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Polarização alimenta vício no ódio e afasta pessoas da vida real

28 de junho de 202612min
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Rossandro Klinjey afirma que redes sociais reforçam comportamentos extremistas, defende educação digital e alerta para impactos na saúde mental e nas relações pessoais.

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Participantes neste episódio2
P

Pétrea

Host
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos3
  • Engajamento pelo ódio e polarizaçãoPolarização política · Vício em odiar · Redes sociais e comportamento extremista · Impactos na saúde mental · Impactos nas relações pessoais · Fake news
  • Regulação de Plataformas DigitaisEducação midiática · Controle de algoritmos · Big techs · Liberdade de expressão vs. punição · Casos de suicídio infantil ligados a redes sociais
  • Sabedoria AncestralInteligência ancestral · Sinais do corpo · Saúde mental e física · Relações tóxicas · Intuição
Transcrição28 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

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PPétrea

O Divã de Todos Nós, ele está aqui ao meu lado, Rossandro Klinger. Boa tarde, meu querido amigo.

RKRossandro Klinjey

Boa tarde, Pétrea, aqui ao vivo da terra do forró, tá vendo aí atrás?

PPétrea

Ao vivo aqui da minha cobertura.

?Voz A

Maravilhoso!

RKRossandro Klinjey

Como é que você tá? Tudo bom, Pétrea?

PPétrea

Tudo ótimo, melhor agora com você.

RKRossandro Klinjey

Depois de 2 dias de névoa e chuva fina, um sol finalmente.

PPétrea

Aqui também tá sol em São Paulo, ainda bem. Fez uns dias feios aí, mas enfim, meu amigo, me fala um pouquinho do nosso tema de hoje. Quando a gente olha assim para política, a política tá difícil, a política tá polarizada, cada um tem seu político de estimação. Me fala assim, quando é que a política na verdade ela é só um sintoma, né? Tem um adversário, é um vício, a gente se vicia nessa cultura polarizada. Como é que você tá olhando para isso, Rossandro?

RKRossandro Klinjey

Eu acho que é um dos prejuízos que a polarização política provoca, na verdade, é exacerbar uma característica que já é do sujeito, né? Você percebe o seguinte: nem todo mundo no Brasil tá polarizado. Quando a gente vai para pesquisa mesmo, são grupos de extremo da direita, de extremo da esquerda. Quase 60% quer assim paz, pagar os boletos, educar os filhos, que o país seja melhor, que a segurança pública melhore, que a corrupção que atinge os dois lados do espectro político diminua, né, que acabar vai alimentar essa ilusão.

Só que tem pessoas que são viciadas em alguma coisa. Tem gente que é viciada em bets, tem gente que é viciada em tabaco, cigarro, drogas e álcool. E tem gente que é viciada em odiar. Então tem gente que acorda de manhã e vai lá na rede social do rival, vê alguma coisa que acha ridículo, ou recebe uma notícia verdadeira ou falsa, uma fake news, no seu grupo do WhatsApp, começa a compartilhar. E depois de 30 minutos do café da manhã, antes de tomar o café, de odiar, de compartilhar, de falar que absurdo, olha isso, não tem jeito, vai tomar café envenenado, obviamente.

O primeiro café da manhã foi o ódio, foi alimentar todo esse sentimento dentro de si, dentro do seu organismo, e se vicia como alguém que se vicia em aposta. E esse vício que a pessoa tem, que é o mesmo de apostas, de todo dia ter que procurar alguém para odiar, ou inimigo político, ou um grupo rival, faz com que não seja mais uma questão ideológica, não é mais uma questão de estou defendendo meu grupo, estou defendendo ou a ideologia X ou Y, tu tá definindo o grupo de pessoas que pensam como eu e que nós amamos odiar juntos.

Nós amamos odiar juntos. E aí tem uma questão, é que nesse caso a gente tá falando muito menos de ciências políticas e muito mais de psiquiatria, que é transtorno mesmo, no sentido pleno da palavra, com todos os prejuízos que provoca. Porque quando eu tô gastando minha energia para odiar, para lacrar nas redes sociais, eu tô desinvestindo no meu casamento, Eu estou desinvestindo na relação com os meus filhos, eu estou desinvestindo na relação com os pais dos amigos, eu estou tendo menos competência para crescer profissionalmente, tentando dar conta do que eu não resolvo, que é o caso master, por exemplo, enquanto que aquilo que depende de mim, que é a educação dos meus filhos, melhorar profissionalmente, eu estou deixando de lado.

