quero saber, tá com teu nome atrás? Que número que tá atrás? Já você botou, né? Porque essa foi a minha dor de cabeça. Eu tive que aguentar criança chateada porque não tinha o número 10. Aí ele refletiu, falou: não, eu sou Vini Júnior, mamãe. Então vamos botar o 7 aí. Bota o 7 aí nessa camiseta, meu amigo. E aí botou com nome e tudo. Vamos ver. Ô Marco, a gente tá com a cabeça já na segunda-feira, mas a Copa do Mundo é a protagonista, mas a política não nos dá folga.

Me fala um pouquinho sobre essa semana política. Teve roupa suja sendo lavada em público com vídeo da Michele Bolsonaro. A relação dela com Flávio fica ainda mais clara. O que que isso quer dizer? Dentro do PL também tentaram colocar panos quentes ou não? Repercussão disso. É, a gente tá no século 21, inteligência artificial, tecnologia, a gente querendo pensar na política e a gente vendo esse tipo de política sendo feita no palco público, né, Marco? Eu queria um pouco da sua análise aí para gente.

MRMarcos Ruediger

Eu acho isso tudo vexaminoso, se você quer saber, e na verdade é um desrespeito ao cidadão que vai ter que votar esse ano. E eu acho que assim, um desrespeito no seguinte sentido, né, se a gente olhar o ranking que a gente tá fazendo agora revista, né, o primeiro lugar disparado foi essa carta da Michelle, né, essa carta aberta da Michelle, né. Isso foi de longe o que mais impactou na política, né. Depois tem a questão do Marcos Rubio, Marco Rubio em relação ao Brasil, esse é um ponto de atenção interessante para gente.

E por fim a questão do Jax Wagner. Então o que a gente vê é que teve um sequestro, e já na primeira vez, da política pela, por essas idiosincrasias da extrema-direita, essas brigas intestinas, né, dentro da direita mais radical do Brasil, sobre o protagonismo e o papel que cada um tem nesse processo eleitoral. Assim, o que a Michele Bolsonaro fez, ela colocou cartas na mesa. E nesse sentido, vamos lá, assim, eu acho até que ela tem muita razão no seguinte sentido: ela organizou o PL, ela organizou o partido, ela saiu diretório por diretório construindo candidaturas no entorno dela, ok?

E ela quer um lugar na mesa. Ela não quer ser tratada como uma coadjuvante que é interessante para o partido no meio da eleição, ter uma mulher com mais expressão e que tem uma entrada fortíssima no meio evangélico neopentecostal. E com isso ela tá falando: olha só, eu quero, eu não sou só um objeto que vocês vão me colocar na sala para enfeitar, eu quero sentar na mesa e discutir e participar. Então, nesse sentido, ela foi muito dura escolheu a dedo o momento certo.

E eu diria muito profissional tudo, inclusive o cenário. Quando você olha, o cenário tava cheio de simbolismos ali, cheio de significante, que conversava com os evangélicos, conversavam com segmento de surdos-mudos, etc., cheio de mensagens. Então ela montou e atacou, e foi, ela foi na jugular, ela não teve pena, digamos assim, né? O que a gente viu, por outro lado, é o Flávio Bolsonaro, ele querendo botar panos quentes, não fazendo essa conversa, né?

Assim, ele em momento algum diz assim: eu errei nisso, eu errei naquilo, ou encaminhamento não foi correto, ou qualquer coisa assim. Não, tipo assim: não vamos brigar, eu estou de camisa branca para ficar, para parecer que eu quero a paz. Coisa assim. Então ficou ele se esquivando, e já não é a primeira vez que o candidato a presidente se esquiva de dar explicações convincentes sobre uma situação que todo mundo viu de forma muito radicalizada assim na frente dele.

Então ele se esquiva, ele não vai dar uma explicação reta sobre de fato o que aconteceu. Não, olha só, eu tô organizando partido, a nossa visão é diferente nisso, nisso, nisso. Não houve um sexismo. Não é? Então fica esse negócio. Agora eu quero só mencionar para os nossos ouvintes aqui. E a gente tá falando de uma coisa que, do movimento que gerou 16 milhões de interações nas redes. Então, é, foi um impacto muito grande. Lembrando que a base política da Michele Bolsonaro, mais de quase 70%, é público feminino.