Então seria um aspecto que eu acho que é importante e relevante a gente conversar aqui.

PPétrea

Totalmente. Agora, como é que a gente pode conduzir, Rossandro, uma cultura diferente dessa? Ontem eu trazia aqui uma super pesquisadora, ela que cursou universidade na França, é historiadora, enfim, pesquisa comportamento. E ela fala sobre esse, como essa cultura do algoritmo ela tá moldando o nosso comportamento. Então é um comportamento, eu faço conexão com isso que você tá me trazendo agora, é um comportamento algoritimizado, né?

RKRossandro Klinjey

Sim, com certeza, sem dúvida.

PPétrea

Isso tão empobrecedor. Como você entende que dá para fugir disso? Eu pego o gancho em elos verdadeiros, em experiências verdadeiras, mas como é que você vê isso?

RKRossandro Klinjey

Primeira coisa é essa consciência que você trabalha tão bem na coluna que vem antes da minha, né, com Silvio, com a— esqueci, deu um branco agora.

PPétrea

E a calça ágil, os três.

RKRossandro Klinjey

Não, aqui você trabalha sobre tecnologia com Silvio Meira e a Rosário Pompeia. E as outras, de um modo geral, né? Você, o programa inteiro é um programa que tem o objetivo de diagnosticar a sociedade sem acusação, mas trazendo um nível de consciência mais elevado. Então, primeira coisa é: vamos ter consciência, nós, a sociedade planetária, está dominada por 5, 4 grandes big techs que dominam as redes sociais e a internet, e que estão decidindo e tendo mais poder do que chefes de estado.

Eles não foram eleitos, eles não podem ser depostos, mas nós podemos fazer alguma coisa para inibir isso. Enquanto a gente não consegue coletivamente fazer uma coisa para inibir isso, a gente pode individualmente fazer isso. A gente pode educar o nosso algoritmo. Você fala muito disso aí no programa, várias vezes. Seguir conteúdos elevados, aquilo que eleva seu estado de consciência, pessoas que trazem discussões sérias, que querem aprofundar as questões e não no rame-rame do ódio que alimenta essa bad emocional das pessoas que gostam de odiar.

Então esse é o primeiro movimento. O segundo movimento é também nas próprias escolas, na sociedade. Nós temos educação midiática, de fato, nós sabermos ter uma postura nas redes sociais, na internet, minimamente ética. E se for preciso, começar a punir as pessoas, porque não há punição ainda. Ninguém só faz um post lá de ódio, ninguém consegue chegar, sabe, Tudo é perseguição à liberdade de expressão. Então assim, eu posso dizer o que eu quiser, eu posso trazer a violência que eu quiser, liberdade de expressão.

Então tem ali uma linha tênue, isso vai também por rama e rama de direita ou de esquerda, né? Então nada consegue ser uma discussão saudável que leve em consideração o correto. Enquanto isso, enquanto alguns defendem a liberdade total das redes sociais e os filhos estão se matando e se suicidando por causa disso, que essa é a verdade que ninguém quer contar, Crianças que estão, inclusive semana passada, conversando com a delegada que cuida desses casos em São Paulo, foram 3 casos de crianças que no Discord ao vivo transmitiram a própria morte.

PPétrea

É bizarro.

RKRossandro Klinjey

Isso ninguém quer falar. Isso é liberdade de expressão, não vamos perseguir. Ok, é isso que a gente tá tendo. É preciso você perder o seu filho para você então parar com esse discurso baixo, ridículo e superficial de que é liberdade de expressão? Sim, tem que ter, mas tem que ter também punição. Quer dizer, se você for abrir uma padaria em São Paulo, tem que ter não sei quantas regras. Mas abrir uma rede social para odiar e estimular ódio e perseguição, ninguém pode fazer nada contra você.

Tudo pode ser legislado, menos as redes sociais. Como assim? Se o mundo é o mundo que precisa ordenar, e pra gente construir o projeto civilizatório tênue e frágil que a gente tem, é em cima de muita legislação acumulada ao longo da história humana, né? Então é preciso que a gente tenha consciência disso, preciso que a gente faça a nossa parte enquanto sociedade, enquanto escola.. E a gente depois poder atingir esses grandes peixes, que eles são muito inatingíveis, esses tubarões do oceano azul das redes sociais.

PPétrea

E, Rossandro, é inevitável te falar isso também, né? É tentar as pessoas terem a consciência no geral, se a gente está tão crítico em relação ao nosso comportamento, ficarem mais offline, ficarem mais em silêncio, perceberem mais o próprio corpo, a nossa reatividade, porque isso nada mais é também do que uma sociedade bizarramente reativa, né?

RKRossandro Klinjey

Super! É em busca daquilo que você costuma dizer de inteligência ancestral, né? O nosso corpo mostra quando a gente pega aquele conteúdo e já sente uma angústia. A gente sabe que as pessoas fazem para gerar esse sentimento para a gente compartilhar, que a rede é alimentada, o algoritmo gosta de coisas que geram ódio, que as pessoas passam mais tempo. É simples a conta, você consegue ligar para alguém, passar 10 minutos culhambando.

Mas não consegue ver 10 minutos que ama. É o nosso nível evolutivo. E aí a rede usa isso para ampliar isso. Então sair, olhar, se escutar, conviver, interagir com quem importa, com quem está perto, em vez de estar dando energia para esse mundo externo do ódio, como se você lacrar ou compartilhar conteúdo fosse mudar o estado das coisas. Mude sua casa, mude sua casa interna, Amor, muito focado na família, que é a melhor contribuição que você pode dar para um organismo chamado sociedade.

PPétrea

E uma última coisa que eu penso também, é bom, vindo depois de uma imersão, como eu te contei, você que trabalha com isso, atendeu em consultório muitos anos, lida com pessoas há muitos anos, né, no aconselhamento. Eu acabei de voltar de uma imersão, né, de uma formação, como eu contei aqui até para alguns ouvintes, já numa formação de yoga, que é uma prática que eu faço há mais de 20 anos e falo dela nos meus dois livros. A necessidade da gente voltar para um corpo saudável, e quando eu falo corpo saudável é até pernicioso, porque muitas pessoas hoje em dia vão para o corpo e fazem de maneira extremista também, é para postar em rede social.

Não, a gente tá falando de forma saudável, de voltar para um corpo harmonioso, mente harmoniosa, respiração, conexão, né, para uma mente saudável. Tá tudo conectado, né? Mas estar no corpo, eu falo isso, é muito importante, Rossandro.

RKRossandro Klinjey

Sim, a gente deixou de escutar os sinais do corpo. O corpo, por exemplo, ele diz que você tá numa relação ruim porque ele começa a ter gastrite, você não dorme, dor de cabeça, e você fica num trabalho tóxico, numa relação tóxica, numa amizade tóxica. Seu corpo tá dizendo: sai! E você não sai, ou dá sinais A gente precisa voltar a aprender a escutar o nosso organismo. Nós somos um ser biopsicossocioespiritual e essas dimensões todas precisam ser sentidas, percebidas, senão a gente vai se desconectar cada vez mais e um dia a gente vai se estranhar.

E não escutar o próprio organismo que dá tantos sinais interessantes pra gente, né? A intuição inclusive ela fala no corpo, a gente sente alguma coisa assim, não é por ali. Vamos voltar a escutar, isso não é algo do feminino como alguns homens idiotamente pensam, isso é algo do humano. É, e eu acho que a gente precisa trazer isso de volta para a gente ter uma sociedade mais saudável.

PPétrea

A gente tá com essa crise total de ansiedade, depressão, porque falta uma parte do humano que é caracterizada como feminina, ou é caracterizada como mimimi, ou é caracterizada como sensibilidade, fragilidade. É por isso que a gente tem aí recorde de depressão, recorde de ansiedade, ausência no trabalho. Olha para os sintomas e tenta curar a raiz. Meu amor.

RKRossandro Klinjey

Exatamente.

PPétrea

Um beijo para você. Beijo. Eu tô convivendo com você todos os dias por meio de palavras, hein? Vou deixar só isso aí. Eu só vou levantar essa bola para ouvinte ficar curioso.

RKRossandro Klinjey

O que será que vem aí, hein? O que será que vem aí?

PPétrea

Esse cara não para, ele não para. Beijo, Rossandro Clincha, divã de todos nós, agora repórter CBN.

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