E no caso do Flávio, não. O Flávio, o público masculino domina muito mais, ou quem o apoia são muito mais homens do que mulheres, muito mais. Então, o que acontece, que ele tem realmente uma dificuldade grande no segmento feminino, como bolsonarismo tem uma dificuldade maior do feminino, o que dá uma força muito grande para a importância, digamos assim, da Michelle nesse contexto. Mas ela quer uma representação política, um lugar na mesa que conversa com essa importância que ela percebe.

Ela não vai— mas o fato é que ela também não tá avançando nenhuma questão da expansão dos direitos femininos, né, dentro de uma estratégia, digamos assim, de empoderamento das mulheres. É o que ela faz, simplesmente organizar um movimento igual ao movimento, pelo, por um ângulo que é dificilmente explorado pelo bolsonarismo, para si própria. Mas as propostas dela ali não são propostas de uma mudança mais radical do papel da mulher, ou uma crítica mais radical à exclusão da mulher no contexto geral da sociedade.

Então ela tá absolutamente ancorada numa estrutura muito conservadora de visão de mundo, né, em que a mulher tem um papel muito de apoio ao homem. Isso daí é muito claro, muito claro. Não que isso não seja 'Mas o homem tem que apoiar a mulher também.' A gente tá num outro momento do mundo, uma outra dinâmica. E eu acho que isso daí mostra, digamos assim, o limite da discussão. E o limite da discussão especificamente qual é? Eu quero um lugar na mesa, eu quero, reconheço o poder que eu posso ter, que eu devo ter, em função do que eu represento simbolicamente, também do trabalho de organização que eu fiz, que é legítimo.

Mas não vai muito além disso em termos propositivos. É isso que eu quero deixar claro aqui. Mas mostra Ou mais uma vez, bota numa situação difícil Flávio Bolsonaro, fragiliza ele num lugar que ele precisa crescer e tem muita dificuldade de crescer, mas mostra sobretudo como ele se esquiva quando ele é confrontado claramente com alguma questão, né? Uma coisa você fazer filminho em GA e tal e botar nas redes para as pessoas verem coisas fantásticas, tipo de um avião para atacar alguém com bombas e tal, não sei o quê, tudo isso daí, mas De concreto, cadê a política?

Cadê a proposta para a vida do brasileiro? O que, qual é a proposta? Qual o debate?

?Voz A

Eu gosto muito quando você contextualiza, né, Marco, sobre essa importância da Michelle. Isso é fundamental, porque tem esse lado pernicioso, um lado até antiético mesmo, né, de como se faz, né, de como funciona a política, as amarrações e tudo mais. Isso vem à tona de uma certa forma. A falta, mas esse é o que você vem insistindo tanto aqui no quadro já há mais de ano, né, a gente já tem aí uma trajetória juntos aqui no Semana Política com você no Revista, que é a questão de propostas, né, esses bastidores políticos, essa, como a gente colocou aqui, né, essa lavagem de roupa suja em público nesse momento, e a gente olhar para isso, entender um pouco o que que isso quer dizer para política nacional, a gente deveria estar discutindo questões importantíssimas como as que você traz Como as que o Silvio Meira traz aqui sobre tecnologia, educação, um país que olha pra frente, olhando para o que a China, por exemplo, tá fazendo, treinando seus estudantes.

E a gente tá discutindo esse tipo de coisa. É pra isso que eu olho e eu fico pensando assim: o que que é a nossa política, né? E do outro lado também, né, Marco? Porque a gente também teve aí questões envolvendo o PT também, o governo, que você também vai falar pra gente, né?

MRMarcos Ruediger

Pois é, exatamente. Você pega, por exemplo, a discussão da semana, né, da questão da Pauta 6x1, né, que ela é tão importante, aprovada na Câmara, tá no Senado. Então se vê ela sendo aos poucos meio que escanteada, e é um, e não tá aí no escopo de discussões de candidatos presidenciais. Se você olha, se você olha as pesquisas, né, elas, elas mostram evidente dois candidato especificamente Lula e Flávio Bolsonaro protagonizando o debate político de forma muito frontal, né, uma distância enorme dos outros, né.

E cadê as propostas do Flávio? Cadê a discussão do Flávio, sabe? Então a gente vai para uma discussão da cozinha, da cozinha da família, entendeu? Assim, não dá. Assim, o que que nos interessa essa discussão especificamente? Coisa que nos interessa, o qual substantivo dessa discussão é uma, de um debate de poder intestino. Mas o que que isso significa para a sociedade brasileira. Nós temos desafios muito grandes assim, não são poucos não.

E o Brasil, por outro lado, é um país assim, cada vez eu tenho mais orgulho do país, porque o Brasil tem um potencial grande, o Brasil tem buscado. Você vê, nossa economia tá indo bem. Se você olhar as pesquisas todas, até uma sensação muito grande, todas as pesquisas estão dando isso, uma sensação muito grande de melhora das possibilidades de vida em função da questão do emprego. Tá, então o país poderia obviamente crescer mais, né?

Aí é uma outra discussão muito mais ampla do como a gente pode fazer para crescer mais. Mas o fato que o Brasil assim, a taxa de desemprego ela não tem aumentado, muito pelo contrário, e o Brasil tem algum crescimento. Então isso é importante no cenário do mundo muito conflitado. Então a gente olha isso, essa é uma discussão que é relevante. O país tem potência, a gente tem recurso hídrico, a gente tem recursos naturais imensos.

Você vê a situação que hoje a Europa tá passando, você vê o mundo como é que tá. Então o Brasil tem um potencial grande, mas Depende muito de como a gente constrói nosso futuro. E esse futuro vai ser construído a partir das urnas, e vai ser construído, e as urnas vão ser construídas, eu espero, a partir de um debate objetivo sobre as propostas e diferenças entre os candidatos, entendeu? E o que que é interessante para a população, não, para o brasileiro, não.

Então essa é uma questão grande. Então eu quero ver proposta e um debate substantivo, e não essa discussão bizonha que a gente tem que assistir toda semana, que é a arma que é encontrada quando não podia ser encontrada, uma arma com sujeito que tá condenado. É assim, é uma arma tornou que tornou eles ali, era que sai, é a madrasta que vai e reclama do enteado que tá, que é agressivo com ela. O enteado, por outro lado, não só não pede desculpas como faz outras coisas, que aí a gente vai entrar na pauta a seguir, né, a questão do Marcos Rubio.

E essa história que essa semana é uma coisa que vai ter uma pegada mais forte. Então o que que a gente viu essa semana, né, foi bastante grande, 150 mil menções à questão explícita das taxações americanas, tarifas americanas em relação ao Brasil, e que todos sabem que teve um, digamos assim, um início naquela malfadada carta do presidente Trump ligando a questão do ex-presidente Bolsonaro. Então isso começa ali, tem toda uma articulação de bastidores que prejudica o Brasil, não prejudica o Lula na verdade, até fortalece o Lula, porque o Lula tem uma pauta crescente de defesa do Brasil.

Então assim, é uma estratégia toda visita. E agora, para remendar isso, exatamente, para remendar isso, o personagem vai, quer ir aos Estados Unidos participar de uma audiência pública, que eu acho, na verdade, que diminui muito o papel dele, porque ele é o presidente do Brasil e não um sujeito qualquer que vai se submeter a uma legislação de um outro país. Isso é uma relação de Estado para Estado, não pode ser dessa forma, não pode ser construído.

Isso diminui o Brasil. O Brasil não é um país qualquer. Tanto é que o Brasil não é um país qualquer que a grande questão hoje no hemisfério para os Estados Unidos é justamente mudança. É, para que lado o Brasil vai? Porque o Brasil distorce. Não adianta nada ter vários países no nosso entorno que foram para um campo político em vez do outro e tal, se o Brasil não se decide. Para onde o Brasil vai, ele influencia o resto. Então o Brasil tem uma potência e tem que ter uma dignidade nessa aproximação.

E não é isso que a gente tá vendo. Então isso de novo é muito ruim. De novo não tem um plano, de novo não tem uma proposta. Eu acho que tem um incômodo crescente que as pessoas percebem que não importa se você tá na esquerda ou tá na direita, mas você quer ouvir proposta, você quer saber o que que vai ser da tua vida e pronto. E aí a UNA vai dizer quem vai ganhar e não ficar essa briga de família. Parece que a gente tá vendo um novelão mexicano aqui que não tem fim. Isso é meio ridículo.

?Voz A

Me fala um pouco só antes da gente ir pro Repórter CBN, Marco. A gente já tá entrando aqui no repórter, mas queria que você comentasse sobre a saída do Jax Wagner da liderança do governo no Senado.

MRMarcos Ruediger

Pois é, a saída do Jax Jax Wagner, como a gente já falou na semana passada, domingo passado, os nossos ouvintes devem lembrar que eu até comentei aqui, eu acho que o Jax Wagner, Lula vai esperar o Jax Wagner chegar lá e falar, Lula não vai soltar a mão dele, mas a expectativa provavelmente que o presidente deve ter é que parta uma iniciativa do próprio senador. E isso foi feito, isso aconteceu exatamente como nós discutimos aqui.

Então foi bastante importante, teve uma queda, esse tema a partir da saída dele teve uma queda de 65% em relação à semana anterior. Então nessa operação de de deslocamento do Jax Wagner, liderança no Senado, né, do governo. Isso foi muito importante porque isso desarmou, digamos, essa discussão. E de fato, o senador agora tem que brigar e lutar para mostrar a posição dele de fato, o que que aconteceu, deixou de acontecer, enfim.

Mas se desgaste sai do colo do governo diretamente. Então eu acho que isso foi muito importante, isso foi um movimento muito auspicioso. Eu já previa que isso de alguma forma fosse o que acontecia. Eu queria só falar aqui no final, Petra, aqui do sussurro das redes, que é interessante.

?Voz A

Então, você sabe que o Marco, ele faz para o Revista CBN, ele e a equipe da GV, faz o ranking dos temas da semana. Ele ranqueia aqui para você, ouvinte do Revista CBN, com exclusividade os temas mais falados, tá, nas redes, no mapeamento fino, porque o trabalho que eles fazem lá na Escola de Comunicação e Mídia da GV é reconhecido mundialmente. E com isso, sussurro das redes, o que deve vir aí, o que deve ser quente, né, Marco, para essa próxima semana?

MRMarcos Ruediger

É, eu acho que da mesma forma que a gente falou do Master lá atrás, a gente tem que prestar atenção no que tá acontecendo com o Banco Digimais. É isso aí, essa é uma operação da Polícia Federal contra esse banco. Esse banco tem vínculos também no mundo empresarial, mas no mundo político, né? E ele, ele ainda tá voando baixo baixo no debate, assim, na percepção pública, né? Então, algo em torno de 70 mil menções, né? Mas esse é um potencial explosivo e ele tem vinculações que têm um nexo com o Edir Macedo, que é o dono do banco.

Então, e ele é citado 75% desses 70 mil posts, que ainda, como eu falei, é um voo baixo, por isso é um sussurro. Então, mas isso é uma questão que ainda pode ser bastante explosiva E isso tem várias consequências. Então vamos ficar de olho nisso aí, Marco Rüdiger.

?Voz A

Nossa semana política, nosso momento de balanço, mas também de olhar para os próximos dias, os próximos passos da política. Querido, fiquei feliz de te ver em São Paulo. Finalmente eu consegui ver o Marco Rüdiger aqui. Não é o Marco Rubio, é o Marco Rüdiger.

MRMarcos Ruediger

Mas eu vou com bastante frequência, que as nossas agendas acabam dando desencontro.

?Voz A

Muito bom, muitas ideias, Marco. Essa cabeça brilhante que nós temos no nosso país. Obrigada, querido, pela conversa. Ótima semana para você. Até semana que vem.

MRMarcos Ruediger

Beijo você, beijo para todos. E ó, torcendo pelo Brasil, hein, gente.

?Voz A

Eu também.

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